Bigorna
9 Só Wennen's.
Notas iniciais
Desviei meu olhar para a Laura que estava encostada na janela, e novamente o silêncio havia tomado conta daquele carro. Eu observei a praia distante, várias pessoas com roupa de banhos andavam sorrindo pela calçada, com seus amigos. Comecei a me agitar dentro do carro, chacoalhei Laura pelos braços e ela começou a rir.
— Estamos na praia! Na praia!! – gritei diversas vezes, chamando atenção das duas.
— Já sabemos Amy, não precisa gritar. – falou minha mãe em uma voz calma, que vez Laura dar uma risada.
Marcia estacionou o carro em frente a um apartamento enorme, enorme mesmo. Era lindo demais, só pelo portão dava pra ver um parquinho, o que me deixou com vontade de ir até lá e me balançar o mais alto possível no balanço. Uma mulher de cabelo louro, pele branca e um pouco parecida com minha mãe apareceu no portão de visitantes, ela conversava algo com o porteiro, mas logo abriu o portão e se aproximou do carro.
– Anna, quanto tempo! – disse minha mãe, com um sorriso.
— Meu Deus, Marcia, essas duas fofas são suas filhas? – retrucou Anna, colocando sua cabeça para dentro do carro e observando Laura.
— Não, só a loirinha mesmo, a Laura é amiga da Amy.
— A Duda vai adorar elas, que é a minha menor, sempre brincalhona... A Maju você sabe como ela é né, Ma, uma tristeza toma conta daquela menina. Mas enfim, vão entrando enquanto tá cedo e vamos pra almoçar rapidinho.
Tia Anna havia apertado um botão do controle azul que ela segurava, e logo o portão da garagem foi se abrindo. Anna nem esperou muito e já entrou na frente do carro, apontou o local que devíamos estacionar, minha mãe foi seguindo-a com o carro, mas de uma forma lenta. Cheguei próxima da Laura e mordi o lóbulo de sua orelha, dando uma breve risada.
— Que foi? Tá muito tensa. – sussurrei.
Laura apenas balançou a cabeça de forma negativa, ela não estava feliz como no inicio da viagem. Ela estava demonstrando tristeza, o que me fez afastar-me para dar um tempo a ela.
...
Retiramos as coisas do carro, Laura carregava a minha mochila numa mão e a dela no ombro. Eu estava agarrada ao meu travesseiro, parecendo uma criança com seu brinquedo preferido. Deixamos nossas coisas de praias lá no porta-malas, não era necessário naquele momento. Tia Anna e minha mãe andavam na frente batendo um papo, em direção ao elevador, eu e Laura andávamos de mãos dadas. Quando chegamos no penúltimo andar, eu vi uma decoração linda naquele andar, várias plantas e algumas janelas, com uma maravilhosa vista. Anna abriu a porta e a sala estava decorada, a luz da janela iluminava o local inteiro, o que fez meu olhar brilhar. No sofá de couro preto, estava uma garota de cabelo negro... Não sei bem como descrevê-la, mas vou logo dizendo, é uma gata. Ela nem ligou para as pessoas que acabavam de entrar, seu olhar estava fixado em um livro. Saiu do quarto uma pequena garota, tinha no mínimo seis anos.
— Oi tia, tudo bem? – disse a garotinha, abraçando minha mãe.
— Oi Duda, tô bem sim... Olha só como você está enorme.
Laura e eu ainda estávamos paradas na porta, um pouco coradas. Logo tomei a iniciativa e entrei, a puxando pela mão. A garota me abraçou e ficou um bom tempo, logo em seguida abraçou Laura.
— Quais são seus nomes?
— O meu é Amy, e aquela menina ali é a Laura. – dei uma risada, imitando a voz dela.
Aquela menina era muito fofa, digo mesmo. As bochechas dela era incrivelmente grandes, sua pele era morena, o cabelo era curto e um castanho claro. O papo estava deixando aquele apartamento barulhento, risadas e barulhos de panela deixava o local com um ar de família. Laura deixou nossas mochilas em um quarto de hóspedes, com duas camas de solteiro apenas. Minha mãe e Anna estavam na cozinha, preparando macarrão e salada de alface. E eu? Eu estava sentada na poltrona, próxima a Maju. Só sei por causa da conversa da Anna com a minha mãe... Eu a observava indiscretamente, era incrível como seus olhos ficavam verde-claro quando olhava para cima. Abri minha boca para cumprimentar, mas quando ela virou seu rosto, pude perceber o fone de ouvido em sua orelha, então apenas fiquei olhando para a televisão em uma postura completamente reta.
— Amy, você vai dividir o quarto com a Laura, né? – falou Anna. –
— Vou sim.
Me levantei da poltrona e andei até o quarto que Laura estava, a porta estava encostada, então entrei sem ao menos bater. Percebi Marques sentada na beirada da cama, com sua cabeça baixa.
— O que foi Marques? – disse correndo em sua direção e me sentando do seu lado.
— Oi Wennen, não aconteceu nada. – ela sussurrou e passou os dedos indicadores nos olhos, e pude perceber seu olhar triste.
A abracei de lado, apertando de leve seu corpo. Ela deitou sua cabeça em meu ombro e logo se virou para mim.
— Desculpa, é que... – ela deu uma risada. – estou sentindo falta do meu pai.
— Ai que coisa linda, ela é de família.
Fui largando ela devagar, e apertei sua bochecha com força.
— Vou estar cercada de Wennens por dois dias?
— Vai, nem sabia que eu tinha primas...
Laura deu uma risada enquanto se levantava, puxei-a de novo para se sentar na cama e me levantei. Fui até a porta e a tranquei, fui tirando meu blusão aos poucos, e logo andei lentamente em direção a Laura, me sentei em seu colo e deixei minha mão na altura do seu rosto. A reação dela foi engraçada, ela ficou meio assustada, entretanto logo foi envolvendo suas mãos em minha cintura. Fui aproximando nossos rostos, e rocei meu lábio no dela.
— Meninas? O almoço está pronto! – gritou Anna, em frente à porta.
Sai do colo de Laura rapidamente, abri a minha mochila e retirei uma regata cinza, vesti a mesma e abri a porta.
— Já estamos indo.
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