Bohemian Rhapsody - Season 2
4 Capítulo 3 – Perfeição
Notas iniciais
Lady Gaga - Highway Unicorn (Road To Love) (http://www.youtube.com/watch?v=-Q0m-48Sjok)
Dreamgirls Soundtrack - It's All Over (http://www.youtube.com/watch?v=rcEInSfXLOM)
Rent Soundtrack - I'll Cover You (http://www.youtube.com/watch?v=N6Qq3gJhuE4)
P!nk - Fuckin' Perfect (http://www.youtube.com/watch?v=apCu69w6__Q)
Rent OBC - Life Support (http://www.youtube.com/watch?v=7hLBcbVV2w0)
Rent OBC - You Okay Honey? (http://www.youtube.com/watch?v=YVehAvyZc_Y)
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Explicação (LEIAM ANTES DE FALAR DE ERROS): Durante a fanfic, palavras e expressões, como "Pois é, estava/am, Espera aí e Que é isso?" aparecerão na forma de "Poisé, Tava/am, Peraí e Quéisso" para se adequar à linguagem dos personagens.
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Por ser uma Songfic, é claro que fica bem mais divertido de se acompanhar com música (sempre haverá um aviso com o nome da música e o link para se ouvir antes da letra da música entrar). Ah, para aqueles desavisados: haverá alteração na letra da música sempre que necessário (como nomes, adjetivos, etc.), para se encaixar no contexto da história.
6:45. Os alunos do Colégio do Limoeiro esperavam os portões abrirem para eles entrarem. Mônica e Magali conversavam. Mônica acabara de contar para ela sobre Jessie.
– Sério? Que legal, Mô! E ele aceitou a gravidez? – perguntou Magali.
– Aceitou. Disse que não é problema dele a gravidez. – respondeu Mônica.
– Nossa! Que seco. – Magali se espantou.
– Mas ele está certo. Não vou envolvê-lo nessa história. – Mônica cruzou os braços. Olhou para o lado e suspirou. – Ai não...
– O quê?
– Isa.
Isa chegou correndo e chorando perto delas. As garotas se juntaram ao redor da garota, que chorava e berrava.
– O quê aconteceu, Isa? – perguntou Mônica.
– É tudo culpa da Carmem! – gritou Isa.
– Eu? O que eu fiz? – Carmem, que observava Isa se surpreendeu com o seu nome.
– Você deixou o Zé frustrado! Ele quase se matou!
– Zé? – Carmem não acreditava no que estava ouvindo.
– O José Pereira Gonçalves Monteiro. O meu bicórnio! – Isa choramingava.
– Ai meu pai amado, de novo esse bicórnio? – sussurrou Marina para Aninha.
– O que aconteceu com o Zé? – perguntou Magali, mas recebeu uma cotovelada de Mônica. Ela inclinou a cabeça para a amiga e sussurrou: — É melhor não contrariar.
– A Carmem disse que ele era uma vaca, daí o coitadinho ficou triste e frustrado e arrancou um chifre. Agora ele virou um unicórnio!
– Mas unicórnios não são mais fofos? – perguntou Mônica. – Tipo, cheio de purpurina, bonitos e deixam um rastro de arco-íris quando andam?
– Bom... Isso é. Vou falar com ele. – disse Isa, secando as lágrimas.
Os portões da escola se abriram e as garotas entraram.
– Eu posso com isso. Um bicórnio que virou unicórnio? – Mônica ria.
– Mas é meio triste, não. Nós podemos não acreditar, mas ela acredita e gosta dele. – Magali não ria.
– O que você sugere que a gente faça? – Aninha perguntou.
– Podíamos animar a coitadinha. – respondeu Magali.
– Como? – perguntou Marina.
– Cantando. – disse Magali.
– Não me envolvem, amigues. Não tô podendo com unicórnios. – Denise tirou o corpo fora e foi para a sala de aula.
– Afe, a Denise é mais sensível que o asfalto. – Carmem ironizou. As garotas riram.
– Então está combinado? Amanhã, no fim das aulas. Eu trago as fantasias. A música é Highway Unicron (Road To Love) da Lady Gaga. – As garotas aprovaram a música, mas não muito a idéia das fantasias. – É só colocar um chifre no meio da testa. – explicou Magali. Elas suspiraram, mas estavam aliviadas por se só um chifre na testa e não uma fantasia completa.
No dia seguinte, assim que o sinal da saída tocou, as garotas colocaram os chifres de unicórnio, seguraram em cada mão uma bandeirinha de arco-íris e se posicionaram no meio do pátio.
– Tô me sentindo meio ridícula. – disse Magali.
– A idéia foi sua. Eu nem estudo mais aqui. – Aninha encarou Magali. – Então vai fundo.
– Ok. – Magali procurou Isa. – Ei! Isa! Vem aqui!
Isa apareceu saltitando (Denise simulou que a terra estava mexendo e sentou-se em uma cadeira).
– Que foi? Por que vocês estão unicornizadas? – perguntou Isa.
– Queríamos pedir desculpas para você e para o Zé. – disse Magali. Ela deu play no som.
Lady Gaga – Highway Unicorn (Road To Love)
[Todas As Garotas]
Nós podemos ser fortes
Nós podemos ser fortes
Nesta caminhada solitária, no caminho para o amor
Nós podemos ser fortes
Nós podemos ser fortes
Siga aquele unicórnio no caminho para o amor
[Mônica]
Corra, corra
[Magali]
Corra, corra
[Marina]
Corra, corra
[Carmem]
Corra, corra
[Aninha]
Corra, corra
[Todas As Garotas]
Corra, corra
Corra, corra
Corra, corra
[Mônica]
Corra, corra com a capota abaixada, baby, ela voa
[Magali]
Corra, corra com a fúria de um santo em seus olhos
[Marina]
Corra, corra, ha cha cha cha, baby ela vai
[Carmem]
Com cabelos loiros e uma arma fumegante debaixo do pé
[Todas As Garotas]
Hoah-oo-woah-oo-woah
Oh-oh-oo-oh
Cavalgue, cavalgue, pônei, cavalgue, cavalgue
Hoah-oo-woah-oo-woah
Oh-oh-oo-oh
Cavalgue, cavalgue, pônei, esta noite
Nós podemos ser fortes
Nós podemos ser fortes
Nesta caminhada solitária, no caminho para o amor
Nós podemos ser fortes
Nós podemos ser fortes
Siga aquele unicórnio no caminho para o amor
Estou no caminho
Estou no caminho para o amor
Estou no caminho
Estou no caminho para o amor
[Aninha]
Ela é apenas uma americana andando em um sonho
[Mônica]
Ela tem o xarope do arco-íris em seu coração que sangra
[Magali]
Ela não se importa se seus documentos ou seu amor são a lei
[Marina]
Ela é uma alma livre queimando o caminho com uma bandeira em seu sutiã
[Todas As Garotas]
Hoah-oo-woah-oo-woah
Oh-oh-oo-oh
Cavalgue, cavalgue, pônei, cavalgue, cavalgue
Hoah-oo-woah-oo-woah
Oh-oh-oo-oh
Cavalgue, cavalgue, pônei, esta noite
Nós podemos ser fortes
Nós podemos ser fortes
Nesta caminhada solitária, no caminho para o amor
Nós podemos ser fortes
Nós podemos ser fortes
Siga aquele unicórnio no caminho para o amor
Estou no caminho
Estou no caminho para o amor
Estou no caminho
Estou no caminho para o amor
[Carmem]
Preparem-se para fazer barulho
[Aninha]
Porque vamos nos amar esta noite
[Mônica]
Preparem-se para fazer barulho
[Magali]
Porque vamos beber até morrer esta noite
[Marina]
Preparem-se para fazer barulho
[Carmem]
Porque vamos nos amar esta noite
[Aninha]
Preparem-se para fazer barulho
[Todas As Garotas]
Porque vamos beber até morrer esta noite
Morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer
O pessoal no pátio aplaudiu. Isa ria e batia palmas.
– Valeu, garotas. – disse ela. – Não precisava.
– Quéisso, Isa. Você estava triste por causa do seu ex-bicórnio. – Magali sorriu para ela.
– É sério. Não precisava. Falei com o Zé ontem e ele até gostou de virar unicórnio. – disse Isa em um tom de inocência. Colocando a mochila nas costas, ela foi embora. As garotas ficaram paradas lá no palco. Denise apareceu com o seu UaiPhone.
– E tudo foi gravado para a posteridade. – disse ela, correndo para fora da escola. – Mal posso esperar para postar no Iú Tubo!
– A Isa tá de poker com a minha face, não? – Aninha cruzou os braços.
– A Isa é o de menos! – disse Marina, tirando o chifre do meio da testa. – Temos que pegar a Denise! Aquele vídeo não pode aparecer no Iú Tubo!
As garotas pensaram por alguns segundos e correram atrás de Denise, arrancando os chifres das suas testas.
O treino das cheerleaders estava prometendo. Até uma platéia veio assistir. Esperavam ver sangue, porque o vídeo que Denise gravara já havia conseguido cinqüenta mil visualizações em apenas três horas. Quando Denise chegou, Irene praticava as partes que originalmente eram dela. Ela chegou perto de Mônica.
– Mô, o que está acontecendo? – perguntou.
Mônica a ignorou e se juntou às outras garotas. Denise recorreu a Magali.
– Magá, o que está acontecendo? – ela perguntou.
Dreamgirls Soundtrack – It’s All Over
[Magali]
O treinador Bill tinha de ter...
[Denise]
Me avisado!
O treinador Bill tinha de ter me avisado!
O treinador Bill chegou no local de treinamento e encarou Denise.
[Treinador Bill]
Aí está você, Denise
Te procurei por toda parte
[Denise]
Eu sumo por um tempo e vocês me colocam de fora
Você poderia ter me avisado, mas seria muita gentileza
[Treinador Bill]
Eu tenho avisado há meses para você melhorar a sua atitude
Se atrasa, não é legal e inventa várias desculpas idiotas
[Denise]
É mentira, é mentira
Só não tenho me sentido bem esses dias
[Marina]
Denise, por favor, pare de arranjar desculpas
Você se atrasa, não é legal e está cada vez mais gorda
[Denise]
É mentira, é mentira
Nunca estive tão magra
É mentira, é mentira
Porque quem está gorda é aquela dentuça que se acha melhor que todas
Mas ela não é melhor que ninguém, é apenas comum
[Mônica]
A quem você está chamando de comum
Sua rainha do drama, antiprofissional e egocêntrica?
[Denise]
Você. Estou chamando você
Estou chamando você, a dentuça e baleia orca que engravidou
[Mônica]
Agora escute aqui, Senhorita “Culpe O Mundo”
Eu te agüentei por muito tempo
Agüentei sua piranhagem
Agüentei suas atitudes
E os seus gritos também!
[Magali]
Ah, quando vocês duas vão parar com essa briga?
[Denise]
Fique fora disso, Magá
O assunto é entre mim e a Mônica
[Magali]
É? É entre mim também
Faço parte desse grupo mais que qualquer uma
E estou cansada, Denise, cansada
De todos os problemas criados por você
[Denise]
Eu sempre soube
Que vocês estavam juntas nisso
[Magali]
O quê?
[Denise]
Sempre soube que vocês estavam armando contra mim
[Mônica]
Ela não tem nada a ver com essa mudança
Foi você, foi você com o seu egoísmo
Sempre pensando em você
[Treinador Bill]
Eu sabia que você era encrenca desde o começo
[Denise]
Encrenca?
[Treinador Bill]
Uma encrenca enorme
[Denise]
Bill, sou eu, a Denise!
[Treinador Bill]
Mas você está fora
Não construí essa equipe
Para você destruí-la com seus gritos, atitudes e egocentrismo
[Mônica]
Não se preocupe, eu pago para você sair
[Denise]
Você não tem dinheiro o bastante para pagar algo assim
Sabe muito bem disso, Mônica
[Carmem]
Calma, Denise
Pegue a grana e vá
[Denise]
Você está nisso também, Carmem?
[Carmem]
Calma, Denise
Dessa vez você sabe o que fez
[Denise]
Então você também está contra mim, né?
[Carmem]
Eu disse calma Denise
Dessa vez você foi longe demais
[Denise]
Eu posso ir mais longe, muuuito mais longe
[Irene]
Eu não quero me envolver nisso
Acabei de entrar nessa equipe
Isso é entre todos vocês
Não é problema meu
[Denise]
Mesmo? Bem, agora é problema seu também, “irmãzinha”
Você entrou nessa sujeira toda, pode ter certeza
Olhe para mim, olhe para mim
O que você teve de fazer para entrar aqui?
[Irene]
Cuidado com a boca, cuidado com a boca, Denise
Porque não tenho de agüentar ataque de uma diva de segunda
Que não se aguenta
[Denise]
Não me sinto bem
Está doendo
[Todos Menos A Denise]
Denise, está doendo para todos
[Denise]
Por vários anos eu estive com vocês
Eu era a amiga
[Todos Menos A Denise]
Era o problema
[Denise]
E agora estão dizendo que acabou
[Todos Menos A Denise]
E agora estamos dizendo que acabou
[Denise]
Então eu estou dizendo que vou embora
[Todos Menos A Denise]
Acabou
[Denise]
Vou embora
[Todos Menos A Denise]
Acabou
– Ah, é assim? Então ACABOU! – berrou Denise. – A diva absoluta do Colégio do Limoeiro não precisa de vocês! Adeus!
Denise deu as costas para a turma e saiu pisando firme. Entrou na escola, encontrou uma sala vazia e sentou-se em uma carteira. Logo em seguida, começou a chorar.
– Não consigo mais. Não dá. Se passar por diva é muita pressão. Ser perfeita então...
Ela ficou na sala até anoitecer e ela ser expulsa pelo tio da faxina, que tinha de limpar a sala.
Toni estava sentado em um banco do campinho, muito triste. Ao seu lado, uma mala. Já anoitecera. Aninha, que passava de mãos dadas com Titi, parou diante dele.
– O que aconteceu, Toni? A gente ia à sua casa te chamar para dar uma volta. – ela olhou de Toni para a mala. – O que aconteceu, Toni?
– Eu fui expulso de casa. – disse ele.
– Nossa. Mais um expulso e essa fanfic vai mudar de nome para “Desabrigados ou Expulsos”. – comentou Titi.
– Poisé. Mas voltando ao Bairro do Limoeiro. – disse Aninha. – Por que você foi expulso de casa?
– Depois que eu tomei a pedrada na cabeça, os meus pais me mandaram parar de safadeza e largar vocês dois. – explicou Toni. – Só porque vocês moram sozinhos em uma casa.
– E é nossa culpa nossos pais terem morrido em um acidente de carro? – Aninha estava incrédula.
– Os seus pais acham que nós somos o quê? – Titi estava indignado. – Eu e a Aninha trabalhamos. Damos duro para pagar as nossas contas. E agora que os Grampeadores estão finalmente ganhando espaço...
– Eu sei. Por isso que eu fui expulso. Porque disse que não era safadeza e que não largaria vocês dois. – disse ele.
– Awnnnn. – Aninha o abraçou. – Que fofo!
– Então, e agora? – perguntou Titi. – Você vai, não é?
– Para onde? – perguntou Toni.
– Morar com a gente, é claro. – disse Aninha. – Vamos, venha com a gente.
Rent Soundtrack – I’ll Cover You
[Aninha]
More na minha casa
Eu serei o seu abrigo
Me pague apenas
Com mil beijos
Seja meu amante
E eu te protegerei
[Toni]
Abra a sua porta
Eu serei o seu inquilino
Não tenho muita bagagem
Para por aos seus pés
Mas beijos doces
Eu tenho de sobra
[Aninha]
Eu estarei ao seu lado
E eu te protegerei
[Os Três]
Eu acho que eles falam sério
Quando dizem
Que você não pode comprar o amor
Agora eu sei você pode alugá-lo
Você é meu novo contrato, meu amor
Na vida
Seja minha vida
[Titi]
Apenas me vista
Eu serei o seu cobertor
[Aninha]
Onde for, seja o que for
Eu serei o seu casaco
[Toni]
Vocês serão meus reis
E eu serei seu castelo
[Titi]
Você será meu peixe
E eu serei seu lago
[Os Três]
Eu acho que eles falam sério
Quando dizem
Que você não pode comprar o amor
Agora eu sei você pode alugá-lo
Você é meu novo contrato, meu amor
Na vida
Toda minha vida
Sempre procurei descobrir
Algo tão verdadeiro quanto isto
[Toni]
Então com mil doces beijos
[Titi]
Quando estiver com frio e estiver sozinho
[Aninha]
Eu te protegerei
Com mil doces beijos
[Aninha]
[Titi]
Você tem apenas um níquel
[Aninha]
Eu te protegerei
[Toni]
Com mil doces beijos
[Aninha]
Quando estiver esgotado e cansado
[Toni]
Eu te protegerei
Com mil doces beijos
[Titi]
Quando o seu coração parar
Eu te protegerei
[Os Três]
Oh, amor
Eu te protegerei
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
Oh, amor
Eu te protegerei
Aninha e Titi abriram a porta e Toni entrou. Subiram as escadas e entraram em um dos quartos, o qual ele conhecia muito bem.
– Você prefere dormir em um quarto separado ou com a gente? – perguntou Titi.
– Que pergunta mais óbvia. – disse Aninha. – É claro que com a gente, certo?
– Aham. – Toni acenou com a cabeça.
Titi colocou a mala dele no chão e abraçou Toni. Aninha se juntou a esse abraço, dando um beijo em Toni e depois em Titi.
– Meus homens. – disse ela, chorando.
Denise jogou a sua mochila em cima da sua cama, ligou o som e começou a chorar, ouvindo uma música triste. Após um tempo, ouviu batidas na porta.
– Entra. – disse Denise. Ela arregalou os olhos ao ver quem entrara. – Mãe? O que está fazendo aqui?
Dona Danusa era mãe de Denise. Era estilista, então vivia muito ocupada e viajava para vários países. Por isso não tinha muito tempo para a filha.
– Eu cheguei agorinha de Paris e por acaso vi o jeito que você chegou em casa. Quer conversar sobre isso? – ela sentou-se ao lado da filha.
– Fui expulsa das cheerleaders porque elas não agüentam piadinhas. – disse Denise.
– Qual piadinha? – perguntou Dona Danusa.
Denise pegou o seu UaiPhone e mostrou o vídeo das garotas cantando Highway Unicorn (Road To Love) para a mãe. Quando terminou, ela encarou a filha.
– Isso não é piada, Denise. Você filmou as suas amigas em uma situação ridícula e divulgou na internet. Você não imagina como elas devem estar se sentindo humilhadas agora? Quantas visualizações tem o vídeo?
– Um milhão. Atingiu a marca no fim da tarde. – respondeu Denise. – Sei lá, eu só queria me sentir perfeita, sabe? Eu tinha medo da mãe da Carmem, pois ela vivia falando para nós agarrarmos a superioridade que conquistamos e usá-la para sermos perfeitos. E no que isso levou? Ela se suicidou, porque a Carmem a rejeitou e foi morar com a família do namorado.
– Quer dizer que a lagartixa velha morreu? – Dona Danusa sorriu.
– Como é que é, mãe? Você não eram amigas?
– Eu e aquela mocréia? Nunca! Tudo era só fachada. Nunca vou esquecer que ela tentou roubar o seu pai de mim. – disse Dona Danusa, estalando os dedos. Denise riu. – Mas estamos quites, pois eu já tentei roubar o marido dela uma vez. Mas foi antes de conhecer o seu pai.
– Mãe, você é doida. Queria você mais por perto. – disse Denise, abraçando a mãe.
– E é exatamente isso que acontecerá. – ela sacou o celular e começou a falar rápido e em francês. Quando desligou o celular, virou para a filha. – O meu estúdio abrirá uma filial aqui no Bairro do Limoeiro. Acabei de decidir.
– Mas mãe...
– Não posso mais ficar longe de você.
– Achei que você queria que eu fosse perfeita. – disse ela.
– Mas você é perfeita. Para mim, minha filha, você sempre será. – Dona Danusa alisou o cabelo da filha.
P!nk – Fuckin’ Perfect
[Dona Danusa]
Segui o caminho errado
Uma ou duas vezes
Cavei até conseguir sair
Sangue e fogo
Decisões ruins
Tudo bem
Bem vindo à minha vida boba
Maltratada
Deslocada, mal compreendida
Sabichona, tá tudo bem
Mas isso não me parou
Errada
Sempre em dúvida
Subestimada
Olha, ainda estou por aqui
Querida, querida, por favor,
Nunca, nunca se sinta
Como se fosse menos do que perfeita pra caralho
Querida, querida, por favor,
Se em algum momento você se sentir
Como se fosse nada
Você é perfeita pra caralho pra mim
Você é tão má
Quando fala
Sobre si
Você está errada
Mude essas vozes
Na sua cabeça
Faça-os gostarem de você dessa vez
Tão complicado
Olha como estamos conseguindo
Cheia de ódio
Um jogo tão empatado
Chega
Eu fiz tudo que pude
Eu persegui todos os meus demônios
E vejo que você faz o mesmo
Querida, querida, por favor,
Nunca, nunca se sinta
Como se fosse menos do que perfeita pra caralho
Querida, querida, por favor,
Se em algum momento você se sentir
Como se fosse nada,
Você é perfeita pra caralho pra mim
O mundo inteiro está assustado,
Então eu engulo o meu medo
E a única coisa que eu deveria beber
Era uma cerveja bem gelada
Facilmente mentindo
E nós tentamos, tentamos
Mas nós tentamos demais
É um desperdício do meu tempo
Cansei de procurar pelas criticas
Porque elas estão por todo lado
Eles não gostam do meu jeans
Não entendem o meu cabelo
Sempre tão rigorosos com nós mesmos
E somos o tempo todo
Por que fazemos isso? Por que faço isso?
Por que faço isso?
Yeah
Oooh
Ooh, querida, querida, querida
Querida, querida, por favor,
Nunca, nunca se sinta
Como se fosse menos do que perfeita pra caralho
Querida, querida, por favor,
Se em algum momento você se sentir
Como se fosse nada,
Você é perfeita pra caralho pra mim
Você é perfeita
Você é perfeita
Querida, querida, por favor,
Nunca, nunca se sinta
Como se fosse menos do que perfeita pra caralho
Querida, querida, por favor,
Se em algum momento você se sentir
Como se fosse nada,
Você é perfeita pra caralho pra mim
Dona Danusa abraçou a filha. As duas choraram juntas.
– Você conhece a P!nk? Mas você deve ter, tipo, uns 40 anos. – Denise estava surpresa.
– Top 40, querida. – Dona Danusa estalou os dedos.
As duas riram. Dona Danusa deu um beijo no rosto da filha e saiu do quarto dela. Denise deitou-se na cama e encarou o teto.
– Só eu acho tenso uma mãe falar caralho?
Mônica estava arrumando o seu quarto. Passou um pano na cômoda e começou a organizar as gavetas. Ao abrir uma, corou. Lá estavam as cuecas de Cebola. Ela ia fechá-la, mas viu um envelope escondido. A sua curiosidade a venceu e ela puxou o papel. A cada palavra que lia, seu ânimo sumindo.
– Angel! Vem aqui! – gritou ela. Quando Angel chegou, Mônica pediu para ela trancar a porta. – Olha. – Mônica mostrou o envelope.
Após Angel ler, ela encarou Mônica.
– Ele tem que se sentir seguro para contar. Não podemos obrigá-lo. – ela guardou o envelope na gaveta de Cebola. – Eu tenho uma idéia. Vocês poderiam vir comigo na reunião do Apoio à Vida.
– O que é isso?
– Um grupo de pessoas com AIDS que se reúne para compartilhar experiências. Poderíamos fazer o Cebola se sentir seguro ao socializar com pessoas iguais a ele.
– Apoio a quê? – perguntou Cebola.
– Apoio à Vida. – respondeu Angel. – Não precisa ter AIDS para conhecer.
– E é legal irmos, Cebola. – disse Mônica.
– Mesmo? E por quê? – ele encarou a garota.
Angel foi quem respondeu essa pergunta.
– Porque a maioria das pessoas acha que a AIDS é algo horrível que mata pessoas e que é impossível de se lidar com a doença.
– Vamos, Cê. Podemos chamar a Magá e o Cas. – insistiu Mônica.
Mônica, Cebola, Magali, Cascão e Angel chegaram ao local da reunião. Angel tomou o seu lugar na roda dos participantes e os outros se sentaram em cadeiras reservadas a visitantes. Quando todos fizeram silêncio, cada um na roda disse o seu nome.
Rent OBC – Life Support
[Stevie]
Steve
[Gordon]
Gordon
[Ali]
Ali
[Pam]
Pam
[Sue]
Sue
[Angel]
Oi, eu sou Angel
[Tom Collins]
Tom Collins
[Paul]
Eu sou o Paul
Vamos começar
[Todos]
Só existe a gente
Só existe isso
[Cebola]
Desculpe... Com licença... Ops
[Paul]
E você é?
[Cebola]
Oh... Eu não sou...
Eu vim aqui para...
Eu não tenho...
Eu estou aqui com...
Cebola
Cebola
Eu sou o Cebola
Bem...
Isto aqui é bem organizado
[Paul]
Sente-se, Cebola
Nós continuaremos a afirmação
[Todos]
Esqueça os arrependimentos
Ou vai acabar morrendo
[Gordon]
Com licença, Paul
Eu estou tendo um problema com isto
Esta crença
Minhas células T estão baixas
Eu estou triste por isso, tá bem?
[Paul]
Certo
Mas Gordon
Como você sente hoje?
[Gordon]
O que quer dizer?
[Paul]
Como você sente hoje?
[Gordon]
Bem
[Paul]
E isso é tudo?
[Gordon]
Nunca me senti melhor
[Paul]
Então por que escolhe o medo?
[Gordon]
Eu sou do Limoeiro!
Medo minha vida!
Olha
Eu acho que o que você ensina é meio duvidoso
Porque eu sou levado a confiar no meu intelecto
Mas eu tento me abrir para o desconhecido
Porque a razão diz
Que eu deveria ter morrido
Três anos atrás
[Todos]
Nenhuma outra estrada
Nenhum outro modo
Nenhum dia além de hoje
Mônica olhou para Cebola, que chorava silenciosamente. Ela apenas colocou a mão no ombro dele.
– Por que você ta chorando, Cebola? – perguntou Cascão.
– Nada. Nada. – disse ele, secando as lágrimas.
Após o fim da reunião, Mônica, Cebola, Magali, Cascão e Angel saíram do local e estavam combinando de irem ao Café Vida para comerem algo.
– Opa, esqueci a minha bolsa lá dentro. – disse Angel. – Vão indo na frente que eu alcanço vocês mais tarde.
A turma acenou com a cabeça e Angel voltou ao local da reunião. A sua bolsa estava em cima da cadeira. Ela a pegou e saiu de lá. Já estava de noite quando ela chegou perto do Café Vida. Ao passar por um beco, ouviu um gemido. Tom, um dos que estava na reunião, estava caído e sangrando. Quando ela se aproximou, viu dois malucos saírem correndo de perto dele, gritando.
– Santo Cristo! – exclamou Angel se aproximou de Tom.
Rent OBC – You Okay Honey?
[Maluco 1]
Sinos de Natal estão tocando
Sinos de Natal estão tocando
Sinos de Natal estão tocando
[Maluco 2]
Em algum lugar
Não aqui
[Angel]
Você está bem, querido?
[Tom Collins]
Acho que sim
[Angel]
Levaram algum dinheiro?
[Tom Collins]
Não, não tinha dinheiro para levar
Mas levaram o meu casaco
Bem, eles esqueceram uma das mangas
Angel tirou um lenço da sua bolsa e deu para Tom se limpar. Ele estancou o sangramento sobre a sombracelha.
[Tom Collins]
Obrigado
[Angel]
Caramba, é carnaval
Sou Angel
[Tom Collins]
Angel, de fato
Um anjo de primeiro grau
Meus amigos me chamam de Collins, Tom Collins
Bela árvore
[Angel]
Vamos arranjar um curativo para o seu joelho
Eu colocarei
É a sua primeira reunião no Apoio à Vida?
Sim, esse corpo é um lar confortável para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
[Tom Collins]
Como o meu
[Angel]
Uau! Vamos nos dar bem
Arranjar um casaco, comer algo
Dar uma volta, estou precisando
[Tom Collins]
Mas os meus amigos estão esperando
[Angel]
Você fica fofo quando fica corado
Quanto mais Feliz, mais ho ho ho
E eu não aceito um “não”
Angel passou o braço de Tom pelo seu pescoço e o ajudou. Os dois entraram no Café Vida.
– Pessoal, esse é o Tom. – disse Angel.
– Mas todos me chamam de Collins. – explicou ele.
– Todos menos eu. – Angel riu, piscando para ele. Logo após, ela pediu um milkshake.
Notas finais
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