Bracelet

1 Elo Inquebrável


Notas iniciais
Oie, oie~
De volta com uma oneshot! Eu tive esta 'brilhante' ideia enquanto revia alguns episódios do anime para um post da página do facebook, aí pensei que era uma boa ideia para fic... E "porque não fazê-la eu mesma?". Basicamente é este o resultado depois de três horas XDXDXD
Espero que gostem,

Desfrutem da leitura*

"Coloque-o, e nunca mais o retire."

A bracelete dançava em meu pulso, enquanto sua voz se repetia em mente a ordem recebida pelo quarto espada. Antes de partir para Hueco Mundo em sua companhia, ele lhe oferecera aquele acessório como símbolo da sua união com os inimigos.

Só arrancares a poderiam enxergar enquanto ela o utilizasse, sua presença sumia completamente do Mundo Real. Nunca poderia ser encontrada por outro, se não ele.

Na primeira vez, sentiu um desprezo imenso daquele pequeno utensílio. Uma solidão aguda perfurou seu peito porque ninguém a poderia alcançar.

Actualmente percebia seu ledo engano. Nunca estivera só. Os olhos jade sempre seguiram seus passos.

Vagarosa caminhava pelas ruas movimentadas da cidade de Karakura. Os vários corpos chocavam-se entre si com brusquidão, porém isso não perturbava Orihime que prosseguia seu trajecto indiferente à confusão que a rodeava. Em seu pulso direito, uma pulseira prateada cintilava ao receber a luminosidade dos raios solares. Ela poderia tê-la retirado, livrando-se dela, e apagar aquela fase macabra de sua vida. Contudo isso seria esquecê-lo também.

Ergueu a mão até o peito, numa pequena prece. Ela nunca iria retirar Ulquiorra de sua memória. Do elo que secretamente fizeram em seu encontro, e que o manteve após sua partida. Ela esperaria por seu regresso. Porque mesmo após assistir as cinzas esvoaçarem pelos ventos frescos do deserto, ela tinha a certeza que ele estava vivo.

- Ah, onde você está Ulquiorra?

Subitamente ela grita assustada, quando se depara com um olho extraordinariamente verde pairar à sua frente, a encarando. Demorou uns segundos a recompor-se dessa realidade surreal, e minutos para reconhecer aquele pequeno órgão balançar perto de si.

- Este não é… O olho de Ulquiorra?

Agachou-se minimamente para ficar à altura do olho bizarro que não se mexera com seus gestos. Infantilmente curiosa, ela levanta o indicador, fazendo menção de o tocar mas bruscamente travou esse gesto. E se o magoasse? Afinal, era um olho e quando se toca nele cria-se muita dor.

Como se tivesse feito a melhor dedução de sempre, ela sorriu avoada não reparando numa sombra que se aproximara de sua retaguarda cautelosa.

- O que você pensa que está fazendo, mulher?

Pela segunda vez, Orihime sentiu seu coração saltar violentamente contra o peito. Por um momento deixou de respirar, não pelo susto, e sim pela expectativa de encontrar uma tal fisionomia atrás de si. Rodopiando seu corpo lentamente, encontrou-se com o quarto espada intacto, somente com uma pálpebra fechada. Assistiu o moreno se aproximar dela, recuperando seu olho e colocando-o no devido lugar.

Em outras circunstâncias poderia ter sentido repulsa. No entanto a única coisa que fez foi abraça-lo fortemente, que consequentemente fez com que o pequeno objecto em seu pulso fosse pressionado na nuca do espada.

- Ulquiorra, você me estava seguindo?

Pergunta idiota. Porém, ela precisava de saber que não era ilusão de sua mente, que não era desespero de seu coração sentir que seus olhos sempre a seguiram todo este tempo.

- Porque o usa sabendo que só eu a veria, se não queria ficar sozinha?

A ruiva discretamente remexeu a cabeça, enquadrando-a na curva do pescoço alvo do espada, enquanto timidamente foi baixando seu pulso onde lá se localizava a misteriosa bracelete.

- Eu o estive procurando Ulquiorra, todo esse tempo, eu queria que você me visse.

- Mulher, você continua a mesma. Sempre dependente dos outros.

Orihime gargalhou apesar das lágrimas que escorriam por sua face. O jeito dele era único e indescritível. Porém, ela sentira saudades. Em Hueco Mundo ele sempre iluminava seus aposentos com sua presença, destruindo sua solidão.

Ao retornar para o seu mundo, pensou que tudo voltasse à normalidade. E de facto, isso aconteceu. O vazio que todos os dias se prendia em seu quotidiano regressara porém desta vez não havia aqueles calorosos momentos em que podia desfrutar das visitas do seu sequestrador.

Nesse instante, ela percebeu a dor que sua ausência deixara.

Um oco em seu peito se alargava, idêntico ao que Ulquiorra possuía. Ela percebera que eles tinham mais em comum do que aparentavam. Ambos estavam condenados à solidão, e ao terem-se encontrado, preencheram esse buraco em suas almas.

Infantilmente, a ruiva começou a cutucar e a circular o oco do espada, enquanto cantarolava.

- Rosa, rosa, rosa…

- O que está fazendo mulher?

- Nos manuais, está escrito que o chakra que está ligado ao nosso coração é de tonalidade rosa.

- Que disparates. Isso não existe, porque…

- ... Não podemos ver, certo?

- Isso mesmo.

Inoue recuou pequenos passos sorrindo em sua direcção, mantendo seus braços envoltos no pescoço de Ulquiorra. Ele ergueu uma sobrancelha, desconfiando de suas atitudes. Pressentia que ela faria algo de estranho que ele não iria conseguir compreender.

- Nós estamos aqui, certo?

- Você ficou maluca, mulher.

Ela torceu os lábios, ligeiramente irritada com o insulto. Não era propriamente essa a resposta que esperava.

- Ulquiorra-kun, responda à pergunta!

O quarto espada sentiu vontade de rir com a face enrugada da ruiva, deixando consequentemente que ela o designasse como se fosse um mortal. Acabou por ceder a seus caprichos humanos.

- Sim, estamos aqui.

Novamente o sorriso iluminou a sua face, voltando a intrigar o espada. Seu braço direito abandonou o ombro do arrancar para ser flexionado ao lado da cabeça com madeixas alaranjadas, destacando o brilho da bracelete.

- Mas ninguém nos consegue ver. E nós estamos aqui, nós existimos apesar disso.

Sorrateiro, um discreto sorriso rasgou a face austera. Ele depositou seus dedos pálidos no item que lhe oferecera outrora, remexendo-o em sua palma.

- “Nunca mais o retire.” Porque segue ainda essa ordem?

- Porque… Somos amigos, certo? A união dos dois mundos… Não é algo bonito?

O espada assistiu a um leve rubor na face arredondada da mesma; distraído com os movimentos irregulares da boca da ruiva, não foi rápido o suficiente para escapar de seus lábios quando estes tocaram os seus. Poderia tê-la empurrado posteriormente, afastado seu corpo quente do seu, porém não teve forças para isso. Uma humana desarmara completamente um espada de elite, o servo mais fiel do exército criado por Lord Aizen.

Aquela mulher era uma humana peculiar. Sempre o surpreendia com seus poderes surreais.

Ao se afastarem, Ulquiorra ainda podia sentir o sangue vivo queimar sua pele. Sua face nunca se ruborizaria, apesar disso inflamava, e estava certo de que Inoue podia sentir isso. Permitiu que ela enlaçasse suas mãos e o puxasse para seguir com ela seu trajecto.

Para a multidão, nada mudara. Era como se o casal não existisse.

Orihime exprimia um sorriso aberto e cativante, convicta de que as correntes de chakra a circulavam em simultâneo com o espada, como um arco-íris, de tantas cores que poderiam criar juntos. Porém, a mais bela era o rosa, a fonte do amor entre dois seres opostos mas apaixonados.

Notas finais
Preferem o livro de reclamações ou o de elogios? :3
Obrigada a quem leu!
Nos vemos brevemente com A História de Karin,
Jya née O//
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!