Bound To You.
25 24. No humanity left
Já era tarde da noite quando Alexis foi incumbida de procurar por Elijah no complexo. Ela estava pronta para a festa, mas devidamente sem humor para o mesmo. Ela subiu até o quarto do vampiro e bateu na porta, instintivamente sentindo que não deveria ter feito aquilo.
Aparentemente, suas batidas não foram ouvidas pelo vampiro adormecido no quarto. Já tinha horas desde o momento que Davina o deixara para se arrumar para o tão esperado momento e ele ainda dormia profundamente, nu em sua cama.
Alexis abriu a porta lentamente, esguelhando o olhar para dentro do quarto escuro. Esperava que fosse encontra-lo se arrumando também, mas uma voz em sua cabeça dizia que tinha algo de errado. Elijah não fazia o tipo que se atrasa, ainda mais para uma celebração onde ele era o anfitrião, junto com sua família.
Acendeu a luz delicadamente e o viu deitado, dormindo profundamente e logo reparou em sua nudez. Desviou os olhos após um longo momento observando o corpo em repouso do vampiro, fazendo algumas notas mentais sobre sua beleza.
— Elijah? – ela sussurrou. Sabia que seria o suficiente para acordá-lo. – Elijah? – disse novamente enquanto notava que ele abria os olhos lenta e preguiçosamente. – Está atrasado para seu próprio evento.
A cabeça de Alexis estava virada para o lado contrario ao qual o vampiro estava deitado e, apesar de ser surpreendido sem roupas, ele não se importou. Levantou-se da cama lentamente e caminhou em direção ao próprio armário.
— Talvez eu não queira ir – ele brincou, enquanto vestia roupas intimas e procurava por algo menos formal do que um terno.
— Não é realmente uma escolha – ela pontuou, desanimada.
Elijah virou para olhá-la e notou sua expressão desanimada, assim como suas roupas de couro e um espartilho overbust justo, que realçava seus seios e sua cintura.
— Sempre há uma escolha – ele devolveu, demorando para desviar os olhos da vampira. – O que acha de irmos para outro lugar?
Um pontada de excitação correu pelo corpo de Alexis, unicamente pela ideia de sair do complexo e poder aproveitar alguns momentos distante de toda aquele drama familiar, que ela ainda não conseguia compreender totalmente como tinha se enfiado até o pescoço, mas não respondeu. Assim que Elijah terminara de se vestir, ela voltou a olhá-lo, ainda em silencio, esperando que a racionalidade voltasse ao vampiro.
— Uma moeda por seus pensamentos – ele tornou a brincar, descontraidamente.
— Acho que você não quer estar na minha cabeça – ela devolveu, entrando completamente no quarto e fechando a porta atrás de si. – Vamos, sabe que Klaus conta com sua presença.
— Sei, mas isto não me impede de fazer o que eu quero fazer esta noite. Você tem a opção de me acompanhar ou descer para a festa com essa cara de quem não quer ir – ele devolveu. – Sei de outro evento afastado do Quarter, onde podemos nos alimentar livremente, direto da fonte.
Aquilo sim era uma proposta. Alexis sentiu seu corpo esquentar com a ideia de provar sangue humano direto da fonte, já que desde quando se tornou vampira, sua única fonte eram bolsas de sangue. Estoque ilimitado, mas temperatura ambiente. Ela mordiscou o lábio, reparando que pela primeira vez, Elijah vestia roupas informais. Jeans, camiseta, tênis.
Elijah sorriu em direção a vampira e estendeu a mão simbolicamente, como se esperasse que ela aceitasse seu convite com um aperto. Alexis deixou os pensamentos de lado e aceitou, impulsivamente o convite do vampiro.
Os dois saíram sorrateiramente pelos fundos do complexo, entraram no carro mais discreto que tinham e foram juntos em direção ao lugar que Elijah a convidara.
— Você já foi em uma rave? – ele perguntou, com um tom divertido na voz.
Alexis tinha a sensação de estar em perigo todas as vezes que Elijah usava aquele tom zombeteiro, sabia que algo estava diferente no vampiro, mas preferiu ignorar todos os seus instintos e avisos mentais, unicamente pelo prazer em beber sangue e pela diversão.
— É claro que já. Como pensa que eu me divertia quando era mortal? -ela indagou – Não me diga que está me levando para uma.
— Não é exatamente uma rave, mas podemos nos divertir com as pessoas por lá… — ele falou de maneira evasiva. – Vou mostrar a você o que é uma festa para um vampiro.
— Você não acha que Davina ficará brava conosco? Por não estarmos lá… Você sabe como ela se sente a respeito do seu irmão. – Alexis testou.
— Acho que não somos necessários, a única que pode fazer magia estará lá – respondeu Elijah prontamente.
Ele sabia que Alexis estava testando-o. Ele sabia que sua humanidade estava, de alguma forma, desligada. Sabia que deveria se preocupar com isso, já que um vampiro de sua idade não tinha mais aquele famoso interruptor, mas ele simplesmente não se importava. Sua mente girava em torno de alguns prazeres mundanos que ele vinha se privando há muitos séculos. Diversão, carne, sangue… Ele sequer conseguia se lembrar se algum dia teria aproveitado o fato de ser um vampiro.
Chegaram pouco mais de uma hora após terem saído. A fila para entrar naquele clube estava virando o quarteirão. As pessoas animadas, engatavam conversas altas sobre assuntos que não o interessavam. Vestiam roupas coloridas, que provavelmente refletia em luz negra. Ele podia notar as pupilas dilatadas, ouvia os corações acelerados e a pulsação da artéria no pescoço de muitos. Salivou com a ideia.
Elijah estacionou seu carro próximo a boate e os dois desceram. Caminharam direto para o inicio da fila.
— Não é possível que você seja influente assim – Alexis comentou, descrente que seria possível furar aquela fila gigante.
— Não sou influente, mas sou bem capaz de convencer o segurança a nos deixar entrar – ele falou, lembrando-a que eles eram vampiros, afinal. Podiam compelir qualquer ser humano a obedecê-los e graças ao fato de Elijah ser um Original, vampiros também eram obrigados a obedecer.
Eles entraram rapidamente e foram em direção ao bar, pediram shots de tequila e começaram a tomar. O liquido âmbar desceu queimando, feito a sede que sentiam, por suas gargantas.
— Lembre-se: eles não podem perceber o que somos – ele orientou, falando com seu hálito quente diretamente nos ouvidos de Alexis. – Force a ficarem quietos, tome e apague sua memória.
Ela assentiu positivamente com a cabeça, embora tivesse demorado um pouco para entender o que o vampiro quis dizer. Observou Elijah caminhar para frente da pista, observou-o dançar com uma garota de longos cabelos negros e então aguçou sua audição para ouvir o que ele dizia a ela:
— Não grite, não se mova. Você pode até gostar – a voz dele era sensual. Ela observou que Elijah lançou a ela um olhar cheio de significado e então viu ele beijar o pescoço da garota. Sabendo que na verdade, ele estava sugando seu sangue. Ela sentiu sua garganta queimar só pela ideia de tomar, mas continuou observando. Até que ele levantou os lábios e tornou a falar. – Esqueça que nos cruzamos.
Ele virou novamente em direção ao DJ que tocava e voltou a dançar despreocupadamente enquanto ela tomava mais um shot e ia em direção a ele.
— Isso foi incrível – ela elogiou notando que os lábios de Elijah estavam sujos de sangue. O descuido era proposital? – Você está sujo aqui.
— Alexis, você está tensa demais. Relaxe, tome tudo que quiser, eles são ovelhas e você o pastor. Olhe a sua volta, ninguém sequer nota que estou com sangue em meus lábios – o tom de Elijah estava assassinamente tranquilo. Ele deixou sua face vampírica aparecer, como que para garantir que ninguém ali estava com as faculdades mentais em estado lucido o suficiente para notar.
Então Alexis se convenceu, com certa desconfiança. Virou as costas para Elijah e encontrou sua presa. Era um rapaz, olhos e cabelos castanhos, muito mais alto do que ela. Dançaram juntos como se a noite não tivesse um fim, ele ofereceu a ela a bebida que tomava e ela rapidamente aceitou.
— Água? – ela questionou, incrédula.
Ele deu de ombros.
— Me ofereça algo melhor – ela compeliu. – Me ofereça seu pescoço.
Ele expos o pescoço na direção da vampira.
— Ótimo, agora aproveite. – Ela afundou seus dentes na carne do pescoço do rapaz, sentiu que ele amolecia seu corpo enquanto segurava em sua cintura e então parou. – Esqueça que me viu.
Ela virou-se para Elijah e viu que ele aplaudia discretamente enquanto virava-se para outra moça. Logo Alexis descobriu que o segredo era sorver poucos goles, o suficiente para o corpo do humano não sentir real falta de sangue.
Era delicioso aquela forma. Ela agradecia a Elijah mentalmente por ter apresentado aquele tipo de diversão. Afinal o vampiro de terno sabia se divertir. Ela sentiu uma cutucada em suas costas e quando virou-se para olhar, ele estava com um copo recém abastecido do bar.
— Podemos ficar bêbados? – ela perguntou, enquanto tomava a bebida que tinha uma coloração arroxeada.
— É claro que podemos. O sangue deles, tudo que tem, nós absorvemos, sem contar nossa bebida – ele explicou, virando todo o liquido e amassando o copo em sua mão.
— Você tem talento – ela elogiou, surpresa por vê-lo tão desinibido e tão imprudente com a bebida.
Elijah deu de ombros e virou aleatoriamente para um rapaz que passava. Compeliu e bebeu um pouco agressivamente. Assim que terminou, o rapaz saiu com os olhos vazios.
Alexis deu risada. A camisa de Elijah começava a sujar com os respingos de seu desajeito para alimentar-se. Era proposital.
Ele observava todas as vezes que Alexis virava-se para se alimentar. Aquela calça justa de couro, o espartilho modelando seu corpo. Ela ficou na ponta dos pés para abraçar um homem e ele observou as laterais de sua lingerie escapando da calça. Ah, lembrou-se de outro prazer que estivera buscando naquela noite.
— O que está olhando? – Alexis perguntou, notando que a forma que ele encarava era diferente pela primeira vez. Ela elevou uma sobrancelha na direção de Elijah e pegou o vampiro pela mão, indo em direção ao bar. – Vamos, não é só de sangue que quero passar essa noite.
Ele não teve tempo de responder, apenas a seguiu, notando que a musica trocava o estilo ao passo que um novo DJ entrava.
— Como podemos nos alimentar de bolsas de sangue quando tempos isso? – ela indagou.
— Pela praticidade – ele explicou. – Mas podemos nos divertir de vez em quando.
Uma rodada de 4 shots de tequila foi servida e Alexis desafiou Elijah com o olhar enquanto balançava a cabeça no ritmo da música.
— As 4? – ele perguntou teatralmente.
— Mas é claro senhor milênio – ela brincou, sentindo-se incrivelmente mais confortável com a presença do vampiro.
Ele apontou o dedo na direção de Alexis com um sorriso malicioso.
— E o que eu ganho?
— O prazer da minha incrível companhia – ela respondeu, perguntando-se se Elijah estava flertando com ela.
Ele fez um sinal negativo com a cabeça enquanto tomava o primeiro shot. Umedeceu os lábios com a língua e tomou os outros três shots sem pestanejar.
— Por que estivera escondendo esse seu lado todo esse tempo? – Alexis questionou, já calculando e escolhendo sua próxima vitima.
— Não estive escondendo – ele respondeu evasivamente, não queria comentar a respeito de sua humanidade adormecida.
Os dois desviaram os olhares, buscando seu próximo pescoço. Elijah sentiu sua cabeça girar, provavelmente pelo efeito da tequila e do monte de sangue. Sorriu enquanto se sentava e observava uma garota vir em sua direção.
Ele tinha sido fisgado.
— Tenho observado vocês desde o inicio da festa – ela disse rapidamente e um alerta vermelho acendeu no cérebro de Elijah, tinha sido despretensioso demais em achar que não chamaria atenção? – E se vocês estiverem juntos, me perdoem. Mas eu quero te beijar.
Ele olhou para Alexis, surpreso. Os dois soltaram uma risadinha cumplice e Alexis por um momento esqueceu completamente de que aquele era o namorado de sua melhor amiga.
— Não, não estamos juntos – ela falou, debruçando-se sobre o bar. – Mas meu amigo aqui é muito antiquado, não sei se ele vai cometer a atrocidade de beijar alguém em uma festa – ela debochou.
Elijah observou o olhar confuso da mulher a sua frente e então olhou para Alexis. Apesar de estar debruçada no bar, seu corpo estava inclinado para ele.
— Antiquado em uma rave? – a garota questionou. – Essa é nova.
— Não ligue para ela – ele respondeu, ficando em pé e caminhando em direção a garota lentamente. Ela exibiu um sorriso malicioso. – Ela não sabe pegar o que quer.
A indireta foi recebida com sucesso por Alexis, ele lançou a ela um ultimo olhar e então uniu seus lábios aos da garota que não sequer sabia o nome. A boca dela estava com gosto de morango, provavelmente do pirulito que estivera chupando. O beijo durou alguns segundos, Alexis observava desejosa.
A garota virou as costas e caminhou como se tivesse esquecido de tudo que tinha passado.
— O que você fez? – Alexis perguntou, confusa.
— Posso ter convencido de que ela nunca nos viu – ele deu de ombros. – E agora, me diga. Antiquado?
— Oh, você ficou ofendido? – ela brincou.
— Para falar a verdade, não. Me sinto estimulado a provar o contrario – o tom de Elijah era carregado de uma malicia que trouxe o clima sexual entre os dois.
— Então prove – ela devolveu, indo na direção do vampiro.
Elijah caminhou para trás, como se para torna-la mais desejosa. Sentou-se no banco alto do bar e abriu suas pernas, observando a vampira caminhar em sua direção e colocar-se no meio. Ele apoiou suas mãos na cintura dela e a puxou para ele, beijando-a. Ele ainda podia sentir o gosto do ultimo humano que ela provou. O sangue era doce e o beijo quente. Logo sentiu seu membro enrijecer na calça e a vontade era de tirá-la dali para qualquer lugar mais reservado.
Alexis mordeu o lábio inferior do vampiro, experimentando o sangue dele e deliciando-se. Ela estava na ponta dos pés quando sentiu as mãos de Elijah levantarem-na e colocar ela sentada em seu colo. Ela sentiu um volume considerável quando se encaixou ali e lembrou-se da imagem dele nu.
O beijo tornava-se cada vez mais feroz e desejoso, ele sentia como se a qualquer momento fosse arrancar aquele espartilho e toma-la para si. Estava tonto pelo alto consumo de sangue, álcool e com certeza algum tipo de droga e pensou estar ouvindo coisas quando escutou a voz estridente da irmã e sentiu Alexis ser arrancada de seus braços:
— Elijah o que você pensa que está fazendo?
Escutou a risadinha sarcástica de Klaus e revirou os olhos.
— O que parece que estou fazendo, Rebekah? – respondeu mau humoradamente.
— Parece que está tomando decisões que vai se arrepender. Ia arrancar as roupas de Alexis em qualquer momento – contestou Rebekah.
— Na verdade eu pretendia tirá-la daqui primeiro – ele devolveu e sentiu a mão da irmã espalmar em seu rosto.
Elijah contraiu a mandíbula com o tapa ardido em sua face. Seus olhos avermelharam e as veias negras saltaram quando ele virou o rosto para irmã, ficando de pé.
Klaus finalmente se entrepôs entre os dois, antes que o irmão mais velho fizesse algo de que fosse se arrepender. Olhou profundamente nos olhos de Elijah enquanto tentava entender aquele comportamento inaceitável.
— Está bêbado, irmão?
A atenção de Elijah voltou-se para o híbrido.
— Eu não sei, mãe. Estou?
Klaus uniu as sobrancelhas. Em mil anos jamais tinha visto Elijah agindo daquela forma. Descuidada, imprudente, como se não se importasse. Então entendeu o que acontecia com o irmão mais velho.
— O que você fez, Elijah? – questionou em assombro.
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