Notas iniciais
Ooii, espero que gostem ♥

P.O.V. Elara

Olhei pela janela do avião. Via apenas a imensidão azul que era o céu. Havíamos embarcado a pouco tempo. O avião estava cheio de pessoas que provavelmente eram iguais ao nosso pai. Olhos puxados, cabelos negros e pele branca. Minha irmã gêmea, Aurora, estava imersa em pensamentos, com seus fones de ouvido.

Sem delicadeza nenhuma, arranquei um de seus fones. Ela me olhou com raiva, virando a cabeça com uma grande velocidade, fazendo seus cabelos rosa e azuis baterem em minha cara.

—- Que foi desgraça? – falou um com mal humor.

—-Quero conversar, maninha. Algum problema? – Falei de modo afetado.

—- Sobre o que?

—-Jesus, alguém acordou com o cu virado pra lua hoje. – disse rindo.

—- Olha a boca!

—- Como você acha que é a Coreia? — perguntei, mudando de assunto.

—- Não sei, mas acho que algo bem parecido com a Rússia. Rígido e chato. – Respondeu dando de ombros.

Mas sem nossa progenitora, acrescentei mentalmente. Tudo seria melhor sem ela. Fitei a ponta de meus cabelos lilases. Comecei a lembrar um pouco da minha vida na Rússia. Dos que deixamos para trás, da tralha do meu ex-namorado e das incansáveis horas trancada em uma sala com apenas um piano e milhares de partituras a se decorar e tocar.

—- No que papai trabalha mesmo? – Perguntei de forma meio infantil.

—- Acho que tem uma empresa chamada Big alguma coisa... Nem sei o que ela faz. – respondeu.

—- Espero que nosso pai seja legal. – Comentei. Ela apenas assentiu. Nós nunca tivemos autorização para conhecê-lo pessoalmente, o que era assustador, afinal ele poderia ser um assassino ou coisa pior. Era um acordo dele com nossa mãe: a partir dos 19, moraríamos com ele na Coreia, sem nunca mais precisar pisar em solo russo.

Coloquei os fones. Acabei ligando Before I Forget, do Slipknot. Uma das coisas que mais me difere de minha irmã é o gosto musical. Enquanto eu só escuto Rock, ela escuta de tudo. Ela é extremamente eclética. Gostaria de ser assim também. Mas, não fui eu que escolhi o Rock, mas sim o Rock me escolheu.

Acabei me lembrando das fotos da empresa de nosso pai, Bang Si-Hyuk. Parecia um lugar bem agradável, mas muito “frio”. Não no sentido de gelado, mas de frio de ‘’sentimentos’’. Da ultima vez que falamos com nosso pai, ele nos disse que não moraríamos com ele, mas sim em um apartamento apenas meu e de Aurora, sem ele ou qualquer outra pessoa.

Sem perceber, acabo pegando no sono, imersa em expectativas criadas para meu novo ‘’lar’’.

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Chegando em Seul, fomos recebidas por cara que disse que nos levaria para a empresa de nosso suposto pai. Já dentro de um carro extremante luxuoso, fiquei admirando a paisagem urbana de nossa nova cidade.

Do nada, o carro da uma parada brusca, me fazendo voar diretamente para o colo de minha irmã, que estava no banco da frente.

—- FILHA DA PUT... Eu não falo palavrão, eu não falo palavrão... – falava ela como se fosse um mantra.

—- Desculpa aí. Não tenho culpa se eu voei. – Sussurro envergonhada com o fato de meu sutiã ter aberto com o impacto.

Descemos do carro e entramos no prédio a nossa frente. Havia uma enorme placa escrito Big Hit, exatamente como nas fotos.

Fomos muito bem recebidas pelo porteiro, que nos deixou com uma mulher com aparência de cerca de 40 anos.

—- É um prazer conhece-las. Irei leva-las ao escritório do pai de vocês.

—- Hum, moça, eu preciso ir no banheiro... Onde ele fica? – perguntou minha irmã.

Ai Deus. Senti vergonha por ela agora. A mulher mal fala a primeira frase pra gente e a louca abre a boca e fala isso.

—- É logo ali, querida. – Respondeu apontando para o fim do corredor.

—- Eu vou junto! – Exclamei saltitando/correndo para lá.

—- Espera! – gritou, mas fui mais rápida.

Entrei e fiquei me olhando no espelho. Fiquei de olhos nas portas dos reservados. Não havia ninguém no banheiro. Suspirei aliviada e tirei um batom vermelho-sangue da bolsa, passando-o em seguida.

Demorou, mas a Aurora entrou com uma cara estranha no banheiro.

—- O que houve? – Perguntei cética.

—- Ah, só trombei com um coreano. – Falou dando risada.

—- Mana... Aqui só tem coreano, tá? Não quero que sofra um choque cultural. – Comentei em um tom falsamente preocupado.

—- Ok. Pode deixar sua bolsa aqui? Sei que tem um arsenal completo de maquiagem ai dentro, e minha cara está péssima.

Assenti e sai resmungando que iria procurar algum café por ai.

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P.O.V. Jimin

Saí cansado da sala de treinamento, a procura de café para todos nós. Nenhum dos sete estava dormindo muito bem nos últimos dias. Eles têm sido muito puxados, afinal, iriamos em breve iriamos divulgar as últimas músicas que em breve sairiam.

Quando finalmente cheguei a única máquina de café do andar, peguei a bebida para todos os hyungs, sem nem saber como carrega-los.

Quando me virei, derrubei todo o café dos copos em cima de uma garota, que claramente não era daqui. Seus cabelos eram em um lilás, e suas roupas eram no estilo Batman, completamente negras. Era mais baixa do que eu, mas não muito.

—- Desculp... – Tentei falar.

—- MAS QUE MERDA! EU DEVO TER ATIRADO PEDRA NA CRUZ, SÓ PODE. – Começou a berrar.

Do nada, passou por mim e pegou um café se virou, ficou na ponta dos pés e derramou todo o liquido na minha cabeça. Seu olhar demostrava raiva.

—- Passar bem, querido. – Falou, esbarrando no meu braço. Fiquei parado no mesmo lugar por algum tempo, processando o que havia acontecido.

No fim, fiquei puto. Quem ela pensa que é para fazer isso comigo? Joguei os copos fora e segui de volta para a sala de treino pisando duro.

Entrei e bati a porta com força. Estava ensopado e cheirando a café gelado. – Acabei por atrair a atenção de todos os membros, os fazendo rir com meu estado.

—- Mas o que aconteceu com você? O café era para nós bebermos, não para você tomar banho. – Resmungou Suga.

—- Eu derrubei sem querer os cafés em uma doida e ela, de raiva decidiu fazer o mesmo comigo. – Expliquei.

Mais uma vez, todos deram risada, e Hoseok, que ria igual a uma Hiena com um ataque de asma, comentou:

—- Fez por merecer, hyung! – O olhei indignado, mas não falei nada, pois bateram na porta nos chamando para uma reunião urgente com o dono da Big Hit, Hitman.

O que estava acontecendo?

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P.O.V. Elara

Depois do incidente do café, acabei descendo de volta ao térreo, espumando de raiva, fazendo a expressão de minha irmã se tornar um grande ponto de interrogação. Ela sabia que eu não era muito receptiva de mau-humor, por isso não falou nada. Quando finamente voltamos para onde a senhorinha nos esperava, demos de cara com um homem com a aparência de uns 50 anos. Ele se virou para nós e sorriu largamente.

—-Bem vindas ao Coreia do Sul, meninas. Sou o pai de vocês.

Ok. Isso soou muito mal. O olhei desconfiada. Acabei gostando dele. Parecia ser um cara sério, centrado, direto, mas, ao mesmo tempo, muito divertido.

Ele nos chamou para irmos a uma das várias salas de reunião no penúltimo andar. Também nos explicou o que era aquela empresa. Acabei nem prestando atenção nisso. Com o tempo aprendia.

Ele também explicou que como nenhuma de nós faria faculdade no momento, iriamos ajudar ali. Acabei concordando, assim como minha irmã. Eu sou preguiçosa, mas não tanto. Ficar com a bunda sentada em um sofá o dia inteiro poderia ser muito chato.um depois de sentarmos ali, um homem entrou. Nosso pai pediu para ele trazer os meninos. Fiquei com cara de tacho por um tempo, mas acabei ignorando. Estávamos conversando com nosso pai a pouco tempo, tentando arrancar de alguma forma dele algo sobre sua vida amorosa e o que havia acontecido entre ele e nossa mãe, quando bateram na porta.

—- Pode atender a porta por favor, Elara? – Pediu nosso pai, ocupado dando rindo de algo que a Aurora havia falado.

Me levantei bufando e abri a porta. Dei de cara com quem eu menos queria ver agora. O menino do café. Não escondi o mau-humor.

—- Posso ajudar? – Falei seca.

—- Seria bom se saísse da frente. – Disse grosso.

Dei passagem. Ele e mais seis garotos entraram. Fui me sentar novamente, ao lado da minha irmã.

Ela olhou para um e deu risada. Ele fez a mesma coisa. Olhei de um para o outro com uma expressão confusa, mas não falei nada.

—- Hum, pai... Quem são eles? – Perguntei de forma inocente.

—- Pai?! – Todos os sete falaram ao mesmo tempo.

—- Algum problema de ele ser nosso pai? – Perguntei, dando uma risada sem humor.

—- E porque nunca soubemos disso? – Disse um garoto com cara de sono.

—-Ou as vimos por aqui? – Acrescentou um garoto alto.

—- Por que elas moravam na Rússia com a mãe. – Falou simplesmente nosso pai.

—- E elas só apareceram agora na sua vida? Desculpa a intromissão na sua vida pessoal, mas parece golpe. – Falou o garoto do café.

—- Só para deixar bem claro, ele sabe da nossa existência desde o nosso nascimento, e falávamos com ele toda semana por telefone, desde crianças, apenas não morávamos com ele. – Falou Aurora com cara de cu.

—- Tenho que ir agora. Surgiu um imprevisto e não vou poder ficar aqui com vocês, meninas. Podem ficar com elas aqui por favor? – Perguntou nosso pai. Eles concordaram.

Quando falaram seus nomes, com certa dificuldade, os decorei. Mesmo contra a vontade, falei meu nome. Odeio ele. Porque tinha que ser tão diferente? Nunca vi na minha vida alguém com o mesmo nome que eu.

Fiquei na minha, se não ia saltar no pescoço de primeiro que eu visse. Eles continuaram a conversar. Minha irmã de cara se deu bem com eles, obviamente. Já eu, por outro lado... Só arrumei briga. Além do garoto do café (ele que falou seu nome, Jimin. Mas era tão mais divertido chama-lo de garoto do café.), briguei com os outros, por acidentalmente, ser sincera demais. Juro que não era minha intenção, mas... Minha boca foi mais rápida que minha cabeça.

—- Como é ter o pinto pequeno? – Ainda bem que meu pai não estava aqui, por que, provavelmente voltaria para a Rússia com uma dessas.

—- ELARA! OLHA O QUE FALA, SUA LOUCA! SEJA MAIS EDUCADA COM ELES POR FAVOR? – Aurora berrou.

—- Ainh, só perguntei, vou no banheiro. – Saí, pois estava sem coragem de encara-los. Puta merda, o que que me deu? Eu geralmente só solto essas perolas quando estou brincando com as pessoas. Como é que vou voltar para aquela sala depois?

Quando achei o banheiro, entrei e tranquei a porta. Abri minha bolsa e procurei por uma caixa de cigarros. Não chego a ser uma viciada, mas sempre preciso deles quando estou muito nervosa. Eu sofro muito com ansiedade e os cigarros são como uma válvula de escape para ela.

Mal tinha acabado o dito cigarro quando bateram na porta.

—- Que foi? – Perguntei.

—- Vem, os meninos vão mostrar como é a empresa. Papai ia fazer isso, mas teve que ir para uma reunião de emergência. – Respondeu minha irmã com uma voz fria e cortante.

Abri a porta de supetão, dando de cara com todos me encarando, cada um com uma expressão diferente. Uns com raiva, outros parecendo querer saltar na minha cara.

Comecei a caminhar em direção ao elevador, mas me virei quando percebi que todos estavam no mesmo lugar, me encarando.

—- Aurora, sabe onde nossas malas estão? Preciso pegar um casaco.

—- Elas já foram levadas para o nosso apartamento, Elara.

—- Merda. – Murmurei em russo.

O clima dentro do elevador era pesado. Ninguém conversava, mas dava para ver que todos esperavam alguma explicação da minha parte, até um pedido de desculpas, talvez. Mas meu orgulho, nunca ia me deixar fazer uma coisa dessas.

Eles começaram do subsolo, que eram a garagem e uma espécie de depósito. No primeiro andar eram a recepção e um pequeno auditório, onde eram realizadas algumas competições para novos trainees. O segundo e o terceiro andar eram salas de treinos de dança, canto e o que mais os trainees eram submetidos a passar. No quarto, quinto e sexto andar ficavam as salas de treinos para os grupos ou artistas que já haviam debutado, assim como os estúdios de gravação. O sétimo andar era onde ficava a parte mais burocrática da Big Hit. O oitavo andar era cheio de salas de executivos, e onde ficava a sala de meu pai e o nono andar ficava as salas de reunião.

O décimo era provavelmente o lugar que eu mais gostei do prédio. Era uma sala ampla, cheia de instrumentos de todo tipo: pianos, teclados, baterias, guitarras, baixos... Enfim o paraíso. Ou pelo menos o meu paraíso.

Inconscientemente, comecei a passar entre todos os instrumentos. Todos, que antes conversavam sobre algo que não dei importância, pararam para observar o que faria. Tocava em alguns, como se quisesse me certificar de que eram reais.

—- Elara... – Sussurrou minha irmã, em um tom de voz preocupado.

Depois de um tempo, tentando recuperar minha voz, falei meio rouca:

—- Estou bem. Não se preocupe.

Ficar em meio ao que se resumiu minha infância era feliz e triste ao mesmo tempo. Minhas melhores e piores memórias estavam ligadas à música. Suspirei e me virei aos expectadores da pequena cena pela qual passei.

Meio abatida, passei por eles e segui até o elevador e o chamei sem falar nada. No fim eles vieram junto. Sentia seus olhares sobre mim, mas me mantive firme. Pelo menos ali.

Não pensem que sou aquele tipo de garota que fica chorando pelos cantos por qualquer coisa.

Também não tenho o coração de pedra, apenas um coração congelado por todos os incessantes invernos russos na minha vida.

Notas finais
E ai? Como foi?
É minha segunda fic, mas primeira do BTS.
Não sei quando sai o próximo capítulo, mas espero que logo.
Se tiver algum erro, desculpa ae.
Tchauzinho!