Born For This

28 Resolution




Talvez eu já tivesse sido avisado sobre a família de Rose, os Weasley, então não me surpreenderam. A diferença deles com a maioria das outras era a quantidade de Weasley que eles reuniam em um mesmo lugar. Mas... era uma família absurdamente tão normal quanto qualquer uma. As discussões, os problemas, as polêmicas... tudo isso existia ali, e eu sabia porque era fácil observar que, apesar das divergências, eles tinham uma união visível. Não apenas com membros de sua família. Inacreditavelmente, a avó de Rose era a mulher mais anfitriã que já conheci em minha vida. Quando se referia a aumentar o número de cadeiras para comer a sua macarronada, a sra. Weasley não tinha rancor de nada, nem mesmo por ter um Malfoy em sua mesa.

Aos sons do berro do novo bebê da família, Luke Weasley, o almoço foi no jardim d’A Toca. Eu sentei entre Rose e Albus na mesa. Desde que a sra. Weasley me conheceu, ela não acreditava que um Malfoy seria capaz de adorar a macarronada dela. Ela dizia que era a coisa mais “trouxa” que algum bruxo poderia comer, enquanto servia o meu prato.

– Vovó está sendo modesta – disse Rose, baixinho para mim. – Ela só tem medo de que você não goste da comida. Mas vai adorar.

– Se quer a aprovação da família inteira sobre esse namoro de vocês dois, vai ter que experimentar essa macarronada! – anunciou o tio dela, George, de uma maneira piadista, mas ao mesmo tempo muito séria.

– Eu ainda acho que ele tem que ganhar do Ron no xadrez – sugeriu a mãe de Albus.

Ronald bateu o copo no mesa.

– Ninguém ganha de mim!

– Isso não é nenhuma mentira – disse Bill, o tio mais velho de Rose.

– O que Ron não sabe raciocinar bem na vida, ele consegue no xadrez. É um absurdo – provocou George, o que rendeu risadas e uma cara amarrada em Ron.

– É claro. Quem no mundo duvidaria que aquele bebê da Hermione não seria seu? – exclamou Ginny, cruzando os braços. – É ruivo, chora e caga. Só um burro para desconfiar dela!

Hermione agradeceu, segurando o novo filho no colo, tentando fazer o menininho parar de chorar.

– Mãe! – exclamou Lily. – Não fale esse verbo!

– Por quê? Sou muito velha para isso?

– É!

– Uuuuuh, Lily chamou a própria mãe de velha!

E então todos começaram a discutir. Rose sorriu para mim e contou:

– Tia Ginny odeia que a chame de velha. Meu tio George não perde a oportunidade de deixar meu pai constrangido. Meu avô é caladão na mesa mesmo, mas sempre está sorrindo. Minha avó vai ficar querendo saber se você gostou da macarronada. Lily fala mais palavrões do que uma garota normal, mas não admite escutar isso da boca da mãe dela. Meu pai fica com a orelha vermelha quando está nervoso, então não estranhe. Se você entrar na discussão, nunca vai terminar o almoço. Geralmente começamos a comer uma e meia e terminamos mesmo lá pelas cinco horas. A conversa nunca acaba aqui.

– Uma família muito boa – eu comentei, inclinando-me para lhe dar um beijinho na boca.

– Epa! – exclamou George. – Sem beijos na mesa!

– Quem está beijando?!

– Rose e Scorpius beijando?

– Natalie, pega o suco para mim?

– Mãe! Eu vou ao show sim!

– Vai ter que comer a macarronada!

Em um momento do almoço, ficou difícil diferenciar as vozes ou acompanhar qualquer conversa. E foi assim durante muito tempo, mudando de assuntos várias vezes. Quando eu já estava terminando o meu prato e pedi mais um, as conversas pararam e todos olharam estupefatos.

– O Malfoy gostou da macarronada – sussurrou uma voz, surpresa.

– Ou será que ele só quer agradar a gente? – indagou George, desconfiado.

– Por que um Malfoy ia querer agradar a gente? – exclamou Percy abanando a cabeça.

– Boa observação – riu Ginny.

Enquanto a sra. Weasley, feliz, colocou mais cinco colheradas de macarrão no meu prato, seu marido, o sr. Weasley, fez um gesto com a mão. Era como se mandassem os filhos calarem a boca para deixá-lo falar. Ele foi imediatamente obedecido. Até Luke, irmão de Rose, tinha parado de berrar e voltado a dormir.

– Eu estou curioso – ele disse. – Sobre o futuro de vocês.

– O brilho desse anel tá varando a parede – concordou Ron, olhando para o dedo de Rose. – Quanto custou isso?

Hermione só não lhe deu um tapa muito forte no braço porque ela estava segurando o bebê. Os pais de Rose eram estranhos. Pelo menos no quesito “marido e mulher”. Quando o filho deles nasceu há três dias, foi como se nunca tivessem pensado em separar. Rose comentou comigo sobre isso. Ver o rosto do filho dele fez seu pai nem pensar em outra coisa, a não ser segurá-lo nos braços. Eles certamente ainda se amavam, mas estavam discutindo sempre. Então isso meio que fazia parecer que eles iam ficar brigados por muito tempo. No entanto, você os veria juntos e sorrindo depois de uma ou duas horas. Eles tinham aquilo que os uniam: a família. E se Rose estava sorrindo, era porque ela cresceu observando esse tipo de comportamento, então não havia mais nada preocupante.

Eu pigarreei depois de ouvir a pergunta do pai dela. Não saberia o que responder se Hermione não tivesse dado lugar à outra pergunta:

– Não ligue para ele, Scorpius. O que queremos saber é sobre a profissão de vocês, o que vocês prestaram nos N.I.E.M’s.

– Acho que vou tentar ser auror – eu disse.

– Não vai ser fácil – avisou Harry. – Mas ninguém falou para você que seria, certo?

– Não, senhor.

– Precisamos de bons jovens no quartel general – ele aprovou. – Seria interessante treiná-lo por lá, Malfoy. Boa sorte.

– Rose vai querer ser o que sempre quis – disse a avó. – Não é, querida? Salvar pacientes e acolhê-los em seus hospitais. Quando ela era novinha – contou, olhando para mim, com nostalgia – Rose pegava todas as bonecas que ganhava de Natal e ao em vez de brincar como se fossem suas filhas, ela preferia colocá-las em cima do sofá para fingir que estava cuidando e dando poções a elas.

– Claro! James sempre quebrava as minhas bonecas. Eu tinha que ficar concertando elas de algum jeito – disse Rose, rindo com as lembranças.

– James era um estripador de bonecas – lembrou Lily. – Arrancava as pernas delas e os braços.

– Depois que Rose parou de brincar com bonecas – contou Hugo –, eu tinha que ser o paciente dela.

– Oh, era tão fofinho ver vocês dois brincando – Ginny contou.

– De qualquer forma, vocês têm belas vocações – elogiou o sr. Weasley para mim e para Rose. – E você, Albus?

– Olha, vô, não espere que eu comece a trabalhar no ministério. Não acho que essa área é para mim. Conversei com tio George e ele aceitou. Vou trabalhar na Gemialidades, até conseguir dinheiro para viajar.

– Para onde vai viajar? – foi Natalie quem perguntou.

– Qualquer país. Quero viajar pelo mundo.

– Que legal, Albus – sorriu a avó. – E você, Natalie?

– Espero conseguir trabalhar no departamento internacional de Cooperação da Magia.

– Ótimo! – Hermione aprovou. – E você vai viajar muito nessa profissão.

– Vocês dois podiam viajar juntos – sugeriu Ginny.

Rose imediatamente sussurrou no meu ouvido: “Minha tia quer que eles casem.”

Albus e Natalie se entreolharam.

– É, podíamos – sorriu Al. – Se ela quiser.

– Está brincando? Eu não vou deixar você andar aí sozinho pelo mundo! – retrucou Natalie. – Você não sobrevive sem mim. Sei falar a maioria das línguas. Vai precisar de mim, Albus.

– Mas você vai ter que dividir o dinheiro.

– Eu pago a viagem inteira, se quiser.

– Obrigado, mas posso pagar as minhas coisas!

– Eu não estou dizendo que não consegue!

Depois disso, o assunto ficou entre o que eles poderiam fazer em outros países, juntos. Quando terminei o almoço, Rose pediu licença e pegou minha mão para sairmos da mesa. Hermione pediu a ela que levasse o irmão para o berço. Enquanto subíamos as escadas, fizemos muito silêncio para não acordar o bebê.

Entramos num quarto um pouco desarrumado, onde havia o berço encostado a uma parede revestida de pôsteres. Rose depositou Luke com muito cuidado e acariciou a bochecha dele.

– Queria poder ter a chance de ficar muito tempo com ele – contou. – Provavelmente o mês que vem vamos mudar nossas vidas, não é?

– Dependendo dos resultados – eu disse.

Ela desviou o olhar para o bebê e saímos para o corredor do segundo andar. Segurei o rosto dela.

– Eu adorei o macarrão de hoje – dei um sorriso de lado. Rose me abraçou, aliviada.

Hugo subia as escadas e fez careta ao nos ver. Nós nos afastamos e ele jogou um bastão de quadribol na minha mão.

– A gente sempre monta um time aqui – falou. – E sempre falta um no meu. Quer jogar?

Como podia negar isso? A família Weasley tinha um campinho que deixava possível jogar quadribol. O time era dividido entre Harry, Ron e Albus contra George, Hugo e, agora, eu. Os outros preferiam assistir enquanto nadavam no lago. Nosso time perdeu, mas mesmo assim foi acirrado e divertido. O resto da tarde foi preenchido pelo sol e água do lago, as conversas aleatórias e alguns palpites para o futuro.

Mesmo que tivesse passado três dias por lá, não era fácil acompanhar o tempo. Foi rápido e diferente. Nunca havia me misturado com uma família tão amistosa, completamente distinta da minha. Na noite em que eu ia embora e Rose me acompanharia até a Mansão para jantar com meus pais, a sra. Weasley me elogiou.

– Seu avô deu muito trabalho pra gente antigamente. Mas você se comportou direitinho.

– Vó – Rose abanou a cabeça exasperada, colocando um dedo na testa.

Estendi minha mão para o sr. Weasley, ao lado da mulher, para apertá-la.

– Obrigado pela hospedagem, sr. Weasley. E o macarrão realmente estava excelente – me virei para avó dela e fiz um aceno com a cabeça.

– Não faça besteira com ela, Malfoy – mandou o sr. Weasley.

– Não farei, senhor.

Depois que me despedi dos avós dela, os seus tios vieram apertar a minha mão. George prometeu que da próxima vez ganharíamos no Quadribol, Percy apenas disse “até mais”, Bill pediu desculpas caso alguém tivesse me constrangido com perguntas como “quando você e Rose vão casar?” e lançou um olhar culposo a sua mulher, Fleur. As primas de Rose se despediram com abraços e, quando o pai dela se aproximou de mim, ele apertou minha mão, dizendo:

– Não importa quantas vezes você passar os dias aqui, vai perder de mim no xadrez.

Nem com a ajuda de Rose consegui ganhar do pai dela. Nas treze vezes.

Vi o sorriso do pai dela e nunca me senti bem vindo naquele núcleo como no momento.

– Talvez algum dia sua sorte mude – eu disse.

– Nem brinque com isso, rapaz. Até mais.

– Até mais.

– Tchau, Scorpius – a mãe de Rose sorriu. – Espero que tenha conseguido dormir mesmo com as choradeiras.

– Scorpius dorme como uma pedra – contou Rose. O pai dela arregalou os olhos. – Quero dizer, é o que ele conta, pelo menos. Não que eu saiba como ele dorme e... ah, qual é, pai, você sabe que já transamos – e me puxou pelo braço antes que as orelhas do pai dela ficassem roxas.

Quando saímos d’A Toca, eu olhei para ela incrédula:

– Da próxima vez que eu estiver aqui, seu pai não vai matar só o rei no xadrez.

Ela sorriu não se preocupando muito com a possibilidade disso acontecer, e se aproximou de mim. Pelo menos eu fui aceito a ponto de existir um “até mais” na fala de seus parentes. Beijou-me na boca, suavemente. Com toda a família de Rose por lá, era difícil acharmos um jeito de nos esgueirarmos e ficarmos realmente sozinhos. Mas quando estivéssemos na minha mansão, talvez fosse fácil resolver esse problema.

Claro, antes Rose conheceu meus pais e meus avós. Não era a família igual a que ela cresceu, mas mesmo assim Rose a respeitava. Tinha um respeito admirável, ainda mais depois que ela e minha mãe descobriram algo em comum: adoravamfotografia de família.

Foi talvez a coisa mais constrangedora que minha mãe fez por mim. No final do jantar, na qual uma conversa sobre o Ministério prevaleceu e não houve silêncios, minha mãe resolveu mostrar as fotos de quando eu era uma criança para Rose. O pior de tudo? Minha avó também começou a contar sobre como eu era na idade dos meus cinco anos. Meu pai e meu avô pareciam sentir vergonha alheia.

Enquanto caminhávamos pelos corredores da mansão, Rose ainda soltava algumas risadas. Mas não me incomodei. O importante era que havíamos passado juntos pelos jantares em família sem que nada trágico acontecesse. Ainda teria que acontecer muita coisa até nossas famílias dividirem uma mesa, mas nisso não tínhamos pressa. Éramos aceitos em ambos os lados e não precisávamos de mais nada naquele instante.

– Então esse é o seu quarto – ela disse olhando ao redor para as estantes e as paredes. – Tem vários livros. Desenhos. Você nunca me mostra seus desenhos.

– São apenas rabiscos – eu disse, soando até modesto. Mas acabei pegando o bloco de desenhos para mostrar o que eu já aprontei. Entre as páginas, Rose encontrou um que estava com aspecto amassado. Ela franziu a testa.

– Sou eu.

– Ah, bem, longa história. Quase joguei isso fora quando... terminamos. Mas eu me arrependi depois então desamassei. Foi o meu melhor desenho.

– Quando você fez?

– Eu não sei. Estávamos estudando. Você estava brava comigo. Lembra? Veja, eu até desenhei o jeito que sua sobrancelha fica quando está irritada e concentrada.

– Por que nunca soube da existência disso? É a coisa mais incrível que alguém já fez por mim. – Ela guardou o bloco e se virou para mim, com os olhos vidrados nos meus. – Sou a garota mais sortuda.

Ela me beijou, no começo levemente, mas depois a suavidade de seus lábios aumentou e se tornou mais forte, mais faminto, com a ideia de que estávamos finalmente sozinhos, no silêncio absoluto de meu quarto e com as respirações aceleradas e ansiosas por mais contato.

Rose puxou minha camisa sobre a minha cabeça, fazendo meu cabelo ficar despenteado ao tirá-la. Ela sorriu ao ver isso e eu voltei a beijá-la, nos lábios, no rosto, no queixo, descendo até o seu pescoço. Eu levei meus lábios perto do seu ouvido depois, enquanto a mão dela ocupava-se em abrir o zíper da minha calça.

– Preciso confessar... sempre quis transar com você no meu quarto – eu disse. Lembrava que nas férias, certas vezes antes mesmo de namorarmos, me peguei com a mão dentro da calça pensando nela. A adolescência num vigor assustador, porque eu nunca pedi para Rose sequer entrar nos meus pensamentos no lugar das modelos de revista. Eu não ia falar isso para ela agora, mas pelo modo como ela riu com os lábios nos meus, pareceu já ter tido noção do por que sempre querer levá-la para a minha cama.

Os pêlos dela se eriçaram e ela respondeu a isso da forma exatamente como eu queria. Sem perguntas, e mais ação. Eu sentei na cama, puxando a cintura dela para que sentasse em meu colo depois de ter arrancado a minha calça. Ela estava usando uma saia, de modo que adentrei minha mão em suas coxas e puxei sua calcinha pela extensão de suas pernas. Rose me beijava, enquanto eu lhe tocava suavemente na sua intimidade, deixando-a úmida para mim.

Um movimento do quadril dela me endureceu completamente e Rose se agachou a minha frente aos meus pés para tomar conta disso. Eu soltei um arquejo, fechando os olhos e acariciando seus cabelos, manuseando enquanto a boca dela fazia um trabalho atencioso ali embaixo. Meu membro pulsava excitado pela gentileza e sutileza da língua dela. Era única e eu não queria me desfazer dela nem por um segundo. Nunca.

– Eu te amo – falei quando nos deitamos, comigo sobre seu corpo. Jamais me senti incomodado ou ridículo por pronunciar essas palavras. Coloquei uma mecha de cabelo ruivo atrás de sua orelha e ela fechou os olhos, apreciando.

– Não consigo nem dizer o que eu sinto, Scorpius – ela respondeu, um pouco irritada. – Isso já passa de palavras... eu preciso de você em mim... agora...

Eu entrava nela, lentamente, fazendo-a tremer e gemer. Pegamos a sincronia logo de cara, mas enrolamos o máximo para acabar. Eu fiquei olhando para ela, só para ela, para o sorriso satisfeito que ás vezes seus lábios desenhavam. Era tão bonita... se dependesse dos meus sentimentos naquele instante, eu prometeria a ela que ficaríamos juntos assim pelo resto de nossas vidas.

Mas eu não pensei no futuro, nem mesmo no passado. Eu só pensei em dar o prazer que ela precisava e de me certificar de que esse contato quente entre nós se tornasse cada vez mais intenso. Eu não queria o vazio ao descansar com o corpo ao seu lado. Mesmo quando o sexo acabava, a gente não acabava. Ela aninhou-se a mim, abraçando-me.

Ficamos um tempo relativamente em silêncio. Eu estava fechando os olhos, roçando meu dedo na pele nua de seu quadril, quando Rose de repente se levantou e sentou na cama. Inclinou-se para colocar a minha blusa, que estava mais perto, e pegou uma pena na minha escrivaninha, onde havia colocado o bloco de desenhos.

– Tive uma ideia – ela disse.

– Você vai tentar me desenhar?

– Não. – Concentrada, ela começou a escrever alguma coisa. – Resoluções. Você já ouviu falar disso? Não consigo parar de pensar no que pode acontecer daqui cinco, seis, sete, dez anos. Talvez devêssemos fazer uma lista de nossas previsões até lá. O que acha?

Beijei seu pescoço, provocando.

– Tem coisa mais divertida que isso, definitivamente, Rosie.

– Depois – ela disse, sem parar de escrever. Acariciei sua coxa, tentando chamar sua atenção de novo, mas quando Rose tinha algo em mente que não fosse sexo, então não teríamos sexo de novo. – Bem, essa será nossa lista.

– Quero ser famoso – apontei.

– Falando sério, Scorpius.

– Ok. Vamos lá. Eu estarei trabalhando no Ministério.

– E eu em St. Mungus.

Ela ficou escrevendo cada vez que fazíamos alguns palpites.

– Albus vai conhecer Lorena Palmer.

– Natalie vai voltar a falar com a mãe dela.

– Eu deixarei minha barba crescer.

– Isso é idiota – ela riu, parando de escrever. Mas logo retornou. – Tudo bem. Meu cabelo vai estar curto.

– Jura? Gosto do seu cabelo assim – passei um dedo levemente pelos cachos ruivos e longos.

– Mais uma resolução?

Nós passamos meia hora apenas indicando o que o futuro poderia esperar para nós e nossos amigos. Quando as linhas da lista estavam terminando, eu olhei para Rose e encerrei com ousadia e surpresa, algo que Rose não esperava me ouvir dizer, mas que até ela poderia estar pensando.

– Escreve aí por último. Ainda estaremos juntos, enchendo o saco um do outro.

Ela me encarou, abrindo um sorriso.

– Daqui dez anos? É um chute bem arriscado, Scorpius.

– Eu tenho uma boa mira – garanti.

Depois disso, ela largou a lista de lado e foi impossível parar de me beijar.



No mês seguinte a carta do Ministério estava em cima do piano de minha mãe, no canto da sala perto da lareira apagada. Meu pai estava lendo jornal na sua habitual poltrona quando olhei ansioso.

Lembrei de quando recebi a minha carta de Hogwarts. Eu havia encontrado ela exatamente no mesmo lugar. Sete anos havia se passado e tive certeza de que minha mãe havia espiado, mas quando a segurei na mão, a carta do Ministério estava perfeitamente lacrada.

Enquanto eu lia as letras cursivas do documento, minha mãe entrou na sala e se aproximou cautelosamente, silenciosa. Meu pai estava olhando, também ansioso. As últimas palavras eram as que eu temia em ler. Poderia indicar um retrocesso ou um progresso. Talvez uma parte de mim já soubesse do resultado e então eu estava tranquilo.

Mesmo assim não disse nada quando guardei a carta de volta ao envelope, já lida e compreendida. Minha mãe, sem perguntar nada, apenas olhou para minha expressão e ajeitou a gola da minha blusa, com um sorriso levemente triste.

Mas tremendamente orgulhoso.

Não pude deixar de retribuir o sorriso dela, muito aliviado.

– Eu o ajudo com as malas, querido. Vai ser uma grande mudança.