Blood On Blood
6 06 Sophie- A voice in the dark
_Eu sei o que você é.
Aquelas palavras bateram, rodaram por todo o ambiente vazio e ecoaram na cabeça de Evan. O cabeludo_ que devo confessar, me chamava muita atenção desde o dia anterior, no qual o vi no cabaré_ mal conseguia esconder seu desespero quando pronunciei tais palavras.
_O-o que eu... sou?_ ele disse, passando a mão pelos cabelos.
Eu então, desagarrei-me dele e fui andando em direção à caneca que eu havia posto para ele beber. Peguei-a da mesa, e entreguei-a em suas mãos.
_Café..._eu disse, olhando para o líquido preto em minhas mãos_ você não se serve disso, serve?_ sorri, tentando aparecer amigável, mas acho que tudo que fiz foi assustá-lo ainda mais. Então, continuei_ Bem, Evan... por que será que eu não precisei ser apresentada a você para saber seu nome?
Agora Evan estava em minha frente, porém nem tão próximo quanto antes, afinal agora eu não o agarrava mais. Tinha seu ar gelado ainda mais frio e eu me perguntava se pessoas de sua espécie ainda podiam sentir emoção.
_Ah, Evan... querido Evan..._ me aproximei novamente, tentando não deixar nenhum resquício de incerteza.
Cheguei o mais perto possível_ o que foi perto o bastante_ para deixá-lo um tanto quanto excitado com todo o assunto_ e com meu corpo. Ergui meu pescoço em sua frente.
_Por que você acha que não sente atração nenhuma por essas veias mortas que me rondam?_ o puxei completamente para cima de mim, tendo agora corpo colado com corpo_ Vai! Diga-me! Prove-me uma só vez, Evan! Prove-me se não for de sangue vivo que você se alimenta!
Evan como que por instinto, afastou-se de mim, jogando-me novamente para o balcão de onde eu vinha. Seus olhos estavam arregalados, sem muitas reações. Aproveitei da situação e me acalmei de novo, continuando a ter a palavra.
_Até a hora em que você entrou no cabaré, eu sequer sabia que ainda podia ler mentes tão fabulosas quanto a sua! Somos dois, Evan. Somos dois vampiros à custa da escuridão...
Eu o abracei tão fortemente quanto Sarah costumava fazer. Tanto é que Evan se lembrou dela na mesma hora, e foi inevitável não dizer:
_Ela deve estar pedindo pra eu fazer isso, nesse exato momento, seja lá onde ela esteja.
Evan me abraçava tão forte que mal pude conter o fôlego. Depois do nosso longo abraço, ele me pergunta:
_Você conhece outros de nós?
Eu, com um aperto enorme no coração, respondi:
_Não.
s.m.a
Joguei o café dele pela pia, e acabei de beber o meu.
_Você realmente bebe isso?_ perguntou ele.
_Sim..._ sorri_ é uma arte! Saber beber o que não te sacia! Saber comer o que não te alimenta! Tive que aprender isso... afinal, estou morando com treze mulheres e mais uns tantos homens que as dançarinas levam para fazer programa. Uma hora ou outra, iriam desconfiar, não é mesmo?
Ele me olhou, incrédulo. Primeiro, descobre que tem uma vampira assim tão perto de outro vampiro, como quase nunca havia acontecido com ele. E depois, descobre que ela come e bebe aquilo que os humanos necessitam para viver, sendo que ainda sim teria que matá-los para seu consumo.
_"Está morando"?
_Sim. Eu não poderia viver por muito tempo com essa família toda, não acha? E os corpos? E as "pragas" que nos acompanhariam, sem explicação, para todos os lugares que iríamos?
_É... tem toda razão.
Todo o clima misturado entre a descoberta e a felicidade de Evan com minha paixão_ ainda que não resolvida_ pelo mesmo, mais suas novas informações transformaram aquilo tudo um belo cenário para um beijo. Mas antes que isso acontecesse:
_Sophie!_ Teresa me chamou, sorridente. Era hora de voltarmos para o salão._ Onde está você?
_Ah, estamos aqui!_ puxei-o com força_ Vamos!
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