Born To Die And Born To Love (clato)
3 Quatro carreiristas no tédio incomodam muita gente
Notas iniciais
A voz misteriosa me deixara confusa. Primeiro por aparecer realmente do nada, e eu não sabia se era inteiramente real, mas depois de tudo oque eu vi ser possível, desconfio que ela realmente exista. Segundo, porque ela me perguntou se eu tinha sabedoria, e eu não saberia responder. Pelo menos ela não tinha aparecido novamente, então não precisava respondê-la.
–Clove? — alguém me pergunta, e eu fico assustada, pensando que é novamente a bendita voz, mas é apenas Cato.-Você está bem?
–Hm, claro que estou. — Ok, eu menti para ele. Na verdade estou correndo sérios riscos de ficar traumatizada.
–É que você está meio... distante.
–Não é nada.
Mentira novamente. Tento esquecer o episódio e curtir o momento feliz que estava tendo, afinal, eu estava sentada, nas escadas do prédio 74, junto com Cato, Glimmer e Marvel. Excluo os dois do Distrito 1 e me imagino sozinha com Cato, e deito no degrau, com a cabeça no colo dele, era quase um sonho. Mas Glimmer me lança um olhar esquisito, então levanto novamente.
–QUE TÉDIO! — grita Marvel.
Nós, que estávamos absolutamente calados, começamos a dar risada com o grito, ele era o mais quieto entre os quatro. E infelizmente Marvel tem razão. Afinal oque vamos fazer? Sair para mais passeios felizes pelo Érebo? Caminhadas alegres pela fila Morte Expressa? Assistir os julgamentos que decidem o destino pós-morte dos cidadãos de Panem, torcendo para ganharem o Elíseo? Brincar de pegar com o cão de três cabeças Cérbero? As quatro opções são absolutamente aterrorizantes, e já fizemos mais de 5 vezes cada uma delas hoje, então só nos resta ficar por aqui, sem fazer nada.
–Bem que você poderia pedir pro seu amiguinho lá da barca deixar a gente voltar, hein Clove? — diz Glimmer.
– Caronte não é meu "amiguinho", eu so falei com ele duas vezes! E mesmo assim, ele não deixa ninguém voltar, disto eu tenho certeza.
Ficamos em silêncio novamente. Até que Cato diz:
–Ah, vamos Clove, não custa tentar!
–Eu já disse! Ele quase não me deixa passar para a outra margem.
–Vamos tentar!
–Não.
–Por favor?
–Não.
–Sim Clove, diga sim!
–Não.
– Vai, por favor?
–NÃO!
E a conversa continua nesse nível, mas não vou desistir. Vou permanecer firme, não posso deixar eles me convencerem e...
–OK! VAMOS ENTÃO! BAJULADORES INSENSÍVEIS!
Eles dão risada e se levantam rápido, sem esconder a animação. Marvel e Cato vão na frente, enquanto eu fico para trás com Glimmer.
–Mal posso esperar para sair! — diz ela.
– Espera até não funcionar, eu vou esfregar na sua cara que eu estava certa.
–Deixa de ser pessimista Clove! Vai dar certo.
– Se não der e depois você ficar toda bravinha eu perfuro seu pâncreas. — eu digo, mostrando uma faca para ela.
Glimmer fica notavelmente assustada, ela sabe que eu posso fazer isso de verdade.
–Ficou com medo não é? Há, como se você fosse precisar dele no Mundo Inferior.
– Ei, eu gosto dos meus órgãos, deixe eles em paz!
–Você sabe ao menos para que serve o pâncreas?
–Não. -ela admite.
Eu reviro os olhos e percebo que Cato e Marvel já se distanciaram bastante. Corro atrás deles, o mais rápido que posso e consigo alcançá-los, sem me preocupar com a amante dos próprios orgãos, que é deixada para trás. Pelo menos eu sei qual a função do pâncreas. Agora posso responder a voz, "se eu tenho sabedoria eu não sei, mas eu conheço mais dos orgãos humanos que a Glimmer".
–Me esperem! — grita ela ao fundo.
Quando ela nos alcança, já estamos no Estige, não temos nenhum sinal de Caronte, mas Marvel está quase pulando de expectativa.
–Se acalma aí. — diz Cato para ele. Mas ele próprio também está prestes a saltar.
Caronte aparece de repente, com uma aparência que de longe vem da Capital. Com uma roupa azul berrante e maquiagem exagerada, ele passaria totalmente despercebido se ficasse por lá. Ele parece cansado, muito cansado, mas viemos aqui por um propósito, e embora queira, não penso em desistir, afinal eu já sei que a resposta dele vai ser não. Eu me viro e dou um sorrisinho confiante e falso para meus colegas. Quando começo a falar, parece que Caronte acaba de perceber minha presença e diz:
–Clove, que surpresa! Três visitas em menos de quinhentos anos, é um recorde. Eu acabo de sair da Capital, desculpe minha aparência. Eu com certeza prefiro os ternos italianos! — Ele olha para os outros. — Cato, Glimmer, Marvel! Vocês aqui também? Vieram me convidar para uma festa?
– Hm... Não. — eu digo. — Porque estava na Capital?
–Ah, houve uma reunião entre os olimpianos, Hades e Snow, altamente secreta.
–Se é secreta, porque você está contando para a gente? — pergunta Marvel.
– Eu... oras, eu sei que vocês não contarão para ninguém! Mas acontece que a garota Everdeen desafiou a Capital, e os distritos estão inquietos. O senhor Hades me mandou para representá-lo. Eu preferiria que ele tivesse mandado o Velho Três Caras!- Caronte aponta para Cérbero.
– Eu tenho certeza que ele diria argumentos realmente construtivos — murmura Glimmer.
Nós rimos, e por um feliz momento, fico na esperança de que eles tivessem esquecido o real motivo pelo qual estávamos ali. Mas para meu azar, Caronte pergunta:
– E vocês, porque estão aqui?
Todos olham para mim. Caronte com dúvida e os outros com expectativa. Por que justo eu?
– Olha, eles querem sair do mundo inferior. — eu digo. Jogar toda o fardo para Glimmer, Marvel e Cato. Um ponto para Clove!
– Ah, sinto muito, isso não será possível.
Glimmer vai para a frente do grupo de diz:
– Olha senhor Caronte, é meu pâncreas que está em jogo aqui! Por favor, deixa a gente sair?
–O oque dela? — sussurra Cato para mim.
–Longa história.
Caronte analisa a situação. Mas assim como eu imaginava, ele não permite a saída, deixando três carreiristas infelizes e uma com o ar de vitoriosa. Mas Glimmer engole em seco. Ela olha para mim de vez em quando, com medo.
–Não se preocupe Glimmer, eu não faço mal a orgãos inocentes. Não o tempo todo.
–Você espera que isso me tranquilize Clove?
Marvel e Cato estão confuso, é fácil perceber isso. Eu aproveito da situação e digo:
–Eu disse para vocês que não ia funcionar!
–É você disse. Que ótimo, oque vamos fazer agora?- diz Marvel.
– Aceitar a hipótese de tédio eterno.
Nós chegamos no prédio 74. Glimmer e Marvel se separam, me deixando sozinha com Cato.
–Ainda não consigo encara o lugar como meu lar. -ele diz sem emoção.
–Eu também. Minha casa vai sempre ser o Distrito 2, sem nenhuma dúvida. E aí Cato, você não me disse como foi com o garoto do 3.
A algum tempo, eu havia sugerido a Cato que ele pedisse desculpas para as vítimas dele, como Maysilee tinha me dito para fazer. Aparentemente, todos aceitaram as desculpas, menos um. O tributo do Distrito 3, que Cato matara com as próprias mãos, a sangue frio.
– Não deu certo, ele só me evita.
– Eu também faria isso se fosse ele.
–Isso era para ser algum tipo de consolo?
–Não sei, nunca fui boa em consolar as pessoas. — eu digo, dando de ombros.
–Dá pra perceber -diz Cato, enquanto ri.
–De qualquer modo, eu acho que você deve tentar de novo. Tempo nós temos, uma hora ele vai falar com você.
–É, você tem razão.
Nós sentamos novamente na escada, e ficamos lá, sentados. O silêncio se torna permanente de novo. Estou prestes a levantar quando ouço um comunicado. A voz se parece muito com a de Claudius Templesmith, me dá arrepios, pois lembro da Ágape me chamando para a morte. Mas não é Claudius, essa voz é mais gélida e sombria, oque torna o comunicado ligeiramente assustador. Mas, além de assustar, ele transmite esperança, a esperança de voltar para casa:
– Atenção tributos. O fim da aldeia se aproxima. Após uma reunião com o Presidente Snow, nós finalmente poderemos decidir seus destinos. Vocês irão enfrentar novamente os jogos, onde só um pode ser o vencedor. Cada prédio deverá escolher seus 4 representantes. E ainda, como prêmio, uma equipe formada pelos tributos de cada ano poderá sair do submundo, dependendo de quem seja o vencedor. Vocês têm até amanhã para apresentarem seus representantes. Estamos sendo generosos e não recusem a oferta. E que a sorte esteja sempre a seu favor.
Eu e Cato ficamos sem palavras, mais uma vez naquele dia. Era uma oferta muito boa para ser verdade. A chance de voltar a vida, a voltar para o mundo.
–Vamos? — diz Cato.
–Para onde?
– Procurar os outros. Eu não sei você, mas estou com a vontade de me apresentar como voluntário.
Notas finais
Nem liguem muito, mas me desafiaram a usar a palavra pâncreas em tudo que eu escrevesse, eu tive que inventar um pouco... mas se bem que dizer "eu vou perfurar seu pâncreas" é uma boa ameaça... whatever...
District 2's Kisses!
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