Bonheur

1 Désolé


"Diga-me, menina linda
Não pode deixar de ser tão inocente?
Entretanto, não percebe?
Sabe que me sinto mal?"

No carro, Bridgette passava a viagem toda mirando a janela, como se tivesse algo realmente interessante ali. De certa forma havia, já que aquela era sua cidade natal, que não via há 3 meses, e estava com saudade daquela paisagem. Entretanto, ele sabia que ele aquele não era o motivo de sua amada estar tão distraída.

— Bridgette? — ele perguntou sério como sempre, sem transparecer preocupado. — Briggette. — ele chamou mais uma vez, já que ela respondera.

— Ah! O que foi, Fê? — ela deu um pulo, assustada.

— Está tudo bem com você? — ele aproximou o rosto para perto dela, como se estivesse a examinando. — está com fome? Quer algo? Se sentir mal, pode me falar, que...

— Calma, seu bobo. — ela riu. — não é isso, eu estava só... Lembrando de algumas coisas. — completou, sorrindo.
Aquela seria a primeira vez que Félix Benacci iria conhecer a família Agreste inteira, já que a única que conhecia era Emma, sendo que tinham uma relação bem conturbada.

Piscou duas vezes e suspirou. Provavelmente estragaria tudo, já que sua principal característica era ser ruim com pessoas, o que era uma consequência do modo como foi criado por seu pai: sempre em casa estudando com um professor particular.

— Chegamos. — avisou o motorista, fazendo com que o loiro acordasse de seus profundos pensamentos.

— Que saudade! — exclamou Briggette, saindo do carro preto. O motorista ajudou Félix a tirar as malas, e logo o loiro o dispensou.

Félix sorriu levemente ao ver a animação da namorada com a casa, que por sinal era bem grande e bonita, com um jardim extremamente lindo e cheio de flores. Brid se inclinou para pegar a mala, quando foi parada por Félix.

— Eu carrego. — disse sério, tirando a mala da mão de Brid.

— Não me trate como criança, eu posso carregar a bala. — ela bateu o pé, fazendo um bico infantil. Vendo como ela era teimosa, Félix pegou uma mochila bem leve que havia e lhe deu, fazendo com ela a garota ficasse mais satisfeita.

Ainda extremamente excitada, a garota tocou a campainha, esperando que sua mãe ou seu pai atendesse, fazendo com que o namorado da mesma começasse a ficar nervoso. Entretanto, a porta se abriu, e nada aparecera na frente dos dois.

— Mana? — ao ouvir a voz fina e fofa, os dois olharam pra baixo. Assim que reconheceu quem era, Brid agarrou o garoto, abraçando-o bem forte. — eu fiquei com saudade!!!

— Eu também, Chat!

Depois que ambos se separaram do abraço, Félix pode notar bem suas fisionomias. O menino parecia ter em média 6 anos, cabelo era loiro espetado e seus olhos bem azulados. E vestia... Uma fantasia de Chat noir? Sim, era exatamente isso. Félix olhou para Brid, como se esperasse uma resposta dela. A garota rapidamente entendeu, e tratou de dizer:

— Esse é o meu irmão mais novo, Chat. — disse ao namorado. — Chat, esse aqui é o namorado da Mana, dele é Félix. — a garota sorriu ao apresentar os dois. Ficaram uns segundos se encarando, e ela ficava imaginando sobre o que estavam pensando.

Félix não era muito paciente, e muito menos com crianças. Depois de alguns segundos, ele já estava fazendo uma cara de desgosto enquanto olhava para o loiro mais novo. Chat, por outro lado, estava apenas estranhando a irmã estar com alguém que não parecia tão divertido, mas ao ver o olhar intimidador do rapaz o menino fez uma expressão de que iria começar a chorar, fazendo com que Félix arregalasse os olhos.

— C-Chat, onde está a mamãe e o papai? — Bridgette perguntou tentando acalmá-lo, já que com certeza não seria uma primeira boa impressão para Félix. Chat, tremendo um pouco, se escondeu atrás da porta, deixando apenas uma parte do rosto visível.

— No escritório... — ele respondeu baixo, mostrando que ainda estava com medo. — Eu vou avisar que você chegou, mana. — Chat se afastou e subiu as escadas correndo, fazendo Brid rir.

— Félix, o Chat se assusta fácil, seja mais doce. Desse jeito a primeira impressão não vai ser nada boa. — disse Brid, entrando em casa, e estranhando a calmaria.

— Eu não fiz nada, só olhei pra ele. — respondeu curto e grosso, colocando algumas das malas pesadas no chão.
Bridgette fez com que Félix colocasse as malas na sala de estar, e se sentaram no sofá cama descansar um pouco.

Félix não admitia, mas estava cansado da viagem, e Bridgette sabia disso. Além dos mais, sabia como ele estava nervoso, já que ouvira ele fazendo consigo mesmo que iria falar com o pai dela sozinho, a única coisa que ela não sabia era o que ele queria falar, já que haviam combinado que a grande notícia seria dado por eles dois juntos.

— Calma, Chat... Assim você cai das escada e me derruba junto. — foi ouvido uma voz de mulher vindo da escada, juntamente com a de Chat dizendo "vamos, é surpresa!" .

O garotinho puxou sua mãe pela mão até a sala, até que ela se assustou ao ver a filha ali em pé.

— Brincando comigo de novo, não é, Emma? Isso não tem graça. — a mulher bateu o pé, um tanto irritada.

— Não é a Emma mãe, sou eu! — Bridgette riu, vendo que a mãe achava quase ter caído em uma das pegadinhas de Emma. — eu cheguei hoje!

— Ah, Bridgette!!! — a mãe correu ao encontro da filha, abraçando-a cheia de saudade. — por que não me contou que chegaria hoje?

As duas começaram a conversar ali mesmo, em pé, dando tempo para Félix fazer outra análise. A mulher não parecia ter mais de 38 anos, tinha cabelos longos e tão pretos que na luz pareciam azuis, e seus olhos eram iguais os de Brid, duas pérolas azuladas.

— Onde está o papai? E o pessoal? — perguntava Brid para a mãe.

— Seus irmãos estão na escola, Chat só não foi hoje porque estava tossindo um pouco então resolvi mantê-lo em casa hoje. — a mulher bagunçou os cabelos do pequeno, que ainda fitava Félix, fazendo com que a mulher seguisse o olhar do menino e visse Félix ali sentado e quieto. — Oh, e quem seria esse?

Bridgette ia apresentá-lo, mas Félix se levantou por conta própria e estendeu a mão para a mulher.

— Sou Félix Benacci, namorado da sua filha. É um prazer conhecê-la. — ele não aparentava, mas estava morrendo de nervosismo por dentro. Nunca imaginara que o maior desafio de sua vida seria conhecer a família da namorada.

— ... — a mulher ficou uns segundos olhando-o, como se lembrasse dele de algum lugar. Logo, sorriu. — sou Marinette Agreste, é um prazer!

"Marinette Agreste"... Ele pensou, por isso ela lhe parecia familiar. Ela era famosa no ramo da moda, tal como o marido, que também estava iniciando uma carreira de ator.

— O pai da Brid deve estar chegando, aí vai poder conhecê-lo. Não precisa ficar nervoso, meu marido é um doce de pessoa. — ela riu.

— Eu não estou nervoso. — ele mentiu, já que estava suando feito um porco.

Marinette e Bridgette riram, e a mulher mais velha se levantou para servir café e biscoitos, sendo que a maioria dos biscoitos foram digeridos por Chat. Enquanto esperavam pelo homem mais velho da casa, Bridgette e Félix explicaram como havia sido a viagem.

O casal, ainda como apenas amigos, foram selecionados para irem até Nova Iorque, depois de serem um dos que mais mostraram talento no ramo da moda. Haveriam quatro selecionados: dois modelos, uma menina e um menino, e dois estilistas, uma menina e um menino. Félix havia sido escolhido para ser modelo, e Bridgette estilista, já que desde pequena brincava de desenhar vestidos e ternos para imitar a mãe.

Depois de alguns minutos de conversa, a Sra. Agreste pediu para Bridgette ir tomar um banho e usar alguma das roupas de Emma, já que as roupas da garota estavam na mala ainda. Félix se ofereceu pra subir as malas, mas Marinette e Bridgette negaram, então algumas empregadas subiram as malas.

— ...Então você vai morar sozinho? — perguntou Marinette, após ouvir a história que Félix contava.

— Sim. Meu pai havia avisado com antecedência que iríamos nos mudar, mas decidi que não iria sair de Paris, então resolvi alugar um apartamento. — Félix deu mais uma golada em seu café. Marinette estava abismada. Ele parecia um adulto num corpo de adolescente, e isso fez com que ela lembrasse de sua juventude e se sentisse uma criança.

— Então você ainda vai alugar? Ah, então enquanto isso fique aqui com a gente. Os meninos vão adorar! — ela exclamou animada. Félix olhou para Chat com uma gota na testa, ele era a prova vive de que as crianças da casa não ficariam muito animadas com aquilo.

Félix ainda insistiu que não precisava, mas Marinette insistiu e disse para os empregados colocarem as malas do loiro no quarto de hóspedes.

— Amor, eu não achei o queijo que você queria... — uma voz vinha da porta principal, acompanhada pelo barulho da porta fechando.

Marinette gritou avisando que estava na sala. Primeiramente o homem colocou as sacolas de compras na cozinha, e depois foi até a sala de estar. Ao se deparar com Félix sentado no sofá, ele fez uma expressão meio confusa, o que foi um ato inesperado para Félix.

— Não sabia que estava desenhando roupas para Félix Benacci, amor. — ele riu coçando um pouco a cabeça, olhando para a esposa. — prazer, acho que lembra de mim, sou Adrien Agreste.

— Sim, e-eu lembro. — Félix gaguejou sem querer. No fundo ficou ainda mais nervoso por Bridgette não estar ali. Era constrangedor estar com os pais da namorada sem a namorada presente. — mas na verdade, eu não vim aqui como modelo.

— Não? — Adrien estranhou, sem entender nada. Ele olhou para a esposa, que apenas ria com as mãos na boca.
Quando Félix abrira a boca pra falar, Bridgette aparecera nas escadas sem ninguém notar.

— Papai!!! — ela gritou, descendo as escadas correndo, e assustando aos quatro. Félix arregalou os olhos, pressentindo o que iria acontecer. Dito e feito, Bridgette se desequilibrou, entretanto, antes que caísse e saísse rolando pelas escadas, Félix a pegou no colo, fazendo com que ela caísse por cima dele, e ele amortecesse sua queda. — F-Félix! Desculpa! — Bridgette saiu de cima dele, desesperada. — está doendo, não está?

— Não. — ele respondeu rapidamente, se levantando do chão. Félix deu uma rápida checada em Bridgette para ver se estava tudo bem com ela. Suspirou internamente, aliviado.

Adrien ficou uns segundos calado, observando o quão perto sua filha estava do modelo. O que eles eram um do outro estava mais que claro. Só alguém muito íntimo de Bridgette descobriria o segundo exato em que sua filha iria cair, coisa que nem ele, o pai da garota, conseguira fazer em 18 anos.

— Vocês estão namorando? — Adrien perguntou, ainda surpreso. Félix ficou calado, mas Bridgette respondeu.

— Sim!! — disse a menina corada.

Adrien continuou calado, olhando Félix nos olhos. Aquela era a primeira vez que uma de suas filhas dizia que estava namorando. Nem Emma, que era quem Adrien sempre achara que seria a primeira a ter um namorado.

Marinette imaginou o que Adrien diria, e cochichou no ouvido de Bridgette para ela deixá-los sozinhos e ir ajudá-la com o almoço. Bridgette ainda hesitou um pouco, mas acabou indo com a mãe.

— Venha comigo, rapaz. — Adrien virou-se de costas, e subiu as escadas. Félix olhou para Chat, como se perguntasse para o menino se era uma boa ideia ir ou não, mas o loirinho nada disse, apenas subiu as escadas, seguido por Félix.

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— Desculpas?

Félix olhou para baixo, encarando o chão. Havia dias que pensava em como seria essa situação, e finalmente estava vivendo-a.

— Eu realmente amo a Bridgette. — Félix voltou a olhar nos olhos verdes de Adrien. — eu a amo como nunca amei ninguém na minha vida inteira.

— Então por que pede desculpas? — Adrien indagou para o outro loiro.

— Porque para chegarmos onde estamos não foi nada fácil... — Félix suspirou, para começar a falar. — ano passado, eu entrei na escola pela primeira vez, já que meu pai nunca me deixou entrar em uma. Assim que eu cheguei lá, muitas pessoas ficaram animadas, porque sou conhecido em toda Paris. Entretanto, a sua filha foi a única que não ligou tanto pra mim. Um dia, estava chovendo forte, e ela não tinha levado um guarda-chuva, então eu dei o meu pra ela, já que o carro estava me esperando na frente do colégio.

— Aí ela começou a gostar de você?

— Exato. Bridgette constantemente me seguia, me convidava para ir à cinemas ou shows, e uma vez ou outra eu até concordava, mas aconteciam imprevistos e eu sempre a deixava sozinha. — Félix mexeu em seus cabelos, se sentindo um lixo. — o tempo passou e eu tive que assumir responsabilidades ainda maiores do que já tinha, e nisso, acabei por me apaixonar por alguém que não conhecia. Ela era fantástica. Forte, corajosa, decidida, cheia de si... Mas ela me rejeitava de todo jeito, não importa o que eu fazia.

— Então você recusava minha filha por estar apaixonado por esta garota?

— Não. Eu recusava a Bridgette porque eu, desde pequeno, fui ensinado a não confiar em ninguém, e por isso não permitia que ninguém se aproximasse. — explicou ele, serrando os punhos. — o tempo passou, passamos por diversas situações, e acabei por descobrir que essa garota, na verdade, era a Bridgette o tempo todo. — Adrien fez uma expressão confusa. — era a Bridgette, mas era uma parte da Bridgette que eu não conhecia. Era a parte que eu me negava a conhecer, por rejeitá-la antes mesmo dela poder dizer "olá".

— E então?

— Então em dei o braço a torcer, e me deixei descobrir tudo sobre ela. Sua personalidade, seus gostos, suas manias, seu jeito infantil... — Félix sorriu de canto por um segundo. — e me apaixonei por completo por ela.

— E quando começaram a namorar?

— Logo a após chegarmos em Nova Iorque, quando um idiota ficou dando em cima dela e ela não percebia. — Féliz ficou mais sombrio ainda só de lembrar. — mas acredite... Ninguém ama mais sua filha do que eu. Eu daria minha vida por ela sem hesitar.

— Percebi isso quando o vi amortecendo a queda dela. — Adrien riu de canto, colocando o braço em cima da mesa de seu escritório para apoiar a cabeça. — não precisa ficar tão tenso, eu não me importo que você namore minha filha. Você é um bom rapaz. Claro que eu preferia que ela fosse minha pra sempre... — Adrien inflou as bochechas, um pouco frustrado. Félix sentiu vontade de rir ao ver de onde Bridgette tirara aquela mania. — mas tudo bem.

Adrien olhou para o anel na mão direita de Félix e completou:

— Eu, mais do que ninguém, sei que gatos pretos são extremamente confiáveis. — Adrien piscou um olho só para Félix, que ainda meio desconfiado.

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Bridgette deixara a mãe na cozinha e estava há um tempo sentada atrás da porta do escritório de seu pai, ouvindo a conversa entre ele e Félix. Ainda estava pasma. Félix pouco falava, e muito menos falava assim dela. Seu coração se enchera ainda mais de amor depois e ouvir tantas palavras vindas do namorado...

Logo, pensou que aquele seria o melhor momento para contar ao pai a notícia bombástica. Não sabia como ele iria reagir, mas sabia que como havia aceitado e gostado de Félix, não poderiam omitir aquilo por muito tempo.

A azulada abriu a porta do escritório, chamando atenção de Adrien, Félix e Chat, que estava sentado no sofá apenas assistindo tudo.

— Papai, eu preciso de falar uma coisa... — avisou a menina, com um olhar determinado. Félix se levantou, e decidiu falar antes que Brid o fizesse.

— Do que está falando? — perguntou Adrien, confuso.
Bridgette e Félix se olharam, respiraram fundo, e disseram juntos:

— Nós... Vamos ter um bebê.

Notas finais
Nossa, faz tempo desde que escrevi um capítulo com tanto entusiasmo! Então, o que acharam? :3 Ah, e só pra avisar, esses trechos de música que aparecem aí são da música "Ladybug" que aparece no PV e eu mesma traduzi. Até o próximo capítulo! o//