Borboletas do Arco-Íris
29 Rainbow Dash - Perdão
A vida em Canterlot High só foi ficando cada vez mais horrível. Pinkie estava constantemente ajudando a Twilight e a Sunset a se acertarem, a Rarity e a Apple continuavam com o mesmo fogo no cu de sempre, o que significava que eu não tinha muito com quem conversar sobre meu problema com a Fluttershy.
A verdade é que aquela garota tinha mexido demais comigo e eu já não suportava mais a ideia de viver longe dela. Mas voltar a namora-la não era uma opção, já que ela estava tão firme com o Discord. Pelo menos eu sempre os via juntos pelos corredores, com Discord fazendo questão de jogar na minha cara que estavam juntos.
O campeonato de basquete já havia começado havia algumas semanas, e os Wondercolts subiam rapidamente para a liderança. Eu estava muito mal, mas com muito custo consegui canalizar minha raiva contra os Warriorcolts, e me aproximando rapidamente das finais que, se continuasse nesse ritmo, seria com eles.
Minhas amigas torciam por mim, é claro, mas não tínhamos muito tempo para conversar. Então imagine qual não foi minha surpresa quando, alguns dias antes das finais — dessa vez tinha certeza que seria contra a Starswirl -, Rarity me procura para conversar.
– Eu sei que não tive tempo para te ajudar e peço desculpas por isso — disse ela.
– Ah, que isso. Você sabe que eu não poderia resolver isso nem se eu quisesse. A Flutter tá feliz com o Discord.
– Eu sei que você não quer nem ouvir falar do vídeo mas...
– De novo isso? — digo me levantando da escada onde estávamos sentadas.
– Rainbow, você precisa ver até o final.
– Rarity, eu já vi o suficiente, tá? — digo saindo.
Ela levanta-se rapidamente — rápido demais para quem usa saltos enormes — e agarra meu braço, me puxando.
– Você precisa ver até o final — diz ela começando a se irritar — Precisa saber que é mentira do Discord. Ele forçou a Flutter a isso.
Me viro para encara-la, o olhar magoado.
– Ela não parecia forçada quando fez aquela homenagem a ele.
Rarity suspira, soltando meu braço.
– A homenagem era pra você, eu já disse. Por favor, acredite em mim.
A encaro irritada, pronta para falar, mas esta me interrompe:
– Veja o vídeo e verá que estou falando a verdade. — fico em silêncio, apenas a encarando — Por favor, não custa nada.
Suspiro profundamente. Bom, se isso fizesse ela nunca mais tocar no assunto, então eu veria. Sento-me novamente no degrau da escada e pego seu celular, dando play no vídeo.
Vejo novamente o descarado do Discord se aproximar, colocar seu cabelo atrás da orelha, interrompe-la e beijar-lhe. Então a câmera dá uma tremida horrorosa e a próxima cena me choca: Fluttershy, a garota frágil e gentil, empurra Discord e lhe dá um tapa estalado. Depois de gritar alguma coisa, ela se vira e sai da quadra.
Em choque, pouso o celular no degrau ao meu lado com um baque e me afundo em minhas mãos. Como eu era uma idiota! Esse tempo todo Discord estava na verdade se aproveitando da ingenuidade da Flutter para me provocar. Ela estava em perigo e eu não servi nem para protege-la. Como eu era um monstro desprezível!
Rarity me abraça gentilmente.
– Eu sei que estava com raiva dela e que doeu muito pra você se separar dela. Mas viu? Ela te ama e jamais te deixaria pelo horroroso do Discord. Eu sei, dói saber que estava errada. Ainda mais você, orgulhosa como é. Mas tá na hora de consertar isso, tá bem?
Segurando as lágrimas que estavam doidas pra vir, assinto lentamente. Depois, determinada, me levanto.
– E eu já sei como vou consertar isso.
...DEPOIS...
Pedi à Rarity que não contasse a ninguém ainda pois queria fazer uma surpresa para todas e comemorar tanto a vitória da final quanto a volta do meu namoro com a Fluttershy. Sendo assim, a Rarity prometeu segurar aquela boca enorme.
Por isso, não medi esforços ao correr à floricultura e comprar um buquê bonito de flores, me arrumar e correr para a casa da Fluttershy. O buquê foi só pra dar um toque especial, porque só eu já seria suficiente. É, eu sou demais mesmo.
Aproveitei para levar o colar que Pinkie havia me entregado há uns dias — ela ainda continuava com aquela história de ser importante dar às melhores amigas -, quando, em uma tentativa falha, tentou me convencer a entrega-lo a Fluttershy e perdoa-la. Bom, agora era uma boa hora para isso.
Ansiosa, toco a campainha e espero, impacientemente, a Flutter aparecer. Ela aparece segundos depois com um roupão rosa felpudo e pantufas de coelho. Ela me olha surpresa e eu sorrio.
– Bem... — começo sem graça — Eu sei que eu fui horrível tendo duvidado de você, Flutter. Mas a Rarity me contou tudo e agora entendo que você não merecia tudo aquilo. Eu sinto muito mesmo por ter te ignorado... Me perdoa?
Nesse instante Fluttershy já estava a beira das lágrimas e pulou em cima de mim quando terminei, em um abraço gostoso que eu jamais vou esquecer. Depois de algum tempo ela me solta, sorrindo sem graça.
– Hã... Meus pais estão aí e... Não vai dar certo... Você sabe...
– Entendi — digo compreensiva. — É... Pra você... — digo sem graça lhe entregando a caixinha com o colar.
Ela abre e o olha maravilhada.
– Rainbow, é... É lindo!
– Gostou?
– Eu... Eu amei...
– Pinkie diz que é apenas para as melhores amigas e pra quem tá no grupo. Você é especial pra gente, então é um presente. É... Não meu, mas da Pinkie.
Ela me olha agradecida e eu lhe dou um selinho, o que a faz me olhar assustada.
– Rainbow! M-meus pais...
– Não tem problema, eu estava com saudades deles mesmo — digo lhe entregando o buquê e entrando. Sim, eu sou cara-de-pau mesmo.
...MAIS TARDE...
Foi maravilhoso jantar com os Shy. Eles eram muito bem receptivos e a mãe da Flutter era uma cozinheira de mão cheia. A conversa fluiu agradavelmente e eu não tinha com o que me preocupar. A mãe de Flutter concordou em deixa-la dormir na minha casa depois das finais, e mamãe e papai estavam viajando novamente, então tudo estava perfeito. Eu mataria a saudade daquela boquinha deliciosa logo no dia seguinte.
Cheguei em casa e percebo algo de muito estranho. A porta estava destrancada, e eu tinha certeza que havia trancado. Será que meus pais voltaram mais cedo? Será que fui assaltada? Entro em casa hesitante, pisando cautelosamente no chão como se esse pudesse explodir.
– Tem alguém em casa...? — pergunto com medo da resposta.
Então ouço passos apressados vindos da cozinha, meu coração bate mais forte, os passos vão chegando mais perto e...
– Surpresa! — grita Scootaloo ao aparecer na porta da cozinha.
– Ai Scootaloo você me mata de susto assim. — digo suspirando.
Scootaloo ri da minha cara e fecha a porta que eu — acidentalmente — deixei aberta.
– Eu vim passar a noite aqui, já que é véspera das finais, podemos conversar, contar histórias, comer, assistir a um filme...
– E é exatamente por isso que você não deve passar a noite aqui! Tenho que dormir cedo, passar uma noite tranquila e acordar descansada para o jogo de amanhã.
Scootaloo se afunda no sofá, emburrada.
– Mas você é a Rainbow Dash. Sempre vai bem nos jogos.
– É, só que pra mim ir bem, eu preciso de uma boa noite de sono.
– Mas eu não quero te deixar sozinha, Rainbow. Você anda muito pra baixo...
– Ah, isso? Já resolvi!
– Ah, vamos. Por favor, por favor, por favor, por favor...
E continuou repetindo até me torrar as paciências e gritar:
– Tá bom! Mas vamos dormir cedo.
Ela comemora alegremente e sobe as escadas saltitando.
– Eu vou dormir na sua cama com você então.
– O quê?! — digo seguindo-a escada a cima — Não vai não.
– Ah por favor, Rainbow, eu quero muito isso.
– Tá — cedo de má vontade.
...DEPOIS...
Depois de assistirmos a um filme e eu me certificar que Scootaloo estava bem alimentada, arrumamos e nos deitamos, e Scootaloo faz questão de grudar assim que apago as luzes.
– Scootaloo, você não quer ir um pouquinho mais pra lá não?
– Ah Rainbow, aqui tá bom.
– Você tá quase em cima de mim.
– Quero te abraçar pra dormir, você é minha irmã mais velha.
– Tá com medinho do escuro, tá?
– N-não...!
– Então vaza!
– Tá, eu tô com um pouco de medo.
Suspiro, tentando não me irritar.
– Tá bom, tá bom. Mas tira o cotovelo da minha barriga.
– Melhorou?
– Obrigada.
– Boa noite Rainbow Dash.
– Boa noite Scootaloo. — digo, e adormeço com a pequena Scootaloo me abraçando.
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