Ouço o despertador me preparando pra tirar as patinhas de mamute do Hikaru de cima de meu pescoço. Abri os olhos e senti que o mesmo não estava na cama. Cadê esse viado? Nisso ele abri a porta com uma bandeja, que nela tinha dois copos de iogurte, dois sanduíches e dois copos pequenos com salada de frutas

_ Levantei agora pouco e decidi fazer nosso café da manhã. Vamos comer na cama hoje, ok?

_ Ok — respondi um pouco desconfiado. O que esse ser demoníaco está aprontando?

_ Uhm, está tudo muito bom — reparei que no iogurte tinha pedaços de morango, o que quase me fez revirar os olhos de tão bom que estava.

_ Tudo pra você Kao-chan

Ele tá muito amoroso pro meu gosto.

Chegamos na escola, devidamente arrumados. Andando pelos corredores, via as meninas olhando a mim e ao meu irmão com cara de taradas e nem estavamos fazendo nenhuma atuação nem nada, já grupinhos de meninos cochichavam e riam quando nos olhavam, principalmente pra mim. Quando cheguei no corredor onde estava o meu armário, vi uma série de fotos minhas e do Kaoru em diferentes situações, umas abraçados, outras nos fitando, outrar pareciams que foram tiradas no Host Club, etc...

_ É, parece que não era apenas brincadeiras do clube, esses irmãos se comem mesmo — ouvi isso ser falado em meio a um grupo de meninos e os outros riram. E ouvia várias coisas das outras pessoas, como : ah, quem come quem? Será que o Kaoru é bom de cama? Será que ele geme que nem putinha quando o Hikaru fode ele?

Não sabia onde me enfiar. E o pior de tudo não era nem o fato das nossas fotos estarem espalhadas, e sim o fato deles estarem zombando do meu pecaminoso amor. Pecaminoso, mas ainda assim amor.

_ Kyoya — murmurei irritado. Provavelmente foi aquele filho duma meretriz que espalhou essas fotos e começou com essa fofoca. Ele é o único que teria acesso a essas fotos e teria um motivo que seria promover o Host Club. O vi pelo canto do olho.

_ Aam, aam, pode vindo aqui Kyoya Otori, pode vindo aqui. — chamei-o autoritariamente quando este parecia querer fugir — sabe me dizer quem é o responsável por isso?

_ Na verdade não, não faço a mínima ideia de quem fez isso.

_ Então não foi você?

_ Na verdade fui eu — ouvi uma voz feminina. Aquela que eu odeio, a representante da minha classe, a metida a sabe tudo da primeira carteira, Hanabe, de cabelos pranchados abaixo dos ombros, óculos preto e pele morena. Usava um batom vermelho e maquiagem leve, o que a deixava bonita. Mas mesmo assim ela é irritante, o que a me faz odiá-la.

_ Mas não fui eu sozinha. Tenho que dar crédito a Hikaru Hitachim. Deixa me mostrá-lo isso — ergueu um tipo de documento assinado — isto aqui é uma permissão de direitos de imagem e que nos autorizava a segui-los e tirar fotos. Somos do jornal da escola, então precisava-mos duma... boa notícia.

_ Pensei que tivéssemos acabado com o clube de jornalismo — Kyoya se manisfetou

_ Aquele imbecil do clube de jornalismo, digno de pena. Eu consegui algo melhor.

_ Que documento é este Hikaru? _ perguntei

_ Espera, as únicas coisas que eu assinei foram listas de presença e do papel de liberação da educação física no dia que eu não estava legal pra fazer. Não assinei nada além disso.

_ Vai poder confiar Kaoru? Ele pode estar falando a verdade e eu posso ter falsificado sua assinatura, ou dado este documento pra ele assinar e ele assinou sem ler, ou ele pode estar mentindo.

Nisso, Honey-sempai apareceu.

_Kao-chan, vamos embora, temos aula não?

_ Outro veadinho – Hanabe lançou no ar e recebeu um olhar aterrorizante do Honey-sempai. Sério, que cagaço desse loiro agora.

Durante as aulas só ouvia rizinhos e piadinhas destinadas mais a mim do que a Hikaru, pois aparentemente Hikaru impunha mais respeito do que eu, pois mesmo que eles nos confundissem, cada vez que falavam no Hikaru ele olhava de maneira assassina e eles paravam, mas eu não tenho essa "força". Mas uma vez eu achando que iria ficar tudo bem e não fica. E como o Hikaru pode me trair? " Argh" . Outra pontada no peito. Não estou me sentindo bem.

No Host Club, essa história fez com que as meninas pirassem em mim e no meu irmão, fazendo com que conseguíssemos muitas clientes hoje. Essa fofoca realmente agradou uma penca de fujoshi. Mas era perceptível que eu não estava nada bem. A cada vez que pensava no que ocorreu hoje e anteriormente, reavaliando minha vida, sinto um aperto no peito e uma asfixia. Por mim não sairia de casa, não sairia da cama, não comeria, não faria nada. As pessoas da escola basicamente me odeiam e o resto são garotas taradas querendo me ver dar o cu pro Hikaru. Tá, amo o Host Club e amo meus amigos, mais a cada dia que passa, a simples tarefa de se levantar é completamente infernal.

Voltando pra casa, após tomarmos banho e estarmos devidamente vestidos “à vontade”, passei por um dos corredores que davam a biblioteca, quando ouvi meus pais conversando sobre mim.

_ Hiroto, Kaoru me preocupa. Ele anda estranho, irritadiço e desanimado. Eu sei que o que ele tá sentindo é errado, mas acho que ele está sendo consumido pela culpa – minha mãe falou

_ Ou por não poder ter o que tanto almeja. Ainda acho que deveríamos colocá-lo pra dormir num outro quarto, vai que ele tenta alguma coisa enquanto o Hikaru está dormindo? – meu pai respondeu indiferente.

_O kaoru não. Ele pode estar sentindo esses coisas.....

_ Nojentas! Repugnantes!

_ Sim, sim, mas, se ele tivesse tentado algo, o Hikaru já teria dito, ele é escandaloso, não conseguiria guardar isso. E isso agora levantaria suspeitas e traria problemas desnecessários ao Kaoru.

_ Eu não sei, mas você decide. Mas o que tenho certeza é que nunca tive tanto desgosto em toda minha vida. Onde foi que erramos? Agora temos esse....nem sei mais de que forma posso chamá-lo. Sei que tenho nojo dele. Desde o dia que o encontramos na casa dos Haninozuka, sinto palpitações no peito, não durmo. Isso vai acabar me matando, mas até ficaria feliz, pois assim não presenciaria essa pouca vergonha.

Continuei meu caminho silenciosamente pelo corredor. Fui até a biblioteca, me encolhi num canto e desabei. Queria me multilar, queria cortar meu corpo, queria me entupir de antidepressivos e mergulhar no sono profundo conhecido como morte. Talvez fosse melhor assim, não? Já pensava que eles se sentiam desta maneira, só que ouvir isso deles é tão doloroso, que me faz querer morrer.

Levantei-me, fui ao banheiro, tomei um banho e após ele um calmante, fui pra minha cama e dormi. Nem me lembrava se tinha lanchado, ou comido alguma coisa, deveria ser 18:00 quando me deitei embalado por minhas lágrimas e entorpecido pelo remédio. Apenas antes de perder a consciência, deixei um bilhete na escrivania dizendo que não queria ser incomodado, estava com sono e cansado, queria dormir e que só acordaria no dia seguinte.

Muitas horas depois, mesmo que inconsciente, senti o corpo de Hikaru deitando-se na cama e colocando seus braços sobre mim. Não era exatamente um abraço, e ele não estava se encostando em mim, não era uma conchinha. Mas mesmo assim senti-me seguro, ao menos um pouco. Nisso ouço palavras quentes proferidas contra meu ouvido.

_ Boa noite, outouto-chan.

No dia seguinte, na escola, olhares curiosos, pessoas cochichando, risinhos da área masculina e olhos brilhando e sangramentos nasais da área feminina e sinceramente isso tudo já me era incomodo. Hikaru amando Haruhi que ama Tamaki que a ama também, mas muito mais a si mesmo, discussão que tive com Hikaru há alguns dias que foi quase que uma briga feia, meus pais descobrindo meus sentimentos por meu irmão, fofoca que Hikaru e eu nos pegamos e uma suposta assinatura de Hikaru permitindo o uso de nossa imagem, o que ainda é contra lei, pois ele não pode permitir o uso da minha imagem, apenas da dele, mas reclamar, chiar, não adianta pois a merda já foi feita.

No Host Club, estávamos conversando sobre ideias para novos eventos, então não funcionamos hoje. Já tínhamos feito inúmeros bailes, fantasias, codsplay, e tudo que fosse imaginável.

_ Que tal um show de talentos? – Honey-sempai sugeriu.

_ E como funcionaria esse show? – Haruhi perguntou

_ Basicamente cantaríamos algumas músicas e quem quisesse depois cantaria com qual de nós que ela tenha requisitado.

_ Gostei! Tirou as palavras de minha boca. Bom que essa ideia foi minha, não é mesmo Haruhi? – Tamaki ainda tentava se vangloriar pra se amostrar pra Haruhi. Se ele não fosse tão estúpido, perceberia que ela tá comendo na mão dele.

_ Se vangloriando com a ideia alheia – Haruhi murmurou fazendo uma careta, o que fez Tamaki se encolher no canto fazendo cara de criança.

“Sem paciência pra isso’-‘”

_ Bem – Kyoya-sempai chamou a atenção e dá uma tossida – Podemos começar com vocês, Hikaru, Kaoru?

_ Tudo bem – Hikaru respondeu

_ Por mim.... tanto faz – respondi indiferente. Tava na cara de todo mundo que eu não estava legal e sinceramente não fazia questão de disfarçar.

Pegamos microfones ligados a caixa de som e pelo visto Kyoya montou uma espécie de Playback, apenas com o instrumental da música, a voz é no gogó mesmo.

~

Bokura no Love style / Nosso estilo de amor

Hikaru:

Na minha frente

Você está conversando com uma garota

Oh não, não, não.

Você está fazendo isso de propósito

Para me deixar com ciúmes

Oh sim, sim, sim.

Meu amor, por favor, romance é algo

Meu amor, por favor, que precisa

De um pouco de frieza

Para esquentar ainda mais.

“NÓS DOIS”

Esse é nosso estilo de amor

A forma como nos amamos

Eu preciso de você, eu quero você, pra sempre.

Esse é nosso estilo de amor

Inteiramente nosso estilo de amor

Você é meu, eu sou seu, pra sempre, só você, amo você

“eu”

Será que eu fui um pouco longe de mais?

Será que te deixei realmente com raiva?

Oh não, não não

Vou te abraçar

Então vamos fazer as paz....Senti uma tonteira naquele momento. Minha vista rodou e senti uma dor muito forte no peito, muito mesmo, como se meu coração estivesse....... Parando.

Kaoru pov~off

Notas finais
continuem lendo, o Kaoru não morreu, não faria isso com ele, tadin...