Blue Hell - 3ª Temporada.
15 Una Muerte Bienvenida.
Notas iniciais
Uma morte não significa o fim da vida, mas sim o inicio da eternidade.
Abri os olhos lentamente. Afrodite me olhava assustada.
– Então... eu não morri ainda? – perguntei.
– Ainda não. – Ela apertou minha mão e uma lágrima escorreu de seu olho direito. – Apolo conseguiu fazer com que vivesse para se despedir.
– Agradeça ao sol maior por mim. – Sorri.
– Cadê ele? – Poseidon entrou no quarto e me olhou diretamente. – Filho?
Afrodite se afastou e Poseidon se ajoelhou ao meu lado.
– E ai. – Sorri. Poseidon me encarava triste. – Qual é? Vocês estão mesmo tristes com a morte de um mortal?
– Você é mais que um mortal – ele disse. Poseidon materializou um colar em sua mão direita. A corrente era de ferro, mas o pingente na ponta era uma coruja levantando voou ao lado com um tridente na boca. – Você é um herói. E heróis nunca morrem.
Poseidon colocou o colar em mim.
– Bem, esqueceram de me avisar isso.
Poseidon sorriu e beijou minha testa.
– Você cresceu, garoto.
Sorri e estiquei o punho fechado.
– Você continua o mesmo velho de sempre, pai.
Poseidon bateu no meu punho e se afastou.
– Você riria de si mesmo se soubesse o quão patético você está nesse momento – Julliana disse me olhando. Ela sorriu. – Então é assim que acaba?
– É o que parece – eu disse. Julliana me abraçou. – Juh, heróis não podem chorar.
– Eles podem quando estão morrendo.
– Eu não quero chorar. – Afastei Juh e sorri. – Tome cuidado, Juba.
– Juba? – Juh sorriu. – Você não me chama assim desde a quinta série.
– Eu sei.
Juh se afastou e Beatriz me olhou com os olhos lacrimejando. Ela correu e me abraçou. As lágrimas dela pingavam nos meus ombros. Beijei sua testa e chorei junto com minha irmã.
– Fique longe de encrencas – sussurrei.
– Fique longe daquelas mortas safadas – ela sussurrou de volta e nós sorrimos. – Eu te amo, irmão.
– Eu também. – Ela me abraçou mais forte.
Bia me soltou depois de alguns segundos e ficou ao lado de Juh. Jack me olhou e se aproximou cautelosamente.
– Então... você tá morrendo, não é? – ele disse meio desengonçado. – Não faz muito tempo que eu te conheço, mas...
– Jack, deixe o discurso para o funeral – murmurei. Jack assentiu. – Cara, eu tenho que agradecer por matar o Mors. Eu sei que foi difícil para você, claro, apesar de tudo, ele era seu pai.
– Ele fez o próprio destino.
– Claro. – Sorri. – Uma última coisa, cuide bem da minha irmã. Ou eu puxo seu pé.
Jack riu e assentiu com a cabeça. Afastou-se e Afrodite ficou ao meu lado novamente.
– Você está pronto? – ela perguntou. Tentava esconder a tristeza. Devo dizer, ela era boa, se não fosse pela lágrima que escorria em seu rosto, eu acharia que ela estava reagindo com completa indiferença. – Apolo disse que seu tempo acabou.
– Eu não tenho escolha. – Sorri. – Você vai ficar bem?
– Eu não tenho escolha – ela respondeu. Limpou a lágrima e me beijou. – O Elísio o aguarda, meu herói.
– Não se esqueça de mim – sussurrei.
– Nunca.
Fechei os olhos e senti a vida deixar meu corpo. Então, enquanto eu morria, eu notei duas coisas:
A) A morte não tão ruim quanto dizem. Ela é até agradável, quando a vida te deixa, você sente um alívio e é como se tudo estivesse bem, pelo menos, por alguns segundos.
B) Tudo está destinado a acabar. Do mesmo jeito que o reinado dos titãs acabou, o dos deuses acabará. E Mors não foi apenas um vilão qualquer, ele foi um vilão que chegou para provar que tudo acaba. O deus dos mares orientais chegou para provar que tudo tem fim, e ele foi o fim da raça humana. Mas, Mors não foi e nem será o último a atacar os deuses.
Meu nome é Caio, eu tenho dezoito anos, e essa é a história de como eu morri. Não. Essa é a história de como eu alcancei a imortalidade.
FIM
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