Bone Blades
1 Caçadora
Notas iniciais
Província de Hisoan, vilarejo Snirn, Eri, nome falso, assim escolhido para executar sua difícil tarefa, passava por lá atrás de pistas dos Bone Blades. Era uma garota, de pele branca e fria como a neve, cabelos longos, lisos e alvos, seus olhos, mais vermelhos que suas chamas, quentes e escuros como sangue. Entrava numa taberna do vilarejo, coberta com um sobretudo preto, com um capuz que caia sobre seu rosto. Caminhou até a bancada e sentou-se. Ela não apenas era uma garota, era também um dragão, da tribo Dramidiam, que eram dragões que tinham a capacidade de se tornar-se humanos, e assim vice-versa. Pediu uma taça da bebida mais quente que tivesse. Seus poderes de transformação eram tamanhos que as duas formas podiam se mesclar, como exemplo, em sua forma humana, tornar apenas sua pele, ou mesmo pontos dela em escamas de dragão, podendo usar como forma de proteção. Olhou ao redor da taberna. A maioria, homens, estavam a mirar de cara feia para ela. Se virou novamente e chamou o servinte, careca, gordo e bigodudo, que foi até ela logo em seguida. Eri entregou-lhe uma moeda de ouro e disse:
– Ouvi dizer que um grupo de Bone Blades passaram por aqui.
– Parece que está com os ouvidos bons.- ele respondeu.
– O que sabe sobre isso?
– Eles mal passaram um tempo no vilarejo, tomaram um drink aqui e passaram a noite na hospedaria e saíram ao amanhecer.- houve uma pausa, o servinte olhou discretamente ao redor, para os olhos dos estranhos que os miravam, mas continuou.- Estavam em um grupo de cinco. Um deles, grande e forte, carregando um machado enorme, outro era baixinho e rabugento, um de cabelo comprido e ruivo, havia uma mulher, que por sinal com belos melões, e o outro usava chapéu. Eles seguiram para o norte, provavelmente atrás do dragão da caverna.
– dragão da caverna?
Ele estendeu a mão, querendo mais uma taxa, mas Eri puxou apenas uma moeda de prata. Fez cara de desilusão mas prosseguiu com as informações:
– Dizem que é um dragão que guarda aquela caverna à séculos. Devem estar à algumas horas de lá agora.
Eri se ergueu e puxou 15 moedas de cobre para pagar a bebida, virou-se e saiu pela porta da frente. Quando já não era avistada, deu espaço à suas asas, grandes e claras, ergueu vôo e seguiu o caminho para a caverna.
Uma viagem que demoraria dias levou não mais que uma hora para ela. De longe, pode avistar o tal grupo. Desceu e os seguiu escondida. Devagar, puxou sua espada Zoran. O membro de cabelos ruivos se virou em sua direção, mas ela estava agachada detrás de uma árvore e arbustos, impossibilitando que o homem a visse ali. Ela ficou tensa, ele podia tê-la escutado ou apenas sentido:
– Ei, o que está fazendo?- disse a mulher.
Ele encarou por mais alguns momentos:
– Não é nada.- Virou-se e continuou.
Eri suspirou. Ela continuou seguindo-os rasteiramente, até que chegaram na caverna, tiraram algumas tochas que levavam, ascenderam e se adentraram, até que ouviram uma voz, alta e grave.
– Quem ousa entrar em meus domínios?
– Ninguém que você precise saber, otário.- disse o baixinho.
Ouviram uma respiração grotesca e um vento de dentro da caverna. Prepararam suas armas e de repente o dragão apareceu, saindo tão rápido que fez um vento estrondoso e tiveram de abaixar. Correram para fora da caverna e viram o dragão voando, tamanho médio e negro no céu. O ruivo atirava com arco e flecha e a mulher com uma besta assim que o dragão se aproximava. O dragão passou por cima deles expelindo seu fogo, mas parecia não adiantar, seus casacos pareciam impenetrável para o fogo. Ele caiu. As flechas que o atingiram estavam envenenadas. Os membros se aproximaram e atacaram. Ele continuou atacando do chão.
O homem do machado se agarrou no dragão, que tentou se sacudir para tira-lo, sem sucesso. Se aproximou do pescoço e agarrando-se firmemente com as pernas, pegou o machado, prestes a dar o golpe final e despencou do monstro imóvel. Os outros pararam, observando indignados e viram o sangue se formando de suas costas. Olharam para as costas do dragão e lá estava uma menina encapuzada, com sua espada de Zoran. Ela pulou para o chão e disse:
– Não se preocupe, estou do seu lado.- ainda encarando o grupo. — E vocês podem morrer aqui mesmo.
O baixinho correu com sua espada em direção a ela. Ele golpeava, mas ela se esquivava sem esforço. Era a vez dela de golpear. Ele defendeu. Forçando sua espada contra a dele, ainda com um braço, continuou fazendo força, aproximando a espada do oponente, fazendo um leve corte em sua bochecha. Uma gota de sangue escorreu e ela sorriu. Eri deu um soco forte no estômago do homem com seu outro braço, fazendo o voar para cima dos outros. Ela riu levemente e disse:
– Vocês são apenas amadores.
– O que disse!?- Respondeu a mulher.
A mulher correu contra Eri, puxando suas adagas tentava acerta-la com velocidade, mas não o suficiente, e de repente ela parou. Olhou para baixo e viu a mão de Eri ensanguentada, atravessada em seu peito. Eri tirou a mão puxando o coração da mulher junto, que caiu em seguida. Eri olhou para os restantes com um olhar desafiador, segurando o coração em sua mão de enormes unhas afiadas, com o braço estendido na direção deles, e então, esmagando-o.
O baixinho ainda estava inconsciente jogado no chão. Os dois que sobraram olharam um pro outro e fizeram sinal. O ruivo pegou algo em um saco que carregava e jogou com força no chão, fazendo surgir uma fumaça, que logo fez Eri e o dragão tossirem e o olho lacrimejar.
– Vamos sair daqui.- Disse Eri para o dragão, com a voz falhando.
Eles chegaram até um rio, onde mergulharam o rosto.
– Você é uma Dramidiam, não é?
– Sim.- Ela se aproximou do dragão, arrancou as flechas que estavam encravadas nele.- É melhor se banhar, vai ajudar a lavar o veneno.
– Qual é o seu nome?
– Annaharath.- Eri disse seu verdadeiro nome ao dragão.
– Eu sou Rehabiah, e serei eternamente grato a você, Annaharath, por salvar meu pescoço.
– Só quero que esses idiotas parem de nos caçar, e pra isso matarei todos esses filhos da mãe- Ela se virou e soltou suas asas.
– Também é uma vingança.- Ela olhou para ele.- Boa sorte em sua caçada.
– Obrigada.- Ela levantou voo e foi para longe, buscando seu próximo destino.
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