Boarding School?
23 Crazy Girl
Notas iniciais
– Katie! Katie! Conseguimos! — Connor e Miranda entram no dormitório da filha de Deméter correndo, com um pendrive em mãos. A irmã da garota tira o notebook do colo da irmã e coloca o vídeo que estava no pendrive para rodar. Uma gravação de Glossy beijando Travis e empurrando-o dentro do armário. Estava claro como água. Os dois andando lado a lado, de repente ela o puxa e joga ali. Era possível ver a porta do armário batendo com a força que o filho de Hermes socava-a tentando sair.
– Viu só? Meu irmão não traiu você! — Connor comenta contente e pula na cama da cunhada, Miranda não podia estar mais sorridente.
– Eu sei. — Responde Katie simplesmente, tirando o pendrive e voltando a ler a matéria incrível sobre plantas.
Okay. Melhor começar do início.
– Qual exatamente é o seu plano? — Connor estava realmente preocupado. Sua namorada passou o intervalo inteiro conversando com Jimmy, implorando de todas as formas que ele fizesse algo. E o pior: O Stoll foi proibido de ouvir. Já não bastava Travis o trocar pelo Draskóczy, agora sua namorada também?
– Você vai ver. Só preciso que fique quieto. — Miranda discou alguma coisa no celular e os dois fecharam a porta da escadaria onde estavam escondidos, estrategicamente ao lado da sala de detenção.
– Você vai tentar fazer a professora saiu para tirar eles de lá? — Connor perguntou quando viu a professora que estava cuidando da detenção saindo furiosa e gritando algo como "Vou chamar a diretora!", caminhando pesadamente pelo corredor.
– É lógico que não, que ridículo! Eu quero que a diretora venha aqui, claro. — O garoto arregalou os olhos apavorado.
– Eles já estão na detenção, você quer que se encrenquem ainda mais? — Estava pronto para ir lá e tomar o lugar do irmão, a professora mal os conhecia, não iria notar nada, certo?
– Eles não vão se encrencar, no máximo Jimmy, mas eu conversei com ele, está tudo bem. — Miranda não parava de mandar mensagens e Connor não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo. — Pronto, ela está vindo, corre. — Abriu a porta e saiu em disparada pelo lado oposto ao da professora. — Está com o pendrive aí? — Falou ainda correndo, deu a volta no corredor e voltou pelo corredor paralelo.
– Sim, mas pra quê? — Ele nunca fora muito inteligente, mas agora estava se sentindo completamente estúpido.
– Vamos pra direção, temos 15 minutos, Jimmy vai enrolar a diretora o máximo que conseguir, mas não podemos bobear. — Olhou para o namorado abrindo a porta com uma chave que sabe-se lá Zeus de onde surgiu. — Consegue acessar o sistema de segurança, certo? Jimmy me ensinou mais ou menos, mas não entendi tudo.
– É claro que eu sei. — Os dois entraram na sala e Connor imediatamente sentou-se na cadeira começando a teclar. Miranda conectou o pendrive e ele copiou todas as gravações da câmera H-14 da noite da festa para o pendrive, o vídeo estava sendo passado quando a garota começou a mexer nos arquivos.
– Olha! Achei o de Glossy! — Era um dos primeiros, por seu nome ser Carrie Glossy, ambas as iniciais no começo do alfabeto. Abriu a pasta curiosa e ofegou, surpresa. — Glossy não é semideusa!
– Como assim? — Connor olhava para a barra de transferência, se eles tinham 15 minutos então estavam bem, mal tinham dado 5 e a colagem estava em 45%.
– É o que diz aqui, fala o nome do seu pai e da sua mãe. Dos dois. — O garoto levantou-se, olhando por cima do ombro da namorada.
– Pode ser uma madrasta, ela disse Afrodite na aula, lembra? — Miranda balançou a cabeça e folheou mais um pouco, parando na página indicada com um carimbo "DG".
– Olhe aqui, diz que a mãe dela é semideusa, filha de Afrodite. Ela é neta de Afrodite, não filha. — Miranda caminha rapidamente até a impressora e pressiona a página contra o scanner, clicando nos botões até sair cópias de todas as folhas marcadas como "DG" e a ficha principal, indicando os nomes dos pais da garota. Harmony Glossy e Richard Glossy.
– Está pronto! — Connor grita arrancando o pendrive da máquina, fecha as janelas abertas e coloca o mouse cuidadosamente na posição onde estava antes de entrarem.
– Vamos dar o fora daqui.
Pouco antes, logo após a aula...
– Onde você vai? — Questiona Sophie à amiga, quando a vê trocando de roupa colocando calças largas e moletom.
– Detenção. — Katie suspira.
– Assim? — Comenta. — Travis não vai estar lá? E você vai... assim? — A filha de Deméter olha para sua pantalona e o blusão com a estampa do Mickey.
– Qual é o problema? Travis já me viu assim! — A filha de Afrodite rola os olhos e puxa a amiga pela mão.
– Não senhora, você tem que mostrar que está por cima! Tem que fazer ele se arrepender por ter feito o que fez! — Joga um shorts curtíssimo e blusa de renda transparente na colega. — Vai usar isso e ficar lin-da!
– Mas está frio! — Protesta.
– Por isso, vai pedir o casaco dele. — Empurra a colega para o banheiro, dando graças aos céus por Glossy estar em alguma estúpida reunião da Boarding House e não ver a cena de Katie. Viu a câmera que ela tinha e ficou surpresa (e com um pouco de inveja). Nas mãos da pessoa certa aquele zoom faria um belo estrago, e não queria dar a chance da Gardner aparecer com roupas ridículas em nenhuma página no Facebook.
– E aí. — Cumprimenta Jimmy arrastando seis cadeiras para que formasse uma cama, tira um cobertor da mochila e uma almofada e se acomoda.
– Hum... Oi. — Travis não sabia como não tinha pensado naquilo antes. Bem, tinha certeza de que teria muitas outras chances de dormir na detenção.
– Cadê sua namorada? — Pergunta o mais velho.
– Ex. — Nesse momento Katie entra, completamente linda e natural. A blusa de renda mostrava muita pele para o gosto dele, a sorte do Draskóczy é que estava praticamente embolado em cobertas e nem olhou mais que de relance para ela, se não teria que se ver com a fúria do Stoll.
– Que roupa é essa, Katherine? — Travis levantou-se furioso, arrastando a cadeira e ouviu um risinho abafado do meio-irmão, mas preferiu ignorar.
– Uma roupa, Trav, o que você acha? — A professora chega e a garota se senta, pegando um livro da bolsa e pondo-se a ler, inclinando-se sobre a mesa com a expressão concentrada que deixava Travis... Nervoso. É. É apenas nervosismo esse desconforto.
Droga, como queria beijá-la agora.
Ela deixou a caneta cair. E se inclinou na cadeira para pegar e... Meu santo Zeus, aquilo era roupa para se usar numa escola?
Virou para frente tentando não olhar mais para Katie, o que não foi difícil, já que Jimmy começou a fazer uma cena.
– EU EXIJO CHOCOLATE! — Gritou do nada, surpreendendo a todos.
– Você... O quê? — A professora estava tão confusa quanto Katie e Travis.
– EXIJO, EXIJO, EXIJO! — Jimmy gritou tanto que a professor ameaçou chamar a diretora, e ele piscou para os dois amigos e continuou a gritar no momento em que ela saiu da sala. Checou algo no celular e ainda gritava, não parando em momento algum. A diretora chegou e ele ainda ficou protestando por alguns minutos, dando um discurso emocionado sobre a importância do chocolate em nossas vidas até que foi se acalmando e finalmente voltou a se deitar.
Bizarro.
No fim da detenção Jimmy correu para os dormitórios deixando os dois a sós. Quando a filha de Deméter tentou fugir foi prensada pelo Stoll contra o armário.
– Não acha que tem muita pele e pouca roupa, Gardner? — Rosnou Travis, encarando-a enfurecido.
– Não acha que tem muito atrevimento e pouco espaço, Stoll? — Ela virou o rosto quando ele tentou beijá-la e isso o fez pressionar o nariz na curva de seu pescoço.
– Não importa o quanto você diga que terminamos, você sabe, eu sei e todos sabem que fomos feitos um para o outro. — Apertou-a ainda mais, segurando-a pela cintura. — Você sempre vai ser minha namorada. Sempre. — Mergulhou novamente na direção da garota, que aproveitou que ele segurava sua cintura para virá-lo contra o armário, fingindo que iria beijá-lo, antes de se afastar e sair correndo em disparada para o quarto.
Mais tarde, no dormitório da Katie...
– Viu só? Meu irmão não traiu você! — Connor comenta contente e pula na cama da cunhada, Miranda não podia estar mais sorridente.
– Eu sei. — Responde Katie simplesmente, tirando o pendrive e voltando a ler a matéria incrível sobre plantas.
– Como assim você sabe? Eu fiz tudo isso pra nada? — Miranda estava inconsolável, sentou na cama da irmã olhando para o nada.
– Eu não tinha certeza, mas suspeitava... Enfim. Não muda nada, não vou voltar com Travis. — Agora, quem estava indignado era Connor.
– O quê? Você tem que voltar com ele! É pra isso que fizemos tudo isso! — Não podia ter passado aquele sufoco pra no fim ser inútil, poderia?
– Vou deixar ele sofrer um pouco. Travis ainda me trata como uma criança, eu quero ser uma namorada adolescente e quero mostrar pra ele que ele não é o único garoto que pode gostar de mim. — Olhou decidida para os dois. — Ele acha que só eu posso sentir ciúmes? Sofrer por ele? Está enganado. Sophie abriu meus olhos.
– Katie, o que você... — Glossy abriu a porta interrompendo o garoto.
– Saiam daqui, fedelhos. — Tirou os sapatos e Miranda e Connor correram para fora. Katie nem deu tempo para Glossy discutir e já se deitava caindo no sono, imaginando que seu plano seria o melhor de todos.
Travis achava que fora genial com a ideia de beijá-la enquanto estavam de corpos trocados na frente de todos? Ele mal esperava para ver.
Vingança é um prato que se come frio, mas no caso de Katie, as coisas iam ficar bem quentes.
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