Bittersweet.

12 12. O que ninguém vê, ninguém sabe.


Notas iniciais
Capítulo de aniversário atrasado dedicado à Ages. Obrigada por acompanhar essa e outras histórias e ser uma das minhas mais fiéis leitoras. Sem mais delongas, boa leitura.

Seus dedos batiam com um ritmo aleatório pelo couro do volante, os olhos castanhos encaravam o semáforo com impaciência enquanto buscava uma posição menos desconfortável no banco. Ao seu lado, uma raposa vermelha se remexia inquieta em seu assento, com ansiedade, seus olhos eram vermelhos, assim como seus pelos na cabeça que possuíam a textura de cabelo humano, em sua testa, os pelos se alinharam em uma espécie de franja. Seu corpo apresentava curvas suaves e sutis, tão suaves quanto as de uma criança, embora ela não aparentasse ser uma.

— Vai parar? — Soou com impaciência a voz da motorista, era um tom baixo e bastante suave, apesar de sua expressão não transparecer estar confortável com a demora também. Sua cabeça estava virada em direção a raposa, seus olhos castanhos estreitos por trás das lentes dos óculos em uma máscara de desaprovação.

— Está demorando! — Protestou, embora fosse óbvio para a motorista também. Sua voz soava leve, quase o timbre de uma criança que não saiu da pré-adolescência, olhava para suas pulseiras com espinhos, deslizando o dedo entre eles como distração.

— Eu sei. — Foi sua resposta, retomando sua atenção para o semáforo e estrada à frente, de forma que, quando seu olhar retornou ao foco, o sinal acabará de ‘abrir’ mudando da cor vermelha para a verde.

Deu a arrancada ao seu carro, enquanto sua mente parecia vagar em diversos pensamentos em mesmo tempo enquanto uma coceira incomodava em sua garganta, o ar quente da respiração de sua passageira não estava ajudando muito sua habilidade de concentração e ambientes fechados não era agradáveis a ela, porém era seu trabalho, não tinha opções a não ser respirar fundo e sofrer com a ardência para se adaptar a um longo tempo.

Seu trabalho? Não tinha ocupação fixa, não era uma executiva, nem cientista, nem secretária e muito menos militar. Era uma mistura de ambos e se alternava conforme a necessidade ou suas obrigações em alguma missão que fosse designada. Era uma agente da Guardian United of Nation, mais conhecida como G.U.N e por mais complicada que fosse sua tarefa, não iria recusar.

Mas isso não significava que era feliz com o que fazia, variava de execuções a qualquer tarefa médica, devido aos anos de trabalho ela passou por todo o tipo de cursos e faculdades, o que a levou ao alto cargo em que ocupava, sendo uma das agentes mais confiáveis e com múltiplas tarefas, apesar de ser quem era.

Viu pelo canto do olho uma mão branca se estender para ligar o rádio no painel do carro e suspirou. Logo o som de baterias e guitarras preenchia o espaço fechado enquanto a música de uma banda de rock que ela já ouvira falar ecoava pelos altos falantes.

Sua companhia parecia conhecer a música, pelo modo como ela balançava a cabeça e sussurrava a letra.

Porém não estava preparada para o que ela iria fazer a seguir.

— It’s just the way it is! — Sua voz saiu em um grito alto causado pela animação. — The way it goes! — Ela virou seus olhos castanhos para a garota com surpresa. — What no one sees. — De repente um mal pressentimento a fez virar para a frente ao mesmo tempo em que o viu. — No one knows!

Em um reflexo rápido girou o volante ao mesmo tempo em que pisou no freio, a parada não foi imediata enquanto via um raio de luz azul em sua direção, o que fez foi uma loucura e arriscado, porém não via outra saída. Usou toda a velocidade que tinha para desviar o carro da rota de colisão, porém não era um plano muito seguro. O carro perdeu a estabilidade girando uma, duas, três vezes antes que a motorista conseguisse o controle suficiente para que evitasse uma tragédia.

Porém ainda não tinha acabado, ao desviar da pista o carro estava indo direto para um conjunto de prédios residenciais de baixa renda. O som do atrito dos pneus contra o asfalto e posteriormente a calçada era quase ensurdecedor para a sua audição bastante apurada e estava incomodando até mesmo sua passageira que tampava os ouvidos enquanto gritava com o choque e surpresa, como último recurso, puxou o freio de mão ao lado do seu carro e torceu para que fosse o suficiente. Quando faltava apenas poucos centímetros para que batesse contra um prédio conseguiu parar.

O projetil azul já estava longe e então pode soltar a respiração que segurava.

— Por pouco... — Sussurrou quase sem fôlego respirando fundo, conseguia ouvir não só seu coração descompassado como também o da raposa que sentava ao seu lado, ambas as respirações estavam irregulares enquanto adrenalina ainda corria livre em seus sistemas. — Você está bem? — Perguntou ao se recuperar do susto, olhando para a raposa que parecia estar enfrentando problemas para se estabilizar.

Suas mãos tremiam enquanto seus olhos estavam alargados e lagrimas despontavam de seus grandes olhos vermelhos, virou seu rosto para a morcega enquanto expressava um misto de choque e raiva.

— Por que fez isso?! — Sua voz falhou enquanto fechava os olhos e se encostava melhor no banco. Ambas estava usando o cinto de segurança, por isso não houve danos maiores.

— Tive que desviar! Iriamos bater contra algo em alta velocidade! — Argumentou, sua voz bastante calma apesar das circunstancias.

— Nos jogando contra um prédio?! — Sua voz soou estridente enquanto ainda estava com problemas para se acalmar.

— Havia algumas falhas. — Deu de ombros, como se não fosse nada demais. — Você está bem? Está machucada? — Repetiu a pergunta com uma voz mais suave, seus olhos não expressavam nada porém.

— Eu... — Tomou uma longa respiração antes de abrir novamente os olhos e a fitar com um olhar mais calmo, seus tremores pararam e pôde esboçar um ligeiro sorriso. — Estou bem.

Assentiu calmamente enquanto ouviu um bip ligeiro, não demorou muito para uma voz familiar soasse de um quase invisível fone anexado em sua orelha esquerda.

Está atrasada. — A voz grossa e madura do comandante soava alto e claro pelo fone.

— Tive um pequeno inconveniente. — Foi sua resposta.

Isso não importa. Segue os dados de sua próxima tarefa...

— Roger! — Foi sua única resposta antes de girar a chave na ignição e dar ré mudando o trajeto que iria fazer para a direção contrária.

.

.

Ela estava em choque, não conseguia simplesmente acreditar nos resultados de todos aqueles testes espalhados pelo chao e pia colocados de forma bagunçada e desorganizadas.

Todos positivos.

Seus olhos estavam alargados enquanto as confirmações de suas suspeitas estavam diante de seus olhos, ela mesma estava com problemas para organizar seus pensamentos e mais do que isso, o medo também ameaçava tomar parte de seus pensamentos, medo por Sonic e pelo o pequeno ser que ele carrega dentro de si.

Agachou para pegar o teste rosa claro que estava no chão, as duas linhas vermelhas bem marcadas estavam quase gritando algo que ela chamaria de impossível e inacreditável. Porém ela procurou manter a calma, enquanto se recordava de alguns casos que já ouviu mencionar no seu trabalho, embora quase sempre ignorava tudo que não tivesse relação com o que era designada ou não tivesse joias como tópico principal.

Mas algo que ela lembrou foi algo intrigante, um pouco raro, porém não era tão impossível de acontecer, mas se fosse, Sonic não saberia sobre?

Balançou a cabeça, claro que se fosse algo assim Sonic não falaria.

Mas... Por que o ouriço gritou consigo com todas as palavras que era macho se aqueles três testes desmentiam toda a sua afirmação? Algo estava errado, muito mais do que isso, parecia que Sonic ou estava em negação ou desconhecia sobre si mesmo.

Balançou a cabeça, enquanto deixava os testes sobre a bancada da pia e tentava organizar seus pensamentos.

Claro que havia superado sua inveja de Sonic, mas algo a incomodava. Talvez porque no fundo sabia que Shadow nunca teve uma atração pelo ouriço, embora soubesse que ambos compartilhavam a cama por um período de três meses, ainda assim esperava que um dia Shadow deixasse de brincar e olhasse finalmente para ela.

No fundo, mas bem no fundo. Ainda queria ter alvo do amor de alguém, porque apesar de tudo, ela apenas queria ser amada.

Porém Shadow parecia ser outros gostos e Knuckles... Bem... Ele parecia se importar muito mais com uma joia para perceber todas as suas tentativas de avanço.

Desceu as escadas abraçando a si mesma como apoio, o que ela poderia fazer se a vida era feita de reviravoltas cruéis?

Tomou um assento no mesmo sofá em que estava anteriormente, suas mãos cobriam o rosto enquanto tentava não chorar, precisava engolir seu orgulho mais uma vez e fazer o que era certo, ao seu modo claro, mas não poderia deixar Sonic no estado em que estava, era arriscado e perigoso. O ouriço nunca foi cuidadoso e ela expressão que ele fazia antes de desaparecer, ela precisava o encontrar e rápido.

Se levantou com determinação, claro, ela não poderia deixar seu orgulho ter o melhor de si. Precisava encontrar Sonic e cuidar dele assim como Shadow a fez prometer em troca de um recesso de missões. Não foi realmente um pedido, foi uma troca de favores na qual ela não teve outra opção senão aceitar, já que Shadow já havia tomado a decisão por si, porém não se importou. Não estava em um estado emocional para sentir raiva e de uma forma ou outra, precisava de um tempo para organizar seus pensamentos.

Mas não tinha tempo para pensar em si mesma agora. Tinha que se apressar.

Quando girou a maçaneta e abriu a porta, a visão de um jovem raposa de pelos amarelos apareceu em seu campo de visão com o punho levantado para bater na porta. Os dois se olharam surpresos.

— Rouge? — Os olhos azuis claros encaravam a morcega albina com surpresa e uma certa desconfiança talvez?

— Eh, uh, olá, Tails... — Murmurou desconcertada, a mão ainda segurando a maçaneta e seus olhos expressavam certa presa, mas não poderia deixar Tails ali.

— O que está fazendo aqui? Sonic está bem? — A expressão mudou para preocupação, embora ainda estivesse desconfiado das intenções da raposa.

— É uma longa e complicada história, garoto, não tenho tempo para explicar. Preciso correr. — Disse rapidamente, esperando que o garoto entendesse e a deixasse ir sem questionamentos, pedido que para seu azar não foi atendido.

— Rouge... Tem algo que eu não sei? — Sua voz tomou um tom de aviso enquanto ele estreitava os olhos azuis, a chama da desconfiança novamente acendida.

— Não é nada. — Mentiu, mesmo ela muitas vezes tirando sarro e até mesmo provocando e brincando em situações em que era para ser levado à sério, ela não poderia falar algo naquela magnitude para o garoto, um segredo que mesmo que fizesse parte, não era seu. Era apenas de Sonic e Shadow. Balançou a cabeça lentamente e fitou o garoto que parecia não ter acreditado em nenhuma palavra que ela havia dito. Suspirou. — Olha, Tails, isso não é algo que eu tenha a liberdade de contar, não é comigo. Só Sonic pode lhe explicar, não eu. Entende?

Apensar do tom de suplica, o garoto não a ouviu, entrou na casa a empurrando com toda a força que tinha a fazendo perder ligeiramente o equilíbrio, porém não era o bastante para a desequilibrar, apenas era para a tirar do seu caminho, ela tentou o segurar, porém seus dedos só alcançaram as pontas brancas de suas caudas.

Tentou o chamar, porém sabia que era inútil, o viu subir as escadas e demorou um pouco para que se recuperasse do choque e suas pernas obedecessem seus comados e tentasse seguir o garoto que já estava no segundo andar, quando o alcançou ele não estava no quarto, mas no último lugar que ela queria que ele estivesse.

Os olhos azuis estavam ampliados ao máximo enquanto ele olhava os testes todos positivos postados sobre a bancada, ela lamentou não ter lembrado de os ter jogado fora quando teve a oportunidade.

Agora era tarde demais.

— Eu posso explicar! — Adiantou a morcega enquanto os olhos da raposa viraram em sua direção, em choque.

— Você... E Sonic... — Tentou dizer, seus pensamentos confusos.

— Claro que não! — Colocou as mãos na frente as balançando a sua frente. — Ele não é o meu tipo. — Brincou piscando um olho. “E eu sei que ele gosta é de outra coisa...” Foi seu pensamento.

— Então como você está grávida?! — Gritou o garoto sem paciência.

— Isso não é meu! Eu não estou grávida! — Rebateu com impaciência.

— Então se não é seu, é de quem? — Questionou ainda desconfiado.

Ela se calou, não era seu dever dizer algo assim, muito menos contar sobre algo que não era consigo, mas se viu sem saída. Abaixou a cabeça quebrando o contato com Tails e depois de tanto hesitar, as palavras saíram de seus lábios com a intensidade de uma verdade.

— É de Sonic. E ele está grávido.

Notas finais
Obrigada a quem acompanha e lê esta história. Se acaso houver quaisquer erros seja gramatical ou de digitação, peço que por favor me avisem. Acaso queiram, deixe seu review, gosto de saber sobre suas reações, sendo elas boas ou ruins. Até uma próxima~ by: Shadow Shirami