Black

2 Sonserina...


Notas iniciais
Aqui está o primeiro capítulo. Demorou, mas chegou. Espero que gostem, de coração. Deixem comentários, isso é bem legal. Obrigada por lerem! Beijoooos

Capítulo 1
Hogwarts, Ano I

– Crianças, vocês vão se atrasar! — disse uma mulher. Seus cabelos eram avermelhados, e estavam presos sob um chapéu. Trazia em seus braços diversos casacos, e batia os pés no chão rapidamente. Estava nervosa.

Ao ecoar de sua voz pela casa, passos apressados vieram escada à baixo. Seis cabeleiras ruivas tagarelavam, chegando aos tropeços à porta. A mãe lhes deu um olhar repreendedor, revirou os olhos e disse um 'O que vocês estão esperando?' que fizera mais efeito que qualquer mágica que ela poderia usar.

Chegaram à estação, movimentada e tumultuada pela manhã. Ombros esbarrando em ombros, hálitos se condensando na gélida e nebulosa Londres, passos apressados e uma tal plataforma 9 3/4. Os gêmeos foram á frente, atravessando os tijolos logo após o mais velho. A mais nova segurava a mão da mãe enquanto admirava silenciosamente tudo o que acabava de acontecer. A garota e o garoto franziam o cenho, enquanto seus interiores saltavam de empolgação. Estavam prestes à cruzar a barreira, quando alguém corre até eles.

– Vocês sabem onde fica a estação 9 3/4? — disse o garoto. Era magricelo, pálido e cabelos negros desgrenhados. Usava óculos redondos, como dois globos transparentes e carregava consigo uma coruja tão branca quanto a neve recém caída.

– Você procura a estação 9 3/4? — disse a mulher, colocando uma mão sobre os ombros do garoto, que acenou com a cabeça. — Então está tão atrasado quanto nós. — ela disse sorridente, acima de tudo, estava animada. — Venha, é só atravessar os tijolos. — ela disse, apontando para a parede.

– Mas...

– Venha conosco. — disse a garota mais velha, tomando suas mãos na dela. — É só fechar os olhos, e confiar em mim. — ela disse sorrindo. Sem muita escolha, talvez, o garoto a seguiu e juntos eles correram até alcançarem finalmente, a plataforma.

Após despedidas, e abraços, e beijos, todos embarcaram no trem. Os irmãos mais novos, se encontravam numa cabine, quando o mesmo garoto de cabelos desgrenhados, aparece através da vidraça.

– Posso me sentar? — ele disse.

– Claro. — disse a garota, puxando para o colo uma sacola com a qual dividia o banco. O garoto se sentou. — O meu nome é Clarice. Clarice Weasley. — e estendeu-lhe a mão.

– E eu sou Ron, Ron Weasley. — disse o ruivo no banco oposto, também estendeu-lhe a mão. Ao sorrir, suas sardas se aproximaram ainda mais, formando uma constelação salpicada em seu rosto rosado.

– Eu sou o Harry. — disse o outro.

– Harry, tipo o garoto Potter? — perguntou Ron.

– Eu não diria tipo. — disse a garota encarando a paisagem da janela. Clarice virou-se para os dois e levou sua mão à testa de Harry, onde levantou suavemente os cabelos do mesmo, revelando uma cicatriz.

– Pelas barbas de Merlim! — disse Ron. — Você é mesmo o Harry Potter?

– ... Sim. O que tem de importante nisso? — disse Harry.

– Ai meu Deus. — Ron se levantou e levou as mãos à cabeça. — Como você pode me perguntar o que há de importante nisso? Você é o bruxo mais conhecido da história e só está no primeiro ano de Hogwarts! Sentado no mesmo vagão que eu. — ele parou e encarou o garoto. — Fred e Jorge precisam saber disso!

– Precisam saber o quê? — disse uma voz. Era uma garota, de cabelos castanhos, assim como seus olhos. Os cabelos estavam totalmente desgrenhados, mas ela não parecia se importar. Trazia consigo uma varinha, e vestia o tradicional uniforme de Hogwarts. — Ah, isso não importa. — ela balançou a cabeça em negação. — Um garoto perdeu o seu sapo no trem, o nome dele é Neville, vocês o viram por aqui?

– O garoto ou o sapo? — disse Ron se sentando, rindo.

– Que eu me lembre, foi o sapo quem se perdeu. — disse ela revirando os olhos, e pousando-os sobre Harry. — Ai meu Deus, você é Harry Potter! — ela se aproximou dele e tocou-lhe a cicatriz. — Isso é incrível. — ela sentou-se ao lado do ruivo. — À propósito, eu sou Hermione Granger. — e estendeu-lhes a mão.

– Clarice Weasley.

– Ronald Weasley. — ele revirou os olhos.

– E então, já aprenderam algum feitiço? — disse Hermione.

– É óbvio que não, não tivemos aulas. — disse Ron, de braços cruzados.

– Estive folheando alguns livros. — disse Clarice. — Aprendi como abrir fechaduras. — ela sorriu.

– Alohomora? — disse Hermione, empolgada. Clarice concordou. — Eu li todos os nossos livros enquanto estava em casa. Há coisas incríveis sobre o mundo bruxo.

– E quem é que lê os livros antes das aulas? É para descansar que ficamos. em. casa. — disse Ron.

– Creio eu que façamos o que quisermos.

A discussão durou até a garota sair do vagão para pegar suas coisas, mas eles voltaram a se reencontrar no barco que levava à escola. Estava à noite, e os sons da floresta podiam ser ouvidos. Os barcos balançavam devagar, mas o som do bater da água era abafado pelas vozes dos alunos do primeiro ano.
Passaram pela entrada, pelos archotes nas paredes negras de pedra. Foram guiados até Minerva, que trajava roupas de cores fortes e usava um chapéu pontudo.

– Boa noite, meus caros! — disse ela, num tom gutural. — Sejam bem-vindos à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts...

Sobre a escada, o tumulto continuou. E enquanto cochichavam, um grupo de garotos se aproximou. Um garoto louro vinha na frente, orgulhoso, quase exalando.

– Então você é Harry Potter. — disse ao garoto que acenou. Clarice, o irmão e Hermione se aproximaram dele. — Eu sou Draco, Draco Malfoy.
Ron riu, e o garoto voltou-se para ele, furioso.

– E você? — disse Draco. — Cabelos ruivos, vestes de segunda mão, só pode ser um Weasley.

– Cabelos águados, e colados na cabeça, só poderia ser um Malfoy. — disse Clarice. Os garotos reprimiram um sorriso. Malfoy revirou os olhos.

– Espero que saiba com quem irá obter sucesso por aqui, Potter. — disse ele.

– Acho que para ele obter sucesso, basta ele não mudar o seu nome pelo resto da vida. — retrucou Clarice.

– Ei garota...

– Crianças! — disse Minerva. — O Salão os aguarda para a cerimônia de escolha, e creio que o Chapéu Seletor também. — ela virou-se de costas e começou a caminhar, parando de súbito e voltando-se a eles — E também creio, que não queiram se atrasar.

Assim, os alunos do primeiro ano sentaram-se esperando a cerimônia de escolha. Clarice sentou-se entre Ron e Hermione, enquanto conversavam sobre o que haviam lido. Hermione lhe contava histórias da criação de Hogwarts, desde os encantamentos do piso à última telha. Dumbledore, o diretor, disse-lhes algumas palavras, e declarou o início da cerimônia.

Alguns professores, trocavam olhares nervosos entre si, cochichavam e lançavam olhares indiscretos à Clarice, como se ela não os pudesse ver. Mas ela podia, e estava atenta a cada detalhe. Dumbledore fixou seu olhar em Harry, e logo depois, demorou-se nela. Um olhar que ela não podia decifrar, mas que lhe oferecia conforto.

Os minutos voavam para os chamados, mas aos que ficavam, ele se arrastava como uma lesma. Ron, como todos os irmãos mais velhos, conseguiu seu lugar na Grifinória. Draco, com seu sorriso convencido, — e como o esperado — seguiu para a Sonserina. Quanto à Hermione, — mesmo com certo conflito entre Corvinal -, seguiu também para a Grifinória, e o tão esperado da noite, Potter, se juntou à eles.

– Clarice Weasley. — chamou-lhe Minerva. A garota despertou de seus devaneios, enrolando o dedo nos fios de cabelos ruivos. Provavelmente, estava ruborizada, e caso não estivesse, era assim que se sentia. Caminhou lentamente até o grande chapéu que a aguardava, como se lhe sorrisse. — Boa sorte. — disse-lhe Minerva, com um sorriso leve.

A garota sentou-se no banco de madeira, três vezes menor que o próprio chapéu, apoiou suas mãos em sua lateral e apertou os olhos, como quem faz um pedido no aniversário esperando que a força o faça se realizar. O chapéu foi colocado sobre sua cabeleira, e ela suspirou.

Clarice, Clarice. Mais uma Weasley por aqui... ou não? O que escondes sob essa cabeleira ruiva? Inteligência, bravura, astúcia ou lealdade? ... Há algo que me confunde, que me embaraça, e posso lhe garantir que não são fios de cabelo... mais uma Weasley, mas há algo estranho... pelo quê clamas, afinal? Sua família está na Grifinória, mas sua raíz está... na Sonserina!

Olhos a encaravam de todos os cantos, rostos surpresos. Os professores voltaram a trocar olhares nervosos, assim como seus irmãos. Era como se o tempo tivesse paralisado, e só existissem ela, e a multidão que a observava, e aquela palavra a soar repetidamente em sua cabeça.

Sonserina, Sonserina, Sonserina...

Notas finais
Obrigada por ler :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.