Bolo De Fubá
1 One-Short
Notas iniciais
Enfim, boa leitura e desculpe qualquer erro.
É sábado e a garota levantou cedinho, com o Sol e o galo. Ela levanta animada e faz as suas tranças. Dá um bom dia à mãe, um beijo na bochecha do pai e sai apressada. “Tomara que tudo dê certo”. Rosinha alguns poucos quilômetros e entra na única vendinha da vila e pega margarina, açúcar e fubá, e volta para casa com um sorriso que era destinado apenas a ele. Já na cozinha, separa a farinha, o fermento e algumas tigelas nos pequenos armários. Seu pai entra carregando ovos e leite.
– Que bom, justo o que eu precisava. Brigada pai.
– Ara, não por isso.
Rosinha quebra os ovos e bate as claras, formando uma nuvem branca dentro da tigela. Foi colocando, de vagar, o leite, as gemas, a farinha e o fubá, numa batida sincronizada ao seu coração de menina. Acrescentou o fermento por último e despejou a massa em uma forma redonda. Foi até o fundo da casa e pegou algumas lenhas, e, acendendo o fogo, deixou a massa assar.
– Fia, ocê num ta pensando em levar esse bolo praquele minino desaforento, ta?
– O Chico num é nada disso que ocê falô pai, ele é muito gentil e isperto.
– Num gosto dos seus namoricos com ele...
– Num escute seu pai, fia. A mãe gosta dele.
– Obrigada mãe.
– Hunf. – O pai bufa, contrariado, mas sabendo que ambas tem razão.
Rosinha sente o cheiro e percebe que o seu bolo está pronto. Levanta e tira-o do fogo, cobrindo com uma toalha de renda feita por sua avó.
– Vorto antis do almoço, ta?
– Vá cum Deus, fia.
A menina caminha até a casa do rapaz, imaginando a expressão de contentamento que ele fará ao comer o bolo feito por ela.
Ela bate na porta de madeira e é bem recebida pela mãe do rapaz.
– Rosinha, chegou bem na hora do armoço. Qué ficá e armoça com agente?
– Num carece não, brigada. Só vim trazer isso pro Chico. – Ela diz mostrando o bolo.
– Pode entrar qui eu vô chamá ele.
– Brigada.
Ela segue até a cozinha e deixa o bolo em cima da mesa, esperando, até que Chico entra pela porta, balançando as cortinas penduradas na falta de uma porta de verdade.
– Rosinha!
– Oi Chico.
O rapaz aproveita que estão sozinhos e rouba um selinho da namorada. “Mas é tão pouquinho...”
– Fiz isso prucê.
– Pra mim? Ah, brigada.
– Bem, já vô indo.
– Tão rápido? Fica pra armoçá!
– Num posso... Você vai no arraiá essa noite?
– Ô se vô. Essa festança vai ta muito batuta.
– Então a gente se encontra lá e ocê me fala o que achô do bolo.
– Cumbinado.
Com um sorriso que não poderia ser disfarçado, Rosinha sai da casa de madeira e volta para a sua própria casa, sonhando com um dia em que Chico iria comer apenas os bolos dela.
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