Blanco y negro
16 Capítulo 16
Notas iniciais
– É tudo que preciso. – olhou-a – O que fez hoje, além de trabalhar, Bella?
– Fui à consulta e pela primeira vez ouvi o coração do bebê. É o melhor som que alguém pode ouvir. – disse animada – Tenho o DVD gravado, sei que não é o mesmo que estar lá na hora, mas ainda assim é maravilhoso.
– Eu acredito que sim. Depois eu vejo isso. – bebeu o resto do uísque – Vamos tomar um banho juntos, que tal?
– Acho ótimo.
Apesar dele não dar muita importância ao que ela contara sobre ouvir o coração do bebê, por um lado estava feliz por poder compartilhar alguns minutos ao lado dele, mesmo que fosse debaixo do chuveiro. Edward beijou-a debaixo d’água, alisando sua cintura e trazendo-a para mais perto. Ela estava sentindo falta daquele contato mais íntimo e por conta da sensibilidade que sentia, sentiu o corpo responder de imediato. Ele também sentia falta dela, o estresse do trabalho o estava deixando exausto, mas não aguentaria outro dia longe de Bella.
Em poucos minutos as mãos atrevidas a excitaram e Edward a possuiu cheio de saudade. O contato o deixava mais aliviado, mais satisfeito e fazia com que esquecesse todo o estresse da semana. Ele sabia que o ritmo do sexo havia diminuído nos últimos dias, mas seu desejo por Bella continuava latente. Nem mesmo sabia como conseguira dividir a cama com ela por tantos dias sem possuí-la, mas não deixaria aquilo acontecer novamente.
Finalmente puderam se deitar e Edward relaxou suspirando devagar a abraçando por trás. Bella não ficou ali por muito tempo, sentiu o estômago revirar e um mal-estar que a fez levantar-se rapidamente para ir até o banheiro. Edward sentiu que ela havia acordado e abriu os olhos rapidamente a tempo de vê-la correndo. Levantou-se rapidamente e foi atrás, entrando no banheiro e vendo-a debruçada sobre a privada vomitando. Rapidamente, ele aproximou-se e agachou segurando os cabelos dela enquanto Bella colocava tudo o que havia comido para fora.
Com uma das mãos, Edward ficou alisando as costas dela preocupado com seu estado, mas sabia qual era o motivo daquele mal-estar.Depois de um longo minuto, Bella pareceu melhor e ele ajudou-a a se levantar. Ela lavou a boca, escovou os dentes e lavou o rosto. Edward ficou ali esperando até que ela se recompor e olhou-a ainda um pouco preocupado.
– Está se sentindo melhor, querida?
– Sim, foi só um enjoo por causa da gravidez. – passou a mão no rosto – Eu já estou melhor.
– Venha se deitar, ficarei de olho em você.Com cuidado ele a levou de volta para a cama. Bella se deitou e ele cobriu-a devagar com o edredom. Ela estava nua, mas naquele momento não conseguia pensar em sexo, vê-la frágil daquele jeito o deixava bastante preocupado e passaria toda a noite em alerta. Ficou ali fazendo um cafuné enquanto via Bella pegar no sono. Já não estava mais com vontade de dormir, então se levantou para ver se comia alguma coisa.
Quando passou pela sala, viu uma capinha de DVD sobre a mesa de centro e recordou-se de Bella falando que a ultrassonografia havia sido gravada. Passou a mão no pescoço e hesitou antes de se aproximar e pegar o DVD.Não havia ido a nenhuma consulta com Bella e particularmente, não achava que havia necessidade em acompanhá-la. Ela quem estava grávida, o bebê crescia em sua barriga e a presença dele ali seria apenas para dar volume e bancar o pai dedicado. Olhou mais uma vez para a capinha antes de abri-la e decidir colocar no aparelho.
Acomodou-se no sofá e ficou ali parado, quando a imagem surgiu na tela a primeira coisa que sentiu foi confusão. A imagem para ele era apenas um borrão sem sentido, turvo, no qual não conseguia entender absolutamente nada.
– Você está vendo o DVD! – ouviu Bella exclamar atrás de si e virou o rosto para olhá-la.
– Bella, o que faz aqui? Está melhor? – levantou-se rapidamente para se aproximar, mas ela já dava a volta em torno do sofá para ficar perto dele.
– Sim, estou. – passou a mão no peitoral dele – É que acordei e não te vi na cama, resolvi vir atrás.
– Bom, não conseguia dormir e acabei vendo que o DVD estava em cima da mesinha e resolvi assistir.
– Que bom que você estava vendo. – sorriu e olhou para a tela – Foi tão emocionante ver isso no consultório. De saber que esse bebê está aqui dentro. – colocou a mão na barriga.
– Para ser sincero, eu não consigo ver um bebê ali. – disse olhando para a tela da TV – São só borrões.
– Ah, Edward. – suspirou – O médico me disse que o feto tem apenas quinze milímetros por enquanto e sim, nesse período é mais difícil de identificar o bebê na ultrassonografia, mas mesmo assim é emocionante saber que ele está ali.
– Sim, pode ser. – disse um pouco inseguro.
– Aumenta o som, você vai ouvir o coração do bebê. É a melhor coisa do mundo! – exclamou contente e pegou o controle aumentando o volume do aparelho.
Logo pode ser ouvido batidas que eram realmente semelhantes a de um coração. Bella logo colocou a mão na própria barriga e sentiu os olhos marejarem. Edward estava ali, parado, sem olhar para a tela da TV, mas totalmente absorto no som forte das batidas de um coração minúsculo. Era impressionante como um feto de um centímetro podia ter um coração que pulsava tão forte daquela maneira. Era seu filho, era a prova mais forte de que uma vida crescia dentro do ventre de Bella.Passou a mão no rosto um pouco desnorteado. A ideia de ter um filho ainda o deixava confuso e perturbado, ainda não caíra na real de que tinha responsabilidade sobre outra vida que dependeria dele. Bella secou o canto dos olhos e ele pegou o controle do DVD e desligou o mesmo. Sua cabeça girava em torno dos pensamentos sobre ser pai e o som do coração ecoava em sua mente deixando-o confuso.
– Acho melhor deitarmos, querida. – colocou o controle sobre a mesinha – Não quero que se sinta mal novamente.
– Tudo bem. Mas você vai me acompanhar na próxima consulta?
– Se eu puder, irei junto com você. – beijou-lhe a testa – Mas vamos para a cama que é melhor no momento.Edward a levou até a cama e ajudou-a a se deitar. Acomodou-se ao lado dela e abraçou-a em seguida, recostando seu corpo e se encaixando por trás, pegando no sono de maneira rápida.
Caminhando por entre a multidão de pessoas, Edward dava passadas largas em busca do portão onde sairia sua mãe. O aeroporto começava a ficar cheio naquela época do ano porque muitas pessoas viajavam para o feriado de Ação de Graças. Ele estava sério, por trás dos óculos escuros e parou algumas vezes para dar alguns autógrafos. Naquele quesito, nunca deixara a desejar, era sempre simpático e conseguia disfarçar muito bem a frieza com que agia grande parte das vezes em sua vida. Olhou para cima e viu o telão onde indicava o horário dos voos e a previsão de que sua mãe só chegaria dentro de meia hora.
Olhou para o relógio pra conferir exatamente o horário e para passar o tempo resolveu tomar um café.Usava uma calça jeans e uma camisa pólo rosa que realçava seu peitoral. Chamava atenção por onde passava não somente por ser uma pessoa famosa, mas pela incrível beleza que não era ignorada pela quantidade de mulheres ali no aeroporto. Entrou em uma mini cafeteria e pediu um cappuccino. Iria saborear seu café de maneira demorada enquanto esperaria pela mãe.
Na mesa ao lado, se sentou uma mulher, tinha longos cabelos castanhos muito parecidos com os de Bella e podia considerá-la bonita, mas ela estava ajeitando um carrinho de bebê ao seu lado. Edward limitou-se a virar o rosto e ficar tamborilando na mesa enquanto esperava seu café. Ouviu um uns barulhos um pouco incompreensíveis e olhou para o lado vendo a bebezinha no carrinho esticando os pequenos bracinhos e murmurando coisas incompreensíveis. Ficou olhando para ela que sorria e começava a ficar com a boca molhada de saliva. A mulher que provavelmente era a mãe notou e limpou-a com uma fralda de pano.
– Parece que ela gostou de você. – comentou desviando sua atenção para Edward ao ver a filha tão alegre.
Ele forçou um sorriso para parecer simpático e assim que seu copo de café foi servido, pegou o mesmo largando algumas notas em cima da mesa e saiu apressado dali como se o lugar pudesse explodir em pouco tempo. A imagem da menina dentro do carrinho sorrindo feliz o fez pensar imediatamente no filho que Bella esperava e pela primeira vez se questionou: seria menino ou menina? Será que seu filho também iria rir para ele da mesma forma como aquela bebezinha sorrira? Suspirou e tomou um grande gole do café.
Não tinha que ficar se questionando sobre aquilo, seria seu filho e pronto. Era cedo demais para fazer mais perguntas.Esme chegara usando um conjunto de calça e blusa da cor pastel e um sapato preto. Os olhos azuis brilharam ao ver o filho e logo o abraçou apertado. Deu uma boa olhada nos traços de Edward como se quisesse ter certeza de que ele estava bem e sorriu feliz por estar ali.
– Que bom poder vir te visitar, querido.
– Que bom que está aqui também, mãe. Acho que é melhor irmos logo para casa antes que o trânsito piore.
Dentro do carro, ele tamborilava os dedos no volante irritado porque o trânsito já estava um caos. Aquilo já era a consequência do feriado que seria em poucos dias. Ainda usava os óculos escuros e assim não era incomodado pelos raios de sol do final de tarde. Esme estava quieta e Edward tinha medo daquilo, era sinal de que a mãe estava aguardando a melhor hora para falar de um assunto que ele já estava esperando.
– Filho, Bella está realmente grávida? – ela perguntou sem conseguir acreditar.
– Sim, mãe. – confirmou – Dois meses. – respondeu de maneira breve.
– Eu te avisei, ela estava procurando o momento certo para engravidar. Aposto que tomou essa atitude quando viu o quanto você e Kate formam um belo casal.
– Mãe, chega, por favor. – suspirou impaciente – Reclamar agora ou acusar Bella de algo não vai mudar o fato de que serei pai.
– E se o filho não for seu?
– Ah, por favor... – negou com a cabeça – Não comece porque sei que sou o pai. Já sou grandinho o suficiente para saber que tive toda a capacidade de engravidá-la.
Esme fizera questão de ficar no apartamento e acompanhar de perto a gravidez de Bella, ficaria ali em Los Angeles por alguns dias, aproveitando para passar o feriado, e depois voltaria para Londres.
Edward sabia que a presença da mãe seria um martírio para Bella, mas esperava que agora com a gravidez, pelo menos o assunto do bebê pudesse ser o protagonista daquela relação e não suas antigas namoradas.Bella já esperava para recepcionar Esme e forçou seu sorriso mais simpático ao ver a mãe de Edward chegar acompanhada dele. As duas se cumprimentaram com um beijo no rosto e Esme colocou a mão na barriga de Bella que ainda estava lisa.
– Que alegria saber que serei avó! – exclamou contente fingindo inteira satisfação com aquilo, estava feliz pelo neto, mas não muito contente em este ser filho de Bella – Mas tome cuidado, querida. Está com o rosto bem redondinho, cuide-se para não engordar.
– Ela vai se cuidar, mãe. – Edward cortou o assunto – Eu te levarei para o seu quarto, pode tomar um banho e descansar, eu mesmo vou preparar o jantar.
Edward sabia que se não cortasse aquilo, a mãe continuaria alfinetando Bella e por mais que fosse sua mãe, sabia que ela e Bella não tinham uma boa relação e torcia para que aqueles dias passassem rápido. Durante o jantar, Esme ficara contando diversas histórias sobre sua gravidez e a aconselhava sobre o que era melhor fazer em alguns casos, contando com toda sua experiência.
No dia seguinte, Edward acordou cedo para ir ao estúdio para mais um dia de gravação e Bella estava no quarto se preparando psicologicamente para enfrentar um dia inteiro com Esme, já que ela havia se oferecido para visitar a galeria e por educação tivera apenas que aceitar, afinal, não podia proibir a entrada de ninguém.
Fez sua rotina normal, tomou um banho tomou seu café e achou que Esme tivesse desistido de ir à galeria, quando a viu aparecer na sala usando um vestido azul escuro e os cabelos presos em uma típica trança como as que costumava usar.
– Estou pronta para conhecer o lugar onde trabalha. – disse mostrando empolgação, que Bella não soube distinguir se era ou não verdadeira.
– Sim, espero que goste. Tem lindos quadros. – pegou sua bolsa e pendurou nos ombros.
– Você está acostumada a trabalhar com obras de arte, nunca pediu para que Edward lhe comprasse uma?
– Não, eu trabalho com isso, acho lindas, mas não faço questão de ter. – respondeu sabendo que mais uma vez ela falaria sobre o dinheiro que Edward gastava pra mantê-la.
– Mas esse apartamento foi ele quem comprou, certo? – perguntou já descendo pelo elevador até a garagem.
– Sim, ele insistiu que precisava um apartamento enorme, mas eu até tinha um apartamento muito bonito, porém Edward praticamente exigiu que eu tinha que morar aqui. – explicou-se.
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