Bittersweet.
13 13. Você está brincando, não é?
Notas iniciais
Tails encarou a morcega, sua expressão simplesmente cômica quando a encarava como se tivesse dito algo absolutamente absurdo. Pouco depois o silêncio foi interrompido pelo som alto de uma risada que se transformou em uma gargalhada desenfreada e alta.
Era engraçado, muito engraçado. Essa era a melhor desculpa que Rouge tinha para dar para mascarar seu relacionamento com Sonic? Que ele era o dono daqueles testes todos e que era justo o ouriço que estava grávido? Só podia ser uma brincadeira da morcega, uma bastante boba por sinal.
Afinal, estava bastante obvio que era mentira, como Sonic, seu irmão poderia estar grávido? Não seria mais fácil Rouge admitir o que ela anda fazendo em torno da casa do seu irmão?
— Rouge... — Tentou dizer ofegante. Tentou parar, mas sem muito sucesso, depois de alguns segundos porém, conseguiu autocontrole suficiente para que pudesse falar. — Rouge, não sou nenhuma criança... Eu sei muito bem que isso não é possível. Não é muito complicado admitir a verdade, sabia disso?
— Eu estou falando a verdade, garoto. — Afirmou com a expressão presa em uma máscara sólida de seriedade, seus olhos azuis turquesa trazia consigo uma carga de veracidade que raramente discordavam.
Claro que Rouge era conhecida por ser uma personagem provocativa que muitas vezes dava nos nervos com suas piadas nenhum pouco puras em locais e lugares inapropriados, porém até mesmo ela sabia quando era o momento de falar sério. E esse aparentemente era um desses momentos.
Mas seria mesmo ela capaz de estar dizendo a verdade? Ou depois sua feição iria se transformar em uma zombaria e falar que estava apenas jogando com a sua mente? Tails não sabia o que pensar, olhava para ela não com confusão, mas com uma expressão grave.
— Rouge, eu não sou idiota. Tem algo acontecendo com meu irmão que tem relação com você. — Começou o garoto com uma expressão de desconfiança em seus olhos azuis claros. — Eu não sou idiota. Suas desculpas sem fundamento não vão funcionar comigo. Não sou nenhuma criança.
— Não estou mentindo garoto, Sonic está carregando uma criança dentro de si, esses testes são dele, ninguém mais! — Levantou as mãos para cima, sua expressão nenhum pouco amigável.
Ela era uma espiã do governo, não uma professora ou psicóloga. Shadow não iria ficar feliz de saber que ela deixou que Sonic fugisse dela estando ele naquele estado.
Céus, Shadow! Como ela não pensou em algo assim?
Sua mente rodava com uma mais nova preocupação, ela já havia tido seu tempo para se acostumar com a orientação sexual de seu amigo, apesar dessa probabilidade nunca ter passado pela sua mente por Shadow ser bastante reservado e até mesmo antissocial, mas homossexual? Não, nunca teria pensado nisso em qualquer momento.
Talvez por ver o sempre de expressão fechada, frases frias e diretas, isso quando ele falava algo, mas nunca passou pela cabeça que ele tivesse outros gostos. Mas, mesmo com a revelação de algo um tanto... Chocante, para dizer o mínimo, ela finalmente conseguiu entender porque era sempre ignorada, estava fazendo exibição de boba.
Desde aquele dia, Rouge não flertou ou fez qualquer tipo de provocação, porque ela, mesmo sendo a figura tão maliciosa daquele grupo peculiar de mobians, ainda tinha algum senso de respeito. Mas ela confessava que era interessante provocar Sonic pelo seu papel de passivo, não com o intuito de humilhar sua posição, mas como um passatempo.
Agora ela se sentia perdida, aceitar uma relação homossexual entre figuras que age publicamente como se estivessem prontos para se matarem a qualquer instante e saber que, aquilo apenas era uma fachada para evitar o assédio da mídia e o preconceito nenhum pouco agradável dos humanos, era uma situação complicada. E ela era a única que sabia. Ela os tinham juntado em primeiro lugar com uma proposta que era apenas uma brincadeira, não sabia que era real, não imaginava que poderia realmente acontecer.
É, o universo era confuso.
A vida era cruel, ela mesmo presenciou muito do preconceito e medo humano por ser uma mobian mulher no meio de humanos do sexo masculino, não era a única, já havia se encontrado com um ou outro mobian na sede por acaso, mas de mulher, havia apenas ela e mais uma que só teve o vislumbre uma vez que estava voltando ao seu apartamento. Uniformizada e de sua mesma espécie.
Ela não poderia deixar Sonic sozinho, não poderia o abandonar quem já fez muito pelo planeta, quem já arriscou sua própria vida para que esses mesmos que o julgaram continuassem a respirar. Ela sabia o quanto era complicado, a rixa entre as espécies ainda existia, mesmo a guerra que tinha os colocados entre lados opostos tenha tido seu fim há anos, a convivência não era fácil. Ter um ouriço como herói contra um humano cientista com problemas mentais também não ajudava em nada.
Ela sabia o quanto a G.U.N odiava deixar os créditos do planeta ainda existir nas mãos de um simples ouriço e sua gangue de animais superdesenvolvidos. Sua posição atual não veio da noite para dia e nem muito menos Shadow teve um tempo fácil de adaptação, mas pelo menos ele era deixado em paz, ninguém queria ser uma pedra no sapato do Ultimate Lifeform.
Agora que ela parava para pensar, seria muito difícil para Sonic, toda a pressão de ser quem era. Sua orientação sexual não seria fácil de aceitarem, nem tampouco o fato de que, com quase 17 anos, ele não era mais virgem. Rouge sabia que Sonic sempre foi puro, em todos os sentidos da expressão, sentiu leve pena ao saber que ele perdeu sua virgindade para satisfazer os desejos sexuais de Shadow.
E ela pensando que a vida era ruim para si.
Ele era homossexual, tem uma vida sexual ativa com o ouriço mais temido do planeta... E agora Chaos sabe como, engravidou desse mesmo ouriço. Ela sentiu uma vontade de chorar, sentiu pena, sentiu carinho, sentiu uma necessidade de o ajudar, o acolher, ser uma amiga que ela nunca pensou que poderia ser. Porque ela sabia que Sonic teria tempos difíceis.
E ela nem ao menos tinha uma base de como Shadow vai reagir a notícia.
Shadow era confuso, imprevisível, poderia mudar de frio para furioso em um piscar de olhos, se ele negasse apoiar Sonic com a criança, o ouriço estaria sem chão.
Céus, onde foi que Sonic foi se meter?
Não, não era culpa dele, pelo que ela viu ele tampouco sabia que isso poderia acontecer ou que ele era capaz de engravidar. Era lógico que não usassem preservativos nas relações sexuais. Tecnicamente entre dois machos são teria o risco de concepção e Shadow ainda era o Ultimate Lifeform, não pegaria ou passaria qualquer tipo de doença sexualmente transmissível. Mas ao que parece estavam errados sobre não ter riscos de concepção.
— Isso é absurdo, Rouge! — Tails ainda não cedia, também se ela estivesse no lugar dele também teria a mesma reação, ela havia momentaneamente se esquecido de como aceitar tudo o que tinha acontecido por três meses tinha sido quase inacreditável. Tails estava alheio ao relacionamento pessoal entre Sonic e Shadow, não sabia como, mas aqueles dois conseguiram esconder isso muito bem, até mesmo quando Sonic aparecia mancando ele arrumava uma desculpa que caiu de qualquer forma enquanto lutava contra Shadow, claro que para Rouge a desculpa era tola, mas mesmo assim ela admitia que não era nada.
Muitas vezes Sonic aparecia com hematomas e até mesmo com dificuldade para andar direito devido a lutas e até mesmo contra Dr. Eggman, até mesmo Tails engolia suas desculpas bobas, lutas assim não era novidade, geralmente era seguido de uma expressão reprovativa da raposa e sermões de como ele deveria tomar cuidado e não ser tão idiota. A falta de contusões em Shadow porém era um pouco preocupante, mas ele tinha o trufo de ser o Ultimate Lifeform, era nessas ocasiões que ele se orgulhava de ter uma habilidade de regeneração rápida, o que rendia resmungos por parte de Sonic, Shadow não carregaria certas marcas em seu corpo, mas ele sim.
Mas, o Ultimate Lifeform até mesmo seria capaz de lidar com um parceiro gestante e aceitar a sua atual realidade? Aceitar a paternidade e toda a responsabilidade que irá recair sobre si?
— Eu sei... — Sua voz saiu falha. Ela odiava passar essa imagem de fêmea fraca, sempre era ela que amenizava a tensão de qualquer momento com comentários bobos ou provocações, que geralmente era sobre como Knuckles não usava a cabeça ou se ele era mesmo capaz de pensar, rendendo umas gargalhadas de Sonic enquanto o equidna se enfurecia. Mas nem mesmo ela conseguia ser tão forte o tempo todo. Até mesmo ela tinha seus deslizes. — Eu também estou com problemas para acreditar, confie em mim garoto. — Encarou os olhos do garoto, naquele momento ela parecia uma garota frágil, ao contrário de uma espiã do governo.
— Não... — A verdade das palavras de Rouge finalmente fez efeito na mente de Tails, ganhando peso em seu cérebro. Era inacreditável... Mas a expressão desolada de Rouge dizia que não era nenhuma de suas brincadeiras normais... Era a mais pura verdade. — Mas... Como?
— Eu... Não sei... — Eram meias verdades, ela tinha ideia de quem era o pai, mas não sabia que Sonic seria capaz de conceber... De alguma forma ela não tinha tempo para pensar em uma explicação. O tempo tornou seu inimigo, ele estava zombando de si agora. — Tails, por favor me escute! Eu preciso encontrar Sonic e rápido!
— Rouge... Eu... Não consigo... — Ele balançou a cabeça, seus pelos da cabeça alinhados como uma espécie de franja balançaram no movimento. — Eu não quero acreditar! Sonic, como você pode fazer isso comigo?! — Gritou para ninguém em particular. Rouge estava com os abraços envolta de si mesma, procurando um apoio que não poderia ter. — Por que você nunca conversa comigo sobre as estupidezes que você faz?! — Suas mãos se fecharam em punhos fortes.
Rouge tinha resistido as lágrimas, mas mesmo assim elas foram teimosas aos escorrerem pelo seu rosto, manchando e estragando sua maquiagem, ela soluçava silenciosamente enquanto apertava os braços em torno de si com força. Evitava olhar para Tails.
Ela não o julgava, ele tinha todo o direito de estar com raiva, Sonic mentiu e enganou a todos, menos ela, claro.
Ela se sentia tão culpada, culpada por ter sustentado essa ideia tão estupida, culpada por nunca ter abordado claramente assuntos como o corpo de Sonic ou sobre a relação dos dois. Ela simplesmente... Negligenciou tudo. Apenas por pensar que nada iria acontecer.
Ela estava se afogando em culpa e arrependimento.
— Eu não sou uma criança! — Tails continuava seu monologo alheio aos sentimentos de repulsa de Rouge com relação a ela mesma. — Você poderia simplesmente ter compartilhado isso comigo, Sonic! — O tom com que aquelas palavras eram proferidas traziam uma dose quase dolorosa de dor e até mesmo podia-se notar um tom de traição.
Sim ele fora traído, traído pelo silencio de Sonic. Traído por nunca ser parte integral de sua vida, conhecer todos os seus pequenos segredos como Sonic sabia dos seus, era uma relação desigual, ele sempre suspeitara disso, mas nunca chegou a calcular o quanto.
Agora via, não havia um muro de segredos. Era um abismo entre eles e Tails não sabia mais como alcançar seu irmão ou se em essa altura ele era alcançável.
Seus joelhos cederam, mas antes que seus olhos se focassem no tapete do banheiro, as imagens de cada um daqueles testes ficaram gravados em sua mente. Positivo. Positivo. E positivo.
Não havia como todos terem errado, Sonic nem ao menos deveria ser capaz de produzir o hormônio necessário para aquele resultado tão assustador.
— Por favor, Rouge... Me diga, eles... São realmente de Sonic? — Pediu fracamente, sua mente não queria cooperar consigo, mas mesmo depois de tudo, ele ainda relutava. — Isso realmente está acontecendo? — Sua voz saiu em um sussurro implorando por uma resposta que pudesse satisfazer sua mente confusa, mas o universo parecia conspirar contra suas expectativas.
— Sim... — A voz de Rouge saiu em um tom baixo, rouco e singelo. — Por mais que eu quisesse que fosse mentira, não, não é. — Respondeu mais composta, ela mesmo já tomando o controle sobre suas emoções. Sua feição recomposta, embora seu rosto vermelho e borrado de maquiagem denunciasse o que ela estava fazendo pelos minutos anteriores.
Não, chorar não resolveria nada. Se culpar também não. Não poderia jogar a culpa dos problemas em um bode expiatório, mais cedo ou mais tarde ela teria que enfrentar as consequências ou então se tornaria uma irreversível bola de neve que consumiria a todos.
Retirou suas luvas com cuidado e se aproximou da pia, abriu a torneira e deixou com que a água se acumulasse entre suas mãos unidas e jogou uma boa quantidade em seu rosto, pegou a toalhinha que estava ao lado e esfregou em seu rosto, ergueu seu olhar para a figura refletida no espelho, o rosto limpo de maquiagem não era um que ela estava acostumada a ver, sempre arrumada, sempre impecável. Mas a aparência era realmente o importante? Não devia ser o carácter e a personalidade os pontos fortes a serem avaliados em uma pessoa? Por quanto tempo ela sustentava aquela imagem bonita e bem arrumada? É, ela estava sendo uma tola superficial, talvez com a convivência que veio a ter com Sonic, ela finalmente pode perceber que as aparências são ilusórias, falsas, manipuláveis.
Sorriu para o julgamento de si mesma, ela não estava no direito de julgar, de criticar. Ela estava mais envolvida do que qualquer outra pessoa nessa confusão, ela teria que resolver tudo por si mesma, talvez não desse para consertar um acidente, mas fazia o que estivesse ao seu alcance para que Sonic tenha todo o apoio que ela possa lhe oferecer, porque era o mínimo que ela poderia fazer, não era hora de ser egoísta, não era o momento de olhar só para si e apontar os erros alheios como se ela fosse inatingível.
Não, ela não atiraria pedras, não o culparia de algo nenhum dos três estavam cientes que poderia acontecer, foi um acidente, simplesmente aconteceu e ela estaria junto de Sonic se ele decidisse levar a gestação em diante ou apenas desistir.
Era absurdo.
Sonic desistir? Não, ele não faria isso. Conhecia o ouriço o suficiente para saber que por mais difícil e arriscada que seja a situação e mesmo nas piores posições ele nunca voltaria atrás. Sua loucura de entregar seu próprio corpo aos desejos de Shadow já era prova o suficiente de que ou ele era corajoso ou não tinha nenhum pouco de autopreservação.
Ergueu a cabeça enquanto ainda vislumbrava um rosto de lentamente mudava para uma feição séria e decidida.
Mesmo que todo mundo o julgue e vire as costas para o ouriço, ela prometeu silenciosamente para si mesma que estaria ali para ele. Porque ela tinha a certeza que se a situação fosse o inverso, Sonic seria o primeiro a lhe estender a mão com um sorriso do rosto.
É, ela lhe estenderia a mão da aceitação.
.
Tails não viu quando Rouge saiu do cômodo com passos decididos e uma expressão no rosto, tampouco seus ouvidos perceberam quando ela lhe informou que estava indo sozinha.
Seus pensamentos giravam no mesmo eixo, estava confuso e perdido.
Não tinha respostas com que trabalhar, tudo era vago e confuso.
Tentou aos poucos organizar sua linha de pensamento.
Para que Sonic fosse quem estava carregando uma criança, ele teria que ter tido relações sexuais como passivo. Mas a simples ideia de Sonic sendo submisso em qualquer situação era irreal. A não ser que ele não saiba de tudo sobre aquele que ele tanto pensou conhecer com a palma de sua mão.
Pelo que pode interpretar, Sonic poderia ter atração por garotos, isso poderia claramente explicar o porquê ele sempre corria de Amy, além de nunca parecer confortável em torno das garotas, sempre provocando Shadow para que fossem em corridas, analisando agora com olhos críticos de um cientista, ele tinha deixado passar muitas dicas.
Sonic nunca teve interesse em namoros, ele podia entender que isso era devido ao peso que carregava ao ter tomado a tarefa de protetor para si, mas nunca imaginaria que ele, seu irmão pudesse ter outros interesses.
Isso poderia explicar porque ele não queria compartilhar esse segredo.
— Você acredita mesmo que depois de tudo eu seria capaz de lhe julgar, Sonic? — Perguntou para ninguém em particular, Rouge já tinha ido. Não tinha ninguém consigo além de paredes mortas.
Se sentia traído, claro.
Ele esteve por fora de tudo o que acontecia com seu irmão, estava sempre sendo deixado a deriva. Ele não era uma criança, apesar de fisicamente aparentar a idade de uma. Ele era inteligente, era astuto. Veria uma situação de todos os ângulos possíveis antes de tomar uma decisão. Ele fraquejou? Quem nunca teve um momento de fraqueza em meio a um tumulto de informações confusas e diretas.
Agora vinha a questão que lhe machucava até em pensar.
Seu irmão mesmo com toda a responsabilidade que sustentava nas costas, ainda legalmente não tinha a maioridade. Era um adolescente que não só teve relações sexuais — tentou manter a palavra passivo fora de sua mente enquanto cogitava todas suas teorias — como também de alguma forma estava gerando e desenvolvendo uma criança dentro de si. Ele já tinha lido sobre isso uma vez, como era o nome?
Custou-lhe apenas alguns segundos para responder. Hermafroditismo.
Uma condição rara quem a criança nasce com ambos os órgãos genitais masculinos e femininos. Mas, esse caso se aplicaria ao seu irmão?
Se fosse isso, Sonic não teria só um filho para aceitar como também sua própria identidade sexual.
Balançou a cabeça, ele precisava de respostas.
Por que Sonic faria sexo tão cedo? Por que ele não usou proteção? Quem era o pai da criança?
Essa última questão era o que mais o perturbava além da ideia de Sonic ser homossexual. Quem poderia ter o ser que dividia a cama com Sonic? Quem tirou a virgindade de seu irmão?
Aos poucos ele se levantou, ficar no chão não ajudaria em nada, além de que de alguma forma ele sabia que as respostas que ele tanto queria não chegariam se ele continuasse ajoelhado no banheiro e ele ainda queria uma distância das imagens daqueles testes gritando para si algo que ele ainda estava com problemas para acreditar que poderia ser mesmo real.
Com passos lentos foi para o quarto de Sonic, aquele lugar lhe confortava por ser algo que lembrava seu irmão, a forma como ele sempre preferia dormir em camas de casal porque sempre tinha o costume de movimentar muito durante o sono e nem mesmo no subconsciente ele gostava de ser privado de se mexer. A mobília era pouca, um armário, uma cômoda com um relógio digital e a cama que estava bagunçada.
Aquilo era tão Sonic.
Sorrindo se aproximou dos cobertores bagunçados, puxou-os para ajeitar um pouco a cama quando sentiu uma fisgada em seu dedo, não estava surpreso por isso, afinal Sonic era um ouriço, era comum seus espinhos caírem durante o sono, então continuou, porém veio outras pequenas picadas, puxou lentamente curioso, Sonic não era de perder tantos espinhos assim ou era?
Seus olhos se arregalaram ao notar um grupo razoável de espinhos entre os lençóis.
Não eram azuis.
Sua pista veio em um montante de espinhos pretos e vermelhos.
E agora ele tinha sua resposta.
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