Born For This
10 Out of Reason
O sr. Binns pigarreou forte, interrompendo-se imediatamente de suas últimas explicações. Olhou na minha direção e foi quando eu vi que Albus, ao meu lado, estava babando. Eu empurrei o braço dele, girando os olhos, ao mesmo tempo em que minha risada prendia a garganta. Albus pulou da cadeira, passando a mão no canto da boca. Rose, a nossa frente ao lado de Natalie, olhava-nos com repreensão. É claro, nós tivemos aquele trabalho de convencer o professor a voltar a dar aula, e nada mais considerável do que estarmos quase caindo na cadeira de tanto sono. Éramos mesmo imprestáveis.
Mas perdoável. Além do esgotamento unânime da nossa turma, todos reconheciam o esforço de Albus para tirar uma boa nota nos últimos testes que, graças a Merlin, já haviam acabado. Ele, por exemplo, passou várias noites em claro, mesmo que eu encontrasse evidências de que ele e Natalie estavam, assim como eu e Rose, tendo encontros escondidos quando diziam ir estudar. Eu não sei a razão deles, já que eram tão óbvios. Eu e Rose? Nem tanto assim. Nossos encontros escondidos eram justificáveis, mas talvez Albus e Natalie fossem demasiadamente orgulhosos para se admitirem em frente aos amigos. Dizer que Natalie tinha vergonha de ficar agarrada a alguém era uma mentira. Ela já teve seu caso com o irmão de Albus, James, e eles não esconderam isso de ninguém na época. Vai entender. As pessoas são estranhas quando o assunto é namoro ou algo do tipo.
Nas últimas rondas com Rose, tivemos a tarefa dada usualmente pela diretora de ajudarmos na organização da festa de encerramento do ano letivo, como acontecia todo ano, em especial para os alunos do sétimo, por atingirem o ensino bruxo completo. Rose até que não reclamou muito de ajudar, mas eu não me poupei disso. Tinha coisa melhor para fazer, mas quando ela me perguntou o que seria eu percebi que não tinha uma resposta a não ser a óbvia, e que envolvia os lábios dela nos meus.
E, vou dizer, tinha alguma coisa estranha acontecendo comigo. Eu queria isso toda hora. Os desejos dela já eram meios difíceis de decifrar, porque Rose tinha gestos e ações e palavras que, muitas vezes, mal condiziam com suas vontades. Às vezes se dizia ocupada e não se encontrava comigo quando marcávamos horário, preferindo se desculpar, mas não dar explicação. Eu tentava não alcançar a idéia de que me aborrecia com os foras, mas a verdade era que isso me aborrecia mesmo. Não de um jeito ruim, mas cômico. Inevitavelmente, eu ficava procurando por mais.
Nós nos conhecemos a um tempo longo e eu já me acostumei a lidar com essa imprevisibilidade dela, a diferença agora era que eu estava reparando demais. E isso era estranho, porque nunca me senti assim por garota alguma. Com essa vontade de reparar nessas personalidades que, embora defeituosas, não me faziam gostar menos dela. Pelo contrário. E era ainda mais estranho, porque eu não podia sentir isso por aquela garota. Além de prima do meu melhor amigo, ela tinha um pai ciumento, e que detestava a minha família. E depois dos beijos, eu já não sabia o que Rose e eu éramos, afinal de contas. Beijos a escondida, mas agíamos como sempre agimos quando estávamos perto de alguém. Palavras e juras de amor? Nenhuma. Sozinhos, a coisa ficava esquisita e segurá-la em um beijo parecia prioridade. E eu não sabia como lidar com isso muito bem, eu não sabia usar palavras para que ela entendesse esse desejo. Rose também não. Então restava apenas fazermos.
Por vezes, eu me obrigava a fazê-la entender, mas não queria causar esforço a mim mesmo. Eu achava que ela entenderia tudo e, nos meses que curtíamos a curiosidade de nossos beijos, logo no fim do ano letivo, minhas opções pareciam favoráveis. Causar-lhe ciúmes, discutir sem fundamentar, querer arrancar palavras da boca dela, fazê-la admitir certas coisas. Eu queria ouvi-la dizer isso, que me segurar era uma prioridade também. Não era justo sentir uma coisa dessas e não ser devidamente correspondido.
Depois de ajudá-la com a organização e de observar certos movimentos do seu corpo, nós pudemos sair e descansar.
– Você está ficando boa nisso – eu comentei enquanto caminhávamos pelo corredor. Eu não podia simplesmente puxá-la para um canto, então resolvi puxar um assunto em vez de um beijo. Tinha pessoas passando por nós. – Nesse negócio de enfeitar as coisas.
– Obrigada. E você também está ficando muito bom nessa arte de não fazer nada – comentou, fazendo um gesto com as mãos.
– Ah, dê um tempo. Esse não é meu ramo.
– Qual é o seu ramo, então? – ela perguntou de repente. Eu franzi a testa, sem entender, e ela formulou melhor a pergunta: – O que você vai querer fazer quando sair de Hogwarts?
Era inacreditavelmente irritante quando começavam a falar sobre esse assunto. Eu não tinha vocação para nada. Costumava fazer alguns rabiscos no caderno, mas no que desenhar poderia salvar o mundo?
– Hum, quero me casar e ter um filho – falei colocando a mão no bolso e olhando para a frente.
Ela me socou o braço, rindo.
– Estou falando sério, Scorpius.
– Ok. Quero me casar e ter um filho com você.
Ela riu de novo. Por que nunca me levava a sério? Certo, porque eu não estava falando sério. Mas e se eu estivesse? Eu iria me sentir ofendido com essa risadinha.
– Então isso é um não? O que vou fazer com a aliança que comprei?
– Cala a boca, Scorpius – pediu Rose com sinceridade. – É que... você disse que quer ser auror, mas...
– Meu avô quer – confessei pela primeira vez. – Ele acha que é um jeito de fazer com que as pessoas parem de lembrar o passado da família. Mas e quanto a você? Consegue fazer qualquer coisa, deve estar sendo bem conflitante escolher alguma coisa em meio a tantas.
– Tenho algumas opções. Algumas vão sumir até o sétimo ano, eu acho.
– E quais que não vão sumir?
– Sempre quis trabalhar em hospitais. Não apenas... não apenas bruxos. – Ela hesitou ao responder para mim, mas parecia certa disso para si mesma. – É um dos meus sonhos. Sonhos não somem em dois anos, eu acho. Então...
– Você quer dizer... trabalhar com trouxas?
Ela respondeu alguma coisa, mas passamos por um grupo de garotas do sexto ano. Lembrei-me de uma delas, a que mastigava chiclete evidentemente. Ela sorriu ao me ver passando e cumprimentou com um “Oi, loiro” e um sorriso significativo, como se lembrasse do dia em que ficamos na biblioteca, e quisesse repetir aquilo. No entanto, o sorriso foi sumindo ao reparar que Rose estava ao meu lado. Nós dois andávamos meio que rigidamente um ao lado do outro, como se escondessemos muita coisa – sentimentos, talvez. O sorriso da garota se tornou meio desgostoso. Se havia reparado em alguma coisa entre mim e Rose, com certeza não havia aprovado.
Rose parecia não ter ligado ou visto, pois logo antes de mudarmos de caminho ela sorriu e disse que nos veríamos na festa de encerramento. De repente inclinou-se em minha direção e me deu um rápido beijo no rosto antes de sair apressada dali. Ela nunca havia feito isso, não com pessoas passando, de modo que me vi sorrindo feito um idiota até o momento que a mesma garota do sexto ano passou por mim, comentando:
– A filha dos Weasley?
E saiu, com as sobrancelhas erguidas, sem dizer mais nada. Ela foi a primeira pessoa a reparar. E eu tive a impressão de que iria se espalhar pela escola toda, mas isso não aconteceu. Tive certeza que ninguém ainda sabia porque Albus não veio tirar satisfação alguma comigo quando nos encontramos na festa de encerramento.
Eu geralmente gostava de final de ano letivo, como qualquer aluno normal. Significava que eu podia ir para casa e passar meses em férias, sem precisar estudar. Mas quando junho se aproximou com os últimos testes, eu estava com uma súbita e estranha preocupação. Não apenas pelo que aconteceu ao meu pai, mas porque as despedidas iam ser diferentes. Antes era só dar um tchau, falar que nos veríamos no próximo ano. Agora as coisas meio que mudaram, começando por Albus ajudando Natalie a subir no trem com as malas delas.
Albus debruçou na janela do trem e olhou para mim e Rose. Depois encarou Natalie ao seu lado.
– Esses dois estão estranhos, não estão?
– Não mais do que você usando esse boné. Que coisa ridícula, Al, tira ele.
– E por falar em coisa ridícula, jurava que até o final desse ano letivo você ia dar o troco na Hollie pelo que ela disse do seu cabelo – disse Albus, passando a mão nele. Natalie sorriu, e não era um sorriso simpático.
– Digamos que ela teve uma pequena surpresinha ao se olhar no espelho hoje de manhã.
– O que você fez? – Albus quis saber. Ela negou.
– Não vou contar. Mas se tiverem sorte, vocês vão ver. A não ser que ela tenha sumido para não ser vista por aí sem cabelo.
– Oh, você...
– Só uma coisa, Albus: ninguém xinga o corte de cabelo que a minha mãe faz. E quando isso acontece, tem troco. Mesmo que discretamente. Mas não se preocupe, o efeito do feitiço só dura um dia. Depois ela volta a ser a bonitinha de sempre.
Depois de gargalhar, Albus confessou:
– Cara, ainda bem que eu acho o seu cabelo bonito.
– Você só está dizendo isso para não ficar careca.
– E também estou te elogiando.
– Nós vamos ajudar as crianças do primeiro ano com as malas dela – avisou Rose, interrompendo. – Já voltamos.
Sem reclamar, eu fui com ela ajudar com as bagagens da criançada do primeiro ano. Colocamos no compartimento e logo que terminamos e as crianças saíram, o espaço do trem ficou vazio. Antes do apito soar e indicar que já estávamos voltando para nossas casas, Rose tirou a franja dos olhos e suspirou, olhando para mim.
– Bem, é isso.
Estávamos sozinhos e isso só significava uma coisa.
– Último trabalho de monitor do quinto ano – comentei. Depois estendi minha mão a ela. – Foi muito bom trabalhar com você, srta. Weasley.
Ela não apertou a minha mão. Rose pulou com os braços ao redor do meu pescoço e me beijou. Minha mão estendida foi parar em seus cabelos soltos. Seus lábios ainda calmos e ainda curiosos. Mas havia algo mais. Talvez despedida. Em um momento desviei meus lábios para o seu pescoço. Ela soltou um suspiro, agarrando meu cabelo. Eu beijei sua pele ali, seus cabelos estavam cheirosos, e senti que a deixei arrepiada. Ele riu um pouco, como se sentisse cócegas.
– Vai escrever esse verão? – perguntou assim que me soltou. Parecia ansiosa.
– Você sabe que eu nunca escrevo – eu disse, mas depois sorri. – Mas vai que você conhece algum idiota que beija melhor do que eu, então... acho que é bom manter contato.
Rose apenas sorriu. E, antes de voltarmos a cabine com nossos amigos, quis prometer algumas outras coisas para ela – embora não soubesse o quê –, pois no momento parecia certo e legal. No entanto, mais tarde, foi fácil descobrir que fiz a coisa certa em não prometer nada, em não dizer nada, em não declarar nada. Eu apenas senti a viagem toda e senti também quando voltei para casa. Sentia, mas não falava.
Meu pai estava com a aparência muito melhor e o humor relativamente curado, embora mamãe olhasse para ele com preocupação algumas vezes. Eu tive a impressão que ela não estivesse cem por cento certa de que ele estava mesmo bem. Confessou a mim logo que cheguei, em particular, que às vezes o humor dele oscilava, mas que não era para eu me preocupar. Acostumei-me facilmente a rotina das férias. Noites de sexta-feira, principalmente, ocorriam os jantares típicos. Antes, com meu pai precisando de cuidados e usando cadeira de roda, privou-se dos eventos. Agora que ele já estava andando normalmente, parecia certo comemorarmos e jantarmos.
Meu pai estava sentado ao lado da minha mãe que bufava com a falta de opção do cardápio. Ela nunca gostou daquele restaurante, mas aceitou ir porque foi meu pai que quis, e ele raramente pedia para sairmos. Ela não era louca de recusar a raridade. E quando meu prato preferido chegou a mesa, meu pai fez a pergunta simples de pai, a qual exigia a resposta curta de que eu não estava mais namorando. Claro que não aprofundou no assunto romântico e me deu a dica de aproveitar o tempo solteiro, conhecer garotas e tentar tudo com elas. Eram dicas que ele dava por consideração, pela vontade de ver seu filho admitir ser homem. Minha mãe, por outro lado, não concordava com essa percepção. Às vezes me lançava olhares desconfiados, mas não de repreensão. Ela não me repreendia, só não achava que eu merecesse um tratamento especial por isso. Na verdade, ela dizia que eram esses o momentos em que mais fazíamos coisas pelas quais iamos nos arrepender.
Pensar assim era estranho. Não entendia naquele momento esse tipode ponto de vista. O do meu pai tinha cem vezes mais sentido para mim. Sexo não havia escrúpulos. Era algo estranho e curioso, excitante e que tirava toda a razão, algo que, assim feito, não havia mais volta. Diversão e curiosidade para uns, necessidades para outros. Eu não entendia a visão da minha mãe. Eu não achava que eu fosse me arrepender de transar com alguém, principalmente porque, inevitavelmente, essa é uma das maiores vontades que eu tinha. Eu não havia me desapontado quando fiz, de modo que isso sempre passava pela minha cabeça. Era desconfortável em certas ocasiões, mas quando eu estava sozinho, era maravilhosamente relaxante.
Dimitre Greengrass voltou para o país e nos fez uma breve visita. Não foi breve no momento que descobri que ele iria passar uns dias em casa. Ele não havia mudado seu jeito idiota desde que passou a estudar na Durmstrang, mas sua postura estava mais... disciplinada. Apertava a mão ao cumprimentar e estava um pouco mais frio do que o usual. Ele não parecia o Dimitre porque havia raspado o cabelo cacheado, então estava parcialmente careca. Mesmo assim, ainda dava para perceber suas características típicas. Minha tia Dafne e o namorado dela iam viajar, por isso pediram para que abrigassem Dimitre na Mansão por algum tempo. Meus pais prometeram não se preocuparem com ele ou se responsabilizarem por ele. Tudo bem, desde que ele tivesse algum lugar para dormir.
Mas Dimitre não dormia. Ele saía de madrugada para ir a festas.
– O que está fazendo? – perguntei quando alcancei ele no jardim da Mansão. Estava carregando dois barris de cerveja amanteigada.
– Rever meus colegas! Se quiser ir a festa, coloca uma roupa melhorzinha.
Depois de pensar um instante, acabei não recusando. Eu ficava na Mansão todos os dias. Minha avó já estava repetindo as músicas do piano, meu avô não parava de me perguntar sobre minha profissão. Meus pais estavam naquela fase de discussões idiotas e eu só tinha livros para ocupar meu tempo. Ou seja, eu estava entediado. Uma festa não era ruim, então acompanhei meu primo até o lugar.
E, acredite, foi o pior lugar que eu já fui. Era uma casa de festas onde o cheiro de cerveja era terrível. Dimitre reencontrou os amigos, saudando todos como se tivesse feito falta na vida deles. Alguns até mostraram algum sentimento, mas estes já estavam demasiadamente bêbados e Dimitre não demorou a se juntar a eles. A música era péssima e, o pior de tudo, eu reconheci muita gente de Hogwarts por lá. Tentei deslocar algum canto interessante e, para isso, peguei uma bebida também. A bebida era a melhor.
Depois de alguns goles, até pensei em voltar e ir embora, mas quando notei foi tarde demais, porque alguém puxou minha camiseta e me levou até a pista de dança. A garota do sexto ano, que eu ainda não lembrava o nome, estava sorrindo para mim e olhando o copo da minha mão.
– Essa é forte – comentou.
– Eu não quero dançar – falei, mas ela me puxou de novo, segurando meu braço. Por uma estranha razão, não me afastei.
– Por que você foge de mim?
Fiz esforço para não girar os olhos.
– Eu não ligo de você ser mais novo – acrescentou. – Ou é a tal da Weasley? Você gosta dela, não gosta?
Eu tomei outro gole e disse.
– Não interessa.
– Isso já diz bastante. Mas eu sei que você só quer, sabe, foder. Todo garoto quer!
Eu achei que eu já estava ficando bêbado quando a ouvi dizer a palavra. Eu sabia que ela estava. Tentou se esfregar em mim, mas minha vontade foi de empurrá-la, porque, pode parecer estranho, mas fiquei pensando em Rose. Ela nunca iria a uma festas daquelas. Olhei para o copo em minha mão novamente. Eu não estava com intenção de ficar bêbado nem nada, mas aquela bebida tinha algo especial, como se me puxasse para dentro dela de um jeito inevitável e eu só queria experimentar mais alguns goles. Quando acabou, enxi o copo de novo. A garota ainda dançava a minha frente e com um movimento rápido no corpo, ela sussurrou que me queria no quarto. Eu fiz algo patético. Franzi a testa e exclamei:
– Não tem quarto aqui!
– Ah, eu conheço esse lugar melhor do que você.
Ela pegou a minha mão. Será que...? Simplesmente ela me levou a uma sala fechada, bagunçada, onde havia uma cama de casal. Ela ria e me empurrava, mas depois apertava meu rosto, claramente bêbada. Estávamos sozinhos e ela me derrubou na cama. Por que eu não encontrei forças para me afastar? As coisas já estavam ficando ofuscadas.
Ela sentou-se ao meu lado e mordiscou minha orelha, rindo.
– Você é bem gostosinho, sabia?
Eu estava com as palavras do meu pai na minha cabeça, sobre aproveitar o tempo solteiro. E acho que só isso estava na minha cabeça. Mas quando senti a boca dela cobrir a minha, tive certeza de que havia algo errado, de que eu não podia fazer isso. Rose e eu não falamos nada sobre compromisso, ela ainda me deixava na dúvida sobre os sentimentos dela, sobre as vontades dela.
Percebendo que eu estava reprimindo o beijo, a garota disse:
– Vamos, você não veio aqui só para olhar a festa. Quer isso, não quer?
Ela desviou os lábios para o meu peito, já que abrira cinco botões da minha camisa. Ela tinha um beijo exagerado, e percebi que não gostava desse tipo de contato, mas eu tinha a bebida e o pecado na mão, por isso continuei sem dizer nada. Maldita ereção que, simplesmente, comçou a surgir. Por que eu não conseguia me controlar?
Joguei o copo no outro lado do quarto e olhei, curioso para ver onde essa garota ia chegar.
Ao abrir a minha calça, ela sussurrou alguma coisa, com um sorriso de lado. Eu devo ter dado risada, como se entendesse o que ela queria. Começou a abrir meu zíper e enfiou a mão dentro da minha cueca. Eu reagi quase que instantaneamente e depois disso foi difícil controlar. Ela me tocou, olhando para mim. De repente ela se ajoelhou na altura do meu quadril e eu não contive um gemido prazeroso quando ela beijou a ponta da minha ereção. Depois colocou tudo na boca, e eu só tive tempo de fechar os olhos, aproveitando enquanto ela fazia o que sempre quis que uma garota fizesse comigo. Não pensei em nada, só ficava olhando para a porta do quarto, como se alguém fosse entrar e nos interromper. Minha cabeça estava vazia e a única atenção que rolava por lá era a garota de joelhos a minha frente.
Aquela garota maluca e estranha, com hálito de bebida alcoolica.
– Nem acredito que fiz isso no filho de Draco Malfoy – disse quando parou e passou as costas da mão nos lábios. Assim como eu não sabia o nome dela, ela sempre se referia a mim como filho do meu pai.
Eu empurrei a cabeça dela e levantei minha cueca, mesmo estando completamente duro. Eu podia trabalhar naquilo depois sozinho. Algo soava errado e estranho. Mas, infelizmente, muito gostoso e excitante.
– Ei, espere – pediu ao ver que eu estava indo embora. – Não fuja assim, Malfoy, você adorou!
Ela vai esquecer isso amanhã, ela vai esquecer isso quando estiver de ressaca.Eu vou esquecer aquilo. E se eu não lembrar, será como se não tivesse acontecido. Saí do quarto, passando a mão no rosto, e andei pelo corredor da casa meio que trombando naquelas pessoas. Eu não sabia que aquela bebida era tão forte e, confesso, eu era fraco nisso. Vulnerável a isso. Mas... o que era imperdoável era que... eu estava lúcido o suficiente para que impedisse de acontecer, mas eu não fiz. Minha vontade, minha curiosidade, minha excitação foi muito maior do que qualquer coisa que estava acontecendo no meu coração, quando eu pensava em Rose. Merda.
Voltei para a Mansão sem Dimitre, através da lareira daquela casa. Foi uma péssima idéia, mas eu não estava pensando direito. Caí direto na sala dos meus pais. Como era madrugada, eles estavam dormindo, mas devo ter feito muito barulho para subir as escadas porque minha mãe desceu.
– Mãe – eu disse debilmente ao vê-la. Ela teve razão. A gente se arrependia.
– Onde você estava? – a voz dela era ríspida. – E cadê o seu primo?
Balbuciei alguma coisa. Depois disso, ela me levantou. Eu não tinha percebido que estava encostado a parede.
– Fiz cagada, mãe – eu disse.
– Você bebeu – ela notou imediatamente e segurou meu braço. – Vai tomar banho e suba para o seu quarto.
– Não, eu fiz cagada. Tenho que mandar uma carta...
– Agora não, são três da manhã. – Ela disse mais algumas coisas, mas eu não estava ouvindo.
Quando ela tentou me levar para cima, eu tirei sua mão de mim e, emburrado, tentei ir sozinho.
– Devia ter avisado que ia sair, Scorpius – ela repreendeu. – E ainda volta para casa dessa maneira sabendo que seu pai foi quase queimado vivo por alguém que...
– Não estamos falando do meu pai! E já que estamos, vamos concordar que ele também bebe.
– E qual foi a sua razão?
– A festa estava chata.
– Ela ficou mais legal depois?
– Não sei, mas meu pau gostou – eu dei de ombros e minha mãe me olhou incrédula. Ia dizer alguma coisa ou brigar pelo modo como eu disse aquilo, mas ao me deixar passar por ela e subir as escadas, ela cruzou o braço e apenas disse:
– Se mais uma vez falar comigo dessa forma, bêbado, eu vou te deixar de castigo.
Eu dei risada, achando que ela estava fazendo mais um de seus comentários irônicos. Ela nunca havia me deixado de castiga por nada.
– Claro, mãe, claro.
– Não estou brincando.
Eu dei as costas, ignorando-a. Durante o banho não consegui me segurar e me aliviei. O pior de tudo? Não pensei naquela garota da festa. Imaginei Rose o tempo todo, enquanto eu esfregava minha ereção com uma raiva desnecessária embaixo do chuveiro, como se a culpa fosse dela, e não minha, por eu ficar pensando nela desse jeito. Depois, caí de cara no meu travesseiro para dormir. Aquela noite não passou em branco e eu acordei com dor de cabeça e sem forças para ficar me xingando, embora eu quisesse muito me xingar. Por ter deixado uma menina me chupar sem mais nem menos e por ter batido uma pensando em Rose... de novo, até quando acordei. .
Embora eu soubesse o que rolou na festa, eu não podia deixar isso tomar conta de mim, uma vez que não significou nada.
Descendo para tomar café-da-manhã, estranhei que meus pais não estivessem por lá. Provavelmente não me esperaram para acordar. Lembrei-me como agi com minha mãe. Não demorei a encontrá-la pintando mais um de seus quadros no segundo andar da Mansão. Ela estava concentrada, embora não estivesse observando nenhuma paisagem. Fazia pinturas de sua imaginação e essas pinturas eu admirava desde pequeno.
– Desculpe pelo que eu falei. Ontem à noite.
– Dimitre perdeu o pai. Ele é inconsequente. Mas você não tem motivos para isso. – Ela não olhava para mim.
– Todo mundo bebe, mãe.
– Sabe, é esse o problema. Eu o considero tão esperto, Scorpius. Mas as vezes você age de forma tão estúpida. Diz coisas estúpidas. – Ela largou os pinceis ao seu lado e finalmente se virou para mim. Estava com os cabelos presos, o que a deixava com um ar muito jovem. Não admirava que meus colegas fizessem comentários importunos quando a viam por perto. Minha mãe era linda. – E não venha dizer que a culpa foi da bebida.
– Eu não ia dizer.
– Escute, não estou brava com você. Mas já passei por coisas assim, com o seu próprio pai e... nenhum de nós se sente orgulhoso disso. Independente do que você tenha feito essa noite, Scorpius, eu só esperava que tivesse mostrado razão nos seus atos. Mas você não mostrou, e eu não criei você assim.
Sentei-me no banco que havia ao seu lado e cocei a cabeça.
– Mãe, por que as garotas são tão fáceis?
Ela se permitiu pensar para responder a essa pergunta.
– Para que as difíceis fiquem mais interessantes. Acredite, existe esse tipo de garota, só precisa achar com vontade.
– Aposto que a senhora foi desse tipo.
Ela riu um pouco.
– Se conhecesse um terço do que eu fui quando adolescente, filho, não iria me reconhecer. Digamos que eu não fui nem fácil e nem difícil. Eu fui simplesmente do seu pai.
– Belas palavras. – Naquele momento meu pai entrou na sala e apertou meus ombros. – Como eu sempre digo, Scorpius, tem que aproveitar as garotas porque depois que você se apaixona, não consegue ver mais graça nenhuma nas outras. Aconteceu comigo depois que conheci sua mãe.
Os dois trocaram um beijo na minha frente. Minha mãe acrescentou:
– Mas eu vi como você estava secando o decote da mulher na fila do Beco Diagonal.
– A mulher realmente tinha peitos grandes – argumentou meu pai. – Até você reparou, Astoria. Na verdade, você começou a olhar para eles e eu só segui seu olhar.
– Eu estava olhando para o colar dela – reclamou.
– É apenas um acessório.
– Eu estou usando um colar e você nem olha mais para os meus peitos.
Engasguei.
– Mãe – reclamei.
– Desculpe, querido. – Voltou a olhar para o meu pai. – Mas é verdade.
– Estou olhando para eles agora.
– Não do jeito que estava olhando para os daquela mulher.
– Eram realmente grandes, querida! Mais do que o normal. Além disso, meu filho está aqui. Não posso olhar para os seus imaginando-os nus agora. Talvez mais tarde.
Eu dei um suspiro quando ele piscou para ela.
– Vocês são tão românticos – ironizei.
– Agora falando sério. Não perca isso – disse meu pai, entregando em minha mão um ingresso. Sem falas, observei que era para a final do Torneio de Quadribol Internacional, que eu esperei anos para poder assistir. – Semana que vem. Se for atrás de Dimitre e as festas dele para ficar bebendo e transando com a garotada, eu corto o ingresso, ouviu?
Notei que talvez minha mãe tivesse obrigado ele a agir assim comigo.
– Está bem – não doeu prometer aquilo. Além disso, era o único recurso indireto que eu tive durante aquelas férias inteira de poder rever Rose e Albus. Eles com certeza estariam lá.
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