Blogando! - O Beijo
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Notas iniciais
Orelha gravava mais um vídeo para a TV Orelha. Lá estava ele em estúdio, iria sair com mais uma nova para o pessoal do Quadrante, queria algo novo, talvez pensasse em importunar alguém como... Lia...
–É o TV Orelha de volta e trazendo a nossa queridíssima Lia Martins como a última noticia quente desse blog! – Orelha trouxe uma foto da garota na tela e voltou a falar. – Ela, a garota rock in roll depois de pichar o colégio, quase se afogar, beijar uma garota a beira mar e quase tirar esse site do ar... Ela voltou com tudo! – Orelha colocou o vídeo da garota defendendo Fatinha e quase saindo no tapa com ele. – Ela senhores espectadores, tentou me agredir, vejam o vídeo!
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Rafael saiu pela rua andando tranquilamente, quando alguém lhe chama, era Rita que corria atrás dele, tentando alcança-lo.
–Oi Rafael! – Ela falou tomando folego e cumprimentando-o.
–Oi Rita. Nem precisava correr tanto... – Ele sorriu sem jeito. – Eu te ouvi e continuo aqui parado. – O rapaz tentou ser o mais agradável possível.
–É, você vai pra onde? – Ela queria passar um tempo com o rapaz, havia um sentimento escondido, pelo menos da parte de Rita.
–Quer almoçar lá na casa de sucos da Sra. Tizinha? Garanto que você vai gostar... – Ele saiu andando devagar.
–Claro, tendo você como companhia a gente almoça em qualquer lugar... – Ela mostrava toda a sua alegria em ver o rapaz e ao mesmo tempo já o abraçava pelo braço. – Quer dizer... Eu...Quero ir com você... É eu já queria ter ido lá.
–Vamos então... – Os dois saíram andando.
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Era um inicio de tarde agradável na cidade do Rio de Janeiro. O aeroporto internacional funcionava a todo o pique. Pessoas das mais variadas etnias entravam e saiam daquela cidade a toda a hora, entretanto, naquele momento em específico, uma mulher com uma mala de rodinhas e uma mochila de montanhismo andava por aquele local. A mulher de pele levemente branca vestia roupas leves e andava despreocupada, buscava por táxis ao lado de fora do aeroporto, tinha um destino certo e sabia bem como chegaria ao destino.
–Essa cidade não mudou nada... – Ela sorrira e agora buscava por um táxi.
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Pilha com toda a sua animação andava pela loja, organizava as prateleiras, aprendia cada dia mais sobre os tênis, qual o modelo ideal para cada pessoa, esse era seu departamento. Por vezes seus funks impressionavam os clientes da loja, chamava a atenção e fazia com que outras pessoas que andavam pelo shopping se interessassem em adentrar o local.
–Aê Pilha! – Era Dinho entrando na loja. – Só trabalhando, cara? – Logo cumprimentou o amigo.
–Fala aí parceiro! – Pilha sempre muito desinibido. – Procurando alguma coisa?
–Quero um tênis como aquele modelo... – Dinho apontou para um tênis que esteva na prateleira.
–Pode deixar! Ah, moleque! “E ela rebola rebola, remexe devagar! E vai subindo subindo! Deixando a pista! Vem dançar”... – Pilha se animava era super alto astral.
Uma mulher de olhar experimental, e de mil e uma faces de caretas adentrou a loja, não gostando do que via e ouvia. Ela estava acompanhada da filha que sorriu encantada com o garoto cantando músicas de uma letra divertida.
–Mas que horror! Vamos querida! Deve existir outra loja neste shopping! – A mulher puxou a filha possessivamente para fora da loja.
–Mãe, eu... Vi um tênis que eu gostei! – A garota tentou argumentar, não sendo possível nenhuma negociação. A garota sorriu para Pilha assim que ele se virou para ela, acenando sem jeito.
–Não me contrarie garota mimada! – A mulher gritou. – Vou fazer uma reclamação formal desta loja! Onde já se viu esse tipo de baixaria?! – Aquela mulher se referia a música que o rapaz cantava.
Dinho ouviu a discussão e não gostou nada daquela cena. Havia um por que daquilo tudo? Não, não havia. Era tudo preconceito com a música! Pilha não ligava muito para o que aconteceu, sabia que a culpa não era sua, estava fazendo seu serviço de forma animada.
–Como já conheço o seu gosto, né cara? Trouxe esses cinco pares pra você olhar! – Orelha voltava ao trabalho depois daquela cena deprimente.
–Você ainda deu tchau pra garota... – Dinho queria tirar um proveito da situação. – Será que ela daria o celular?
–Ela é cheia da grana, nem vai querer nada! – O garoto que atendia falou um tanto quanto cabisbaixo. – Mas vamô lá mulequeee... Ainda tenho a minha musa Fatinha pra dançar.
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Lia sempre foi teimosa, a típica rebeldia em pessoa, enquanto Juliana era o seu oposto, sempre calma, uma menina carinhosa e sempre toda certinha. Lia não era muito ligada a Gil, mas sempre que conseguia escapar ia diretamente com o rapaz grafitar pela cidade e por uma dessas, eles não esperavam, foram pegos no colégio durante a madrugada.
Lia e Gil, agora teriam que fazer a limpeza das pichações. Juliana acompanhava a ‘amiga’. Fera seria o aluno monitor. Juliana deixou Lia na quadra, depois iria a biblioteca ver alguns livros que queria ler. As duas amigas estavam sentadas perto do pátio, lado a lado.
–Ah, é pra você se comportar... – Ju olhava brincalhona para a amiga, tinha uma carinha de apaixonada.
–E quem disse que eu não me comporto, hein? – Lia brincava junto.
–Hummm... Será que você se comporta mesmo? – Ju estava muito perto de Lia, aquele perfume da roqueira lhe atraia e isso fazia com que ela quisesse cada vez mais um pouco daquele sentimento.
–É assim? – Lia fez cara de sapeca enquanto Juliana tentava avançar em relação a seus sentimentos, a patricinha se aproximou mais da roqueira, colocando uma de suas mãos por dentro da camiseta da outra. – Acho melhor você ver o que tem ainda pra fazer... – Lia pôs-se de pé e saiu andando. – A gente se encontra depois de eu esfregar a parede.
–Tá... Vou te esperar... Amor! –Ju saiu andando em direção a biblioteca enquanto a roqueira seguia em outra direção.
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Enquanto isso Fera andava pela quadra ao fundo do colégio. Ele pensava em uma mulher especifica, sentiu novamente aquele palpitar no peito. Quando se aproximou da quadra viu Marcela jogando basquete, completamente só.
–Já conseguiu uma cesta de 3 pontos? –Fera falou se aproximando mais ainda da professora.
–Não... Nem tentei! – Ela falou continuando a arremessar a bola.
–Tem que arriscar mais! – A bola bateu na tabela e caiu perto do rapaz que pegou a bola e arremessou de fora do garrafão.
–Quem disse que não arrisco? –A mulher olha pra aquele rapaz, ainda driblando e jogando com o jovem.
–Eu digo! – O rapaz se aproximou mais, não deixando espaço para ela passar por ele e fugir.
–Você está enganado! – Marcela odiava ser testada e aquilo provocava o seu interior, a questão solidária.
–Então prove! – Ele desafiava a professora.
Fera e Marcela frente a frente, muito próximos, era possível sentir o hálito quente um do outro, quando por um impulso a mulher se lançou aos braços do rapaz e este pôs-se suas mãos na cinturada mulher.
–O QUE É ISSO SENHORA MARCELA?! – O rapaz gritou do outro lado da quadra.
–Gil? – Marcela estava confusa.
–Gil, cara... Vem aqui! – Frederico correu atrás do amigo.
–Me deixem! Eu quero ficar sozinho! – O rapaz saiu revoltado. – Quero que... Ah! Logo você cara! – Gil estava indignado por ser seu próprio amigo o cara que agarrou a mãe dele.
–Gil! A gente tem que conversar! – Fera tentou novamente.
–Deixa... Frederico. – Marcela tocou no braço do rapaz. – Ele vai aparecer em casa e eu vou conversar com ele. Pode deixar.
–Ele precisa entender o que aconteceu... – Fera pegou na mão da mulher mais velha que ele.
–Por favor, não piore as coisas. – A professora fez uma pausa. – Não aconteceu nada entre a gente.
Na quadra Lia não entendia porque o amigo, Gil saia correndo do colégio com cara de poucos amigos, resolveu ir atrás do rapaz.
–Pô Gil! – A roqueira percebeu que ele continuou andando. – Espera cara!
–Fala! – O garoto estava transtornado com a cena que acabara de presenciar, se virou bruscamente para Lia.
–O que aconteceu? – A garota foi o mais gentil possível naquela situação.
–A gente pode conversar em outro lugar? – Gil se tranquilizou um pouco, mas permanecia agitado.
–Claro, só me deixa ligar pra Ju e dizer que não vou ficar no Quadrante. – Lia parou e começou a mandar a mensagem para a amiga.
–Fala com ela primeiro, eu gostaria de conversar a sós com você... – O rapaz olhava para o nada, tinha se perdido em algo.
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