Blood And Fire
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era um lindo dia, exceto pelo fato de que aquele... Era o meu primeiro dia no inferno. Depois de todos aqueles anos sofrendo na escola eu podia assegurar de que aquele não seria um bom.
Pelo menos naquele ano eu teria meu suporte, meu porto-seguro de todos os tempos, aquele que fazia o dia mais cinza ter ao menos uma luz: Kurt Hummel.
Meu irmão mais velho sempre fora perfeito em todos os sentidos, desde seu gigantesco talento para dança até sua estrondosa e angelical voz. Kurt sempre cuidara de mim, nossa mãe havia falecido muito cedo e ele, sempre responsável como era, cuidava de sua pequena e fofa irmãzinha, eu.
Éramos como unha e carne, sempre fazendo coisas juntos. Víamos musicais, íamos a diversos lugares e principalmente, encenávamos várias das cenas de séries e outras coisas. Tudo era muito mais fácil com ele ao meu lado, não importava se eu estava no colégio, em casa, na rua ou em qualquer lugar que fosse Kurt estava lá para mim e durante toda a minha vida, ele foi aquele que cuidou de mim.
Em todos os momentos que lembro felicidade, uma imagem clara e limpa de Kurt vem em minha mente: Conquistas, prêmios, brincadeiras... Sempre ele ao meu lado. Mas você deve estar se perguntando aonde meus pais se encaixam em toda essa estória, não é? Bom... Eles não se encaixam. A maior parte de minha vida, Kurt fez o papel de ambos, já que após a morte de mamãe, Burt não olhava em meus olhos e desde sempre eu também não me importava com o fato de meu irmão ter sido tão perfeito nesse aspecto.
Com o passar do tempo, meu pai foi percebendo algo em Kurt que eu já havia compreendido e isso dificultou um pouco das coisas. Com sorte passamos por este terror e Kurt se mostrou mais bravo e incrível do que eu sempre imaginei, pois agora ele era certo de quem era e não tinha medo de ser gay. Eu admirava toda aquela bravura e toda aquela força e sempre que possível falava para ele o quanto ele era importante pra mim e um exemplo perfeito por todas essas coisas.
Mas naquele dia eu o tinha e isso era tudo o que eu precisava.
Sempre que podia, Kurt me contava estórias sobre o Mckinley e quase sempre estas me assustavam. Todas envolviam bullying, slushies e na maioria das vezes humilhação, mas também havia aquelas sobre como tudo dava certo no final, o que era muito bom.
Eu sempre pensei em como seria ver meu irmão andando por aqueles corredores e sofrendo tanto... Ele merecia tanta felicidade e amor que eu não seria capaz de dar a ele tudo aquilo de que ele era merecedor. A coisa que mais me intrigava era o fato de que aqueles que o oprimiam não conheciam nem um terço de meu Kurt e mesmo assim o humilhavam... Ah, se eles parassem para ouvir todas as coisas maravilhosas que ele já havia feito e superado... Ai sim eles poderiam tirar suas conclusões.
Depois de muito pensar em meu irmão e de como seria aquele dia para mim, desci para o café. Burt já havia saído e Kurt já estava pronto e com um café grande em suas mãos:
— O que é isso Emily?! Hoje é o seu grande dia... Hoje, Mckinley High conhecerá uma nova Hummel.
— Mas ainda falta muito tempo, você não pode esperar até que eu termine o café?
— Bom, acho que mais uns minutinhos não farão falta...
— Exato. — Sorri. — Ainda mais se meu maravilhoso irmão me ajudasse a escolher uma roupa perfeita, certo?
— Certo. O que não faço por você? — Sim! Meu sorriso de persuasão sempre funcionava. Rimos, ele sabia o quanto era manipulado.
Tomei apenas mais um gole de meu café, seria injusto fazê-lo se atrasar em seu primeiro dia. Descemos as escadas e Kurt pegou algo que havia esquecido, colocando-o em sua mochila. Depois de muita procura Kurt finalmente encontrou algo descente em meu armário. De acordo com sua opinião, eu deveria ir com um vestido rosa, cheio de brilhos e com uma jaqueta um pouco chamativa, o que não fazia nem um pouco meu estilo. Perguntei a ele se eu não poderia usar algo mais floral e um pouco mais apagado e finalmente nos entendemos, chegando a conclusão de que um vestido coral com flores seria a melhor pedida com um casaco de tricô branco.
— Acho que agora podemos ir.
— Sim, mas antes que me esqueça... — Kurt disse. — Tenho só um conselho. Tente se enturmar Em, qualquer coisa, sabe meus horários e lugares aonde posso estar. Não quero que fique sozinha nem por um momento.
— É claro que não ficarei sozinha. Esqueceu-se de que a Rose também estará no Mckinley?
— Não, mas que eu saiba, as duas amiguinhas estão em classes diferentes, o que faz você e Rose ficarem completamente sozinhas.
— Kurt, não se preocupe. Desde quando eu fiz algo que não devia?
— Não me faça responder essa Em. — Sorri sem graça. Ele tinha razão... Era mestra nos desastres.
Depois de muito andar, chegamos até o 'tal' colégio. Do lado de fora eu pude ver todos aqueles jogadores de futebol de quem Kurt havia me falado, todas aquelas líderes de torcida que jogavam pessoas para o auto e aqueles que Kurt sempre levava para casa, o pessoal do clube do coral.
Ele se aproximou de todos e Mercedes logo o abraçou, fazendo meus ciúmes aumentarem. Rachel e Tina logo vieram me receber, parecia que todos sabiam da notícia de minha chegada ao colégio (pelo menos o New Directions sabia) e alguns rostos estranhos pareciam me observar. Observando todas aquelas feições, entendi que havia muitas conversas para ser postas em dia e muitas coisas que não deveriam ser ditas na minha frente, então me despedi de Kurt com um abraço e corri para os corredores, aonde eu procuraria minha sala. Fui até a secretaria e perguntei sobre minha sala, armário e outras coisas inúteis que só temos em escolas, e depois que recebi minhas informações pude seguir em frente.
Fui até meu armário, coloquei todos os materiais e livros e segurei meu horário. Eu sabia... De todas as aulas que eu tinha apenas três eram com Rose e o resto do tempo seria só estudo, foco, matérias...
— Eu realmente preciso seguir este horário? — Perguntei a mim mesmo. Parecia algo absurdo as aulas de cálculo serem as primeiras.
— Devo afirmar que sim. — Uma voz doce veio de meu lado esquerdo.
Virei meus olhos procurando aquele à quem a voz pertencia e felizmente o encontrei. Era um lindo menino de olhos castanhos e profundos, cabelos negros e ondulados, calças apertadas e uma linda gravata borboleta.
— D-desculpe, sou Emily. Emily Hummel.
— Eu sou Blaine Anderson.
— Prazer em conhecê-lo. — Disse estendendo a mão.
— O prazer é todo meu. — Disse apertando-a. — Se você puder fazer a gentileza, eu poderia ver seu horário?
— Claro. — Sorri enquanto Blaine analisava meu horário de aulas.
— Pelo que vejo, teremos a maioria das aulas juntos. Acho que temos o mesmo gosto para matérias.
— Aposto que temos. — Olhando meu horário novamente, reparei que antes do almoço todas as minhas aulas de todos os dias seriam sem Rose, e todas as aulas de todos os dias depois do almoço seriam com Rose, mas todas as aulas de todos os dias seriam com Blaine, que até aquele momento, parecia ser simpático.
Após duas aulas de cálculo e uma aula de história meus olhos não conseguiam mais segurar o peso do sono. Felizmente Blaine sentara perto de mim em todos os momentos até que a aula de Filosofia iniciou. Nosso professor era totalmente estranho. Usava roupas suadas e em todos os seus materiais podíamos encontrar um símbolo da paz, ele usava uma faixa na cabeça e seu cabelo comprido indicava o hippie que existia nele.
Depois de uma introdução bastante detalhada de sua pessoa ele propôs uma atividade um pouco constrangedora, mas naquele momento precisa. Ele pediu que formássemos duplas, logo depois que isso acontecesse, essas duplas teriam que ficar frente-a-frente e descobrir algo em comum com aquele que é sua dupla. Depois disso, deveriam refletir sobre algo que gostou muito em sua dupla nesses minutos de conversa e dizer para aquele sentado a sua frente.
Sim, era uma tarefa muito fácil, contando com o fato de que Blaine pedira para ser minha dupla e é claro, eu concordara. Sentamos frente-a-frente e esperei que Blaine iniciasse uma conversa.
— Então, o que fez nas suas férias?
— Bom, passei o verão inteiro com meu irmão e assistimos a muitos musicais juntos.
— Sério? Quais?
— Assistimos ao meu preferido 'Wicked' e também a 'Chicago' e 'West Side Story'.
— Eu adoro musicais.
— Eu também, quanto mais musicais melhor. — Rimos. Tínhamos achado algo em comum.
— E o que o senhor andou fazendo, Blaine?
— Passei metade do meu tempo ensaiando meus passos de dança e a outra metade treinando vocais.
— Ó meu Deus! Não acredito que sou normal.
— Por quê?
— Eu pensava que era a única que perdia meu tempo com essas coisas.
— Espere isso não é perda de tempo. — Sorri.
— Verdade, me desculpe. Retiro o que disse.
Era incrível como havíamos descoberto tantas semelhanças em tão pouco tempo, mas não havia parado por aí. Discutimos sobre capas de revistas, livros, CDs, filmes, cinema, famosos... Como Blaine era parecido comigo. Mas dentre todos estes momentos, o que realmente eu gostei mais foi quando Blaine ficou reflexivo.
— Sabe, eu realmente gostei de você, acho que foi isso que mais gostei em nossos minutos de conversa, seus sorrisos. — Sorri. É inevitável não sorrir quando falam de seu sorriso.
— Obrigada. — Eu sorri novamente, os sorrisos não paravam de aparecer. — Eu também gostei muito de você. Acho que o que mais gostei em você foi sua simplicidade... Espere! Sua gravata é a melhor. — Rimos.
— Obrigada, eu gosto bastante desta aqui. — Ri diante de sua feição, que era acompanhada de um 'arrumar de gravata' engraçado.
Passado uma perfeita aula de Filosofia, saímos para o almoço, Blaine correu para falar com alguns amigos enquanto eu procurava Kurt desesperadamente. Após alguns esbarrões e tropeços, caí na pessoa certa.
— Eu já falei. Desastrada.
— Muito obrigada pelo elogio. — Eu o abracei com força.
— O que foi Em? — Perguntou Kurt um pouco aflito.
— Nada, é só que... — O abracei novamente. — Eu precisava de um abraço.
— Tem certeza que não é nada?
— Absoluta. — Sorri. Realmente não tinha problema, eu só tinha vontade de abraçá-lo.
— Tudo bem então. Você vai almoçar conosco? — Procurei Blaine, que já estava sentado e me chamando com seu braço estendido.
— Não, já fiz novos amigos.
— Ok Em. Qualquer coisa...
— Sei aonde te encontrar. — Emburrei-me. Ele me abraçou e deixou-me ir.
Corri até Blaine que parecia não ter visto Kurt e já havia pegado um almoço para mim. Sentei-me e logo em seguida pude ver Rose vindo em nossa direção.
Aquele realmente estava sendo muito melhor do que eu imaginara e até aquele ponto, o William Mckinley High School não era tão ruim...
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