Bittersweet.

25 25. Eu realmente espero que você não acabe se machucando, Sonic.


Notas iniciais
Bem, essa foi rápida, até mesmo me surpreendi. Primeiramente gostaria de agradecer as duas recomendações que recebi, uma do CoelhoBoyShiper (que eu esqueci de agradecer nos capítulos anteriores) e da KDS. Muito obrigada por isso. Me deram certo ânimo de escrever essa história, apesar de alguns problemas. Então sem mais delongas, boa leitura.

Abriu a porta com a expressão confusa, teve uma leve dificuldade em chegar a porta, algo que para ele era incomum.

Os olhos verdes encaravam um par de olhos turquesas olhando para si com uma expressão maliciosa, um sorriso começava a se espalhar por seus lábios.

Sentiu-se incomodado com o olhar analítico em si, como se estivesse procurando por algo, algum mísero detalhe constrangedor que seria usado contra si na melhor oportunidade. Involuntariamente engoliu em seco.

— Não vai convidar uma dama a entrar? — Perguntou, sua voz demonstrava uma falsa reprovação, como se estivesse ofendida com a falta de modos do ouriço. — Isso não é educado, sabia, Blueboy? — Disse cruzando os braços.

— Como me encontrou? — Perguntou levantando o olhar, com surpresa e curiosidade.

Até onde ele sabia, somente Tails e talvez Knuckles eram os únicos que sabiam onde ele residia, no dia anterior a morcega apenas lhe encontrou depois de ter saído de uma visita à Tails, onde ele teve uma tarde com o seu irmão, a companhia de seu irmão de consideração lhe fez esquecer por algum tempo toda a conversa que havia tido com Rouge mais cedo. Embora o encontro com ela depois de sair da casa da raposa lhe soasse quase como uma emboscada.

— Agora me senti ofendida. — Murmurou. — Sou a melhor caçadora de tesouros, encontrar onde você vive é tão fácil quanto fatiar um bolo. — Sorriu, sua aura parecia irradiar zombaria, enquanto ainda mantinha os braços cruzados.

— O que quer aqui? — Perguntou ainda não abrindo passagem, seus olhos agora estavam em fendas, como se duvidasse que algo bom poderia provir dessa visita.

— Não se pode mais visitar um amigo? — Sorriu largamente.

Sonic levantou o olhar, como se estivesse sendo sarcástico.

— Não seja rude, Blueboy. — Disse provocativamente. — Só quis fazer uma visita.

Estremeceu.

Não imaginava que veria esse rosto tão cedo. Ainda mais depois do que aconteceu no dia anterior, ele ainda não conseguia assimilar ainda os fatos, mesmo que houvesse uma dolorosa prova de que realmente aconteceu.

Meio hesitante abriu passagem, sabia que quanto mais demorasse ou adiasse uma conversa com a morcega, pior sua situação poderia ficar, mesmo que ela não fosse tão conhecida para si quanto seus outros amigos como Knuckles e Tails, ainda assim tinha uma breve noção do que não fazer, não queria ser outro alvo das provocações dela.

Ele tinha acordado havia pouco tempo, seus espinhos ainda estavam em uma desordem enquanto seu rosto demonstrava sonolência, como se tivesse ou dormido de mais ou talvez quase nem dormido. Não era uma boa forma de receber visitar, ainda mais aquela espécie de visita.

Rouge não parava de o encarar, como se estivesse o vendo pela primeira vez, como se fosse um estranho que ela deveria ter cautela.

Sentou-se confortavelmente no sofá que tinha, sem nenhuma cerimônia. Seu sorriso era quase predador.

— Você escorregou, Blueboy? — Perguntou tranquilamente.

— O que? Por quê? — Perguntou confuso enquanto fechava a porta e andava para perto dela, ou pelo menos tentava andar normalmente, os olhos demonstravam uma confusão que Rouge achava engraçada.

— Porque da forma como você está andando, parece que caiu com força encima de algo bastante, uh, duro. — Levantou as sobrancelhas sugestivamente, enquanto seus olhos brilhavam.

— Que engraçado. — Murmurou sarcástico. — Quer também uma salva de palmas?

— Nah, sua cara já me é um troféu. — Sorriu amplamente.

— Veio aqui só para reparar em como eu ando? — Levantou o olhar incrédulo.

— Na verdade... Vim para saber se você está bem. — Mudou de assunto, sua expressão adquirindo uma mais séria. — Ver Shadow parecendo uma criança que ganhou um doce é estranho, acho que acostumei com ele sempre com aquela cara de quem chupou limão. — Deu de ombros.

Sonic riu do comentário da morcega.

— Estou surpresa, vocês foram tão... Rápidos. Na verdade eu ainda não acredito que vocês... — Balançou a cabeça tentando se livrar da imagem mental que havia se formado sem que tivesse percebido. — Foi... Inesperado.

— Acho que esqueceu que velocidade é o meu segundo nome. — Respondeu ando um sorriso orgulhoso.

— Vejo.

Um silencio se seguiu, Sonic mesmo que não se sentisse nas melhores condições, resolveu tomar um assento, fazendo uma careta quando sentiu a dor.

Rouge apesar das piadas e provocações, parecia insatisfeita, quase como se esperasse encontrar um resultado diferente, não esperava realmente que Sonic fizesse algo tão inusitado quanto chamar seu rival para transar consigo.

Era quase como se sentisse seu orgulho ferido.

E não era uma sensação agradável.

Então era isso o tempo todo? Shadow tinha outros gostos? Talvez ela realmente não conhecesse Shadow tão bem quanto ela julgou conhecer. Sua expressão fechou.

Nunca admitia em voz alta, mas sentiu inveja de Sonic. No fundo queria que fosse ela no lugar dele, mas, ao analisar um pouco mais a fundo toda a situação, estava sendo apenas egoísta, como uma criança que estava insatisfeita por não ter ganhado o presente que tanto queria de natal e por isso estava emburrada.

Ela não era nenhuma criança. E Shadow não era um presente de natal.

Balançou a cabeça, que tipos de pensamentos eram esses?

— Blueboy, você é gay? — Perguntou de repente, pegando Sonic de surpresa que engasgou com a própria saliva.

— De onde veio isso, agora? — Respondeu se recuperando, enquanto olhava tudo, menos para Rouge.

— Não tenho preconceitos, Blueboy — sorriu timidamente — e é bastante suspeito que alguém aceite de tão boa vontade algo como o que te propus. — Se justificou, inclinando-se na direção do ouriço, esperando e ansiedade sua resposta, embora já tivesse uma breve noção de qual seria.

— Sim... Eu acho... — Respondeu em um fio de voz.

— Foi sua primeira vez, não é? — Perguntou novamente com calma e cautela.

Um aceno de cabeça foi sua resposta, Sonic mantinha a cabeça baixa.

— Então... Como foi? — Perguntou com ligeira curiosidade.

— Como foi o que? — Perguntou com a voz baixa soando confuso, ainda não estava confortável com sua vida sexual sendo discutida dessa maneira com alguém que não conhecia tanto quanto queria.

— Você sabe, Blueboy. — Suspirou. — Como foi a experiência com Shadow? — Refez sua pergunta, dessa vez mais claramente.

— Uh.... — Hesitou por um momento, não queria tocar nesse assunto, ele nunca entrava em meios a assuntos delicados como esses, sempre disfarçava ou mudava o assunto. Mas sabia que Rouge não desistiria tão fácil.

— Vamos lá, não sou tão cruel assim, pode confiar em mim. — Disse suavemente, cruzando as pernas.

— Foi... Eu acho que foi normal, não sei. — Suspirou. — Não foi tão ruim, pelo menos ele não pareceu querer me machucar... Mas dói.... — Seu olhar nunca desviou do chão, tamanha era sua vergonha, seu rosto queimava enquanto memórias do que aconteceu na noite anterior vieram em sua mente.

— Quem diria que Shadow teria um lado sensível? — Perguntou retoricamente, levemente provocativa.

— É... — Murmurou baixo, não querendo render assunto.

— Eu acho que tive minha resposta vindo aqui. — Disse Rouge quase silenciosamente.

Se levantou do sofá, dando um sorriso calmo para o ouriço, tocando seu ombro com uma espécie de ternura.

— Eu realmente espero que você não acabe se machucando, Sonic. — Olhou para ele com uma espécie de simpatia, se dirigindo a ele pelo seu nome. — Não falo sobre sua bunda, mas sobre seu coração. — Sorriu tristemente para ele.

Tirou sua mão e foi a porta, murmurando um até logo que ele ouviu parcialmente.

Ela não pode ouvir sua resposta.

— Talvez eu já tenha ido longe demais....

**

Quanto tempo havia se passado desde então? Poderia ser sido meses, ou alguns dias.

Mas algo inesperado aconteceu, pelo menos ele não esperava que fosse acontecer. Dias depois, ele voltou, parecia atraído para ele, como se uma força gravitacional o fizesse voltar sempre quando ele saia do alcance.

Não sabia dizer se era a quinta ou talvez a oitava naqueles dois meses que se seguiram desde então.

Muitas coisas mudaram, lentamente, gradativamente.

Seus olhos verdes nunca se desprendiam de sua figura esbelta quando tinha a oportunidade de o encarar.

Seu coração, ah, seu jovem coração, palpitava tão rápido quanto o bater das asas de um beija-flor. Muitas vezes teve que fugir de olhares de terceiros para esconder seu rubor quando pensava em tantas outras cenas do que acontecia entre eles, das noites de sexo que ele não podia esquecer. Das lembranças vívidas dos apertos, das mãos fortes e firmes que o levaram ao ápice mais e mais.

Não podia negar para si mesmo o que sentia e acontecia, ele estava se apaixonando.

E isso era a pior coisa que poderia lhe acontecer.

Seu peito se apertava com a ideia de que ele poderia perde-lo, que ele poderia fugir de seu alcance e nunca mais ser visto. Sabia da capacidade de Shadow de sumir do mapa quando bem entendesse e ninguém o encontraria se ele assim quisesse.

Não queria perder seus toques, seus mínimos cuidados, o olhar preocupado que às vezes recebia quando soltava algum som que denunciasse dor, era prova suficiente de que de alguma forma, ele se importava.

Se sentia culpado por sentir-se assim com alguém que ele mesmo havia proposto uma relação inteiramente carnal, não mais que isso.

O destino parecia gostar de brincar com ele, fazendo com que o sentimento que antes era de uma certa amizade, se transformasse em algo tão forte, puro e devastador quanto o amor.

Os medos de Rouge acabaram se tornando reais, ao mesmo tempo em que o ouriço se sentia cada vez mais partido interiormente. Haveria alguma esperança de que ele poderia ter o sentimento retornado?

Mal sabia que os próximos meses seriam piores.

**

Era um espaço amplo, a estrutura era absurdamente enorme e capaz de suportar tantas pessoas reunidas.

Diversos rostos, diversas espécies. Mobians e Overlanders ocupando o mesmo espaço, embora o desconforto entre eles ao compartilhar o mesmo ambiente, a curiosidade que estampavam nos seus rostos e olhares era o bastante para ignorar suas rixas pessoais por hora.

Era uma grande quantidade de pessoas, algumas inquietas, outras em silencio escoradas nas paredes ao redor pela falta de assento devido a grande lotação, porém não se ouvia uma reclamação levando em conta a expectativa em que estavam.

Curiosidade.

Era isso que movia tantos corpos de diversos tamanhos, gêneros e espécies e os levava a ocupar o mesmo espaço, ignorando todo o tipo de rivalidade que poderiam ter em tempos remotos.

Burburinhos e sussurros eram ouvidos, sendo parcialmente reprimidos quando alguém pedia silencio, mesmo que depois de alguns segundos o som retornasse.

Suavemente, o Canon in D de Johann Pachelbel ressoava, como música ambiente. Enquanto uma pequena coelha de pelagem caramelo espalhava as pétalas que haviam no cesto que carregava, seu sorriso animado contagiava algumas pessoas a sorrirem também.

Em algum lugar daquela vasta aglomeração de corpos, uma criança chorou pedindo colo de um dos pais. Em outro canto um jovem zangão brincava com flores brancas que decoravam os assentos, sendo repreendido por um enorme crocodilo de voz grossa que amedrontava alguns dos que ali estavam, ao lado deles, um camaleão magenta parecia ignorar os dois, se concentrando em seus próprios pensamentos enquanto até mesmo ele estava curioso.

Alguns rostos demonstravam certa impaciência, enquanto outros pareciam levemente preocupados. Mãos se retorciam, corações batiam descompassados, pés se mexiam desconfortáveis pelo calçado. Um equidna retorceu a expressão ao se sentir sufocado pela gravata que usava, soltando pequenas reclamações enquanto um jovem raposa parecia nervoso e ao mesmo tempo ansioso enquanto suas caudas gêmeas torciam e retorciam.

Um sino bateu, era o sinal que todos ali esperavam. Algumas respirações se prenderam em expectativa.

O silencio reinou então, ninguém ousava dizer absolutamente nada.

As portas enormes se abriram, enquanto a marcha tradicional de Richard Wagner começou a ressoar por todo o recinto.

Notas finais
Acaso houver quaisquer erros, sejam eles gramaticais ou de digitação, peço que por favor me avisem. Comentem caso queiram, gosto de saber sobre a opinião de vocês. Até uma próxima... by: Shadow Shirami