Blue Eyes
2 Alice? Deus,eu dormi por quanto tempo?
Notas iniciais
Bobby não soube dizer quanto tempo ficou ali. Apenas parado,quase estático,observando o fogo consumir o corpo que pertencerá a Elena. As chamas eram altas demais e o calor quase insurportável,Bobby conseguia sentir pequenas bolhas nascerem em seus braços mas era a única sensação que chegava a ele. A noite se iluminava e as cinzas que subiam da enorme fogueira que cuidadosamente fizerá levava a essência de Elena para as estrelas,para o céu,ele esperava.
Ela forá uma boa mulher,uma boa caçadora,não merecia nada menos do que o paraíso,a paz enfim teria de alcança-la.
Bobby se deu conta,em algum momento entre observar as chamas e apertar a corrente que tirará do pescoço de Elena antes de crema-la,que a vida era um jogo sem regras e no primeiro erro cometido o castigo era a morte. Não havia justiça ou beleza, a vida era curta e cruel demais. Não havia paz,nem mesmo esperança;era simplesmente um jogo de sobrevivência,onde o mais forte sem triunfava sobre o mais fraco;por um segundo e somente por um segundo ele ficou feliz por Elena estar livre daquele mundo podre e fadado ao fracasso. O fogo já não era mais a sua prisão,as chamas que a consumiam eram a sua liberdade. Neste curto segundo,Bobby a invejou.
Mas o segundo passou,os milésimos de alivio levados pelo vento cortante que só era atenuado pelo calor da fogueira. Elena estava morta. Repetiu aquela frase em pensamento,tentando achar algum sentido,qualquer coisa que não fosse o vazio em seu peito.
Bobby nunca tiverá realmente uma família,as lembranças que possuía dos pais eram escuras,nebulosas,como se tivessem acontecido em outra vida,depois da morte cruel de sua esposa,ele aprendeu a valorizar ainda mais os bons amigos,porque afinal,dali para frente,eles eram sua única família.
Os meninos,Elena...eles eram sua ancora,e naquela noite Bobby se sentiu afundar ligeiramente.
Se Bobby acreditasse em carma e ele se esforçava para não acreditar,diria que perder as pessoas era o seu. Destino era uma palavra extremamente delicada mas ele sabia que as sinas se interligavam em uma teia complexa. Elena sempre dizia que o destino era aquilo que vivíamos para buscar ou que lutávamos para mudar.E ele sempre acreditou nela. Elena tinha uma maneira estranha de convencer as pessoas ao seu redor,sua voz sempre tão confiante parecia levar a razão em sua melodia. Elena era uma criatura em um milhão.
Bobby respirou fundo virando as costas para o fogo,sussurou um último adeus e levou a corrente ao coração. Iria atrás de Alice. Cumpriria sua promessa,protegeria a filha de sua fibrosa irmã. Ele faria isso,jurou a si mesmo,naquele momento,que acharia Alice e manteria segura do quer que fosse atrás dela.
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No conforto de seu carro,com o coração batendo acelerado e o suor frio escorrendo de sua testa,Bobby tentou se concentrar. Sim,ele perderá Elena mas agora o dever o chamava,tinha que cumprir sua última promessa a ela. Tinha que manter o controle.
Ele sabia que Alice estudava na universidade federal do estado,Elena lhe contará isso com um orgulho latejante e sabia que ao lado da faculdade crescia um bairro universitário,Bobby já resolverá um caso lá. Um fantasma com sede de vingança levado por um objeto amaldiçoado que pertencerá a ele,um caso simples e rápido, Bobby não tiverá tempo nem interesse para vasculhar o bairro então teria certa dificuldade em encontrar o que queria.
Ligou o carro e dirigiu mecanicamente pelo caminho que conhecia,não era longe mas ele estava perdido em pensamentos. Muita coisa acontecerá em uma única noite e muita coisa aconteceria em um único dia. Bobby estava com medo. Ele não via Alice desde que ela tinha seis anos de idade e não sabia como ela reagiria a tudo aquilo. Sua mãe morta,o idiota perdido indo atrás dela e a mudança repentina e drástica em sua vida que,mesmo Bobby lamentando,teria de acontecer. Não se pode fugir de algo que não se conhecesse.
Ele estacionou o carro da melhor maneira que pode mas não se importou muito com a provável multa que receberia no fim do mês,ele nunca as pagava de qualquer jeito.
Ele sabia que ela estava ali,de alguma maneira sabia que Alice estava perto,palpavelmente perto.
A imagem da garotinha brincalhona e curiosa que ele tanto adorava encheu sua mente e a voz aguda dela o chamando de ''titio'' como costumava fazer fez um novo jato de adrenalina o percorrer.
Bobby se encolheu atrás do arbustos e sentiu suas costas doerem,praguejou em silencio,desejando que Dean ou Sam estivessem ali para ajuda-lo.
Observou cuidadosamente as duas jovens sentadas no banquinho ornamentado do jardim,a escuridão da noite não o permitia ter uma visão privilegiada mas ele percebeu que uma delas chorava,agarrada ao ombro da outra,se abaixou mais,se arrastando para um arbusto mais perto das duas,desejando veementemente seus 20 anos de volta.
_ Alice...olha minha flor,eu não faço idéia do que dizer...eu realmente sinto muito...não consegue mesmo falar com sua mãe? Olha eu tenho certeza de que amanhã tudo vai estar melhor,você vai conseguir falar com ela e verá que essa sensação ruim não é nada demais... nem aqueles seus pesadelos horriveis...eu juro — a garota sussurou,acariciando os cabelos de Alice,sua voz era baixa,calma como se tentasse acalentar uma irmã mais nova e querida.
Deus, ela havia sentido. Bobby ficou surpreso ao ouvir sobre os pressentimentos e os pesadelos,ficou surpreso ao notar que no fundo,Alice já sabia que algo de muito errado estava acontecendo.
Se sentindo quase bobo,se ergueu do arbusto e se aproximou sorrateiramente das jovens,quase com receio chamou:
_ Alice? — sua voz tremeu e ele pigarreou para manter-se firme,o choro baixo,doloroso cessou lentamente e ela ergueu o rosto.
Bobby ficou sem palavras. Quando depositou o corpo sem vida de Elena no chão se deu conta que jamais veria aqueles olhos tão explendidos brilhando novamente,que a morte tinha vencido e que com aquele castigo ele teria de lidar.
Mas ali estava eles...Aquelas íris incriveis,de um azul escuro,safira,desafiador e cauteloso mas tão abertos e doces o fitando com lagrimas de apertar o coração até dos homens que já haviam desistido de ter um. Alice Jones tinha exatamente os mesmos olhos que a mãe. A mesma cor e formato. E Bobby se sentiu presentiado com a possibilidade de ao menos não ter perdido aqueles olhos. Poderia ver sua brava irmã refeltido neles.
_ Bobby? — Alice sussurou,entre chocada e assustada. _ Ah meu Deus...
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