Bittersweet.

30 30. Ele é tímido, é isso.


Notas iniciais
Boa leitura.

Andava frustrada, enquanto pisava duro pela trilha, seus olhos verdes demonstravam tanta irritação que qualquer um que a visse, se afastaria temendo que poderia ser vítima de sua raiva, mas não havia ninguém para presenciar sua raiva.

O que ela não sabia se era boa notícia ou péssima, desde que estava perdida, as árvores pareciam as mesmas da entrada da trilha, o que a fazia se irritar por isso.

Se havia uma coisa que irritava Amy Rose mais do que ser deixada para trás, era estar perdida e não saber onde estava e como sair dali. Por instante desejava que Sonic a encontrasse, a pegasse no colo e a levasse em segurança para casa ou até mesmo para um jantar em um restaurante enquanto lhe dizia coisas fofas e românticas.

Deu um gritinho fangirl sem dar conta, não pode segurar um pulo de alegria e um sorriso em seu rosto, sua animação era tanta que mal se deu conta da raiz enorme a sua frente, deu um grito alto de surpresa quando caiu, seu corpo indo rápido e com força para o chão, seu vestido assim como seu rosto se sujou com terra úmida e folhas secas.

Levantou-se com raiva, praguejando pelo seu vestido favorito ter sido arruinado, passou as costas da mão pelo rosto, rosnando de frustração, pisou duro, para naquele momento perceber que foi uma péssima ideia, a intensidade da dor vinda de seu tornozelo foi forte o bastante para quase a derrubar novamente, uma careta de dor cheio a seu rosto, distorcendo suas feições antes irritada para uma de dor.

“Sonic... Onde está você para me salvar?” Perguntou inutilmente, em sua mente, ainda esperava que Sonic a estivesse observando para lhe fazer uma surpresa, porém quanto tempo mais se passava, mais suas esperanças de encontrar o ouriço azul se desvaneciam.

“Por que eu sempre espero que Sonic apareça magicamente para me salvar?” Perguntou tristemente, enquanto tentava andar, mesmo que com a dor latejante de seu tornozelo, trincou os dentes enquanto tentava andar mesmo com a dor.

“Por que você é tão idiota, Amy?” Se repreendeu, com raiva. “Por que não seguiu direito, Knuckles?” Fez uma careta de dor. “Mas... Mesmo se eu estivesse seguido certo, Sonic ficaria feliz em me ver?” Se pergunto enquanto encontrou um tronco caído em meio a duas outras árvores enormes, pela falta de musgo ela podia dizer que havia caído não tinha muito tempo, as outras árvores eram grandes o suficiente para que ela pudesse ter uma proteção do sol, mesmo que em todo o tempo que andou por ali, o sol não foi um problema.

“Claro que ele ficaria feliz! Ele me ama!” Rebateu seu pensamento, dando um sorriso dolorido.

“Por que ele foge?” Sua mente lhe rebateu, ela franziu a testa, muitas vezes ela já teve esse questionamento. Por quê?

“Ele é tímido, é isso.” Foi a única resposta a qual chegou, depois de todos esses anos, então ela apenas lhe seguia, esperando que suas demonstrações de afeto, carinho e amor lhe fizesse enfim conseguir confiança o suficiente para conseguir admitir seus sentimentos e ficarem juntos.

Sorriu amorosamente com o pensamento.

Todos da mídia já sabiam que ela o amava e até mesmo especulavam que estivessem juntos, quantas vezes já teve essa pergunta dos repórteres que lhes entrevistavam depois de mais uma batalha contra Eggman? E em todas essas entrevistas ela respondia a mesma coisa, com um enorme sorriso no rosto, ela simplesmente dizia que sim, mas Sonic era tímido demais para admitir, o que rendia de algumas fãs femininas que estavam ao redor soltar um som de “awn” e exclamações de “que fofo”.

Ela não podia negar que adorava ver os olhares de inveja e até mesmo de admiração dirigidos a ela pelos fãs, Sonic era seu namorado, sempre teve confiança em seu amor, sempre soube que todas as vezes que ele a salvou, era porque a amava. Não tinha outra justificava, certo?

Suspirou enquanto se recostava mais no tronco de umas das árvores que ainda permaneciam de pé, olhando para a imensidão verde ao seu redor com o olhar de contemplação, adorava a natureza, mesmo que estivesse perdida sem ao menos saber onde estava, não podia negar que era uma linda e calma paisagem.

Talvez quando se casasse com Sonic, o convencesse a ter uma casa na floresta, uma cabana de madeira onde poderia estar longe de toda a movimentação da cidade, tendo Sonic apenas para si e longe de todas as lutas também, desde que ele fosse seu marido, não permitiria que ele saísse de seu lado nunca, nem que tivesse que o ameaçar.

Sonic podia ter teimoso, mas ela era muito mais.

Fechou os olhos para se distrair da dor, deixando sua mente vagar em imagens adoráveis de sua casa na floresta, da filha que sonhava em ter com Sonic, uma menina tão forte quanto o pai e bonita como ela, até mesmo tinha um nome em mente, tão bonito quanto sua filha, Aurora.

Sorriu em meio seus pensamentos, imaginava como sua filha sendo adorável como é atrairia os olhares dos adolescentes, como Sonic seria um pai super protetor e até mesmo rabugento, não conseguiu conter um sorrisinho ao imaginar o ouriço como um pai coruja. Cenas de sua futura flutuavam em sua mente, sua vida toda imaginada. Ela e ele já velhinhos rodeados por seus netos, Sonic feliz e ela em jubilo. Era a família perfeita, nada poderia interferir nesse futuro, nada.

E com esses pensamentos, acabou adormecendo.

— Ei, tá viva? — Uma voz levemente aguda pode ser ouvida, enquanto uma mão com luvas pretas e dedos desnudos cutucava o a ouriça com um graveto.

— Sonic... Não implica com o Shadow... — Ouviu a ouriça resmungar enquanto se remexia, a mão que a cutucava se afastou assustada, enquanto soltava um gritinho assustado.

— O que? — Amy abriu dos olhos com o som do grito, se erguendo de repente e olhando irritada para a frente, onde com sua visão embaçada conseguia distinguir as cores bagunçadas de amarelo, preto e marrom.

Gritou assustada, o outro ser que estava ali gritou mais alto, pelo tom ela conseguia identificar que era outra menina igual a ela.

Depois do susto, ela fechou os olhos e respirou fundo, seu coração batia acelerado em seu peito e tremia. Seria a estranha? O que estaria fazendo ali na floresta onde ele sabia que em algum lugar dela Sonic estava?

Seus olhos se estreitaram.

— Quem é você? — Exigiu com raiva, quando o pensamento de que outra menina podia morar perto de Sonic ou até mesmo compartilhar a casa. — O que você faz com o meu Sonic?! — Gritou se levantando com fúria, esquecendo de seu tornozelo.

— Que? — Ouviu a voz responder confusa. — Quem é seu Sonic? — Perguntou enquanto se afastava assustada pela explosão da ouriça.

— Não se faça de idiota, todo mundo conhece o meu Sonic! — Rosnou, suas mãos tinham um brilho estranho, enquanto a ouriça materializava seu tão conhecido Piko Piko Hammer e avançava para a desconhecida.

— Eu não sei do que está falando! — Gritou tentando se justificar pelo sabe-se o que a ouriça estava lhe acusando, enquanto desviava para o lado quanto ela avançou com o martelo, desviando por pouco, muito pouco.

Amy passou direto da garota, sua lesão limitando sua velocidade, mas sua raiva só aumentava.

— Eu não sei qual é o seu problema — começou a garota, olhando para a ouriça com as mãos levantadas para a frente — não sei de quem está falando! — Tentou novamente, a ouriça olhou para ela cética.

— Ah, claro, você nunca ouviu falar de um ouriço azul super veloz que salvou o planeta muitas vezes e é o meu namorado! — Enfatizou as últimas palavras dando a garota um olhar fulminante.

A garota tombou a cabeça para o lado, sua expressão tomou um teor pensativo enquanto esquecia por um breve momento de que quase foi atacada, olhos castanhos mel pareciam ter algum sinal de associação e reconhecimento.

— É o ouriço da propaganda de sapato? — Perguntou, olhando para ouriça com confusão.

Isso pegou Amy de surpresa, olhando para garota com confusão, baixando a guarda por um momento, tempo suficiente para que a garota arrancasse sua arma de suas mãos e a segurasse longe do alcance da ouriça usando a cauda longa.

— Ei! — Gritou, enquanto tentava alcançar o martelo, se frustrando quando não conseguiu.

— Qual o seu problema?! — Gritou a garota, fazendo uma expressão irritada. — Eu estou voltando pra casa depois de um dia cansativo ‘pra’ caramba para encontrar uma ouriça do nada que quer me bater! — Reclamou, suas mãos se fechando em punhos.

Amy piscou surpresa, apesar de ser uma reação esperada ainda assim a reação e a exclamação da garota surpreendeu-lhe

— Quem é você? Uma espécie de macaco? — Perguntou enquanto voltava suas tentativas de recuperar sua arma característica.

— Que?! — Perguntou indignada. — Como não consegue ver que sou uma macaca! — Disse convencida, olhando para ela com seus olhos azuis arroxeados felinos. Amy então pôs a analisar a garota.

Era uma macaca de pelagem amarelo neon, com grandes olhos castanhos-mel, com a pelagem de seu rosto bronzeado. Vestia um suspensório preto com calças longas presas em sua bota de combate e um top preto longo sem mangas. Sua cauda era longa o suficiente para que pudesse dar uma volta dupla em sua cintura, onde estava acomodada no momento.

— Me devolve! — Gritou, ainda sem desistir.

— Só se for para guardar isso aí. — Disse estreitando os olhos. — O que está fazendo aqui? Não é um lugar normal para fazer caminhada. — Comentou enquanto abaixava sua cauda e pegava o objeto com as mãos. — Toma.

— Eu... — Começou, seu rosto tomando uma cor roseada. — Eu me perdi. — Admitiu meio envergonhada, olhava para a gata sua frente como quem admitia algo bastante vergonhoso.

— Essa floresta é enorme, me lembra um pouco de casa. — Comentou enquanto olhava as árvores. — Eu também me perco... Muitas vezes... — Admitiu, sua expressão também envergonhada.

— Sou Amy Rose — ergueu a mão para a cumprimentar, seu martelo havia desaparecido até que precisasse dele outra vez — e você?

— Sou Dominika — deu um sorriso tímido, enquanto retribuía o gesto e apertava a mão da ouriça, com força demais.

E apertaram as mãos.

.

Havia se passado uma semana desde que chegou em casa, porém não foram dias tranquilos, as manhãs recheadas com náuseas, as tardes com sono e as noites com pesadelos faziam com que ele não tivesse noites de bom sono e passasse o dia com uma expressão esgotada e cansada, mais do que isso, parecia que suas forças estavam sendo sugadas de si.

Rouge permaneceu todo o tempo com ele, o que agradecia, desde que com o passar dos dias tornava até mesmo o simples ato de caminhar difícil, as tonturas não ajudavam e quase não conseguia dor dois passos sem quase cair.

Não entendia a razão disso, desde que estava tomando os medicamentos que Mary lhe passou corretamente, quando ela tinha retornado no dia seguinte depois de ter pego os resultados, ela tinha uma expressão estranha, como se estivesse com medo de algo ou até mesmo assustada, mas mesmo que ele tentasse a questionar, ela não lhe responderia, então deixou passar.

Sua mente se distraia surpreendentemente rápido, já se pegou várias vezes caminhando pela casa para ir para a cozinha ou até mesmo ao banheiro e se esquecia completamente do que estava fazendo.

A pior parte para si não era exatamente as tonturas, era a quantidade de água que pedia por recomendação de Mary e insistência de Rouge, às vezes em que queria comprar um Chilli dog e a morcega albina lhe impedia, como ela administrava e regulava sua alimentação com ardor. Havia também às vezes em que ela lhe sorria, lhe dava um abraço forte quando ele parecia prestes a se desfazer em lágrimas e acariciava lhe o ventre com carinho.

Ela parecia curtir a gravidez também, mas de uma forma diferente, como se ela sempre desejasse aquilo, mas não podia ter, era um pouco desconfortável ter alguém tocando sua barriga daquela forma, mas aos poucos e graças a insistência da morcega, ele acabou cedendo.

Era uma noite agradável, ele estava deitado no sofá com a expressão cansada, olheiras começaram a surgir em seu rosto, havia feitos algumas ligações para Mary, perguntando algumas coisas que veio a ter curiosidade, a morcega não pareceu se incomodar enquanto lhe respondia cada uma de suas dúvidas com paciência e cautela, usando palavras de fácil entendimento o que ele agradeceu, desde que não conhecia grande parte dos termos científicos e específicos.

— Sabe Blueboy? — Perguntou retoricamente, começando uma conversa.

Estava sentada confortavelmente no mesmo sofá, as pernas no ouriço descansam sobre suas coxas, ela parecia relaxada enquanto mantinha uma mão na barriga de Sonic, um novo vício que acabou adquirindo desde que aceitou estar com ele por pelo menos até não precisarem mais dela ali. Apesar da barriga dele não ter crescido quase nada, ela ainda podia sentir com os dedos o minúsculo volume se formando, um sorriso veio a surgir seus lábios.

— Você parece muito cansado, eu me pergunto se é a parte do pai fazendo com que seu bebê precise de muito de você... — Começou se perguntando, enquanto deslizava o dedo na pele, alternando entre pêssego e azul. — Você sabe, Shadow precisa de Chaos e bem, só há um modo de descobrir, certo?

Apertou um botão de seu comunicador no pulso, escondido pelas longas luvas que usava e espero, a ação pegando Sonic de surpresa, seu corpo tencionou em expectativa.

Agente Shadow na escuta. — Ouviu a voz que tanto sentia falta soar pelo comunicador, séria e fria, assim como sua mente se recordava de ser. Queria sorrir ao ouvir a voz, mas não queria admitir para a morcega que Shadow tinha mais algo de si que um filho, seu coração.

— Shadow? Oh, estou atrapalhando algo? — Rouge perguntou com um sorriso, enquanto brincava novamente com o padrão de pêssego e cobalto.

Não. Há algo de errado? — Tanto Rouge quanto ele se surpreenderam ao ouvirem o tom de preocupação vindo de ninguém menos de Shadow, a morcega piscou surpreendida, enquanto Sonic sentia seu peito se aquecer.

— Depende. — Foi o que conseguiu dizer, embora sua voz soasse evasiva, o que se repreendeu por isso. — Shadow, uh... — Não soube como perguntar, ainda se encontrava em uma perda de palavras, valia a pena contar tudo já? Seria melhor dizer enquanto Shadow estivesse longe e pudesse ter um tempo para absorver a novidade? Optou por não se arriscar demais.

Apenas faça sua pergunta logo, Rouge. — O tom impaciente e grosseiro lhe tirou de seus pensamentos, o que agradecia internamente.

— Okay, okay! Não precisa ser grosseiro, hun. — Provocou, um sorriso se espalhando por seus lábios com isso, o ouriço lhe encarava em expectativa e tensão, não sabendo bem o que esperar e Rouge contasse sobre sua gravidez? Seria prudente fazer isso? — Se de alguma forma, você não conseguisse absorver Chaos Energy de forma natural, o que você faria?

A pergunta pegou Sonic de surpresa, enquanto encarava a morcega com uma expressão confusa, como assim não conseguir absorver Chaos Energy de forma natural? Onde ela queria chegar com isso?

Sonic não parecia o único surpreso com o questionamento.

O que? — Ouviu a voz de Shadow soando com surpresa e confusão.

— Eu sei que ouviu muito bem, agora responda! — Soou com impaciência, enquanto sua expressão se fechava, era uma visão rara da morcega, como se fosse alto sério e que não queria se contrariada.

Sonic esperava que ele rosnasse e a xingasse e depois desligasse a chamada, mas, para a surpresa de ambos, ele respondeu depois de um tempo em silencio.

Eu usaria uma Chaos Emerald, mas por que a pergunta? — A resposta era óbvia, ambos deveriam saber, Rouge já tinha a resposta que queria, agora vinha a parte mais complicada de seu plano.

— Apenas curiosidade. — Cantarolou irritantemente, Sonic ergueu o olhar, meio cético. — Preciso ir, hun. Boa sorte.

Desligou rapidamente, sua expressão de alivio.

— Você sabe que ele não vai deixar isso passar... — Disse o ouriço olhando para Rouge sério.

— Sim.

— E ele provavelmente está irritado agora...

— É.

— Você se ferrou.

— Eu sei. — Ela deu um largo sorriso. — E não me arrependendo.

— Queria ter visto a cara dele. — Deu uma risada. Rouge o seguiu.

Ela afastou as pernas dele com cuidado e se levantou, dando a ele um sorriso de desculpas.

— Bem, Blueboy, tenho uma esmeralda para encontrar e ela não vai aparecer sozinha. — Começou hesitante, olhando para o ouriço com cautela. — Vai ficar bem enquanto procuro?

— Não é como se eu pudesse fazer alguma coisa. — Resmungou. — ‘Tô’ cansado. — Bocejou.

— Bem, não coloque fogo em nada. — Sorriu, olhando para ele de forma serena. — Se for dormir, vá pro quarto, o sofá vai machucar sua coluna, precisa ter cuidado.

— Ok, mãe. — Disse revirando os olhos enquanto Rouge ria.

Ela foi para a porta, abrindo-a e dando uma última olhada no ouriço antes de sair e fechar a porta.

Qual o interesse de Rouge nas esmeraldas agora? Seria algo importante ou apenas seu desejo de obtê-las para si falando alto novamente?

Notas finais
Acaso houver quaisquer erros, sejam de gramatica ou digitação, por favor me avisem. Comentem caso sintam o interesse, gosto de saber sobre a opinião de vocês. Até uma próxima. by: Shadow Shirami