Bleach S

4 O duelo prometido!


Shin’o Academy, mais conhecido como “academia dos shinigamis”, era o local onde os candidatos a se tornarem membros de um dos treze esquadrões se graduavam e treinavam para desenvolverem suas habilidade nas quatro artes de combate dos shinigamis: Zanjutsu, Hakuda, Hohou e Kidou.

O zanjutsu é a forma mais comum de combate dos shinigamis, onde se utiliza a zampakutou. Os mais avançados nesta arte são aqueles capazes de despertar a shikai e a bankai.

Hakuda é o combate corpo a corpo utilizado normalmente pelo Onmitsu Kidou. Os shinigamis conseguem utilizar a reiatsu como forma de aumentar os danos dos ataques físicos.

O Hohou é a habilidade em que o shinigami manipula energia espiritual nos pés para conseguir percorrer grandes distâncias com mais velocidade dando poucos passos. Aos olhos dos leigos, esta habilidade nomeada shumpo – passo relâmpago — parece um teletransporte.

Os Kidous (Artes Demoníacas) são técnicas de combate ou de cura usados por Shinigamis. Existem dois grupos: os Hadous (para ataque) e as Bakudous (com funções diversas). Para fazer um Kidou com perfeição é necessário recitar as invocações que aparentemente são poemas antigos repletos de metáforas. Os Hadous e Bakudous são enumerados de 1 a 99, aumentando em grau de força e dificuldade de invocação.

O dia do novo capitão foi muito produtivo e exaustivo. Assistiu diversas aulas de turmas diferentes, principalmente das turmas do último ano. Fez muitas anotações e pediu a ficha de alguns alunos que se destacaram por possuírem algum tipo de qualidade diferenciada e útil ao esquadrão que pretendia formar. Dentro de um mês, vinte shinigamis dos que se formariam iriam integrar o décimo terceiro batalhão para dar início a nova era. Tendo tempo suficiente para preparar tudo, o jovem saiu satisfeito com os resultados que obteve.

— Ih, o sol está se pondo! Preciso me apressar para o duelo! – começou a correr após murmurar para si mesmo e se retirou da academia pulando a janela e correndo no ar ao concentrar energia espiritual nos pés. — Por que eu sempre me atraso pras coisas?

Cortando caminho, conseguiu aterrissar rapidamente no quintal do dojo do seu esquadrão deserto e encontrou a capitã sentada nas escadas em frente a porta principal. Segurando uma espada de madeira em uma mão, os olhos azuis dela mantinham-se fixos no rapaz, que se distraia ao ter suas calças levemente puxadas pela pequena Aiko.

— A maninha odeia esperar, você não pode deixar uma mulher esperando, baka Ken-chan. – de forma muito fofa, ela deu bronca nele.

— É, eu sinto muito. Infelizmente estou longe de ser um cavalheiro ou bom em lidar com mulheres. – respondeu sorrindo, acariciando a cabeça da criança que adorava os mimos.

— Há, há, há, há! Eu te ensino, Ken-chan! – correu até a irmã e ficou em pé olhando para o rapaz.

— Érm... Obrigado, Aiko-chan. – agradeceu sem graça e andou lentamente até a porta do dojo. — Entre, por favor, Hana-san.

— Rum! Vai apanhar o dobro por ter se atrasado, capitão Ryota. – advertiu Hanabira.

— Se eu vencer, quero que você passe a me chamar apenas de Kenshin, tudo bem? – sugeriu Kenshin, incomodado por ser chamado pelo sobrenome.

— Certo. E se eu vencer, você me dirá quais são as suas habilidades e como realmente derrotou o Vasto Lorde. – Hana fez a contra proposta com firmeza.

— Hã?! Tudo isso de prêmio? Está muito desigual! – reclamou Kenshin, enquanto pegava uma espada de madeira.

— Ken-chan, você se esqueceu do boing boing? Vai poder brincar nos peitos da maninha se ganhar! Hi, hi, hi, hi. – novamente Aiko se intrometeu de jeito brincalhão.

— AIKO! EU JÁ DISSE QUE NÃO... – gritou Hana, sendo interrompida por Kenshin.

— Ah, é... Então agora ficou justo. Os peitos da Hana-san valem mais do que as minhas habilidades, então ok. – pronunciou a última palavra com sotaque em inglês e fez sinal de positivo.

A espada de madeira voou na sua testa e ele caiu pra trás com um galo na testa e olhos de Pokémon derrotado.

— Abusado! Tire os olhos dos meus peitos! Aiko, é errado ficar falando dos meus peitos! – repreendeu ambos.

— Por que, maninha? Todo mundo diz que eles são bonitos por serem grandes e que sempre sonharam em fazer boing boing neles. – inocentemente, Aiko revelou os murmúrios dos homens do sétimo esquadrão.

— HAAAAAAAAAN? QUEM FOI QUE DISSE ISSO? – indagou, furiosa.

— Kato-chan, Muro-chan, Victor-chan, Gregor-chan… — falou uma enorme lista de nomes.

— Eles vão me pagar! – ameaçou a capitã, cerrando o punho direito com um sorriso demoníaco e se imaginando socando todos eles.

— Ei, capitã... Estou com fome, vamos logo com isso. Se eu vencer, quero comer a sua comida. De acordo com a nova proposta? – indagou, jogando a espada para que ela segurasse.

— Quer provar a minha comida? – corou levemente e olhou para baixo durante alguns segundos. Balançou a cabeça sem entender o motivo de ter ficado tímida e o encarou com firmeza. — De acordo! Vamos começar...

— Eu conto! Hi, hi, hi, hi, hi. É uma melhor de três! Estão prontos.. Ken-chan? Maninha? – levantou o bracinho.

— Sim. – respondeu Kenshin com um sorriso entre os lábios.

— Quando quiser. – Hana também sorria de empolgação e ansiedade.

— EEEE ÉEEE UMMMM, ÉÉÉ DOOOOIS, ÉÉÉ TRÊS... EEEEEE JÁÁÁÁÁ! – abaixou o bracinho.

Em vez de ambos começarem a luta, Hana correu até Aiko e a abraçou com muita força, afogando-a em seus peitos e amassando a irmãzinha por estar tendo um ‘ataque de fofura’.

— OWWWWWWWWWNNNNN, QUE FOFINHA CONTANDO! QUERO MOIDÊ, QUE VONTADE DE AMASSAR! – falava com a entonação de uma mãe bobona.

— Muito bonitinha mesmo. – Kenshin também havia se desconcentrado por causa da pureza daquela criança toda animada.

— Aiiiii, maninha, para! Você tem que lutar! Lutar! Não me aperta! – com bico, Aiko ficava aborrecida por ser tratada igual um ursinho.

— Sim.. Aqui vou eu, Ryota! – alertou Hanabira, soltando a irmã.

O movimento rápido com os pés proporcionou um ataque impossível de ver visto por shinigamis inferiores a um tenente. Os ataques de Hanabira eram muito disciplinados e firmes, mostrando o por que ela era uma mestra nas artes das espadas e o fruto dos seus treinamentos rígidos. Sempre foi muito exigente consigo mesma e perfeccionista, buscando sempre melhorar em todos os aspectos corrigindo as menores falhas possíveis.

Surpreendido com tamanha habilidade e força da mulher, Kenshin mantinha-se na defensiva encurralado como um gato. Um dos ataques de Hana arrancaram sangue da bochecha do jovem ao fazer um corte após pegar de raspão, mas isto era apenas o começo. A expressão intensa nos olhos dela e o sorriso nítido e arregalado demonstravam o quão feliz ela estava por desfrutar daquele duelo. Sendo oposto a Hana, o semblante ‘morto’ e preguiçoso no rosto do rapaz eram constantes, embora estivesse sendo pressionado.

Por um momento de distração, ele foi golpeado na barriga com a ponta da espada de madeira e voou contra a parede cuspindo sangue. Ficando ereta novamente e colocando a espada sobre o ombro de modo a apoiá-la, a capitã Hanabira sorriu triunfante com a vitória no primeiro round enquanto observava-o se levantar lentamente.

— Héh, o que achou? Mais um round e você me contará tudo. – provocou o adversário, quase certa da sua vitória.

— É, você é muito boa... Se eu não me cuidar, irei ser esmagado no próximo round. Mas se você não se cuidar, talvez fique com seus peitos expostos na próxima rodada. – apontou para o rasgo feito no kimono dela com o mesmo sorriso provocativo dela.

— Ahn? Ah. Ora, seu abusado... – ficou com o rosto avermelhado e rangeu os dentes. Não aceitaria tal provocação e muito menos fugiria por causa de um rasgo no kimono na região do seio tatuado.

— Eu não fiz de propósito, viu? Não sou nenhum tipo de virgem pervertido! Tentei te golpear, mas você foi mais rápida e acertei de raspão. É impossível brincar assim com uma capitã, então entenda que foi um acidente. – explicou-se rapidamente para que ela não criasse uma péssima imagem sua.

— Eu sei, idiota! Se não tivesse sido um acidente, eu te mataria agora mesmo.

O tom da voz e o sorriso de Kyoretsuna Hanabira deram certo calafrio em Kenshin, que novamente assumiu uma das posturas de kendo. Raciocinando um pouco enquanto a pequena Aiko contava novamente, ele desfez a postura e ficou com a guarda aparentemente baixa.

“Se eu não levar isso a sério, ela vai me esmagar de novo.”, pensava enquanto ouvia o ecoar do “JÁ” de Aiko. Sem entender ou se importar com o motivo dele ter desfeito a postura, a capitã atacou com a mesma intensidade anterior. Os golpes se encontraram no meio do caminho, já não estava desequilibrado como na primeira rodada.

A última esquiva foi essencial para que Kenshin parasse um golpe de espada rente ao belo rosto da capitã, que arregalou os olhos surpresa com a movimentação imprevisível e extremamente rápida do rapaz naquele último movimento.

Irritada, ela o pegou pela gola do kimono e o encarou mais de perto.

— Se mais uma vez você parar um golpe com medo de me machucar, eu não vou te perdoar. Assim como você, eu sou uma guerreira. Eu sou a capitã do sétimo esquadrão, não se esqueça disso. Não existe cavalheirismo em um duelo. – largou-o após dar o sermão.

— Entendi... Me desculpe, Hana-san. Não irei mais me segurar.

— ESTÁ UM A UM! QUEM GANHAR AGORA, VENCE O DUELO! MANINHA, KEN-CHAN, DEEM O MELHOR DE SI! IUPIIIIIII! ÉEE UM, ÉÉÉ DOIS...

O duelo encaminhava-se para o último round, com uma vitória de cada lado. Kenshin e Hana estavam extremamente concentrados e focados um no outro. Não parecia apenas um jogo, e sim uma batalha entre dois capitães que se entendiam melhor a cada golpe trocado e a afinidade crescia a cada ataque desferido.

— EEEEEEE JÁÁÁÁÁÁÁ! – ordenou o início do último round.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.