Quando Hikaru chegou em casa, inicialmente veio logo atrás do MEU brigadeirão, ( SIM, MUITO MEU E NINGUÉM TIRA!), mas depois começou a falar que nem disco arranhando, na Haruhi, Haruhi, Haruhi, que parece até que esse nome faz éco.

Alguns dias se passaram e o meu semblante mal humorado não saia de meu rosto. Sinceramente, não me sinto bem em lugar nenhum mais. Em casa, papai e mamãe são infernais, um reclamando do outro e discutindo e Hikaru falando da Haruhi, na escola, a classe que pertenço é um inferno, onde todo professor vira e meche fica dando esporro na gente, que porra, pra foder todo mundo sabe, mas pra sentar a porra do rabo na cadeira, fechar a boquinha pra assistir aula é tão difícil assim? É tanto custume assim de abrir a boca pra fazer sexo oral que agora não consegue fechar a boca mais? ( Devo estar mal humorado mesmo, pois normalmente é o Hikaru que fala essas coisas, eu só estou pensando isso, pois eu sou mais " bonzinho". Ééeééé, "bonzinho') Mas enfim, vou tentar ser mais comedido em meus pensamentos. Apenas Haruhi e Hikaru fazem que ficar naquela classe não seja insuportável. E pra completar, no Host Club, sou obrigado a ver as investidas que Hikaru tenta pra Haruhi. Pra todo lado que eu olho não tem escapatória, não tenho mais um refúgio, um lugar seguro pra que eu possa apenas descançar e me sentir protegido, sabe?

No dia seguinte, após minha monótona rotina matinal de convencer o senhor Hitachim a se levantar da cama, fomos pra escola. Chegamos lá e ficamos no pátio por alguns minutos, pois por incrível que pareça, chegamos adiantados! Encontramos os outros do Host Club e começamos a conversar. Eram as poucas situações em que conseguia rir. Na verdade o que estava acontecendo é que estou esgotado. Nisso uma limusini se aproxima e sai de lá a Renge. Finalmente ela entra em cena como uma pessoa descente, sem ser usando aquela maldita plataforma. Será que a família dela tem algum tipo de sociedade com quem fez o encanamento de todo o Japão? Pois pode ser aqui, lá, ou lá na puta que paril, essa mongolóide aparece com aquela pataforma do demônio com aquele motor do inferno. Mas chega de minhas observações.

Renge se aproxima abruptamente, vai diretamente a Hikaru, que no momento estava falando alguma coisa, sei lá, fazendo alguma palhaçada qualquer e que não fazia a mínima questão de prestar atenção, então ela se aproxima por trás dele, o vira e o beija. SIM, ESSA VACA BEIJOU O MEU HIKARU NA BOCA! ( Pera, será que ela não confundiu os gêmeos e beijou Hikaru achando que estava me beijando?). O beijo dura alguns segundos, o viado ainda colocou a mão na cintura dela e aprofundaram o beijo até que quando se separaram eles estava ofegante e mais vermelho do que o cabelo do Bosa Nova-kun ( Kasadoba-kun, sabemos o nome dele, mas o chamamos assim para irritar, mas não vem ao caso, meu mundo tá despencando aqui e eu vou lembrar do nome de um filho da puta qualquer? Foda-se, que o nome dele seja Robervaldo, to pouco me fodendo).

_ Hikaru.... falou suspirando quando deu mais um beijo nele ( DOIS? VAI SE FODER SUA FILHA DUMA MÃE PROSTITUTA! Essa foi a prova, ela queria beijar o Hikaru! Olhei pra Haruhi e ela se surpreendeu com o fato de não ser todo dia que você é beijado por uma maluca do nada, mas ciúme não vi nem um pouco no rosto dela). Este beijo foi bem mais curto, parecia que ela queria deixar claro que ela sabia quem estava beijando. Minha feição se estava nada feliz, agora está péssima. Sabia que um dia iria acontecer do Hikaru beijar alguém, mas não sabia que sentiria vontade de afundar na areia movedissa até morrer asfixiado lá dentro.

Nisso o sinal tocou e a Renge entrou na escola com um sorriso vitorioso, Hikaru estava mais vermelho que estrato de tomate, o resto estava com uma expressão de tipo: QUEPORRAÉESSAQUEACONTECEUAQUÍ? E eu? Eu não fazia ideia nem do que sentia. Mas duma coisa eu tenho certeza: Eu quero chorar, e muito. Engolia meu choro para que não ficasse na cara, mas eu queria, sei lá, sair correndo dalí chorando horrores até a dor passar. Por um momento, queria morrer.

O resto do dia não foi nada normal. Hikaru ficou encolhido a aula toda e eu com uma cara de cu. Antes de entrar na minha sala, eu reparei que a Renge agia como se nada tivesse acontecido, tipo, como se esse fosse normal na mentezinha de ameba dela: " Ah, acordo, escovo os dentes, tomo banho, me arrumo, tomo café da manhã, escovo os dentes de novo, vou pra escola, beijo o Hikaru, pessoa que eu mal converso, assisto minho minha aula, apareço no Host Club, falo umas merdas e vou pra minha casinha dormir linda, loira e Francesa que eu sou ( ela é francesa? sei lá, ela estava morando na França, mas se ela é francesa ou não pouco me importo)

No Host Club, eu tentava atuar, e como não estava nem um pouco afim de falar, me fazia de tímido, enquanto o Hikaru se esforçava em ser bem viado pra poder falar comigo. Na verdade, nunca parei pra pensar, mas o errado sou eu. Eu que errei por me apaixonar por um Homem, eu que errei ao me apaixonar por um homem que é meu próprio irmão. Nunca parei pra pensar o quão repugnante eu devo ser. Eu sou nojento. Não acredito que nunca vi meus sentimentos por esse lado. É o que dizem, o pior cego é aquele que não quer ver, e eu não queria ver que meus sentimentos são repulsivos, impuros, errados e que provavelmente eu vá pro inferno por pensar desta maneira. Mas o que eu to sentindo faz com que o inferno seja super convidativo, como um piquinique numa tarde de domingo primaveril.

Os outros Host's estavam relativamente melhor do que nós dois. Até Renge estava parecerendo pouco se importar com o clima que pairava no Host Club. Honey aparentemente tentava nos animar. Este se aproximou de mim.

_ Está triste Kao-chan? É por causa do que houve hoje?

" que perceptivo"

_ Não houve nada Honey-sempai, não se preocupe com isso, só estou cansado.

_ Eu posso parecer uma criança, mas não sou tapado! Quero que vá à minha casa hoje para conversarmos. Takashi estará lá também, então conversaremos os três – falou me encarando– nossos pais não sairão juntos hoje?

_Acho que sim, um leilão, jantar, sei lá, coisas de ricos.

_ Então não haverá problemas!

_ Mas e o seu irmão?

_ Chika-chan? – falou e deu uma risadinha infantil – não se preocupe com o Chika-chan. Apenas vá à minha casa! E pelo visto Hikaru vai sair com a Haruhi hoje de novo, mesmo com o que aconteceu, então poderá ir sem se preocupar.

Apenas assenti derrotado. Não tinha mais como fugir.

Chegou à noite e como Honey-sempai disse, Hikaru saiu com a Haruhi e meus pais foram dar uma de milionários, como sempre. E como a mansão dos Haninozuka não fica muito longe daqui, vou a pé mesmo. Após cinco minutos de caminhada, cheguei ao meu destino. Chamei-o pelo interfone e o mesmo me atendeu. Sem empregados ou nenhuma babaquicezinha de rico.

Entramos na propriedade e fomos à mansão, finalmente.

_ Bem Kao-chan, te chamei aqui porque está estampado na sua cara que você ficou com ciúme do Hikaru hoje.

_ Eu não estou com ciúme de ninguém, deram pra imaginar coisas agora?

_ Não minta Kaoru – Mori-sempai disse firme. Eu abaixei minha cabeça e me permiti chorar, finalmente, depois de muito, mas muito tempo prendendo.

_ Não chora Kao-chan. Chorando você fica feio! Você é tão bonito sorrindo! – Honey-sempai falou. Se fosse outra pessoa falando isso, eu ficaria vermelho até a alma, mas como era o Honey-sempai não. Por mais que ele seja mais velho, ele não aparenta. Mesmo sendo muito inteligente, perceptivo, astuto e um feroz lutador, suas palavras são sempre puras.

_ Mas Hikaru é o motivo de meus sorrisos

_ E de suas lágrimas também – Mori-sempai se manifestou

_ Eu sei que é difícil se apaixonar por um homem, ainda mais seu irmão! Mas pelo menos, não sofra tanto, divida sua dor – Honey-sempai falou e foi aí que despenquei.

Chorei tão fortemente que meus olhos doíam.

_ Eu sei.... que não.... devia! Eu....sei......mas não consigo.... ele não sai da minha cabeça....... eu o amo mais que minha vida, trocaria minha vida por sua felicidade. Eu....amo meu irmão .....mais do que devia.

Um barulho de porta fechada foi-se ouvida. Os pais do Honey-sempai mais os meus pais estavam parados atônitos. É vida, agora fodeu de vez. Não quer mais nada pra adicionar ao cardápio não? Se quiser dou o meu cerebelo para os leões só para alegra-la dona vida. Nisso, meu pai foi o primeiro a tomar uma atitude, me puxando bruscamente pelo braço e me puxando em direção à porta. Meu Deus, nunca senti tanta vergonha em toda minha vida.

Meu pai praticamente me jogou dentro da limusine enquanto minha mãe entrava delicadamente no automóvel. Logo em seguida estávamos em casa, devido ao fato de ser bem perto. Chegamos em casa, e graças aos céus Hikaru ainda não tinha chegado.

_ Sente-se – falou gravemente pra mim. Sentei-me no sofá. – por favor, gostaria que repetisse exatamente o que disse anteriormente. O que você sente pelo seu irmão?

Abaixei o rosto e retomei o meu choro. Minha mãe olhava-me com olhar de decepção. Como se um dos filhos dela acabassem de ter morrido. Eu estava morto pra ela e sinceramente? Estava morto pra mim mesmo.

_ RESPONDA-ME KAORU HITACHIM – berrou irritado

_ Não precisa responder nada Kaoru. Quero apenas que suba e vá dormir. Haja com seu irmão da mesma maneira que sempre agiu, pois pelo que percebo você é um dos que sempre deu força para que ele saísse com essa tal de Fujioka. Isso mostra que você percebe que não é bom o que você sente. Não é normal. Apenas descanse e reflita, mas por favor, não preocupe seu irmão, pois mesmo que ele não te ame a ESSE ponto ele te ama muito e com certeza se preocupará com você. Agora vá- ordenou minha mãe.

_ MAS...- meu pai tentou falar

_ Mas nada! Por mais que eu não goste do que está acontecendo, não iremos mais torturar esse garoto.

Esse garoto. Agora eu sou esse garoto. Sentem tanta repulsa de mim assim? Não sou mais seu filho, sou esse garoto? Queria morrer agora mesmo.Subi as escadas correndo e me joguei na cama chorando. Iria pegar minhas coisas pra ir prum outro quarto.

“Haja com seu irmão da mesma maneira que sempre agiu”

Não, não posso. Se eu fizer isso ele vai estranhar. Vou ter que suportar mais uma noite nos braços de meu irmão sem poder se quer me mexer, pois meus pais me deserdariam, ou sei lá o que eles possam fazer. Fui ao banheiro me banhar, espairecer, pois a água sempre limpou minha alma. Após o banho, abri um armário do banheiro e vi uma caixa de remédios, e nela uma caixa de sedativos. Vi as cartelas e minha vontade foi de meter aquilo goela a baixo, como se fosse bala, assim os problemas se resolveriam. Mas não, sou covarde de mais até pra isso. Peguei apenas um, engoli sentindo a pílula descer por minha goela. Saí do banheiro e fui pro quarto, deitando-me e sentindo-me zonzo. Queria dormir profundamente e nunca acordar. Mas infelizmente uma pílula de sedativo não irá me matar. Dormi. Senti muito tempo depois braços me envolvendo. Provavelmente era Hikaru vindo dormir.

No dia seguinte, senti-me balançar como louco. Hikaru praticamente me esgoelava para acordar.

_ Kaoru, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda – Hikaru me balançava.

_ Hikaru, hoje é sábado. Deixa-me ok? Vai ir atrás da Haruhi. Não é com ela que sempre está? – disse ainda de olhos fechados. Senti um suspirar quente contra meu rosto. Parece que ele ficou infeliz.

Continuei dormindo. Na verdade quero dormir e não acordar mais. Não quero sair mais desta maldita cama. Quero ficar aqui e chorar. Sinto lágrimas brotarem em meus olhos, mesmo que fechados. Fiquei muito tempo dormindo e logo sinto um balançar de novo.

_ Ah, é você Hikaru – falei preguiçosamente – ainda não entendeu que não quero sair daqui? Ainda é cedo.

_ São três e meia da tarde. Você está aí a um maior tempão, não comeu nada. Levante logo e venha comer alguma coisa.

_ Ahhmmm não quero. Me deixa aqui ok?

_ Kaoru Hitachim – disse firmemente. Fez-me lembrar de nosso pai praticamente berrando meu nome completo contra meu ouvido. Não podia chorar.

_ Ok Hikaru, ok, me convenceu.

Fui praticamente arrastado a cozinha onde lá me esperava um sanduiche, um copo de suco e uma maçã. Dei um gole no suco e uma mordida em cada coisa.

_ Satisfeito?

_ Não, coma tudo!

Empurrei aquela comida pra dentro como se fosse cimento. Não sinto prazer em levantar, comer, ou fazer qualquer coisa. E no resto do dia Hikaru parecia ficar me cobrando, forçando, ficando em cima de mim pra que fizesse coisas simples, como comer.

Na segunda, me forcei a levantar e acordar e acordar Hikaru. Mas não tenho vontade de fazer nada. Não quero sair daqui. Me arrumei de qualquer maneira, sabendo que estou honestamente horrível.

Chegando na escola, num dia chuvoso e melancólico, tivemos nossas aulas que sinceramente, não prestei atenção em nenhuma. Cada professor que passava por aquela sala falava, falava, falava e falava. Os alunos da turma nem parecem que estão num genuíno sistema educacional japonês, onde se respeita o professor, pois não calavam a boca, os babaquinhas da turma da bagunça mexiam em seus celulares. Pelo papo deles, estavam vendo vídeos pornô ou fotos de alguma mulher mostrando o cu. Ora ou outra os próprios alunos pediam pros outros se calarem, o que geravam tumultos, tinha uma garota que sentava bem lá na frente junto com um grupinho de garotas, praticamente na cara do professor que era metida a esperta e sempre fazia questão de humilhar os outros, se metendo onde não foi chamada e achava que podia agir da maneira que quisesse, ah! De todo o colégio Ouran, tinha que ficar logo na pior turma? Enquanto essas pessoas desagradáveis tornavam minha existência meramente insuportável, sinceramente , queria sumir desta sala, sumir desta escola, sumir desta cidade, deste país, deste planeta! Queria somente minha cama num cômodo branco e vazio, com roupas de cama brancas e roupa branca e que sedativos estivessem em minhas veias me forçando a dormir. Argh! Que nojo, agora em nosso pequeno espaço de intervalo, a metidinha da primeira carteira, que aliás sempre organiza os trabalhos que devem ser feitos pela turma inteira e dá recados da direção foi lá na frente e começou a falar. E zum zum zum dum canto, reclamações do outro, ela com um cara lá na frente que se esgoelava pra que todos se calassem.... sinceramente, tirando o Hikaru e a Haruhi porque eu gosto deles , ah, e o 4 olhos medroso e sua amada, ambos do conselho estudantil, pois estou pouco me fodendo pra existência deles, o resto desse povo? Podia todo mundo morrer numa Chacina que não estava nem aí. Olhava desinteressadamente pro meu caderno, desenhando algo aleatório numa folha aleatória, enquanto a garota irritante falava. Num momento só ouvi falar.

_ Ah, o trabalho está em cima da data e ele é da turma, mas vocês estão pouco se ferrando pra ele!

Meu Deus, que um raio caia na minha cabeça, que um Tiranossauro Rex invada a escola e morda meu corpo e me engula, qualquer coisa é melhor do que ficar aqui, meu Deus, deve ser castigo né? Ao invés de ir ao inferno por estar apaixonado pelo meu irmão, vou viver um inferno na terra?

Acabando o tormento chamado aulas, silenciosamente acompanhei Hikaru e Haruhi até o refeitório. Ela segurava uma vasilha com um pano enrolado, parecia uma marmita.

_ Haruhi, se você quiser, fica com o meu almoço, não estou com fome – falei pra ela.

_ Sem fome Kaoru? Tudo bem, eu tenho minha comida. E, aliás, você parece tão pálido. E fica mais evidente quando você está perto do Hikaru.

_ É que o Kaoru não se alimentou direito desde sábado. O Senhorsinho está muito estranho pro meu gosto, senhor Hitachim – Hikaru me acusou.

Franzi o cenho mas continuei em silêncio. Quer dizer que além de tudo eu sou estranho, porque se estou estranho de mais, quer dizer que eu tenho um nível considerado como "normal" para estranheza.

_ Então o senhor trate de comer alguma coisa neste almoço, Hikaru, compre algo a mais pra ele, de parte de sua comida a ele, sei lá – falou preocupadamente.

_ Deixa quieto Haruhi, só não estou afim de comer, mas se for pra agradá-los eu peço um pouco, ok?

_ Mas vai comer tudinho, até o último farelo – encarou o meu espelho, digo, meu irmão.

_ Tá, como tudo.

Almoçamos e fomos ao Host Club. Não estava com saco pra brincadeirinhas, não estava com paciência pros escândalos do Tamaki, nem pro Honey-sempai sendo sempre “fofo”. Fazer insinuações de que tenho um caso com meu irmão e até algumas vezes insinuar que vou pra cama com ele só pra alegar as menininhas me faz sentir uma puta de esquina, não quero estar em lugar algum, só quero minha cama, meu sono, meus sedativos em minha veia. Chamei Honey-sempai e Mori-sempai num canto.

_ Gente, só quero dizer que eu to bem, mas por favor, não contem nada do que houve na sua casa, ok Honey-sempai, Mori-sempai?

_ Não se preocupe Kao-chan, não se preocupe – Honey-sempai respondeu e com um gesto silencioso Mori-sempai concordou.