Birthday Kids
1 2005
Notas iniciais
ps: Teddy Lupin é citado e aqui ele é afilhado da Annabeth.
— Não, Freddie, pelo amor de Merlin! É a minha direita, não a sua! – Exclamou Annabeth pelo que pareceu ser a quinta vez. Fred não respondeu, apenas suspirou e fingiu mover a faixa um centímetro. Já estava naquela novela pelo que pareciam ser horas. Ele simplesmente não havia mais para onde mover aquela maldita faixa, mas tinha a impressão de que sua esposa jamais acreditaria nisso. – Ah, aí! Aí mesmo! Agora está perfeito.
Fred murmurou "claro" enquanto pulava da cadeira, indo se juntar a esposa que olhava para cena com os olhos brilhando, talvez até lacrimejantes. Ninguém poderia julgar Annabeth Weasley por ter se tornado uma adulta um tanto mais sensível, especialmente quando se tratava do aniversário dos filhos.
"Feliz aniversário, Thomas & Violet"
A faixa estava colada em cima da mesa colorida, ao lado balões flutuavam com o número 4, que, graças a um feitiço de George, separava-se e juntava-se a cada segundo como em uma dança silenciosa e engraçada, mostrando que duas crianças faziam 4 anos naquele dia.
— Mais docinhos saindo! – Exclamou Ginny, correndo da cozinha com uma bandeja cheia de pequenas bolinhas de chocolate que a esposa de Percy havia os ensinado a fazer.
Era a primeira festa de aniversário dos gêmeos. Não havia nenhum motivo especial para eles terem esperado os quatro anos – na verdade, a maioria das pessoas sempre fazia no primeiro ano ou no quinto. Fred disse que é porque "eles não são como os outros casais", mas a realidade é que eles sempre tiveram coisas demais para fazer para organizar uma festa grande como essa. Era mais fácil simplesmente comemorar com um bolo n'A Toca ou na casa de Nico e Will.
A decoração já estava toda pronta, Annabeth percebeu, a única coisa que faltava eram...
— Por Morgana, onde estão os gêmeos?!
— George está com todas as crianças lá em cima, Sol, não se preocupe.
Annabeth franziu o cenho. A última vez que Thomas e Violet ficaram com George, o mais velho os ajudou a pintar o cabelo um do outro com as canetinhas coloridas que vovô Nico havia presenteado os netos, nada muito recomendado para duas crianças extremamente loiras.
— Olhe só, Annie, os cabelos deles são tão brancos! Praticamente pediram por isso! – Foi a desculpa dele.
Como se lesse os pensamentos dela, Fred sorriu.
— Ele não vai pintar o cabelo das crianças, amor. A canetinha acabou.
Annabeth não sabia como Fred pensava que aquilo a deixaria aliviada, mas aceitou, e pouco tempo depois os convidados começaram a chegar. Louis e Claire Fender, seus melhores amigos de Hogwarts, chegaram primeiro.
— Eu já sabia que vocês estavam chegando. A barriga de Claire apareceu muito antes de vocês – comentou Fred, fazendo o casal rir.
— É para qualquer momento agora – esclareceu Louis, orgulhoso. Annabeth não conseguiu evitar sorrir. O melhor amigo estava tão ansioso para ser pai. Eles haviam escolhido Ginny e George como padrinhos de Thomas e Louis e Claire como padrinhos de Violet. Todos eram ótimos, eram mesmo, mas Louis... Annabeth sabia que ele seria um ótimo pai apenas pela forma como falava com afilhada e como a fazia parar de chorar em um minuto.
— Quer dizer que você pode entrar em trabalho de parto no aniversário dos meus filhos?
— Eu posso fazer o parto se isso acontecer? – Falou George de repente, no fim da escada. Thomas em seu colo enquanto Violet e Teddy estavam agarrados a sua perna.
— É claro que você não pode, George – respondeu Fred, franzindo o cenho para o irmão. Louis suspirou.
— Nenhum de vocês dois pode.
Fred fingiu estar decepcionado por um momento antes de abrir um sorriso com o empurrão leve que sua esposa o deu.
— Angelina também não está grávida? – Perguntou Claire.
— Sim, mas ao contrário de vocês, temos mais alguns meses.
— Está todo mundo grávido esse ano. Ainda bem que fizemos isso antes, Sol. Fomos os primeiros depois de Bill – sussurrou Fred no ouvido de Annabeth, fazendo-a rir.
— De forma totalmente acidental, mas fomos – sussurrou ela de volta. Fred abriu um sorriso brincalhão, afastando o cabelo loiro da mulher e aproximando-se um pouco mais de seu ouvido.
— Não me importo de ter acidentes assim com você.
Violet gritou alto pelo padrinho, quebrando a atenção que os pais dividiam entre si. Louis abaixou-se, abrindo os braços para recebê-la.
— Oi, querida. Feliz aniversário! Como você está, hein?
— Tomara que seja uma menina – disse Annabeth a Claire, ambas olhando para o moreno. – Ele merece ser pai de uma menina.
— Sim, eu concordo.
Annabeth observou o sorriso no rosto da melhor amiga e sorriu. Ver as pessoas que amava tão felizes era tudo que ela poderia pedir. Acompanhava a história dos dois há anos e mal podia esperar para vê-los ainda mais completos. Depois de 1998, tudo que Annabeth e Fred passaram a desejar fora ter seus amigos e família felizes da maneira mais simples e fácil que existe. Trabalhando, namorando, casando, viajando, formando famílias. Simplesmente vivendo.
O resto da família foi chegando aos poucos – até mesmo Charlie havia arranjado tempo para vir da Romênia. Antigos colegas de Hogwarts também marcaram presença, como Oliver Wood, Katie Bell, Luna e Rolf Scamander, Neville, Hannah e o primeiro filho dos dois, Jonathan. Annabeth ficou imensamente feliz ao ver Dean e Seamus Thomas-Finnigan com os pequenos gêmeos de 3 anos que adotaram há pouco tempo. Até mesmo Draco Malfoy apareceu, depois de muita insistência de Annabeth, trazendo consigo sua namorada, Astória Greengrass – uma antiga colega da Sonserina que Annabeth sempre achou muito inteligente e criativa e, após conhecê-la enquanto namorada de seu primo, também a achou divertida e irreverente. Fred a adorou; e ele raramente adorava qualquer coisa que tivesse a ver com Draco.
Ainda era estranho ter um Malfoy por perto, e devia ser o mesmo para Draco, que sempre se retraía. Porém Annabeth estava melhor nessa parte e sabia que o garoto estava tentando, por isso sempre se esforçava para tê-lo em momentos importantes como aquele. Querendo ou não, com sobrenome ou não – Annabeth, mesmo após descobrir sobre sua família biológica, nunca trocou os sobrenomes dos pais adotivos senão no dia de seu casamento com Fred –, juntos de Andrômeda e Teddy, eram tudo que restava da família Black.
— Ok, é hora de cantar parabéns! – Anunciou Annabeth. Fred puxou os banquinhos que havia escondido de baixo da mesa e junto da esposa, ajudaram os dois gêmeos a subirem. Violet sorria abertamente, encantada com toda a atenção que recebia de todos que batiam palmas e cantavam para ela, já Thomas parecia mais instigado pelos doces em cima da mesa.
Annabeth puxou Teddy e Victoire para perto das crianças também. Sabia como eles gostavam de estar juntos em todos os momentos. Os vivas continuaram até os gêmeos se inclinarem e apagarem as velas. George, que não estava muito longe, retirou as recém-apagadas velas do bolo na mesma hora.
Foi nesse momento que Annabeth devia ter percebido que algo estava errado. Merlin sabe que Angelina entendeu na mesma hora que viu o marido se esticar. Antes que pudesse fazer algo, Thomas colocou a mão atrás da cabeça da irmã ao mesmo tempo em que ela fazia o mesmo com ele, e empurraram um ao outro em direção ao fundo do bolo de chocolate colorido que Annabeth havia encomendado de uma doceria famosa indicada por Fleur.
— Merlin! – Exclamou Molly quando as crianças levantaram-se com as faces sujas de chantilly. A sala toda explodiu em risadas das sobrancelhas brancas de Thomas e os cabelos sujos de Violet. Até mesmo Annabeth. Não estava realmente nos planos, mas...
Estava assim tão surpresa?
Não, não estava. Conhecia sua família melhor do que isso. No entanto, não deixava de sentir raiva do cunhado por arruinar o bolo de aniversário.
— Acho que nunca mais vou te deixar sozinho com eles, George, você não para de ensinar coisas erradas!
— Eu tirei as velas – defendeu-se ele.
— Obrigado por não ter ajudado a queimar o rosto dos seus sobrinhos? – Retrucou Annabeth ironicamente, ajudando Thomas a descer.
— De nada – respondeu George com um sorriso, recebendo um tapa estalado de Angelina no ombro como punição.
Annabeth olhou para os lados. Onde estava Fred? Ele não poderia ter perdido isso. Ele seria com certeza o primeiro a gargalhar. Embora dispensasse o show se tivesse escolha, poderia rir agora que aconteceu e não havia mais o que fazer, e seu marido definitivamente adoraria rir disso.
Havia pegado a toalha que Bill estendeu para ela e começado a limpar o rosto do garotinho enquanto Fleur fazia o mesmo com Violet, que falava sem parar sobre como a sensação de ter seu rosto enfiado em um bolo era "de nuvem", jurando que sua tia estava entendendo tudo, quando Fred apareceu na porta da cozinha, carregando uma enorme bandeja com dois bolos laranjas, nada parecido com os outros, que eram maiores e com mais detalhes sobre cada um dos gêmeos. Neste havia apenas o nome Weasley os cercando. Annabeth abriu a boca, sem entender, enquanto o marido os colocava na mesa, retirando os bolos esmagados pelos rostinhos fofos e marotos dos filhos. Nem percebeu quando Thomas pulou do banco em que estava, fugindo da mãe e da limpeza, e correu para o vovô Will.
— Você... Como... Você comprou isso agora?
Fred abriu um sorriso divertido, dando de ombros.
— Ontem.
— Por quê? Você também estava metido nisso, Fred Weasley?
O homem soltou uma risada alta, aproximando-se da esposa e puxando a pequena toalha em sua mão para limpar a marca de chantilly que havia ficado em seu rosto quando Tommy a tocou na bochecha.
— Não, mas gostaria de ter sido incluído – Annabeth revirou os olhos, sem conseguir evitar o sorriso. – Apenas conheço George muito bem e sei o quanto nossos filhos infelizmente se parecem comigo. Faz algum tempo que eu percebi que precisamos de algumas garantias quando se trata deles. Não queria que seu trabalho fosse perdido.
Annabeth meio que suspirou, meio que sorriu e agradeceu. Tudo ao mesmo tempo. Lembrava-se de momentos muito importantes em que esteve com Fred e sentiu-se absurdamente apaixonada. O primeiro beijo deles foi um desses momentos, assim como a primeira vez que dormiram juntos e também quando ele fugiu de Hogwarts e a fez voar com ele para se despedirem sem que Umbridge os alcançasse. Ou na guerra, quando os dois lutaram lado a lado protegendo um ao outro durante a noite inteira e Fred a pediu em casamento. Esteve apaixonada em todos esses momentos. Contudo, as coisas haviam mudado agora. Havia algo diferente na tranquilidade e paz em que eles se encontravam. Não era mais tão novo como no dia que começaram a namorar, quando se casaram ou como no dia em que decidiram que a casa em que estavam naquele momento seria deles, mas era mais especial e até maior. Quando Fred acalmava Thomas à noite, Annabeth se apaixonava. Quando ele jogava Violet nas suas costas e corria pela casa inteira, Annabeth se apaixonava. Quando sentava com os filhos, pois sabia que aquele momento de conversa e atenção era importante para eles, mesmo após um longo e complicado dia resolvendo as burocracias das filiais da Gemialidades Weasley pelo mundo, Annabeth se apaixonava. Quando ele levava Teddy às compras para que o pequeno pudesse escolher o que queria jantar naquela noite em que viria dormir na casa de sua madrinha, ela se apaixonava.
E quando Fred pensava que precisava de medidas a mais para proteger o aniversário que Annabeth havia passado dias planejando, pois sabia que seus filhos eram dois pequenos encrenqueiros exatamente como ele fora um dia... Ah, ela o amava ainda mais. Se é que era possível.
— Parece que você é bom mesmo nessa coisa de ser pai – disse Annabeth por fim.
— Claro que sou. Podemos até fazer outro como todo mundo está fazendo neste ano fértil – brincou.
Annabeth pressionou os lábios um no outro, respirando um pouco mais fundo enquanto sentia Fred passar os braços ao redor de sua cintura e a puxar para ele.
— Sol, você está chorando?
Annabeth balançou a cabeça, repousando sua cabeça no peito do marido e assistindo enquanto Teddy fazia manha junto de Andrômeda, Victoire e Violet encostavam seus ouvidos infantis e curiosos na barriga de Claire, como se fossem ouvir algo e Thomas continuava sendo mimado pelos dois vovôs maternos.
— É que eu percebi que meu amor por você não para de crescer. Faz 10 anos que nos conhecemos e simplesmente não para de crescer.
Fred soltou uma risada fazendo seu peito tremer. Ele puxou o rosto de Annabeth para cima, fazendo com que ela o olhasse antes de selar seus lábios por um tempo.
— Nem o meu por você, Sol. Nem o meu por você. Enquanto viver, vou amar você e a nossa família mais do que tudo. É o que sei fazer de melhor – disse, inclinando a cabeça para o lado e fazendo uma expressão pensativa. – Bem, talvez o que sei fazer de melhor depois de pegadinhas.
Annabeth riu, pois estar com Fred era isso. Sempre rir, e então os dois se beijaram, sem ligar muito para os parentes que poderiam assistir – todos eles já estavam suficientemente acostumados às demonstrações de afeto do casal.
Annabeth foi dormir naquela noite sentindo seu peito transbordar de amor e gratidão por tudo que a cercava. Sentiu tanto que até mesmo chorou mais algumas vezes. Não que ela tenha ligado, afinal, era o melhor choro de felicidade que já tivera e gostava disso. Era muito melhor do que as lágrimas de tristeza que surgiam mais frequentemente do que gostaria quando acordava durante a noite com pesadelos da guerra sobre amigos que perdera.
É claro que ela não se perguntou naquele dia, nem nos seguintes, por que estava assim tão sensível, isto é, mais do que o normal. Se tivesse talvez pudesse ter percebido antes do primeiro enjoo que o ano fértil de 2005 também havia batido na porta daquela parte da família Weasley.
E dois logo tornariam-se quatro. Cinco, contando Teddy, o melhor quase-irmão mais velho de todos os Weasley-Potter.
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