Blogando! - O Beijo
10 Isso Que é Surpresa!
Notas iniciais
Aquele vídeo do Orelha foi assistido por quase todos os alunos, provavelmente seria comentado pela grande massa, já que os alunos do Quadrante adoram uma encrenca. Juliana assistiu ao vídeo, tinha medo do que poderia estar por vir, ainda não estava a salvo das fotos dela com Lia, existia uma inquietação dentro de si.
Ju sentiu um nó se formando em sua garganta ao lembrar-se de Lia protegendo Fatinha, apesar de ela ter presenciado aquilo, seu coração ainda assim sentia uma pontada, talvez fosse o bichinho do ciúme. A patricinha estava na biblioteca do colégio lendo a um livro quando percebeu que seu celular tocava.
– Lia? O que aconteceu? Tudo bem então... Você vai mais tarde? O Bruno vai passear com a Ana. Vou te esperar. Beijos. – Seu coração batia forte, seu pensamento ia longe, ela começava a aceitar a parte em que ela deveria terminar o namoro com Dinho e viver a sua paixão adolescente com Lia, ao mesmo tempo o medo morava ao lado. Eram muitas dúvidas.
x-x-x-x-x
Rafael havia saído para almoçar com Rita, já que Morgana havia desaparecido. Ele sentia falta da presença da ruiva, resolveu então sair com Rita, que lhe era uma excelente companhia, uma garota inteligente e que o fazia rir de coisas que a princípio pareceriam banais.
Terminado o almoço os dois ficaram um tempo se encarando em silencio. Rita pegou a mão de Rafael, fazendo carinho e tentando jogar um charme.
–Rita... Eu... – Rafael tentava se explicar.
–Sim... – Ela com um grande sorriso no rosto e um brilho apaixonado no olhar.
–Gostaria que você não confundisse nossa amizade... – O rapaz viu aquele brilho no olhar da garota. – Não quero que fique chateada...
–Tudo bem... Eu só pensei... – Rita ainda tentou forçar um sorriso. – Bom, eu... Pensei errado pelo jeito...
–Gosto da nossa amizade, mas não quero te dar esperanças de algo a mais Rita. – Rafael era sincero em suas palavras. – Você é uma garota bacana, inteligente, sorridente...
–E por que eu não posso ter uma chance com você? – A garota queria saber a verdade, entender o que se passava com o rapaz que ela gosta.
–Não é... Como eu posso te explicar? – Rafa procurava pelas palavras certas.
–Rafael seja sincero, você é gay? – Rita foi direto ao ponto, caso esse não fosse o impedimento, haveria outras questões a se levar em consideração para que ele não ficar com ela.
x-x-x-x-x
Lia fugiu com Gil do castigo direto para uma praia perto do bairro deles. Os dois queriam compartilhar suas ânsias, medos, dúvidas, conversar um pouco, tentar chegar a conclusão do que estavam vivendo naquele momento. Gil foi o primeiro a começar o desabafo em meio as multidão que caminhava no calçadão.
–Sabe Lia... Depois de anos da morte do meu pai, é difícil aceitar um namorado para a Marcela. Ela é minha mãe, e tudo... – Gil ficou pensativo. – Posso aceitar que ela queira namorar, que ela sinta essa necessidade, mas não um amigo meu!
–Tá cara, mas ela beijou o Fera, é isso? – Lia queria entender o que aconteceu, era algo muito estranho e confuso, quando explicitado por Gil.
–Eu fui pra quadra, queria começar logo com o castigo, mas daí eu chego pelo outro lado da quadra e vejo os dois... – Gil olhava para o nada – Eles estavam se agarrando.
–Não é pra tanto... – Lia queria escolher as palavras, só que era pior ainda para ela. – Talvez você tenha entendido errado.
–Ela tava agarrada ao Fera e isso é fato Lia! – O rapaz permanecia com certa raiva em seu peito.
–Mas e se ela realmente gostar dele? E se ele também gostar da sua mãe? – A roqueira não queria brigas. Tentava a qualquer custo fazer Gil compreender a mãe dele.
–Olha Lia, se fosse qualquer outro com a “idade da minha mãe” ou mais velho, tudo bem. O problema é aquele negócio da mãe gostosa do amigo! – Gil era pleno terror, ele estava a ponto de explodir de vez. – Faltou pouco pra não bater nele!
–E se, o Fera estiver apaixonado pela Marcela? – Lia fez o garoto parar para pensar.
–Não sei Lia, ele vai ter que provar realmente o interesse dele pela Marcela! – Gil era irredutível, ele provavelmente não aceitaria tão fácil o relacionamento de sua mãe com Fera. – Porque pra mim é mais um joguinho dele com o Orelha e aquela turma de... Cara, eu arrebentava eles!
–Cara, não vale a pena. – A roqueira sabia o que falava, sempre que ficava com raiva e tentava partir pra cima do Orelha, ela sempre levava a má fama.
x-x-x-x-x
Ju se encontrava esparramada no sofá, já era um pouco tarde, resolveu que iria até a sorveteria ao final da rua comprar alguma coisa. Tinha esperado pela Lia que não apareceu e nem ao menos respondeu suas mensagens, ela mandou alguns sms pra amiga e nenhum sinal de vida.
Enquanto isso Lia que já se encontrava em casa saia do banho, enrolada na toalha quando a irmã entra no quarto.
–Que é isso pirralha?! – Lia levou um susto.
–O seu celular não me deixava fazer o dever de casa! – Tatá parou de frente para a irmã mais velha e entregou o aparelho. – Ficou tocando em cima da mesa, vê se atende sua chata!!!!
–Pirralha! – Lia ao pegar o celular viu na tela várias mensagens de Ju. – A Ju me mata!
–Já vi que esqueceu alguma coisa, né? – Tatá ia saindo pela porta. – Adolescentes... Sempre complicados demais!
Lia se arrumou correndo, vestiu a primeira roupa que viu na frente, pegou a inseparável mochila e saiu voando pela porta do apartamento, gritou alguma coisa apenas para avisar aonde iria. A roqueira chegou correndo até o prédio onde Juliana morava com o irmão. Chegou até o lugar, subiu pelas escadas mesmo, nem usou o elevador. Parou no corredor para pegar folego, se deparou então com uma cena corriqueira, mas que, naquele momento era tudo que ela mais amava.
Lia sentiu seu peito preenchido de amor por ver aquela cena, foi então se aproximando aos poucos, sem ser notada pela garota, ela estava linda aos seus olhos, a roqueira queria apenas beijá-la, senti-la, saber que poderia amar aquela garota de cabelos escuros por muitos anos. A garota Martins, sempre nutriu algo a mais pela amiga, e nos últimos tempos teve certeza da reciprocidade dos sentimentos, assim como também havia medos em ambas as partes da relação. Ju com a chave do apartamento tentava a todo custo trancar a porta, ela passou algum tempo ali, até que:
–Ela tá linda... – Lia pensou e deu um sorriso. – Vou chegar devagar.
–Droga de porta! – Ju irritou-se com a chave. – Droga!
–Já vai sair? Por que eu acabei de chegar. – Lia tinha certo charme na voz, ela permanecia com os braços cruzados, próxima a patricinha.
–Eu tô tentando fechar... – Ju ficou olhado para a loira que se aproximava dela.
–Vai fechar pelo lado de fora mesmo? –Lia estava bem perto da garota, pode sentir os músculos da outra se enrijecerem, e os pelos dela se arrepiaram com o pequeno gesto. – Será que eu tento? Um beijo... Ok... Um beijo Lia!
–N... ã... ão... – Ju olhava fixo para aqueles olhos castanhos esverdeados.
–Então deixa eu te ajudar. – Mesmo sendo um pouco mais baixa que Ju, Lia encostou a garota na porta, prensando seu corpo ao dela, provocando um leve suspiro. Num movimento rápido, abriu a porta, puxou a chave, empurrou a morena para dentro do apartamento jogou sua mochila de canto, já trancando a porta e beijando Juliana. Num dos movimentos mais rápidos que a loira jamais fizera. Em seu interior apenas algo gritava, aquele sentimento de, “eu irei te conquistar de qualquer maneira”.
Fale com o autor