Bite Me

2 Goiabas são gosmentas


Notas iniciais
OLHEM QUEM TÁ VIVAAAAAAAAAAAA EU VOLTAAAAAAAAAAAY E TÔ DE FÉRIAS, FINALMENTE! Espero que agora eu possa postar com mais frequência. Enfim, eu fiz umas modificações no início desse capítulo, porque não me agradou a forma que estava e eu não conseguia fazer uma continuação. Entãaaao, espero que gostem da mudança e me perdoem qualquer erro! Já comecei o terceiro capítulo e só não o acabo agora porque eu tô caindo de sono EUSHUEHSUHEUHS Tia Lily precisa dormir. Anywho, boa leitura, batties ♥

Sabe aquela sensação que você tem quando está em perigo? Quando sabe que se der um passo em falso vai acabar se ferrando? Que se falar algo errado vai ter que sofrer consequências? É uma sensação que pessoas normais não gostam de sentir, se sentem ameaçadas com isso. Aliás, deviam mesmo.

Acontece, que eu não sou normal. E adoro essa sensação.

E apesar de que levar uma advertência e detenção no primeiro dia de aula não ser lá um enorme perigo – seria elogio dizer que era uma consequência –, irritar pessoas é meu passatempo. E a coitadinha da nova diretora-arco-íris vai entender isso com o tempo.

...

Tive que dar uma passada rápida no meu armário para deixar minha mochila lá e pegar o livro de biologia – era um ótimo travesseiro, poderia ser mais macio, mas dá para o gasto – antes de entregar meus ticketsde camarote para o inferno.

Já preparando minha playlistno celular, comecei a andar pelos longos corredores, que estavam obviamente vazios. A essa hora, todos estavam sentados em suas cadeiras, ouvindo uma bruxinha júnior explicar de onde vem as crianças.

Não que adolescentes do segundo grau precisassem de uma professora novinha explicando algo que a maioria já devia ter praticado por vontade própria. Ou não.

Faltando duas salas para a minha, alguma coisa cega esbarrou em mim por trás, me derrubando no chão; bati a cabeça na quina da parede.

— Hey! Preste atenção no seu caminho, idiota! – gritei para o garoto idiota que havia me derrubado. Estava de costas, não havia nem se dado ao trabalho de olhar para trás para ver se eu estava bem. Eu não esperava essa reação, de qualquer maneira.

Ele vestia calças pretas, um tênis estilo skatista e uma jaqueta de couro; os cabelos pretos estavam bagunçados.

O senhor-skatista-não-ligo-se-te-derrubei-ou-não estava andando em linha reta e ia diminuindo o passo de acordo que se aproximava de uma sala.

Não, não, não, não, não, não.

Qualquer sala menos essa.

Se eu ainda tinha alguma simpatia com o universo, ela havia acabado de desaparecer. Porque naquele momento, um sujeitinho usando uma jaqueta de couro entrava na minhasala.

Droga.

Levantei do chão e caminhei em direção a sala de aula.

Ao chegar na porta, alguns olhares se voltaram para mim, e o meu se voltou para um idiota que estava sentado na minha cadeira.

Ele estava brincando com fogo.

Entrei na sala sem pedir licença – não que eu fizesse isso muitas vezes – e andei até lá.

— Bom dia para você também, Alicia – professora-de-biologia-que-mais-parecia-a-Barbie falou.

Parei em frente a ele e cruzei os braços. Ele demorou no mínimo cinco segundos para me olhar de volta. Encarei seus profundos olhos azuis e arqueei as sobrancelhas.

— Você está sentado no meulugar.

Ele olhou para a cadeira, deu de ombros e me olhou novamente.

— Não vejo seu nome nele – disse seco.

Sorri ironicamente.

— Na verdade, se olhar no canto inferior esquerdo, garanto que verá — dei de ombros, imitando seu gesto — A menos que seja cego. O que eu não duvido muito, já que esbarrou em mim poucos minutos atrás.

Ele me olhou com raiva e apenas aumentei meu sorriso.

— Vocês dois aí vão se resolver ou querem sair da sala?

— Meu sonho.

— Você não vai ter esse gostinho, Alicia. Sente-se de uma vez.

Olhei para o garoto e fiz um gesto com as mãos, indicando-lhe mais uma vezpara sair do meu lugar.

Ele sorriu, mas não moveu um músculo para sair do meu lugar. Esse filho de uma puta perdeu a noção do perigo.

— Alicia.

— Barbie, eu não sei se você é cega ou tá se fazendo de tonta, mas ele tá no meu lugar. Você quer que eu sente onde, na sua cabeça? — falei. Ela é louca, só pode. Vou sentar no ar. Eu hein.

— Chega, os dois pra fora de sala.

Dei um sorriso irônico e caminhei lentamente até a porta. Ao passar por ela, fiz questão de acrescentar:

— Achei que não fosse dar uma de gênia dos pedidos hoje, mas não posso dizer que não estou feliz. Boa sorte com os monstrinhos, Barbie, cuidado com as suas unhas.

Bati a porta ao sair e enquanto andava, fui colocando os fones e dando play na playlist “bored :v”. Ouvindo Mayday Parade, uma coisa me atingiu. De novo.

Olhei para cima, vendo aquele filho da puta a poucos passos de mim. Ah, mano, esse cara tá pedindo por uma surra. Santo Zeus, me dê paciência.

— Ô Mauricinho! Você quer que eu te dê um óculos? Porque, porra, você deve ser cego. É a segunda vez que você me atropela, caralho.

Sem parar ou sequer se incomodar de virar para trás, ele disse:

— Como se eu me importasse.

Como se eu me importasse, mimimi.

...

“This heart of fire is burning pround
I am every dream you lost and never found
This heart of fire is so good now
You build your walls but you can’t keep me out”

Eu estava sentada naquela cadeira desconfortável por, no mínimo, uma hora. De duas uma, ou a diretora nova tá transando com alguém lá dentro ou ela é uma songa monga. Não é possível essa demora toda, que saco. Eu já perdi a conta de quantas vezes dormi aqui e fui acordada por algum pirralho gritando. Maldito intervalo do Fundamental. Já já seria o meu, e nada dessa coisa aparecer. Beleza.

Aquele bastardo não chegou a ficar nem cinco minutos aqui. Só ficou por aqui uma vez e tinha um forte cheiro de cigarro consigo. Não vou mentir, era tudo o que eu queria agora. Depois, obviamente,da minha cama quentinha e do meu edredom. Pra que eu levantei dela hoje, mesmo?

Maldita Lilyth – sim, Lilyth, porque ela é uma demoniazinha.

Fechei os olhos, pronta pra voltar a dormir, quando um barulho alto me fez pular de susto. Porra.

Olhei para cima. Era a Monroe, saindo depressa pela coordenação, indo em direção aos portões da escola. Quem não vai ganhar advertência? Ding ding ding, essa garota sonolenta aqui.

...

Senti algo me atingir, me fazendo abrir os olhos rapidamente e levantar a cabeça.

Parada de frente para mim estava Lithia.

— Finalmente.

Lily revirou os olhos para mim e a fitei, confusa.

— O que foi?

Já estava irritada por terem me acordado de novo.

— Você está dormindo na coordenação, Allie.

— Hã?

— O intervalo começou há cinco minutos e você está aqui, morta dentro dessa sala quente.

Peguei meu celular, parando a música e olhando a hora. Caramba.Ela estava certa, o intervalo já estava acontecendo.

— O que você ainda está fazendo aí, criatura? – levantei rapidamente e quase corria em direção à saída — Se não chegarmos logo no refeitório, perderei meu bolinho grátis.

Lily revirou os olhos, com um sorriso de canto e logo me acompanhou.

A cantina estava cheia, como de costume. Para minha sorte, ainda tinham pessoas comprando coisas. Líderes de torcida, nerds, geeks,estranhos, populares e bem, eu.

Cheguei na fila e comecei a acompanha-la até a raiz, enquanto Lily monopolizava a conversa sobre uma garota estranha em sua sala.

— Sai da frente — empurrei um garoto que passava por mim e mais duas meninas que estavam em segundo e terceiro lugar na fila.

O garoto que ocupava o primeiro lugar era Fletcher Parker, o garoto por quem Lily era apaixonada desde a sétima série.

Ela agarrou meu braço quando ele passou por nós. Olhou para Lily, dando um sorriso de lado e depois arqueando as sobrancelhas quando me viu.

Sorri sarcástica. Ele saiu de perto da gente, mas seu perfume continuou por ali.

— Você viu, Allie? Ele sorriupara mim.

Lily parecia uma criança que acabara de ganhar um doce. Nunca entenderia essa neura de ele me notoudas meninas da nossa idade.

— Lithia, ele te lançou um sorriso, não um pedido de casamento, se aquieta.

A próxima garota – que ocupava o quarto lugar – se aproximou para fazer o pedido.

Ela pediu um chips de cebola; o próximo garoto, uma coxinha; a outra menina, um refrigerante. E eu encostada na parede, ouvindo Lily falar sobre como Fletcher era um gato e como se casariam e teriam filhos em alguns anos.

— Um bolinho de chocolate e uma vitamina de morango, por favor – uma menina ruiva pediu.

Aleluia.

A moça a entregou o bolinho e a vitamina, logo após a ruiva pagar. Quando se distanciava, eu passei por ela, batendo meu ombro contra a mesma. Ela se desequilibrou e quase que o lanche cai. Peguei-os das mãos dela.

— Opa, eu seguro isso pra você.

Pisquei e sorri, andando com Lily até uma mesa vazia.

Lily suspirou.

— Você não podia pagar seu próprio lanche?

Ela estava brincando. Certo?

— Você fala como se já não conhecesse nossa querida Senhora Monique. — grunhi — Não é como se ela fosse me dar dinheiro se eu pedisse.

Lily deu de ombros.

— Ela me dá, às vezes.

Estreitei os olhos em sua direção.

— Não se finja de inocente, todas sabemos que você fica bajulando ela por aí. Ser um anjinho para ganhar algum dinheiro não me parece valer a pena.

— Então, você prefere roubar o lanche dos outros?

— Eu não roubei — dei uma mordida no bolinho — Estou tomando conta dele.

— Hm-hm.

— O que foi? Se não fosse por mim, ele teria morrido antes de sentir o ar poluído desse planeta fedido. Aquela menina foi descuidada e o deixou cair, graças à mamãe aqui, ele está vivo.

— Não por muito tempo...

Dei de ombros.

— Não é mais problema meu.

Tomei um pouco da vitamina. Olhei em volta; Lily tinha escolhido uma mesa no meio do refeitório.

— Posso perguntar por que estamos no meio de trocentos adolescentes fedidos?

— Não.

Olhei-a, descrente. Se ela não iria falar, tudo bem. Não me preocupava de ficar no meio, desde que não tivessem olhares virados para mim.

Comecei a prestar atenção no lugar. Violet e sua trupe estavam na mesa das líderes de torcida, tagarelando coisas que podia apostar que envolvia a) garotos, b) roupas minúsculas ou c) as duas afirmativas acima. Mais distante, a mesa de nerdsestava cheia de... bem, nerds;poderia apostar, também, que conversavam sobre os deveres de matemática e coisinhas flutuantes (também conhecidos como coisas de controle remoto). O grupinho dos populares estava logo ao lado da mesa das animadoras (um nome que eu considerava completamenteimpróprio, uma vez que elas não animavam nada além das calças dos meninos bobos) e Violet ia para lá e para cá, que nem barata tonta, indecisa se ficava entre as vaquinhas de torcida ou com os bobões-que-se-achavam-donos-da-escola.

Essa era a perfeita descrição de Violet.

Muito distante disso, tinha a mesa dos isolados, também conhecidos como emo-góticos.

Lily vivia me dizendo para ir até lá e me enturmar, ela tinha uma coisa na cabeça que o fato de euser gótica e elesserem algo da mesma subcultura, ia fazer com que nos tornássemos melhores-amigos-para-sempre.

Ingênua, tsc, tsc.

Continuando: Os isolados se vestiam sempre de preto, tinham cabelos estranhos (e que eu tinha de admitir: eram muito legais) de cores estranhas e ouviam música alta.

Bem, talvez tenhamos algo em comum. Nada demais.

Acabei meu bolinho e vitamina, então avisei a Lily que iria para um lugar mais calmo. Comecei a andar para fora do refeitório, quando esbarro em alguém.

Caramba, essas pessoas estão cegas hoje?

— Que merda...?

Me arrepiei por completo quando senti algo extremamentegelado cair de encontro com minha pele. Algo líquido. Uma gosma cor-de-rosa começou a escorrer por todo meu corpo. Olhei para baixo, apenas para descobrir que a gosma rosa era vitamina de goiaba.

Mais irritada impossível, olhei para cima, lentamente.

Um par de sapatos de salto branco, meia calça, mini saia rosa, cropped rosa.

Incrivelmente Barbie,Violet estava a minha frente, segurando um copo vazio de vitamina.

— Opa. Allie, querida, que tal olhar mais para frente e menos para seus sapatos horrorosos, hum? — ela disse com sua voz fina irritante. Falsa.

— Violet, querida,que tal parar de adiantar o dia das bruxas e tirar essa fantasia de vadia? Ah, não, espere. Não é fantasia. Meus pêsames por isso.

Sorri cinicamente, imitando sua voz.

Allie: dois. Violet: zero.

Ela me fuzilou com os olhos, pronta para revidar.

— Se precisar de Shampoo para lavar esse creme de goiaba de seu cabelo crespo, pode me chamar. Ficarei feliz em te ajudar. Afinal, não é isso que amigos fazem?

— Oh, Violet, você quer me ajudar? — ela sorriu — Por que não começa tirando esse seu traseiro murcho daqui e voltando para a terra-das-cópias-magricelas-da-Barbie que é de onde você nunca devia ter saído?

Dei um passo em sua direção.

— E antes de ir, não se esqueça de dar um abraço em sua querida amiga Allie.

Abri meus braços, sorrindo e me aproximando dela. Violet arregalou seus olhos azuis esbugalhados (e eu tive a impressão de que eles saltariam dali se ela os arregalasse um pouquinho mais) e deu um passo para trás. Fechei meus braços ao redor dela, fazendo questão de me esfregar bem — precisaria de um desinfetante depois — para sujá-la com seu próprio veneno.

Ela deu um grunhido irritado e correu para o banheiro, com sua trupe logo atrás.

Allie: cinco. Violet: zero.

Antes que o sinal batesse, tive que correr para o banheiro para me limpar daquela gosma de goiaba. Eu achava que o fato de minhas roupas estarem molhadas seria uma desculpa boa o suficiente para que me liberassem. Fui atrás da Darcy, a conselheira da escola, ela cuidava de todos os problemas entre os alunos.

— Darcy? — chamei, entrando em sua sala. Ela devia ser cinco anos mais velha que eu.

— Céus, Allie, o que aconteceu com você? — perguntou assim que me viu.

— Violet aconteceu.

Ela suspirou.

— De novo, vocês duas?

— É, mas não vim aqui com a esperança de que você “conversasse com ela para que tudo se resolva pacificamente” — ela arqueou a sobrancelha — Minhas roupas estão encharcadas com essa... essa coisarosa. Então, obviamente não posso ficar na escola.

— Não seja por isso...

Vinte minutos depois, lá estava eu, usando uma roupa de educação física mais curta que a calcinha da Violet; e com o cabelo molhado.

A blusa branca ficou meio grande, quase encobria a calcinha-short, então resolvi amarrá-la em uma altura boa o suficiente para não parecer que era a única peça de roupa que estava usando e para não ficar mostrando a barriga. Ao menos era confortável.

Olhei no celular, era aula do Professor Adam. Maldito professor gato de literatura.

Eu estava planejando uma fuga estratégica da escola, mas ia começar a única aula interessante que eu tinha, com o único professor legal — e gato.

Suspirei e subi as escadas. Ia precisar de uma paciência enorme para aguentar o horário inteiro com roupas minúsculas e garotos pervertidos — e imaturos — dentro da sala.

Respirei fundo e abri a porta. Adam já estava lá — para o meu azar — e já fazia chamada. Está aí uma coisa horrível: ter seu nome começado com A.

— Puxa, Allie, achei que não te veria aqui esse ano — Adam falou, me olhando de cima a baixo — Escuta, acho que está adiantando alguns horários. Ainda não é aula de Educação Física.

Adam devia ter por volta dos vinte e um anos, era alto, tinha profundos olhos azuis e cabelo preto. Era o típico professor que fazia as alunas suspirarem alto. Não vou mentir: eu era uma delas, apesar de não ser assim tão óbvia. Era o que eu esperava.

— Na verdade, isso é obra de sua querida aluna Sky — disse, apontando para Violet com a cabeça. Ele fez uma careta; também não gostava da mesma.

— Entendo... Bem, ainda tem um lugar aqui para você — apontou para a segunda carteira da fileira do canto.

Não era meu lugar favorito, mas não tinha outra opção. Entrei na sala, já ouvindo alguns assobios e comentários impróprios. Vi alguns olhares de desejo e outros com raiva. Preciso dizer que os raivosos eram das meninas? Não, né? Ok.

— Certo, vamos tentar, com muita dificuldade, desviar os olhos de nossa beldade aqui — Adam apontou para mim — e prestar atenção na matéria.

Todos riram. Eu corei, o que não é muito fácil de acontecer.

Então ele começou a falar sobre alguns livros clássicos, e ninguém se animou muito.

— Ok, ok, eu imaginei que vocês não fosse se animar nem um pouco em ler algo antigo como Romeu e Julieta agora. Coisa de gente velha, né? — mais risadas — Serei bonzinho e darei algo mais moderno para vocês lerem. Vamos fazer uma pequena votação sobre gêneros.

No fim, os gêneros foram ficção, romance e mistério. Teríamos que ler algo com esses gêneros e fazer uma redação sobre ele.

Lição do dia: goiabas são gosmentas!

Notas finais
Espero que tenham gostado da atualização do cap! Comentem o que acharam e se tiver algum erro, me perdoem e, por favor, avisem :) Se é seu aniversário, feliz aniversário! Se não é seu aniversário, feliz não-aniversário. Que vocês tenham um lindíssimo sábado! ♥ Até loguinho :3 Músicas: Heart Of Fire - Black Veil Brides Playlist: https://open.spotify.com/user/lissaisapenguin/playlist/5rUxmr232HDD8W2SdRoVN8
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.