Blurry Memories
7 The Hungry Dragon
Notas iniciais
" — Aqila? — uma voz ao longe chamava
– Amma?Onde a senhora está? — dizia olhando em volta e andando devagar — Não consigo enxergar nada.Mã...
Uma parede de fogo se abre.
– Ah,que oportuno!A princesa de nada está de volta! — uma gargalhada estrondosa invade o local — Veio ver o papai e a mamãe morrerem de novo?Eu não sabia que o seu sadismo e frieza podiam chegar a esse ponto,querida sobrinha!
– O que?Não! — o desespero tomava conta da menina — Não,não,não,não!!!
– Tarde demais,princesa... — a voz era calma e ficava mais longe a cada palavra
Luzes se acenderam rapidamente,proporcionando uma visão mais clara do ambiente.Aqila estava de volta ao seu quarto. O cenário era o mesmo da noite em que vira seus pais serem assassinados e fora transformada naquela besta descontrolada por seu próprio tio.
– Mohammed? — ela chamou desesperada — Por favor,não!E-eu posso dar o que você quer — o nervosismo crescia pois as luzes ofuscavam sua visão ela não conseguia enxergar onde seu tio ou sua mãe estavam — Você pode ficar com a coroa do reino!Eu não a quero! Por favor,não...
– Vocês tiraram tudo de mim!Primeiro o querido Rei,quando nosso pai o escolheu para ser o sucessor,depois sua mãe,quando apresentou a pequena Aqila à todo reino e finalmente... — ele fez uma pausa e o quarto se tornou horrivelmente silencioso — VOCÊ! — e reapareceu na frente da menina,a empurrando com força contra uma parede e apertando seu pescoço com a mão;o metal frio de seu anel pressionado contra a jugular da princesa — Ouça bem,minha querida sobrinha.Eu vou tomar tudo o que você tem e até aquilo que não sabe que tem. — seus olhos tinham um brilho lunático e perverso — Eu verei a sua ruína e a sua solidão. O remorso preenchendo a sua vida pois tudo o que você ama e possui será perdido para sempre por SUA culpa!
– M-mo...ha... — ela tentava falar mas ele apertava sua garganta cada vez mais — V-você...p-p-pode... — inutilmente,ela tentou se livrar da mão do homem — f-ficar... — Aqila sentia as lágrimas rolarem por seu rosto e fechou os olhos,apertando-os a fim de tentar fazer com que elas parassem de cair — c-com a c-coroa...
Ela sentiu a pressão em seu pescoço diminuir e abriu os ollhos.Mohammed não estava mais lá.Ela enxugou as lágrimas e começou a se afastar da parede quando começou a ouvir um barulho como se uma espada estivesse se arrastando pelo chão.
– Sabe,querida sobrinha — a voz do homem se fez ouvir novamente porém mais uma vez,Aqila não conseguia ver onde ele estava — Você tem razão.Eu posso e VOU ficar com a coroa. — ela sentia a voz se aproximar — Aliás,eu já a possuo.Mas você sabe que eu gosto de pensar grande e agora o que eu quero é uma outra coroa.Mas desta vez,você vai entregá-la a mim por livre e espontânea vontade. — então de novo Aqila escutou o mesmo barulho de antes — Mas enquanto esse momento não chega,vamos saborear a minha vitória na conquista da primeira coroa.
E com um estrondo,Mohammed apareceu na frente da menina com o rei e a rainha de Agrabah caídos aos seus pés.
– Mohammed,o que você...
– Como eu havia dito antes sobrinha — ele a cortou — tarde demais!
E brandindo a espada,atravessou-a de uma só vez no peito do rei e da rainha.
– NÃO! — Aqila berrou o mais alto que pode,sentindo sua garganta queimar
– Vida longa aos reis! — Mohammed riu sadicamente
– Mãe!Pai! — a menina gritava desesperadamente,as lágrimas rolando quentes por seu rosto — Não,não,não,não!
– Você... — a rainha Munira disse com a voz falhando — é um monstro!
– Não,mãe,não! — a princesa balançava a cabeça freneticamente — Sou eu,sua filha!
– Eu... — a mulher a encarou com os olhos escuros,já quase sem vida.O sangue escorrendo pelo canto de sua boca — não tenho filhos...
– O que?Não,não,não! Você tem,tem a mim!Eu sou sua filha! — e caiu de joelhos,chorando
– Aceite,querida,você é uma renegada!Não pode escapar do destino que já foi traçado!
– NÃO!Isso é mentira!Eu,eu... — mas Aqila não conseguia mais falar
O quarto começou a se desfazer.Mais uma vez,tudo o que a menina ouvia eram as gargalhadas de seu tio e rugidos que saíam de sua boca cada vez que tentava chamar pelos pais,que agora não passavam de figuras quase transparentes.
De repente,Aqila sentiu um aperto em seu pescoço.O mesmo que sentira quando Mohammed a tentou sufocar antes.Mas agora o aperto queimava e a suspendia no ar.Ela levou as mãos ao pescoço e descobriu que uma espécie de argola a sufocava,uma argola dourada que brilhava intensamente.Tentou gritar mas cada vez que abria a boca,o aperto se intensificava.A menina sentia o ar se esvair de seus pulmões a cada segundo que se passava.
– Vida longa à Princesa de Nada! — uma gargalhada se fez ouvir novamente,porém não era a de Mohammed e sim,de uma mulher que parecia gostar do que via.
E,com isso,a argola em volta do pescoço de Aqila começou a pegar fogo.As chamas lentamente descendo e queimando as roupas e a pele da menina,que agora se transformava em escamas"
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Aqila's POV
Acordo de supetão,como se o ar estivesse sendo sugado dos meus pulmões.Me levanto bruscamente da cama,ainda com a respiração pesada e falhando.Passo as mãos pelos cabelos e me levanto indo até a janela.Abro-a e respiro fundo,voltando a mim e percebendo que aquilo tinha sido apenas um sonho.
– E que sonho... — falo para mim mesma
Percebo o silêncio na casa e olho o relógio.Eram 8:00."Será que ainda estou sonhando?Ou será que as coisas funcionam assim aqui?",penso e resolvo sair do quarto.
Descendo as escadas,confiro a sala,o hall de entrada e a cozinha.Ninguém.
– Mas o que acon... — paro de falar quando noto um papel dobrado em cima da bancada da cozinha — Isto não estava aqui antes.Ou estava? — me aproximo e o tomo em minhas mãos — Um bilhete...
"Aqila,
Não quisemos te acordar,portanto estou deixando este bilhete.Tive uma emergência na Prefeitura e saí mais cedo.Emma aproveitou e veio comigo,pois recebeu uma ligação de que alguém tentou assaltar um carro em frente à farmácia.Provavelmente quando você acordar Henry já deve ter saído para a escola.
Deixei uma muda de roupa para você na cadeira da mesa de jantar,junto com um par de botas,espero que sirvam.Como saímos apressadas,não fizemos café,então junto com as roupas,deixei dinheiro para que você possa comer alguma coisa no Granny's.
Quando chegarmos à noite,gostaria de conversar com você sobre...bem,você deve imaginar.Se precisar de algo,não hesite em me procurar.E ah,eu me dei conta esta manhã de que não me apresentei direito à você: meu nome é Regina(me desculpe por esta falha,não sei onde estava com a cabeça).
Se cuide."
Sorri ao ler a última parte,pois realmente não sabia o nome da mulher morena que me acolhera.Dobrei o bilhete novamente,fui até a mesa da sala,peguei as roupas e as botas e subi as escadas.
Aquela casa me fazia sentir bem mas também me dava arrepios,ainda mais vazia.Por conta da "tour" do dia anterior,me lembrava de onde ficava o banheiro.Antes de entrar no mesmo,não pude deixar de olhar para o outro lado do corredor.O escritório da prefeita.Um frio percorreu minha espinha ao lembrar do que havia acontecido noite passada: eu havia me transportado sabe se lá céus como.Tremi ao pensar na possibilidade de que talvez a maldição não tivesse sido quebrada e que,a qualquer momento,eu pudesse voltar a ser aquele monstro horrível.
"Não.Aqila,não pense nisso.Você não vai voltar a ser aquele dragão",pensei,tentando me encorajar,enquanto fechava os olhos,apertando-os bem,e balançava a cabeça a fim de afastar aqueles pensamentos.
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O sininho na porta da lanchonete tocou,avisando que alguém a tinha aberto.Aqila entrou e,notando que todos os olhares estavam em si,encolheu os ombros e se dirigiu até o balcão,se sentando em um dos banquinhos.Enquanto tirava seu casaco,não percebeu que alguém se aproximava.
– Oi,o que vai querer?
Aqila virou a cabeça e se deparou com uma menina sorridente que segurava uma caneta e um pequeno bloquinho.
– Hum... eu ainda não sei. — disse,com um sorriso fraco — Sou nova aqui.Algo que você me recomende?
– Claro!Me dê um minuto,vou trazer o cardápio pra você. — disse a menina,enquanto Aqila se sentava
– Prontinho,aqui está! — e sorriu,lhe entregando o cardápio
– Obrigada — Aqila sorriu e começou a correr os olhos pelo papel
A certa altura,notou que a menina ainda estava parada perto dela e a olhava sorrindo.Levantou o olhar,dando um sorriso amarelo e voltou a ler o cardápio.
– Me desculpe,mas eu tenho que perguntar isso.Você é a menina dragão,não é? — disse ela numa tacada só,deixando um suspiro escapar
A perguntou pegou Aqila de surpresa e ela encarou a menina,enquanto dobrava o cardápio involuntariamente e sua boca abria e fechava diversas vezes,procurando uma resposta.
– Hum... e-eu...
– Ai,que droga!Me desculpe,não consegui me controlar! — disse a menina,se desesperando
– Não,está tudo bem.Só me pegou de surpresa. — disse Aqila sorrindo e pousando o cardápio na mesa — Mas respondendo à sua pergunta,sim,eu sou a... menina dragão — e fez uma careta que levou as duas a rirem e se olharem por alguns segundos
– Ah,que cabeça a minha!Não me apresentei — disse a menina de cabelos castanhos e mechas vermelhas — Eu sou a Ruby — e estendeu a mão
– Aqila — e apertou a mão da outra,sorrindo
– RUBY! — alguém gritou,cortando o momento das duas garotas e fazendo com que elas soltassem as mãos — Quantas vezes eu já te falei que não é pra você parar e conversar com qualquer um que entra!Eu me mato de trabalhar pra que fique de papo com todos os clien... — a senhora para de falar quando vê Aqila — Ah,é você...
– Sim,sou..eu.. — Aqila responde confusa — Me desculpe,nós nos conhecemos?
– Sim.Eu te atingi com uma flecha e em troca você me jogou pra longe com a sua cauda e acabou com a minha coluna. — a senhora disse séria mas logo deu uma gargalhada — Estou brincando,querida.Eu sei que você não fez por querer.A propósito,como está se sentindo?
– Bem,eu acho... — e deu um sorriso fraco.Por que todos naquela cidade tinham que lembrá-la daquilo todo o tempo?
– Espera,você não me contou que estava "na frente de batalha". — disse Ruby se voltando para a senhora
– E você não me contou que ainda não tinha se livrado desse guarda-roupa antigo. — a senhora disse apontando para as roupas dela e arqueando uma sobrancelha
– As outras roupas estavam lavando,ok?Está frio e elas não secam tão rápido assim
– Hum... olha,se eu estiver interrompendo,posso voltar outra hora para comer... — Aqila estava ficando desconfortável
– Mas o que é isso,querida!A lanchonete fica aberta para atender a todos os clientes,você vai ficar e comer sim!Deve estar faminta — a senhora sorriu calorosamente — Ah,eu ainda não sei o seu nome
– É Aqila,vovó — Ruby disparou,deixando Granny e Aqila chocadas
– Wow,você acabou de ganhar o especial da casa — Granny disse rindo e resolveu explciar quando viu que Aqila não havia entendido — Ruby leva tempo para decorar o nome das pessoas,é um defeito que tem desde pequena — e deu uma cotovelada de leve na cintura da neta,levando uma bronca desta — Ela pode ser boa em decorar cheiros mas nomes... — Ruby arregalou os olhos e corou
– Vovó! — esbravejou a menina,arrancando uma risada de Aqila
– O que?É verdade! — disse Granny,rindo novamente- Bem,agora se me dão licença esses pedidos não vão se fazer sozinhos.Espero que goste da comida e bem-vinda à Storybrooke,Aqila. — e quando estava se dirigindo para cozinha,se virou novamente — Ruby — a neta demorou a olhar para ela,pois ainda estava "ajudando" Aqila a escolher o que pedir — Ruby!
– O que?! — a menina a olhou,impaciente
– Volte ao trabalho!
Ruby revirou os olhos e suspirou,acenando com a cabeça.
– Então,vamos ver se eu entendi. — se voltou de novo para Aqila — Serão 4 hambúrgueres,3 refrigerantes grandes e 2 porções de fritas?
– E um...como se chama mesmo aquilo com chocolate?
– Sundae
– Isso! — Aqila disse,sorridente — Um sundae grande de chocolate!
– Wow,você deixou o dragão mas o dragão não deixou você,hein! — e gargalhou,enquanto anotava o pedido no bloquinho — Ok,anotado.Eu já trago! — e,recolhendo o cardápio,sorriu mais uma vez e saiu
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O sininho da porta da lanchonete tocou mais uma vez e logo passos se fizeram ouvir.
– Wow!Tá brincando que isso tudo é pra você?! — uma voz perguntou,fazendo Aqila se virar
– Hum hum,humhum — ela respondeu
– Eu acho melhor você engolir antes e depois tentar falar — Henry disse comprimindo uma risada mas logo arregalou os olhos e sua boca "congelou" aberta quando seu queixo caiu,ao ver Aqila engolindo em pedaço enorme do que parecia ser um hambúrguer — Wow,wow,wow!Como fez isso?!
– Sinceramente,eu não quero saber. — disse a menina surpresa,enquanto levava a mão ao pescoço — Droga,não posso mais engolir tudo de uma vez só
– Não,não.Claramente você pode — disse Henry,rindo e colocando a mochila em cima do balcão,enquanto se sentava ao lado dela
Aqila conferiu o relógio na parede da lanconhete
– Não era pra você estar na escola ou algo do tipo? — disse confusa
– A última aula não era importante e eu não consegui me concentrar o dia inteiro pensando no que você fez ontem.Quero dizer,nós devíamos sair.Ir pr floresta e ver se consegue fazer de novo — ele disse entusiasmado
– Wow,vai devagar,garoto.Aquilo deve ter sido um efeito colateral da maldição,algo que aconteceu por acaso. — disse bebericando seu terceiro refrigerante
– Pois eu não acredito nisso.Deveríamos falar com a minha mãe ou com a Emma.Elas duas têm mágica e podem te ajudar!Se contarmos a elas,vão entender e quem sabe descobrir o que foi aquilo e se foi realmente a maldição que causou ou se é algo que está em você. — ele disse quase sem respirar
– Ei,ei!! — ela o interrompeu — Não vamos contar à ninguém sobre o que aconteceu,muito menos à sua mãe ou à loira...
– Emma — o menino corrigiu
– Isso,Emma.Ela me odeia,eu percebi isso.Se souber do que aconteceu,vai me expulsar da casa de vocês e brigar com a sua mãe pela eternidade
– Ei,ela não é assim. — Henry protestou — Ela só ficou...você sabe...um pouco...
– Com medo do monstro? — Aqila completou com um riso sarcástico,enquanto abocanhava mais um hambúrguer
– Não!Você sabe que não foi que eu quis dizer — o garoto tentou se explicar — Ela só...leva um tempo pra confiar nas pessoas e bem,como você era um dragão,ela ficou meio... — Aqila agora o encarava arqueando uma sobrancelha — Ok,ok,ela ficou com medo!Satisfeita agora? — ele disse,suspirando
– Bem melhor! — ela sorriu e morde outro pedaço da comida
– Vamos deixar isso de lado — ele disse — Meu ponto é...
– Ei,Henry!Como vai? — disse Ruby voltando ao balcão trazendo o sundae de Aqila — Aqui está,seu sundae! — ela sorriu — Como está a comida?
Aqila não conseguiu responder.Ao invés disso,arregalou os olhos,deixou o hambúrguer cair na mesa e começou a apontar para o próprio pescoço.
– Aqila?! — disseram Ruby e Henry em tom uníssono
– Aqila,você está bem? — Ruby saiu detrás do balcão e colocou a mão em seu ombro — Aqila?
– Eu acho que ela se engasgou,Ruby! — Henry disse apavorado
– E o que fazemos agora?!
– E-eu não sei!
Aqila agora tentava sugar o ar desesperadamente e apertava seu pescoço.Ruby arregalou os olhos e estalou os dedos.
– Já sei! — e se colocou atrás de Aqila,envolvendo a cintura da menina com os braços — Calma Aqila,eu vou e ajudar
– Você já fez isso alguma vez antes? — Henry disse nervoso
– Não mas eu sempre quis! — Ruby disse soltando um suspiro,no qual Henry jurou ter sentido uma ponta de satisfação e felicidade,e cerrou os punhos na direção do estômago de Aqila — Aqila,se não der certo e por acaso eu te matar,se lembre que eu...eu... — ela não sabia direito o que falar — Bem,que eu fui muito legal com você,ok?
Aqila arregalou os olhos com aquilo.Ela obviamente não queria morrer!Mas quando ia colocar uma das mãos no braço de Ruby para indicar que parasse,a morena comprimiu seu estômago com força fazendo com que cuspisse longe um pedaço de hambúrguer carbozinado.
Sim,carbonizado pois Aqila não só cuspiu o pedaço mas como também uma labareda de fogo que acabou queimando metade de seu lanche a máquina de café do Granny's.
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