Bohemian Rhapsody - Season 1

7 Capítulo 7 – A Vez De Carmem


Notas iniciais
Músicas
Lady Gaga feat. Beyoncé - Telephone
Hairspray Soundtrack - Run And Tell That
Hairspray Soundtrack - I Can Hear The Bells
Glee - Roses Turn
Glee - River Deep, Mountain High
Glee - True Colors
.
Por ser uma Songfic, é claro que fica bem mais divertido de se acompanhar com música (sempre haverá um aviso com o nome da música e o link para se ouvir antes da letra da música entrar). Ah, para aqueles desavisados: haverá alteração na letra sempre que necessário (como nomes, adjetivos, etc.), para se encaixar no contexto da história.

- Fábio não. Para você, eu sou “namorado”. – respondeu ele.

- Namorado?

- Isso mesmo. A sua mãe acha que é o melhor para você e eu não pude negar. – disse o garoto, empinando o nariz.

- Mas quem disse que eu quero? – rebateu Carmem, sacudindo o pulso e se livrando da mão dele, que ainda estava presa ao seu pulso.

- Não é uma questão de querer e...

- Fábio, por que você não vai ali na lanchonete tomar no cu? – Carmem virou as costas e foi embora.

- Você não pode simplesmente ir.

- Querido, não só posso como estou indo. – disse Carmem, com um acenar de mãos, indo se juntar com as outras garotas.

Quando a garota já estava longe, Fábio balançou a cabeça.

- Você não vai se livrar tão fácil de mim, Carmem Frufru. Eu vou te conquistar, ou não me chamo Fábio.

Carmem estava conversando com as amigas na porta da escola, na manhã seguinte. Quando o sinal para os alunos entrarem tocou, elas foram papeando até entrarem na sala. A garota ficou parada na porta, encarando um aluno que estava sentado e sorria para ela.

- O que você está fazendo aqui? – Carmem colocou as mãos na cintura.

- Eu me transferi para cá. Como o seu novo namorado...

- Namorado? Eu já disse que você não é meu namorado! – Carmem estava quase explodindo.

- Mas não importa o que você diga. Sua mãe acha melhor e ponto. – Fábio estava tranqüilo.

- Pois eu vou ter um papo sério com a minha mãe. – Carmem bufou e foi sentar-se longe de Fábio. Como a sala já estava cheia, ele não pode se aproximar dela.

Como era aniversário de Carmem, ela planejou uma festa no clube. Já que o dia seguinte seria feriado, não havia problema em ficarem acordados até tarde. Fizera questão de não deixar a sua mãe se meter na lista de convidados, pois sabia que o seu suposto namorado seria incluído.

O Clube do Limoeiro tinha piscina, sauna, lugar para massagens e uma pista de dança enorme. Como seria de noite, só essa parte estaria liberada para a festa.
Carmem estava dando os últimos retoques no seu visual quando Mônica bateu na porta.

- Pode entrar. – disse Carmem.

- A sua simpática mãe disse para eu vir aqui te chamar. Não sei porque ela não mandou a Denise. Parece que, de todas nós, a sua mãe só aceita a sua amizade com a Denise.

- Ah, Mô. Não ligue. Eu aprendi a não ligar. – lamentou-se a loira. Com um movimento rápido, ela levantou-se e saiu com Mônica do cômodo.

- Finalmente! – exclamou Dona Ofélia. – Agora vocês vão na frente. Eu vou ligar para o namorado dela vir acompanhá-la e...

- Nem ferrando, mãe. Eu não tenho namorado. Por isso não deixei a senhora interferir na minha lista de convidados. – protestou Carmem.

- Ok, como queira. Você vai se acostumar. – disse Dona Ofélia, empinando o nariz, pegando a sua bolsa e saindo pela porta.

Quando a porta bateu, o celular de Carmem tocou. Ela o atendeu. Assim que ouviu a voz, a sua cara fechou.

- O que você quer?

- Saber por que eu não fui convidado para a sua festa, Carmem. – respondeu a voz de Fábio.

- Não é óbvio? Você não foi convidado porque eu não quis. Simples e prático. – ironizou Carmem, desligando o celular.

Após os parabéns, a aniversariante e as amigas foram para a pista de dança e abriram uma garrafa champanhe para comemorar. Pela quinta vez, o telefone de Carmem tocou. Ela perdeu a paciência e atendeu.

http://www.youtube.com/watch?v=rQOmZ3UhEXc
Lady Gaga feat. Beyoncé — Telephone


[Carmem]
Alô, alô baby, você ligou, não consigo escutar nada
O sinal do celular é fraco no clube, você entende?
O que-que-que você disse? Oh, você está terminando comigo?
Desculpe, não consigo te escutar eu estou ocupada
O-ocupada, O-ocupada
Desculpe, não consigo te escutar, eu estou ocupada

Só um segundo vão tocar minha música favorita agora
E não dá pra enviar um SMS com uma bebida na minha mão, é
Você deveria ter feito planos comigo, sabia que eu estava livre
E agora você não para de me ligar, estou ocupada

Pare de ligar, pare de ligar, eu não quero mais pensar
Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança
Pare de ligar, pare me ligar, eu não quero mais falar
Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança

Eh, eh, eh, eh, eh, eh...
Pare de me ligar
Eh, eh, eh, eh, eh, eh...
Eu estou ocupada
Eh, eh, eh, eh, eh, eh... Pare de me ligar
Eh, eh, eh, eh, eh, eh... Eu estou ocupada

Pode ligar o quanto quiser, mas não tem ninguém em casa
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Eu estou no clube e tomando aquele champanhe
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Pode ligar o quanto quiser, mas não tem ninguém em casa
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Eu estou no clube e tomando aquele champanhe
E você nunca vai alcançar o meu telefone

Garoto, o jeito que você está enchendo o meu celular
Não vai me fazer sair mais rápido
Colocar meu casaco mais rápido
Deixar minhas amigas mais rápido
Eu deveria ter deixado o meu telefone em casa
Pois isso é um desastre
Me ligando como um cobrador
Me desculpe, eu não posso responder

Não que eu não goste de você, só estou em uma festa
E eu estou farta e cansada do meu telefone tocando
Às vezes sinto que vivo na Estação Central
Esta noite não atenderei nenhuma ligação, pois estarei dançando

Pois estarei dançando, pois estarei dançando
Essa noite não atenderei nenhuma ligação, pois estarei dançando

Pare de ligar, pare de ligar, eu não quero mais pensar
Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança
Pare de ligar, pare me ligar, eu não quero mais falar
Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança
Pare de ligar, pare de ligar, eu não quero mais pensar
Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança
Pare de ligar, pare me ligar, eu não quero mais falar
Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança

Eh, eh, eh, eh, eh, eh... Pare de me ligar
Eh, eh, eh, eh, eh, eh...
Eu estou ocupada
Eh, eh, eh, eh, eh, eh... Pare de me ligar
Eh, eh, eh, eh, eh, eh... Eu estou ocupada

Pode ligar o quanto quiser, mas não tem ninguém em casa
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Eu estou na boate e tomando aquela champanhe
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Pode ligar o quanto quiser, mas não tem ninguém em casa
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Eu estou na boate e tomando aquela champanhe
E você nunca vai alcançar o meu telefone

Meu telefone, m-m-meu telefone
Eu estou na boate e tomando aquela champanhe
E você nunca vai alcançar o meu telefone
Meu telefone, m-m-meu telefone
Eu estou na boate e tomando aquela champanhe
E você nunca vai alcançar o meu telefone

Nos desculpe... Este número que você tentou ligar
Está fora de serviço nesse momento
Por favor verifique o número, ou tente ligar de novo

- Então é isso? – perguntou Fábio.

- Isso mesmo, filhinho. É melhor você desistir. – disse Carmem. E desligou o celular.

As garotas (com exceção de Denise) berraram e aplaudiram a amiga. E elas voltaram a dançar. Do outro lado da linha, Fábio estava queimando de raiva.

No outro dia, o assunto não era outro na sorveteira Gela a Alma. Já que era feriado, a turma toda estava lá. O calor não era tanto, mas pedia um sorvete.

- Ah, imagino a cara dele agora. – ria-se Carmem.

- Arrasou, colega. – disse Mônica, dando um tapinha nos ombros da loira.

- Nem acho que deveria ter feito isso, gatz. – Denise deu uma colherada no seu sundae. – Ele é beautiful e rich. Só falta ser dirty.

- Dê, nem fico com um cara só pela beleza e pela conta corrente. – Carmem encarou a amiga.

Todos ao redor riram.

- Então arranje um favelado para você e depois não venha se lamentar para cima de mim. – de repente, Denise olhou para a rua. – Falando em favelado... Bom, vou indo.

Quando ela foi embora, Jeremias apareceu.

- Posso sentar aí? Não está contaminado pela futilidade? – disse ele, alto o suficiente para Denise bufar enquanto ia embora. Jeremias se juntou ao coro de gargalhadas.

Carmem o encarou. Nunca havia reparado, mas, apesar de ser negro, Jeremias tinha os olhos verdes.

- C-Claro. Senta aí. – Carmem se atrapalhara toda para indicar que Jeremias podia sentar lá. As garotas da mesa deram risadinhas, que cessaram quando Carmem as encarou.

Mônica resolveu puxar assunto com o amigo.

- E aí, Jerê? Quando a sua mãe vai dar mais uma daquelas festas muito loucas? – perguntou.

- Hoje mesmo. Foi para isso que eu apareci. Vim avisar vocês. – respondeu Jeremias.

- Que ótimo! – Carmem exclamou. Estava agitada.

- Vou logo avisando que a sua amiga ruiva preconceituosa não está convidada e...

- Vai com calma, Jeremias. Eu fico aliviada por você não ter convidado ela. – disse Carmem. Logo os dois caíram na gargalhada. – Desculpa aí por ela, Jeremias.

- Me chama de Jerê, Carmem. Moramos no mesmo bairro desde que nascemos, mas você era metida demais.

- Bom, a “fofa” da minha mãe acha que os meus amigos são favelados e não devo andar com eles, tirando a Denise. – Carmem revirou os olhos. – Mas eu gosto muito de você... Digo, de vocês. – ela corrigiu a tempo.

- E imagino que por eu ser negro ela me elogia mais do que os outros. – ironizou Jeremias.

- Acertou. – Carmem riu junto com ele.

- Mas é assim que é o mundo. – Jeremias se levantou de repente. – Bom, se vocês estão de bobeira, que tal irmos para a festa?

- Claro. Eu só não entendo porque existem tantas pessoas preconceituosas por aí. E não acredito que eu era uma delas. – Carmem balançava negativamente a cabeça.

- Como eu disse, Carmem. Assim é o mundo. Mas eu não estou nem aí. – disse Jeremias. O resto da turma levantou-se da mesa também.

http://www.youtube.com/watch?v=8uLY6dkZDy8&feature=fvst

Hairspray Soundtrack – Run And Tell That

[Jeremias]
Não sei por que as pessoas me olham
E só vêem a cor do meu rosto
Então, há quem tente ajudar, Deus sabe
Mas sempre tem de me colocar no meu lugar

Mas não pedirei
Para a cor esquecer
Porque se a fruta escolher
Garota, você vai descobrir
Quanto mais escura é a fruta
Mais doce é o suco
Eu poderia dizer que não
Mas de que adianta?
Quanto mais escuro é o chocolate
Melhor é o sabor
Essa é a pura verdade
Agora, meu amor, conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]

Ah, baby
Conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera


[Jeremias]

Não entendo
Por que as pessoas discordam
A cada vez que eu digo a elas
Que o que sei é verdade
E se você vier
E vir o mundo de onde venho
Aposto que o seu coração também vai sentir
Eu poderia mentir
Mas sejamos francos
Baunilha pode ser bom
Mas a verdade seja dita
Quanto mais escura é a fruta
Mais doce é o suco
Eu poderia dizer que não
Mas de que adianta?
Quanto mais escuro é o chocolate
Melhor é o sabor
Essa é a pura verdade
Meu amor, conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]

Ah, baby
Conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]
Vamos lá
Conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]

Vamos lá
Conte para a galera
Vamos lá
Conte para a galera

- Venha cá, garota. – disse Jeremias, puxando uma garota de uns 15 anos para junto dele. – Essa é a minha irmã, a pequena Inês. – ele a apresentou para todos. Ela encarou Carmem nos olhos.

- Ei, eu sei quem você é. É a Carmem Frufru. Meu irmão gosta muito de você. – a garota riu.

- Aposto que sim. – riu-se Carmem.

- Exibiiida. – Jeremias riu também. – Bom, mostre o que sabe, Inês.

[Inês]

Cansei de esconder o meu orgulho
[Todos]
Mostre o respeito que eu mereço
[Inês]
Tenho um novo jeito de dançar
E um novo estilo de cantar
[Todos]
E tudo o que eu quero
É apenas cantar e me divertir
[Inês]
As pessoas aqui
Mal conseguem pagar o aluguel
Tentam transformar 15 centavos
Em um real
Mas temos um espírito
Que o dinheiro não compra
[Todos]
É fundo como um rio
E vai até o céu, até o céu
[Jeremias]

Não vejo motivo
Para não ser assim
Um mundo onde todos têm sua chance
[Todos]
A hora é agora
[Jeremias]
Podemos mostrar a eles como
Aumente o som e vamos todos dançar
Porque todas as coisas são iguais
Quando se trata do amor
Bem, isso não é bem verdade
Porque na hora de decidir...

Quanto mais escura é a fruta
Mais doce é o suco
Eles dizem que não é verdade
Mas de que adianta?
Quanto mais escuro é o chocolate
Maior é o sabor
Meu amor, conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]

Conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]

Ah, baby
Conte para a galera
[Todos]
Conte para a galera
[Jeremias]
Vá para casa
E conte para a galera

A turma toda entrou no galpão da mãe de Jeremias. Ele estava todo decorado. Jeremias pegou Carmem pela mão e a conduziu pra dentro. Os outros foram atrás.

- Fique à vontade. Vou falar com a minha mãe. – disse ele.

Carmem ficou parada com cara de boba. Lentamente, Mônica chegou perto da amiga.

- E aí, Carmem? – vendo que não obtivera resposta, Mônica estalou os dedos. – Alô! Terra chamando Carmem.

Carmem sacudiu a cabeça e suspirou.

- Hã? O que disse? – ela ainda estava meio boba.

- Deixa pra lá... – Mônica riu.

- Eu preciso te dizer uma coisa, Mô...

- O quê?

http://www.youtube.com/watch?v=WbqiOF0wO50
Hairspray Soundtrack – I Can Hear The Bells

[Carmem]
Consigo ouvir os sinos

[Mônica]
Do que está falando?

[Carmem]
Você não os ouve soando?

Uma viatura de polícia passou pela rua, com a sirene ligada. Mônica ergueu as sobrancelhas.

[Mônica]
Eu não diria exatamente “soar”
[Carmem]
Não sente o meu coração batendo
No ritmo perfeito?
E tudo por que...
Me tocou
Ele me olhou e encarou
Sim, ele esbarrou em mim
Meu coração estava despreparado
Quando ele me tocou
E me fez levitar
Um pequeno toque
Agora minha vida está completa

Porque quando ele me tocou
O amor me deixou em um dilema
Sim, ele me cobriu
Com uma montanha de tijolos
Meu coração explodiu
Agora eu sei o que é a vida
Um pequeno toque
E meu coração me derrubou

Posso ouvir os sinos
Minha cabeça está girando
Eu posso ouvir os sinos
Algo está começando
Todos dizem que
Uma garota como eu
Não pode conquistar o amor dele
Espere só e verá

Porque consigo ouvir os sinos
Ouço-os soando
Eu consigo ouvir os sinos
Minha temperatura sobre
Não consigo conter a alegria
Porque encontrei meu par
Sinto falta disso
Escute, eu consigo ouvir os sinos

Primeiro round: ele me convida para sair
E então, segundo round: eu me arrumarei e não me atrasarei
Porque no terceiro round: É um beijo dentro do carro
Não iremos até o fim
Mas iremos longe o bastante
Quarto round: ele me pedirá em casamento
E quinto round: contrataremos a banda do casamento
E sexto round: Dona Ofélia, para a sua surpresa
A garota campeã aqui levará o prêmio

Eu consigo ouvir os sinos
Meus ouvidos estalam
Eu consigo ouvir os sinos
As damas de honra cantam
Todos falam: esse cara é realmente um gato
Não olham para mim
Eles não sabem de nada

Porque consigo ouvir os sinos
Meu pai sorrirá
Eu consigo ouvir os sinos
Quando ele me leva pelo corredor
Minha mãe começa a chorar
Mas não vejo, porque Jeremias e eu
Estaremos nos beijando
Escutem, eu consigo ouvir os sinos

Eu consigo ouvir os sinos
Minha cabeça está girando
Eu consigo ouvir os sinos
Não consigo deter esse som
Todos avisam que ele
Não gostará do que verá
Mas eu sei que ele olhará
O meu interior

Eu consigo ouvir os sinos
Hoje é só o começo
Porque consigo ouvir os sinos
Até que a morte nos separe
E mesmo quando morrermos
Olharemos lá de cima
Lembrando da noite
Em que nos apaixonamos
Derrubaremos uma lágrima
E ele sussurrará
Enquanto relembramos
Escutem, consigo ouvir os sinos
Conseguimos ouvir os sinos
Consigo ouvir os sinos
Conseguimos ouvir os sinos
Consigo ouvir
Os sinos

- Sinos? Que bom, Carmem. Você está aprendendo a amar sem barreiras! – os olhos de Mônica brilharam.

Carmem sacudiu a cabeça.

- Como é?

- Você não vê? Está apaixonada pelo Jerê. – Mônica batia palmas.

- N-não... N-nós somos a-apenas amigos. – Carmem tremia de ansiedade.

- Aham Carmem, senta lá. Você só não vê se não quiser. – Mônica deu as costas para a amiga e foi pegar algo para beber.

Carmem havia voltado para a sua casa com as amigas. Quando as convidou para entrar, Dona Ofélia franziu o nariz, como se algo cheirasse mal. Carmem a encarou. A sua mãe deu de ombros e foi para o seu quarto.

- A festa foi muito divertida. – disse Carmem. – Preciso ir mais vezes.

- Claro, né? – Mônica piscou para a amiga. – O Jeremias iria adorar.

Carmem jogou uma almofada na amiga. As outras garotas riram.

- Então quer dizer que há algo entre vocês dois? – Magali sorria. – Que legal!

- COMO É QUE É? – A voz elevada de Dona Ofélia fez com que os cristais do enorme lustre do teto da sala balançassem. – Não me diga que você está namorando aquele... Aquele... Aquele “do gueto”!!

- Tudo bem, mãe. Eu não estou namorando aquele “do gueto”. – ironizou Carmem.

As garotas sentiram o clima de discussão e vazaram dali antes que sobrasse para alguma delas. Quando Carmem e a sua mãe estavam sozinhas, voltaram a discutir.

- Não me venha com graças, Carmem Frufru! – Dona Ofélia descia as escadas como se fosse um tornado. – Eu posso até aturar você ser amiga dessas faveladas, mas nunca vou admitir que filha minha namore um mano do gueto!!

- O Jeremias não é nem um mano do gueto! – lágrimas brotaram dos olhos de Carmem.

Sabia que comer chocolate engorda? – ironizou Dona Ofélia.

- Não tem problema, mãe! Eu adooooooro chocolate! – Carmem secou as lágrimas, rebatendo a ironia.

- Pare de me enfrentar, Carmem! Eu sou a sua mãe! – a cara de Dona Ofélia já estava vermelha.

- Escuta aqui, Dona Ofélia! Eu estou de saco cheio de você ficar humilhando as pessoas por causa da condição financeira ou da cor da pele!

- Aposto que esse discurso motivador veio daquele preto e...

- DOBRE A LÍNGUA PARA FALAR DO JEREMIAS! VOCÊ NÃO TEM MORAL NENHUMA, SUA LAGARTIXA VELHA!

Um estalo encheu o ar. O choque entre a mão de Dona Ofélia e o rosto de Carmem deixou uma marca. Carmem recomeçou a chorar.

- Mãe... Como você pôde me bater? Você nunca ergueu a mão para mim!

- Isso enquanto o seu pai era vivo! Aquele homem te mimou demais! A minha maldição começou quando ele me ofereceu um drink em um baile!

- Você está me dizendo que...

- Isso mesmo, Carmem. Você veio por puro descuido meu! Escutou? Você não foi desejada!

- Mas o meu pai...

- É claro que o seu pai te amou, garota! Mas eu não! Eu não te amo! Nunca te amei e nunca te amarei!

- Já sei o motivo da morte do meu pai: VOCÊ! – Carmem voou no pescoço da mãe, mas a empregada interveio e segurou a garota. – EU TE ODEIO!!

- Eu tentei, Carmem. Juro que tentei te moldar à minha maneira. Tentar fazer você ser uma dama.

- E eu tentei seguir os seus dogmas, Ofélia. Tentei mesmo. Foi um trabalhão, mas não vejo pra que serviu tudo isso. – Carmem secou as lágrimas e, encenando como se fosse uma dama, levantou-se, subiu as escadas. No topo, acenou para a mãe como uma dama.

http://www.youtube.com/watch?v=tj_eM72OOoc

Glee – Rose’s Turn

[Carmem]
Todo esse trabalho e o que eu ganhei?
Porque eu fiz isso?
Em todas as fotos eu estou no fundo
Dê amor a ela e o que você ganha?
O que você ganha?
Uma olhada rápida enquanto ela te deixa
Toda sua vida e o que você ganha?
“Muito obrigada e fora com o lixo”
Ela ganha aplausos e você volta à estaca zero

Eu tive um sonho
Sonhei para você, mãe
Não era para mim, mãe
E se não fosse por mim
O que você seria
Denise, minha “amiga”?

Bem, alguém me diga, quando será minha vez
Não posso ter um sonho para mim?
A partir de agora será a minha vez
Todo mundo, saia da minha frente!
A partir de agora eu acertarei milhões!
Desta vez, gente, eu serei aplaudida e...

Tudo está vindo para Carmem!
Tudo está vindo para Frufru!
Tudo está vindo para Carmem!
Desta vez, para mim!
Para mim! Para mim! Para mim! Para mim! Para mim!
Para mim! Yeah!

Carmem já havia descido as escadas, com uma mala na mão e uma mochila nas costas.

- Para onde pensa que vai? Para os braços da favela? – perguntou Dona Ofélia.

- Isso mesmo. Aposto que a favela vai me acolher melhor do que você. – Carmem passou pela mãe, abriu a porta da casa e saiu.

Assim que Carmem colocou os pés para fora da sua casa, uma chuva torrencial caiu sobre a sua cabeça.

- Afe... Comecei a minha nova vida com o pé esquerdo. – resmungou.

Suspirando, ela enfrentou o aguaceiro. O Bairro do Limoeiro nunca parecera tão assustador para a garota. As ruas estavam desertas. Raramente carros passavam. Os becos eram mais ameaçadores do que nunca.

- Ei, boneca.

Carmem se virou, assustada. Em um beco próximo, um mendigo acenava para ela. A garota, com medo, deu as costas para ele e apertou o passo. Quase corria, quando trombou, na porta de um bar, com quatro homens grandes e musculosos. Sem explicações, ela saiu correndo. Os homens riram e correram atrás. Carmem nem prestava atenção por onde corria. As casas passavam voando diante dela.

De repente, Carmem deu de cara com um beco sem saída. Desesperada, começou a chorar. Um dos homens se aproximou lentamente dela.

- Ora, ora. Vimos que você descartou o mendigo. Mas sejamos francos. Um de nós aqui te agrada, não é, lindinha?

- Não... Não...

- Não? Tem certeza? – o homem a pegou pelos braços. A mala dela caiu no chão. Ele começou a cheirar os cabelos e o pescoço de Carmem. – Hm... Você é cheirosinha também.

- Não... Não! – Carmem berrou e deu uma joelhada nas “partes” do homem. Ele urrou e recuou.

Nesse momento, luzes azuis e vermelhas iluminaram o beco. Os homens, assustados, saíram correndo. Dois policiais que estavam na viatura saíram e perseguiram os homens. O outro policial, que havia ficado, foi até Carmem.

- Está tudo bem, senhorita?

- Sim... Como vocês me acharam?

- Um amigo sem ligou para a gente, dizendo que viu você ser perseguida.

- Amigo?

Carmem começou a pensar. O policial se adiantou e voltou a falar.

- Isso. O nome dele era Jeremias. Disse para levarem você em segurança para a sua casa.

- Não posso voltar para a minha casa, policial. Eu saí de lá. – Carmem limpou as lágrimas. – O senhor pode me deixar na casa desse meu amigo?

- Claro. Vamos então.

Carmem entrou na viatura e partiu para a casa de Jeremias.

.

Quem a recebeu foi Inês. Ela pegou a mala de Carmem e a levou para dentro.

- Nossa, Carmem! É claro que você vai me contar tudo, né?

Carmem sorriu.

- E você vai dormir comigo. Tem uma cama extra no meu quarto.

Quando as duas entraram no quarto de Inês, Carmem se surpreendeu. Imaginava uma dispensa mofada, mas o quarto era muito limpo e bem decorado. Ela suspeitava que a família de Inês não era tão pobre quanto parecia.

- Seu quarto é lindo, Inês. – comentou. Quando passou diante do computador, encarou a tela. A foto de um garoto era o wallpaper de Inês. – Quem é?

- Ah... – Inês ficou com um pouco de vergonha. – É o Maurício, um garoto da minha escola. Eu gosto muito dele, mas não tenho coragem de contar.

- Sei... Tipo eu e o Jeremias e... – Carmem percebera a bola fora que dera. – Bom... Por que você não fala pra ele de uma vez?

- Como é? Você tá doida? Ele é um dos meus melhores amigos e...

- Melhor ainda! Você vai chamá-lo aqui e vai se declarar para ele. – disse Carmem.

- Com uma condição então. Você também vai se declarar para o meu irmão.

Por essa, Carmem não esperava. Mas topou. Logo, as duas estavam pesquisando músicas na internet, pois a loira dissera que era melhor expressar os sentimentos com música.

No dia seguinte, Maurício e Jeremias estavam sentados no sofá da sala. Os dois encaravam as duas garotas.

- Er... O que devemos fazer? – perguntou Jeremias.

- Apenas escutem. – respondeu Inês.

http://www.youtube.com/watch?v=t8jbLboyBMM

Glee – River Deep, Mountain High

[Inês]
Quando eu era uma garotinha
Tinha uma boneca de pano
A única boneca que eu já tive
Agora te amo do jeito que eu
Amava aquela boneca
Mas só agora o meu amor cresceu

E isso fica mais forte, em todos os sentidos
E fica mais profundo, deixe-me dizer
E fica mais alto, dia a dia

[As Duas]

Eu te amo? Oh meu Deus!
Do mais profundo rio até a mais alta montanha
Se eu te perdesse, deveria chorar?
Oh como eu amo você, baby, baby, baby, baby

[Carmem]
Quando você era um menino
Você tinha um cachorrinho
Que sempre ficava ao seu lado
Bem, eu vou ser tão fiel quanto aquele cachorrinho
Não, eu nunca vou deixar você para baixo

Porque cresce mais forte, como um rio que flui
E ele se torna maior, só você sabe
E fica mais doce, à medida que cresce

[As Duas]
Eu te amo? Oh meu Deus!
Do mais profundo rio até a mais alta montanha
Se eu te perdesse, deveria chorar?
Oh como eu amo você, baby, baby, baby, baby

[Inês]
Eu te amo baby como uma flor ama a primavera

[Carmem]
E eu te amo baby, assim como os pássaros adoram cantar

[Inês]
E eu te amo baby como um garotinho ama o seu animal de estimação

[As Duas]
Eu te amo, baby, do mais profundo rio até a mais alta montanha

[Carmem]
Oh baby

[Inês]

Oh baby

[Carmem]
Oh baby
[As Duas]
Eu te amo? Oh meu Deus!
Do mais profundo rio até a mais alta montanha
Se eu te perdesse, deveria chorar?
Oh como eu amo você, baby, baby, baby, baby

Carmem e Inês pararam com uma pose, arfando e encarando os dois rapazes que estavam sentados. Jeremias encarava Carmem enquanto Maurício encarava... Carmem também. Inês logo reparou nisso também. Com os olhos cheios de lágrimas, ela foi correndo para o seu quarto. Jeremias foi atrás da irmã. Maurício olhava Carmem com brilho nos olhos.

- Eu... – começou ele.

- Nem vem, moleque. – Carmem foi atrás de Inês também.

.

Carmem entrou no quarto. Jeremias a encarou e saiu de lá. A garota sentou-se ao lado de Inês.

- Inês. Não chore. A culpa foi minha. – disse ela, fazendo carinho a cabeça de Inês.

- Não, Carmem. Não foi.

- Claro que foi! A idéia de cantar e dançar foi minha. Logo, a culpa foi minha.

- Não...

- Foi sim! A culpa é minha! – Carmem insistia.

- OK. A culpa é sua! Satisfeita? – Inês havia se levantado.

- Bom... Estou. E vou tentar arrumar essa bagunça. – Carmem fez Inês sentar na cama e se levantou. Ao sair, Jeremias estava parado. Ela o encarou. – Pode deixar que eu vou arrumar o que eu baguncei.

Aliviada por ter resolvido o mal entendido, Carmem foi para a sorveteria Gela a Alma para esfriar (irônico, não?) a cabeça. Pediu um sundae e foi em direção à mesa. Quando se sentou em uma cadeira, ouviu alguém chamar o seu nome, mas antes de se virar para ver quem era, Denise já havia se sentado na cadeira do lado.

- Amiga, fiquei sabendo do babado. – Denise já abanava as mãos. – Que negócio foi esse de fazer a louca e fugir de casa? Isso é tão anos 90, colega.

- Dê, não é fácil ouvir o que eu ouvi. Principalmente da minha mãe.

- Mas é ela que te sustenta, flor.

- Dinheiro não é tudo, Denise.

- Superdiscordo, Cacá. Vai dizer que o amor está acima de tudo? – Denise revirou os olhos.

- Por que não? – rebateu Carmem.

- Porque amor não paga contas. Porque amor não compra roupas. Porque amor não te dá um teto para dormir embaixo.

Alheia à discussão, a garçonete serviu o sundae de Carmem. Após se afastar, as duas retomaram a discussão.

- E ainda por cima, você fica se empanturrando de sundae. Já pensou como vai pagar? – e Denise se carregou de mais ironia. – Já sei! Aposto que é com o Bolsa Família do seu namorado. O “mano do gueto”.

- Pois fique sabendo que eu tenho dinheiro, apesar de ter saído debaixo das asas da minha mãe.

- Aproveite agora. Depois de um tempo, você já vai querer implorar para voltar à sua vidinha de antes.

Pegando a sua bolsa, Denise levantou-se e saiu dali. Carmem se segurou, mas assim que a ruiva se afastou, ela abaixou a cabeça e deixou as lágrimas saírem.

Mônica, que estava passando por ali, viu a amiga chorando. Aproximou-se e colocou as mãos nos ombros da amiga.

- Que foi, Carmem? – perguntou.

- É a Dê, amiga. Ela veio aqui falar umas verdades para mim. – explicou Carmem, fungando.

- E desde quando a Denise fala “verdades”, Carmem?

- Ah, ela disse que depois de um tempo, eu vou começar a precisar de dinheiro e não terei mais. E que eu não posso viver feliz para sempre com o Jeremias. Daí...

- Vem. – disse Mônica, pegando Carmem pelo pulso.

- Que foi? – Carmem encarou a amiga.

- Apenas vem. – Mônica foi puxando Carmem pelas ruas do limoeiro. Logo, ela chegou à garagem da casa do Cebola.

- Er... Tem algum motivo para eu estar aqui na garagem do Cebola?

- Senta lá, Carmem. – disse Mônica, indicando uma cadeira na garagem escura.

Carmem secou as lágrimas e sentou-se na cadeira. Logo, as luzes da garagem se acenderam. Os Grampeadores de Gaveta e quase toda a turma estavam lá, encarando Carmem.

- Mas o que está acontecendo? – ela perguntou.

Mônica pegou um microfone e caminhou até a amiga.

http://www.youtube.com/watch?v=5GzQ2IDzeRE
Glee – True Colors

[Mônica]
Você com esses olhos tristes
Não desanime
Oh, eu percebo
É difícil tomar coragem
Em um mundo cheio de pessoas
Você pode perder de vista tudo isso
E a escuridão dentro de você
Pode fazer você se sentir tão pequena

[Todos]
Mas eu vejo suas cores verdadeiras
Brilhando além
Eu vejo suas cores verdadeiras
E é por isso que eu te amo
Portanto, não tenha medo de deixar mostrar
Suas cores verdadeiras
Cores verdadeiras são lindas
Como um arco-íris


[Magali]
Então me mostre um sorriso
Não fique infeliz
Não consigo lembrar quando
Foi a última vez que te vi rindo
Se este mundo te enlouquece
E você pegou mais do que você pôde suportar
Me chame
Porque você sabe que eu estarei lá

[Todos]
E eu verei suas cores verdadeiras
Brilhando além
Eu vejo suas cores verdadeiras
E é por isso que eu te amo
Portanto, não tenha medo de deixar mostrar
Suas cores verdadeiras
Cores verdadeiras são lindas
Como um arco-íris


[Mônica]
Não consigo lembrar quando foi a última vez que te vi rindo


[Todos]
Se este mundo te enlouquece
E você pegou mais do que você pôde suportar,
Me chame
Porque você sabe que eu estarei lá

E eu verei suas cores verdadeiras
Brilhando além
Eu vejo suas cores verdadeiras
E é por isso que eu te amo
Portanto, não tenha medo de deixar mostrar
Suas cores verdadeiras
Cores verdadeiras são lindas

E eu verei suas cores verdadeiras
Brilhando além
Eu vejo suas cores verdadeiras
E é por isso que eu te amo
Portanto, não tenha medo de deixar mostrar
Suas cores verdadeiras
Cores verdadeiras
Cores verdadeiras
Cores verdadeiras são lindas
Como um arco-íris

Carmem começou a chorar, mas dessa vez era de emoção. A turma fez fila e um por um deu um abraço na loira. Da porta da garagem, Denise balançava a cabeça.

- Mostrar suas verdadeiras cores não adiantará, Carmem. Escreva o que eu estou dizendo. – disse bem baixo, balançando a cabeça.

Suspirando, Denise saiu de lá.

Notas finais
Gostaram? Façam review. Não gostaram? Façam review. O importante é mostrar a opinião =D
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@leocancellier