Blank Page - Litor

4 Capítulo 3 - Desconfiada


– Vitor? O que aconteceu? — Perguntei, preocupada. Ele não respondeu, continuou olhando pra mensagem. — VITOR? — Ele me olhou e forçou um sorriso, muito mal forçado por sinal.

– Lia, eu tenho que ir embora. — Disse ele, bem no momento em que a porta do elevador abriu no meu andar. — Te vejo outro dia.

– Não cara, tá tudo bem? Você disse que ia...

– Pode deixar, venho te visitar quando der, certo? — Vitor disse, me interrompendo e segurando a porta do elevador. — Surgiu um imprevisto, tenho que ir agora.

– Tem certeza? Olha, sem ofensa, você não me parece muito bem, melhor entrar e...

– Sério Lia, tudo bem. — Ele me deu um beijo na bochecha. — Eu realmente tenho que ir.

– Beleza, boa noite então. — Saí do elevador, e, já do lado de fora, olhei para dentro enquando a porta fechava e sorri. Ele retribuiu.


Como eu imaginei Ju não estava no apartamento. Fui para meu quarto e peguei meu celular. Eu realmente estava ferrada. 9 ligações perdidas da Juliana e duas novas mensagens, que provavelmente seriam dela. Decidi não retornar, a culpa foi dela, me deixar sozinha naquela festa em que eu não conhecia ninguém. Ah, mas mais tarde teríamos uma conversa esclarecedora. Esclarecedora não, porque eu sabia onde ela tinha ido, com quem e o que foi fazer lá.


Troquei de roupa e deitei na minha cama, tudo o que eu mais queria era que aquela dor de cabeça infernal sumisse.


Escutei um barulho na porta e olhei pro relógio, eram 9 horas. Bem a cara da Juliana, chegar antes de eu acordar pensando que eu não tinha sentido falta dela ontem a noite. Levantei e fui até a sala encontrando ela no sofá, tirando o salto, sem perceber minha presença.


– Bom dia. — Eu disse, rindo com o susto que ela levou.

– Ai, credo Lia, é sábado, volta a dormir. — Falou em um tom exigente.

– Tá bom, mamãe. Olha, eu sei que você foi dormir no Gil, — ela me olhou com uma cara feia — mas não custava me avisar. Eu fiquei te procurando lá que nem uma idiota, Juliana.

– Você tava se divertindo muito com o André... Só não queria atrapalhar. — Ela levantou do sofá, com o sapato nas mãos, passando por mim para ir para o quarto.

– Como você sabe o nome dele? — Falei indo atrás dela.

– Eu sou amiga dele. Dele do Rafa, do Vitor e do Felipe. — Ela parou de escolher uma roupa e me olhou. — Você não acha que eu iria em uma festa sem conhecer os donos, né?

– Ah, legal, você conhecia eles...

– Você voltou com o Vitor que eu to sabendo, então acho que você já conhece dois deles. — Ela fez uma cara de deboche.

– Como você sabe?

– O André me mandou uma mensagem ontem, dizendo pra não ficar preocupada porque você já tinha carona. — Ju falou, pegando uma calça jeans e indo em direção ao banheiro. — Parece que ele gamou...

– Para Juliana, eu to falando sério. Fiquei de cara, você podia ter pedido pra alguém falar, sei lá.

– Sério Lia? Vai ficar com isso agora? Conseguiu vir pra casa com um gato e ainda fica reclamando. — Ela gritou do banheiro. — Vou tomar banho e depois podemos sair pra comer alguma coisa, você que sabe.

– Desisto Juliana.


– Ju, você sabe o que aconteceu com o Vitor ontem? — Perguntei enquando andávamos, tomando sorvete.


– Por que?

– Ele saiu meio estranho ontem, sei lá.

– Ai Lia, como eu vou saber? Ainda é cedo, não falei com eles depois de ontem. — Ela me olhou. — Você tá interessada nele ou...?

– Não, que isso Juliana. — Eu falei e ela riu.

– Tá, sei... Cara, já que você tá querendo saber dele podemos ir lá hoje à tarde né?

– Boa ideia. Mas porque VOCÊ tá querendo ir lá? — Ela riu — Olha Ju, eu sei que eles são bonitinhos e tals, mas eu sou amiga do Gil, só avisando.

– Ai Lia, nada a ver, olha o que você tá supondo cara, eu aqui querendo te ajudar, te empurrar pra um e você falando isso de mim? Me sinto muito ofendida.

– Me empurrar pra um? Eu posso muito bem ficar com quem eu quiser, beleza? — Nós nos encaramos e ela riu. — To falando sério, Juliana.

– Então... Mas você nunca teve um namorado Lia, e cara, você tem 17 anos, deve ser chato só ficar. — A olhei com cara feia.

– Eu não sou você, Juliana. Esse negócio de namoro cheio de nho nho nho, cara, eu acho ridículo, desculpa. Não consigo me ver, no futuro, com alguém todo fofinho e...

– Agora você vai falar que nunca pensou em, sei lá, se casar? — Ju me interrompeu. — Todo mundo sonha com isso Lia, quer dizer, toda garota.

– Eu não. Prefiro só ficar. Você sabe... sem compromisso, sem envolvimento, sem decepções... Todas as vezes que terminaram com você, eu estava lá, eu sei o quanto isso deve doer. Eu só não quero me envolver agora, é melhor assim.

– Não sei não, dona Lia. — Disse ela, já na frente do nosso prédio.


Combinamos de ir na casa dos meninos à tarde, então, quando já eram 16 horas nós estavámos prontas, esperando o táxi na frente do prédio.


– Lia, tem certeza que não quer ir sozinha? — Ju perguntou.

– E chegar lá com cara de sei lá o que pra falar que eu quero ver o Vitor? Claro que não. Se você for pelo menos podemos dizer que você queria visitar eles, sei lá.

– Mas eu fui lá ontem, Lia. Cara, é melhor você ir sozinha.

– Não Ju, se você não for, eu não vou, to falando sério.

– Então tá. O que eu não faço por você, né. — Ela disse rindo.

– Não Juliana. O que você não faz pra se ver livre de mim, né? — Falei no momento em que o táxi chegou. — Quer a casa livre pra poder ficar com o Gil e...

– Só estou atrás da sua felicidade, amiga. Se você não faz isso, eu faço por você. — Disse, entrando no táxi, logo eu entrei também.

– Só que não, né Juliana.

Demos o endereço ao motorista, e, dessa vez, em menos de 40 minutos estávamos lá.


Apertei a campainha e logo um menino desconhecido abriu a porta. Ele era um pouco mais alto que o Vitor, loiro, olhos verdes. Cara, só tinha gato naquela casa?


– Oi Felipe. — Ju disse abraçando ele.

– Oi Ju. Tudo bem? — O tal Felipe disse.

– Tudo sim... Cara, então... A Lia queria vir aqui ver o Vitor e tal. — Olhei para ela, a repreendendo. Felipe riu.

– Ah, então essa é a Lia, né... O Vitor disse que tinha dado carona pra ela.

– Não é nada demais, é só que ele saiu ontem do nada e eu queria saber o que tinha acontecido. — Eu disse entrando, depois dele ter se afastado da porta para que o fizessemos.

– Lia, sobre isso... — Felipe começou a dizer no momento em que André desceu da escada, que era de frente à porta.

– Oi linda, veio me ver? — Ele disse e nesse momento Ju começou a rir.

Notas finais
Talvez eu não consiga postar sábado ja que vou começar a aula de teatro, ir ao cinema... Mas se vocês comentarem bastante, faço um esforço e tento postar amanhã ok?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.