Bloodshot Eyes

10 The Secret Origin of Felicity Smoak


Notas iniciais
Olás, voltei! Primeiro de tudo eu gostaria de saber se vocês estão bem e estão seguindo as recomendações do ministério da saúde. Segundo, muito obrigada a todo mundo que continua firme e forte por aqui e aos leitores novos que chegaram sejam bem-vindos. Esse capítulo deu um trabalhão para escrever e eu acho que ainda não ficou do jeito que eu queria, mas espero que vocês gostem. Tenham uma boa leitura!

Life isn't always what you think it'd be

(A vida nem sempre é o que você acha que seria)

Turn your head for one second and the tables turn

(Vire a cabeça por um segundo e as mesa viram)

I'm So Sorry — Imagine Dragons

Las Vegas, 23 anos antes…

Era uma sexta-feira como outra qualquer. Donna Smoak se preparava para passar a noite toda andando pelo cassino do hotel servindo bebidas caras para homens em ternos que valiam mais que sua casa e mulheres que sustentavam jóias tão brilhantes que ela tinha medo de olhar por muito tempo e acabar perdendo a visão. O salão estava cheio, havia tantos zeros naquelas contas bancárias que fazia com que Donna e seus colegas garçons e garçonetes temessem cometer qualquer erro, por menor que fosse.

Donna estava de costas para o salão esperando que o barman terminasse as bebidas da mesa em que três dos mais antigos clientes do cassino estavam quando sentiu a atmosfera mudar. Foi inevitável não se virar para olhar. Pelas grandes portas do cassino entrava um homem alto e forte trajando um smoking perfeitamente alinhado acompanhado por dois seguranças.

Ela não sabia dizer se ele era bonito, mas era extremamente atraente e exalava perigo. Donna teve certeza disso ao vê-lo se dirigir a mesa em que Anatoly Knyazev e seus dois “sócios” estavam. Ela não era boba, sabia bem que tipo de negócios Knyazev tinha com os homens que o acompanhavam. O que ela não conseguia entender era como homens como e porquê Robert Queen e Malcolm Merlyn tinham se envolvido com a máfia russa.

Kurt, o barman, chamou a atenção de Donna. As bebidas que ela havia ordenado estavam prontas para serem levadas até seus donos. Ela se aproximou da mesa sob o olhar atento dos homens que lá estavam.

— Suas bebidas senhores. — Ela anunciou colocando os copos sobre a mesa.

— Obrigado, Drica — Anatoly agradeceu, chamando-a pelo seu nome fantasia.

Todos os funcionários do cassino tinham usavam nomes falsos por motivos de segurança. Aquele lugar era frequentado por todo tipo de gente e a última coisa que eles precisavam era que suas verdadeiras identidades estivesse exposta.

— Seu amigo gostaria de pedir alguma coisa? — Donna questionou se virando para o homem que os acompanhava.

— Sua companhia, talvez?

O tom sugestivo que ele usou não passou despercebido por ela, bem como o sotaque russo que ele também ostentava. Donna pensou em responder, mas conhecendo os demais homens da mesa ela preferiu sorrir amarelo e ignorar a fala dele.

— Ele não vai querer nada, Drica. — Anatoly avisou. — Nossa conversa será rápida, não precisa se incomodar.

— Como quiser, com licença.

Donna se afastou da mesa rapidamente e voltou para o bar. Enquanto servia os outros clientes vez ou outra seus olhos se dirigiam até a mesa dos russos e ela percebeu que Anatoly estava errado a conversa não parecia ser rápida. E na opinião dela estava longe de ser amistosa. Com o passar do tempo o salão ia ficando vazio. Mas os homens sentados à mesa do russo continuavam lá. Os ânimos pareciam mais calmos com o passar do tempo, mas a tensão entre eles podia ser sentida a quilômetros de distância.

Após mais algumas longas horas, Donna viu Anatoly e seus homens levantarem e andarem em direção a saída. Em seguida, foi a vez do misterioso acompanhante deles que antes de sair do salão dirigiu um longo olhar em sua direção. A jovem rolou os olhos, já estava acostumada com os clientes confundindo propositalmente sua educação e profissionalismo com interesse. Aquele homem não seria diferente.

Depois de ajudar, Kurt e os outros garçons a limpar e fechar o local, Donna finalmente podia ir para casa. Ela andava tranquilamente pela calçada rumo ao ponto de ônibus quando sentiu que estava sendo seguida. A loira apertou o passo e tentou não olhar para trás, mas quando um grande e luxuoso carro parou ao seu lado suas pernas congelaram no mesmo instante.

Sabendo que não conseguiria sair dali, a jovem se virou para encarar o veículo e quem estava dentro dele. O vidro do banco de trás baixou lentamente exibindo um homem loiro usando óculos escuros. Donna o reconheceu na hora como o homem que estava na mesa de Anatoly. Ele abriu a porta do carro e desceu, andando em direção a loira que ficou ainda mais preocupada com a situação.

— Eu a assustei? — Perguntou ele assim que se viu diante dela. — Não era a intenção.

De perto o homem parecia ainda mais perigoso, seus músculos eram evidenciados pela camisa justa ao corpo e ele era incrivelmente alto. Embora seus olhos estivessem ocultos pelos óculos, sua expressão facial demonstrava que ele estava se divertindo com a situação.

— Olhe senhor, o meu turno já acabou se não importa eu estou indo para casa. — Donna foi firme em sua resposta. Agora ela estava no meio da rua cercada por pessoas que certamente a ajudariam caso ele tentasse alguma coisa.

— Eu gostaria de pedir desculpas por aquele momento no cassino. — O homem falou encarando os olhos azuis de Donna por trás das lentes escuras. — Não era minha intenção ofendê-la ou constrangê-la.

— Está tudo bem, senhor. — Donna fez questão de garantir, pensando que se livraria da presença dele mais rápido dessa maneira. — O que passou, passou.

— Por favor, não me chame de senhor. — Ele retirou os óculos de maneira teatral. — Konstantin Kovar.

Donna encarou a mão que o homem estendia em sua direção com desconfiança.

— Por favor, eu apenas quero me redimir pelo meu comportamento no cassino — insistiu o homem a encarando.

Dando-se por vencida, Donna relutantemente levou sua mão até a dele. Os longos dedos de Konstantin rodearam a pequena mão dela que tremia involuntariamente e a levou até sua boca depositando um singelo beijo em seu dorso. Ela sorriu constrangida, não sabia muito bem o que estava acontecendo, mas torcia para que acabasse logo.

— Eu gostaria muito de conhecê-la melhor, Drica. — Konstantin anunciou fazendo Donna engolir seco. — Mas se você não quiser, eu entenderei. Apenas saiba que quando eu aparecer naquele cassino não será por conta dos jogos e sim por sua causa.

Konstantin se afastou da jovem e voltou para o carro. Donna não seria capaz de dizer por quanto tempo ficou imóvel na calçada e muito menos o que tinha acabado de acontecer. Ela não era burra, sabia que o interesse repentino de Kovar por ela deveria ter algum motivo secreto. Mas ao mesmo tempo não conseguia pensar em nada que envolvesse sua vida que seria de interesse do homem. Ela torcia para que ele nunca mais aparecesse em sua vida. Contudo, tinha certeza de que o veria novamente, mais cedo do que gostaria.

Anatoly e seus amigos tinham sumido novamente, era algo que sempre acontecia, mas Konstantin Kovar continuava aparecendo. Todas as noites no mesmo horário, lá estava ele de volta ao cassino. Era difícil não notá-lo, ele parecia gostar de chamar a atenção. Além disso, sempre que tinha a oportunidade ele falava com Donna. Fazia elogios e se oferecia para pagar uma bebida a ela.

Depois de um mês resistindo às investidas cada vez menos sutis do homem, Donna finalmente aceitou tomar uma bebida com ele. Ela não podia dizer que se arrependeu, Konstantin Kovar era um homem extremamente inteligente e conversava de maneira extremamente envolvente. Ele ainda a chamava de Drica e ela não pretendia mudar isso tão cedo. Donna não se lembrava de quando exatamente ela cedeu de vez ao charme daquele homem misterioso, mas lembrava-se de acordar na cama dele em uma manhã e ouvi-lo ao telefone.

Ela sabia que ele provavelmente estivesse envolvido com os negócios da máfia, ela só não esperava que ele a envolvesse naquela bagunça.

— Infelizmente a vagabunda não tinha nenhuma informação sobre Anatoly, estávamos enganados. — Donna sentiu o estômago embrulhar, finalmente havia entendido de onde havia surgido o interesse de Kovar por ela. — Mas não foi uma noite perdida, nós tivemos uma boa foda. — Ele riu satisfeito. — De qualquer forma, nosso plano continua válido. Vamos atacar Anatoly e seus bichinhos de estimação americanos hoje a noite quando eles voltarem para o hotel onde pensam que estão escondidos de nós.

Kovar desligou o telefone e Donna voltou a fingir que dormia. Ela ouviu quando ele rabiscou alguma coisa num pedaço de papel e depois saiu pela porta. Esperou alguns minutos para se certificar de que ele tinha mesmo ido embora e abriu os olhos. Ela se virou para o lado e pegou o papel que estava na mesinha de canto.

“Devolva a chave quando sair e não espere uma ligação. Foi uma perda de tempo.”

Embora sempre soubesse que ele esperava lucrar algo ao se envolver com ela, Donna não conseguia evitar a sensação de ter sido usada. Mas se Konstantin achava que iria ficar por isso mesmo, ele estava errado.

Ela se levantou da cama enrolada no lençol e seguiu para o banheiro. Depois de ter tomado o banho mais longo da sua vida, Donna pegou suas coisas e o bilhete que ele havia escrito e saiu do quarto. Ela já sabia o que tinha que fazer.

Quando Anatoly e os outros entraram no cassino naquela noite, Donna serviu a eles mais do que suas habituais bebidas. Ela entregou o bilhete que Kovar havia deixado no quarto e uma carta que ela havia escrito contando tudo o que ouviu naquela ligação. Ela não sabia o que aquilo significava, mas pode notar que a expressão de Anatoly mudou quando leu as palavras que ela tinha colocado no papel. O russo a chamou para a mesa novamente e ela se aproximou tentando parecer calma.

— Então Kovar achava que você tinha alguma ligação comigo? — ele perguntou.

— Sim, senhor — Donna respondeu.

— Kovar não sabe o básico de como funciona o negócio e quer comandar a Bratva. — Robert Queen riu bebendo seu whisky.

— Você sabe muitas coisas sobre nós, Drica — Anatoly continuou. — Pergunto-me o porquê de não ter dito.

— Sabe com quantos homens eu tenho que lidar diariamente nesse cassino? — Donna questionou os três homens à mesa que permaneceram em silêncio. — Vários. E sabe quantos deles não me fizeram propostas nojentas e me viram como uma pessoa? — Novamente ela não obteve resposta. — Os que estão sentados nessa mesa. Eu não ligo para o motivo que levou vocês a me tratarem com o mínimo de educação e respeito, a única coisa que me importa é que vocês fizeram isso.

— Gosto da forma como você pensa — Anatoly riu. — Um brinde a Donna Smoak, o membro honorário mais valioso da Bratva.

Donna encarou o russo com espanto, nunca havia dito seu nome a ele ou a qualquer outro da mesa.

— Você sabe muito sobre nós, e nós sabemos muito sobre você — Malcolm esclareceu. — Mas não se preocupe seu segredo está a salvo conosco.

Levou alguns meses para que Anatoly e os outros estivessem de volta ao cassino. Donna nunca soube como Anatoly lidou com Konstantin. Ou se ele sabia que havia sido ela quem o tinha dedurado. Mas sabia que ele ainda estava vivo e por aí. E isso a preocupava. Não porque ela tinha medo do que ele era capaz de fazer com ela, mas porque agora não se tratava apenas da sua vida.

Donna havia descoberto a gravidez quase um mês depois de toda aquela confusão. Ela não sabia muito bem o que fazer ou como iria criar um filho, mas sabia que aquela criança iria mudar sua vida para sempre e estava feliz por isso.

— Imagino que Kovar não saiba que vai ser pai. — Robert se aproximou do balcão onde Donna estava. — Eu tive uma grávida em casa, sou capaz de reconhecer outra em qualquer lugar.

— Não quero que o meu bebê tenha contato com aquele homem. — Donna garantiu.

— Não se preocupe com isso, Anatoly vai garantir que ele fique longe.

— Como?

— Nós temos contatos em todos os lugares — Malcolm se aproximou dos dois ao lado de Anatoly. — Acredite em mim, você e seu bebê estarão seguros.

— O que querem em troca?

— Digamos apenas que eu estou devolvendo o favor, afinal você salvou a minha vida. — O russo contou. — Nada mais justo que eu proteger a sua.

***

Felicity Smoak

Ele disse que me achava adorável. O que diabos isso deveria significar?

Por que ele tinha que me encarar daquele jeito com seus brilhantes e poderosos olhos azuis? Por que ele estava agindo como se eu fosse a coisa mais interessante que ele tinha visto na face da Terra quando eu estava contando os momentos mais embaraçosos e humilhantes da minha vida? Por que eu não podia simplesmente manter a minha boca fechada? Por que eu não conseguia pensar em algo mais inteligente para dizer que a porcaria de um “obrigada”?

E se eu estivesse fazendo de novo? E se ele estivesse ouvindo meu lamurio interno? Eu estava me metendo em problemas mais uma vez? Era tão difícil assim a minha mente controlar as palavras que iriam sair da minha boca?

Felizmente eu fui salva pelo gongo. Não pelo gongo, mas pelo meu celular que resolveu tocar naquele momento. Eu não sabia quem era, mas agradeci a pessoa e pedi aos céus que ela tivesse bastante saúde, pois tinha acabado de me livrar de mais um vexame monumental.

Talvez fosse Alena, o que seria no mínimo estranho, já que eu havia mandado uma mensagem a ela no caminho até a pizzaria. Eu a conhecia bem o suficiente para saber que se eu não comunicasse a ela que tinha arrumado outra carona, ela iria se preocupar e acabaria ligando para a polícia e para os jornais. É claro que em minha mensagem eu omiti o fato de que a carona em questão era Oliver, o nosso chefe pouco atraente.

Minha mão avançou até o aparelho. Eu estava pronta para rejeitar a chamada e enviar outra mensagem a Alena, pedindo novamente que ela não se preocupasse e avisando que logo estaria em casa. Antes que eu pudesse seguir com meu plano, o nome e a foto de minha mãe reluziram na tela.

Dizer que mil e uma suposições se instauraram no meu cérebro era o mesmo que blasfemar, principalmente porque minha mãe nunca ligava do seu próprio celular. Ela era péssima com a tecnologia e usava o telefone fixo do trabalho dela para me ligar quando eu não o fazia. Haviam tantas razões que tornavam a situação estranha que eu tinha até medo de aceitar aquela chamada. Afinal, já estava óbvio que nada de bom viria de Donna Smoak aquela hora da noite.

Eu não tinha a menor intenção de compartilhar a verdade com Oliver. Era melhor manter certas partes da minha vida longe dele, principalmente as partes que envolviam a minha família. Ergui meus olhos em direção aos dele e sussurrei rapidamente o nome de Alena saindo da mesa para atender o telefone. Eu não era uma grande fã de mentiras, principalmente porque eu sempre me perdia nas histórias inventadas e acabava piorando a situação. Mas, em situações como essa eu preferia recorrer a elas.

Passei pelo garçom que nos atendera e perguntei a ele se eu poderia ir até os fundos para falar ao telefone com privacidade. Ele permitiu a minha saída e eu segui para trás da pizzaria. Estava escuro e a única luz que tinha no local vinha do poste do outro lado da rua. Por sorte aquele era um terreno cercado por muros, do contrário eu jamais ficaria sozinha ali. Levando o aparelho até a orelha, suspirei pesadamente antes de atender a ligação:

— Alô? — Minha voz vacilou antes mesmo de ouvir o que minha mãe tinha pra dizer. Era instintivo, quase como um mecanismo de defesa.

Felicity, filha, porque demorou tanto para atender? Estava ficando preocupada. — Donna Smoak não era uma mãe convencional, mas isso não a impedia de agir como uma em determinadas situações. E aquela situação, fosse ela qual fosse, era definitivamente uma delas.

— Eu estava em uma reunião, mãe. — Mais uma mentira em menos de 5 minutos, eu estava me superando.

Ah, tudo bem então. — A voz de minha mãe demonstrava que algo muito sério tinha acontecido.

— O que houve? — Perguntei, mesmo temendo a resposta.

Seu pai esteve em Star City hoje. — Contou ela com pesar.

— Ele não é o meu pai. — Respondi entre dentes, sentindo a raiva de anos voltar de uma só vez.

Era verdade, eu nunca tinha o visto e sequer sabia o nome dele. Tudo o que eu precisava saber era que ele era um homem muito ruim e que usou a minha mãe para tentar prejudicar outra pessoa. Todas as vezes que eu lembrava que um dia eu já quis conhecê-lo eu sentia vergonha de mim mesma. A única família que me importava era minha mãe. Depois de tudo o que ela teve que passar para me criar, o mínimo que eu podia fazer por ela era ignorar completamente a existência do homem que nunca se preocupou em saber se estávamos vivas.

Pensei que ele tinha entrado em contato com você. — Ela continuou, ignorando completamente o meu protesto diante do modo como ela havia chamado aquele sujeito.

— Ele não fez isso durante 23 anos, porque faria agora? — Questionei. — Aliás, a senhora sempre disse que ele não sabia que eu existia. Se a senhora não contou quem iria contar?

Eu não sei, Felicity. — Ela pareceu irritada. — Apenas me prometa que vai se manter longe dele.

— Não preciso prometer isso, a senhora sabe que a única coisa que eu quero daquele homem é distância.

Eu sei, mas tome cuidado. — Eu a ouvi suspirar do outro lado da linha e sua voz tremeu ao dizer: — Ele é perigoso.

— Sei disso, mãe. Não precisa se preocupar.

É claro que eu me preocupo, sou sua mãe. — Retrucou ela num tom irritadiço. — E com você morando há quilômetros de distância de mim, minha preocupação só aumenta.

— Já disse que a senhora deveria vir para Star City e morar comigo.

E tirar sua liberdade? De jeito algum!

Desde a minha adolescência, minha mãe sempre foi a maior defensora da minha liberdade, mesmo que eu a usasse principalmente para ficar trancada no quarto desmontando computadores e outros eletrônicos. Não era de surpreender que ela jamais aceitaria a proposta de morar comigo. Ela sempre disse que uma das coisas mais valiosas que tínhamos era nossa liberdade e independência, poder ir e vir de acordo com o que nossa consciência dizia. Segundo ela, eu tinha uma sorte que muitas pessoas não tinham. Eu podia escolher o que iria fazer e com quem iria me envolver. Eu nunca entendi qual era o significado por trás disso, mas algo me dizia que tinha a ver com o homem que supostamente deveria ser o meu pai.

— Então venha passar algum tempo aqui. — Propus, afinal uma visita não faria mal a nenhuma de nós. — Sei que a senhora tem férias acumuladas, porque não aproveita e usa elas para vir me ver?

Eu já ia fazer isso. — Eu ouvi seu riso fraco do outro lado da linha. — Na verdade estava arrumando as malas para te fazer uma surpresa quando recebi a notícia de que seu p… — Ela se interrompeu e respirou fundo antes de continuar: — Quando recebia a notícia de que aquele homem estava aí, eu tive que ligar.

— Como a senhora soube?

Meu bem, eu sou uma mulher de contatos — ela tentou rir. — Conheço muitas pessoas e tenho amigos em comum com aquele sujeito. Eu tinha medo de que ele tentasse tirar você de mim quando descobrisse sobre você. Desde então eles me mantêm atualizada a respeito dos movimentos daquele homem em relação a você. Não sou nem nunca fui a única que não confia nele, Felicity.

— Sei disso, mas não vamos falar desse homem. — Pedi desesperada para mudar de assunto. — Quando é o seu voo?

Eu embarco amanhã a noite. Devo chegar no sábado de manhã.

— Tudo bem, eu vou te buscar no aeroporto.

Você sabe que não precisa, mas eu também sei que você vai de qualquer forma. — Seu tom de voz estava voltando ao normal. — Vejo você no sábado. Continue se cuidando, mamãe ama você.

— Até sábado, mãe. Eu também de amo.

Beijos.

Notas finais
Queria agradecer pelos comentários que vocês deixaram nos capítulos anteriores e prometo que vou responder a todos eles, mesmo que já tenham passado vários anos desde que vocês comentaram. Espero que vocês tenham gostado. Continuem se cuidando, vejo vocês no próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.