Notas iniciais
nao gostou da falta de acentos e cedilha: compre um teclado PT para mim

- Voce matou ele! — exclamou com os olhos arregalados segurando o pequeno bolinho de plumas entre as maos, os outros meninos comecaram a comemorar e John engoliu a seco enquanto se aproximava do rapaz ajoelhado com lagrimas forcando saida — Por que voce fez isso??

- Eh so um passaro, Paul...

- Ele era um ser vivo! Ele respirava e comia e dormia e acordava como todos nos, e se voce fosse esse passaro, John? — choramingou ainda encarando o cadaver que segurava com a ferida feita pela pedra para baixo, sujando seus dedos com o sangue do animal.

- Mas eu nao sou — respondeu indignado com a comparacao, um dos meninos chegou atras do mais velho e apoiou uma mao em seu ombro puxando-o.

- Deixa esse viadinho para la Johnny, vamos para o fliperama — murmurou num tom de deboche que nao agradou a John, Paul estava devastado e so sua imagem fazia sua garganta latejar de arrependimento, ele ja andava nao dando tanta atencao para seu melhor amigo por causa das novas amizades e sabia que isso afetava o garoto imensamente, larga-lo ali daquele jeito nao teria desculpa.

- Nao, vao voces na frente, eu vou depois que leva-lo para casa — falou empurrando a mao do amigo, que hesitou.

- Voce nao vai fazer um velorio pro bicho, ne?

- Nao! Eu so vou falar com ele e depois ele vai pra casa, certo Pauly? — levantou a voz no final da frase e o outro nem se mexeu, entortou a boca desconsertado.

- Ok John, ate mais entao — escutou a voz atras dele ja em movimento e logo eram so ele e Paul na clareira. Depois de alguns minutos em silencio, foi ate o lado do mais novo e se agachou.

- Voce esta b...

- Eu quero enterra-lo — cortou sem levantar os olhos, John olhou para o bicho morto e torceu o nariz para seu corpo retorcido, finalmente assumindo uma expressao tao triste quanto a de Paul.

- Me desculpe.

- Voce nao me deve desculpas — Paul respondeu suspirando e abaixou as maos depositando o passaro delicadamente no chao ao seu lado esquerdo, se dispondo a arrancar grama para dar espaco para cavar, John nao demorou para ajuda-lo e em pouco tempo o cobriam com a terra que tiraram do pequeno buraco, suas maos agora vermelhas e sujas. Ficaram encarando a elevacao na terra ate Paul ficar de pe com certa dificuldade e correr ate uma arvore ali perto com pequenas flores brancas proximas as suas raizes, John assistiu atentamente e ligeiramente irritado enquanto o outro arrancava duas flores e voltava correndo parando de pe ao lado do mais velho entregando-o uma delas.

- Isso ta ficando ridiculo — quebrou o silencio recebendo um olhar mortal de reprovacao.

- Voce matou ele, o minimo que pode fazer eh dizer algumas palavras bonitas e colocar uma flor — John ficou de pe e revirou os olhos.

- O que eu poderia dizer para um passaro morto, Paul??

- Talvez pedir desculpas pelos filhos dele que estao em algum ninho por aih morrendo de fome nesse momento? Ou pela mulher dele que tera que cuidar deles sozinha? Ou simplesmente pela vida que ele tinha pela frente voando por aih e cantando alegremente? — John tinha certeza que ele havia enlouquecido, mas resolveu que nao ia discutir por causa disso e virou-se para o pedaco de terra sem gramado a frente deles.

- Eh, foi mal — resmungou jogando a flor, recebeu um tapa no braco e antes que pudesse revidar Pauly agachava.

- Eu sinto muito que por culpa dele voce esta morto, mas tenho certeza que ele no fundo se arrepende e alguem sentira sua falta, pois eu sinto que voce era um bom passarinho — murmurou deitando sua flor por cima da outra, partindo o coracao de John. Nao que ele fosse deixar transparecer.

- Ok, hora de ir para casa — falou meio segundo depois puxando Paul pela camisa e o arrastando ate que o mesmo conseguisse ficar de pe. A caminhada foi silenciosa ate pararem na porta da casa de Paul.

- Voce... Vai para o fliperama? — perguntou com a voz fraca olhando para os proprios sapatos levemente sujos.

- Provavelmente nao — respondeu olhando para o lado — Por que?

- Eu... A gente poderia ir pro meu quarto e escutar um pouco de musica, agora eu tenho meu proprio radio — falou num tom mais animado levantando os olhos para olhar nos de John.

- Pode ser — Paul sorriu e John sentiu-se aliviado. Mas no meio do pequeno caminho ate a porta parou apertando os olhos — Sua mae ainda me odeia?

- ...Nao sei. Mas ela nao esta em casa e voce pode sair pela janela — aceitou a solucao sem pensar duas vezes e adentraram a casa sem mais uma palavra ate a porta do quarto estar positivamente fechada.

- Como vai Mike? — perguntou John desinteressado se jogando na cama que um dia fora tao familiar quanto a propria, mas ja faziam semanas que o visitara. Olhou em volta e percebeu que tinha algumas imagens novas, e notou claramente o novo radio mencionado com que Paul mexia.

- Bem — conseguiu finalmente liga-lo e se jogou no chao apoiando as costas na cama, ajustando a estacao que tanto gostava.

- E Jim?

- Bem tambem.

- E voce? — Paul virou a cabeca para olha-lo, suas grandes orbitas demonstrando algo alem do que o mais velho podia entender.

- Aprendi a tocar violao — John pulou para sentar, nao escondendo sua animacao.

- Serio?

- Aham — estava entretido com a animacao do amigo, tanto tempo que nao o via assim.

- Voce tem que me ensinar um dia desses.

- Ok. Mas voce tera que vir aqui mais vezes e arriscar dar de cara com minha mae — voltou a encarar o radio.

- Pode ser — apoiou-se nos cotovelos e fechou os olhos, escutando cada acorde da musica como se fosse ele proprio tocando.

- John?

- Hm?

- Por que a gente nao se beija mais? — ao realmente entender a pergunta, abriu os olhos um tanto quanto alarmado.

- Por... Do que voce esta falando? — achou que se fingir de idiota seria o jeito mais facil, o outro logo desistiria do assunto, tinha que.

- Ate alguns anos atras a gente fazia isso, fora da vista da minha mae eh claro, mas por que a gente nao faz mais? Voce desapareceu daqui e...

- Nao seja tao viadinho, Macca — cortou rapidamente.

- Eu odeio voce agora — respondeu baixo, ainda sem levantar os olhos do radio — Odeio como voce eh com seus novos amigos, eu gostava de voce antes quando a gente se beijava. Agora voce so sabe machucar e ser grosso — sentia sua garganta apertar, mas lutou bravamente contra lagrimas. John respirou fundo e deitou a cabeca.

- Nao sou um grande fan seu agora tambem.

- Voce mudou muito.

- E voce nao mudou nada — grunhiu.

- So... responda a pergunta. Por que?

- Porque... Isso eh coisa de gay.

- E dai?

- E dai que eu nao sou gay.

- Por que?

- Porque... — realmente nao sabia como responder, soaria idiota se falasse que era por causa dos amigos. Apos alguns momentos de silencio, Paul suspirou.

- Acho que esta na hora de voce sair — disse rispidamente, ficando de pe e apoiando o radio no movel em que se encontrava antes. John hesitou, mas nao demorou para ficar de joelhos na cama e comecar a abrir a janela. Virou para o mais novo, que estava encostado contra a parede encarando de volta.

- Eu sinto sua falta. Mesmo — murmurou deixando a mascara de durao cair por alguns segundos, olhando para o chao de vergonha — E eu quero que voce me ensine violao, nao outra pessoa. E eu realmente sinto muito pelo passaro — engoliu a seco lembrando do olhar de Paul segurando o bicho morto.

Apos alguns segundos de silencio, levantou a cabeca ao perceber o amigo se aproximando, mas nao teve tempo de impedir que suas bocas se encontrassem. Deixou se entregar sem querer, mas logo suas maos afastaram-no pelos ombros.

- O que voce esta fazendo? Eu ja disse que nao sou gay! — falou querendo soar irritado, mas falhando. Principalmente com aquele par de olhos tao perto, e tao grandes, e tao singelos, e decidiu manter seus bracos caidos ao lado do corpo quando Paul beijou-o novamente, agarrando fortemente ao seu cabelo.

Tinha algo a mais dessa vez, sem duvidas. Um sentimento dentro dos dois que desgastava seus folegos so de entrarem em contato com o mesmo, e quando o mais novo abriu a boca e quis sentir o gosto do outro nao houveram hesitacoes. Foi um pouco estranho quando suas linguas se tocaram pela primeira vez, mas fizeram questao de nao desmancharem o beijo ate estar confortavel o bastante. John so percebeu ao se separarem com a respiracao pesada que seus bracos estavam em volta da cintura de Paul, e se afastou quase instantaneamente. Ficaram se encarando ate ambos recuperarem o folego, e Paul mordeu os labios fazendo John se afastar um pouco mais e bater com a cabeca no vidro da janela, com medo dessa sensacao que tomou posse dele de repente.

- Eu tenho que ir — falou num tom de voz urgente, mas sem mexer um musculo, como se estivesse convencendo a si mesmo.

- Ou... Voce pode ficar. E dormir comigo, como antes — Paul respondeu baixo e cuidadosamente, seus dedos arqueando com a sua vontade de agarrar as vestes do amigo para ter certeza de que ele nao sairia. O mais velho balancou a cabeca negativamente.

- Nao eh uma boa ideia.

- Por que nao?

- Porque... Voce me faz querer ser gay — respondeu com uma careta mais de confusao do que nojo realmente.

- E qual eh o problema? Eu nao contarei para ninguem — falou de um jeito um pouco desesperado, odiando a si mesmo por isso.

- Hm... Mimi esta esperando por mim — tossiu forcadamente e virou para a janela sentindo sua camisa ser agarrada.

- Fique so mais um pouco entao — notou que nao conseguiria sair naquele momento, entao fechou a janela suspirando, pensando consigo mesmo que nao ficaria mais do que 10 minutos. Mas passou-se meia hora e os dois ja estavam em sono profundo quando Mary encontrou-os um nos bracos do outro, fazendo um sentimento antigo voltar ao coracao da mae.

Notas finais
nenhum passarinho foi machucado durante o processo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.