Black Angel - Segunda Temporada
4 Décimo segundo andar
Notas iniciais
O prédio da Wayne era o mais bonito de Gotham, sem dúvida. Já era noite quando passei pelas portas de vidro. Na recepção, ainda havia funcionárias muito bem vestidas e bastante sorridentes, apesar de já ter acabado o horário comercial. Logo que me aproximei da comprida mesa de recepção, uma delas me sorriu:
— Décimo segundo andar.
Agredeci tentando imitar aquele sorriso feliz e fui para o elevador. Não foi difícil achar a sala, já que havia uma enorme porta dupla com uma placa "Grayson" em letras negras. Antes que eu me aproximasse o suficiente, ele abriu a porta com um sorriso convidativo. Era lindo ele. E ficava ainda melhor metido naquela roupa social, deixava aparecer pro mundo o quanto era poderoso.
— Oi. Vamos jantar? — E abriu aquele sorriso de deixar mulher bamba. Concordei e ele me mandou entrar. — Vou só desligar minha máquina. — E foi até o computador, todo lindo ele.
A sala era meio crua, Dick não costumava passar muito tempo ali, eu sabia que ele gostava mais do trabalho de policial, então não tinha muito dele ali, a não ser pelo computador e por um mural de fotos na parede. O computador era bem mais do que o trabalho dele precisava, um hardware excelente, dava para ver só de bater o olho. E o mural, cheio de fotos dele mais jovem. Fotos no colégio, sempre acompanhado de alguém: Wally, Artemis, Zatanna, Megan, Conner, Roy e... eu. Algumas fotos nossas juntos que eu nem sabia que existiam.
— Aquele ali é o Kal. — Apontou para um rosto no meio de vários que eu já conhecia. Era um homem alto, moreno e com olhos azuis. — Trabalhamos juntos por um tempo. — Saiu de trás da sua mesa
— Ele não é daqui, né?
— Você nem imagina.
Ele envolveu minha cintura com os braços, me abraçando por trás.
— Vam-
— Com licença. — A porta foi aberta de repente — Dick, eu preciso te entregar isso aqu- — E me viu — Ah, oi! — Abriu um sorriso com a boca bem marcada de vermelho — Você é a Lis, amiga do Dick, certo?
— Oi, Andy.
— Então, Bruce achou que eu poderia precisar de uma secretária para dar conta dos dois empregos. Andy foi contratada na semana passada, mas só começou hoje. — Explicou
— Hm, eu só tinha que entregar isso aqui, mesmo. Até amanhã, chefe. — Depois de um segundo de silêncio constrangedor, ela deu um daqueles sorrisos, entregou uma pasta de papel pardo e saiu da sala.
Voltei a olhar para o mural, mas não prestei atenção em nenhuma outra foto. Secretária. Que clichê. Uma secretária loira, saia justa — lembrando que estamos no inverno, mas a secretária está de saia — e batom vermelho. Respirei fundo.
— Vamos? — Dick chamou, com a voz vacilante.
Caminhei para fora da sala direto para o elevador. Nenhum sinal de Andy, nenhum sinal de ninguém, para falar a verdade. O expediente já havia acabado há um certo tempo e o elevador nos esperava. Dick apertou o botão, me olhando de rabo de olho.
— Lis, você-
— Secretária? Sua secretária pode entrar na sua sala sem bater?
— Lis-
— E ela pode chamar você de Dick?
— Mas é que-
— E mesmo depois das minhas fotos no seu mural e na sua mesa... Ela ainda acha que eu sou só sua amiga? — Minha voz vacilou no final, e não gostei disso.
— Lis! — Berrou.
Dick bateu a mão no botão vermelho, nos mantendo parados no meio do caminho para o térreo. No mesmo movimento, me segurou pelos ombros e colou minhas costas na parede fria do elevador. eu não queria, mas arregalei os olhos por um segundo, antes de esfriar minha expressão.
— Quer parar? — A voz era dura, mas os olhos não. — A primeira coisa que eu falei pra ela, quando vi que era ela a minha secretária, é que você é minha namorada, minha mulher. — Estremeci. E o maldito percebeu. — Eu achei que não precisava dessas formalidades, ela tem a nossa idade, não faz sentido me chamar de Senhor. — Ele amansou — Eu tô apaixonado, isso tá escrito na minha testa, Amell. — Ele aproveitou meu silêncio e aproximou seu rosto do meu, bem perto mesmo, roçou sua bochecha na minha e senti sua pele lisa, fresca. — Você fica linda com ciúme.
— Não... Ah, é ciúme, sim. — Fui rendida por aquele carinho e ele riu.
— Fica linda.
E começou. Começou com aqueles beijinhos lentos que parecem inocentes, por todo o rosto, mas quando alcançam os cantinhos da boca, o corpo gela. Os beijos desceram para o queixo, na direção do pescoço, começaram a se demorar mais na pele, mais molhados, mais sensuais. Quando alcançou o pescoço, desmontei, comecei a arfar.
— Dick... — Suspirei. Se eu queria falar alguma coisa, esqueci no segundo seguinte.
E ele me calou com um beijo, que tinha inteção de ser lento e sensual, mas quando encostou na minha boca, se tornou urgente, desesperado. Ele apertava minha cintura cm força, do jeito que fica marca, do jeito que me deixa tonta. Eu puxava aquela camisa branca que ficava justa no peito e nos braços, mostrando — sem querer — os músculos contraídos. Abri os botões da camisa com facilidade, só até a metade, que era o suficiente para que eu conseguisse alcançar a pele das suas costas.
— Lis, espera... — Pediu, com a voz rouca.
Deslizei as mãos para fora da camisa e o empurrei devagar.
— Eu sei. Eu sei, a gente tá num elevador. — Suspirei.
Dick passou a mão no cabelo, tentando arrumar. E parecia frustrado. Não posso mentir dizendo que aqueles amassos no elevador foram o suficiente, mas eu queria rir da frustração dele. Ele bateu a mão no botão vermelho e o elevador voltou a funcionar. Não falou mais nada até chegar no térreo, que não tinha mais recepcionista loira sorridente, apenas uns quatro seguranças.
— Pizza?
A pizzaria era perto da minha casa, isso sugeria que Dick dormiria na minha cama essa noite, o que me deixava ansiosa para ir para casa. Sentamos na janela do restaurante pequeno e um garçom veio logo entregar o cardápio, que Dick tomou para si. Nem percebi quando ele fez o pedido, tinha outra coisa chamando a minha atenção, uma coisa usando jaqueta de couro e exibindo o charme para uma ruiva sentada a sua frente.
— Dick, olha quem tá ali. — Apontei com a cabeça, tentando conter um sorriso.
Gabriel Locken, era o quem estava ali.
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