O ontem soa como uma tragédia
Eu tento não perder o que resta de mim
Mas ele se foi.

Eram seis e quarenta e cinco desde a última vez que perguntei ao motorista do camburão que estava levando-me ao presídio do estado, não entendi o motivo dessa transferência tão apressada pelo que o detetive falou na sala de interrogatório eu deveria ficar na delegacia até pelo menos o resultado da reconstituição do crime saísse. Minhas companheiras de cela também acharam super estranho mas elas nada podiam fazer para me ajudar. Fui tirada dos meus pensamentos com a parada do carro, respirei fundo e tentei me acalmar um pouco olhando tudo ao redor olhei por uma fresta aberta do vidro da porta que estávamos cercados por mata, não pude verificar mais pois o carro novamente entrou em movimento e quando parou novamente, a porta foi aberta com violência e por ela passaram três policias estranhos e puxaram-me pelos braços arrastando-me para fora do veículo, quando saí olhei o ambiente hostil que nos cercavam muros altíssimos com cerca elétrica nos rodeavam a minha direita existia uma guarita com policiais fortemente armados, atrás de mim estava o portão por onde passamos e lá também tinham policiais armados até os dentes, do lado esquerdo tinha uma espécie de pátio de veículos que eram vigiados por três vigias. Quando os policiais que me seguram terminaram de conversar fui levada para dentro de um prédio austero e muito alto que estava a minha frente, uma porta grande e pesada de ferro foi aberta com as digitais dos policias que me conduziam, no interior do prédio haviam várias portas com pessoas trabalhando lá acho que eram da área administrativa, as portas dessas salas pareciam ser de vidro e, com certeza, eram a prova de balas. O Policial pegou minha mão e passou em um leitor biométrico e a porta se abriu.

—Ei Abgail?!Aqui mais um cordeirinho inocente para vocês se divertirem.-Falou o policial e eu quase me borrei toda, como assim se divertirem?

—Olá Bonitão, esse cordeirinho aí fez o que de errado? Drogas, roubo, prostituição?-Falou uma mulher ruiva de olhos verdes parando de ver algo em seu computador, ela seria linda se não fosse sua postura fria ao olhar em minha direção.

—Não Aby, esse aqui achou que era divertido matar a família do governador Cullen.

—Não brinca? Foi ela?

—Sim. E você sabe como funciona o esquema de quem mexe com os grandes né?!

—Sim. Nada de julgamentos ou piedade. Mas foi ela mesma?- Bom ao que tudo indica agora sou transparente pois os dois conversavam como se eu não tivesse presente.

—As impressões dela estavam lá em todo lugar.

—Bom, então bem-vinda cordeirinho e eu não digo que sinta-se em casa pois eu sei que não vai nada confortável ficar aqui!!!Boa sorte!!! E bonitão? A cela dela é a quarenta e um.

—Puta merda é mesmo?

—Pelo que vejo aqui no sistema ela é a surfista Isabella Swan não é?

—Sim.

—Bom é lá mesmo. Entregue ela a Dinalva e vaza, você sabe que homen aqui não pode não é?

—Sei. E fico me perguntando como que tanto estrogênio junto funciona.

—E morrerá sem saber!!!Vaza!!!- Falou a ruiva fingindo-se de brava. O bonitão saiu me puxando pelo extenso corredor viramos a esquerda de pois a direita e a esquerda novamente e então paramos em frente a um balcão onde uma gorda feia e mal encarada estava, lá atrás dela estavam um monte de armários que provavelmente guarda os pertences das outras presas.

— Jaíra, bom dia!

—Dia! Cadê as coisas dela?

—Só a roupa do corpo mesmo.

—Como é? A minha mochila com minhas roupas não vieram?- Perguntei não me contendo.

—Ah já entendi. Ok então vou colocar aqui na ficha sem pertences e S.V. — Fingiram não me ouvir, droga o que é S.V.?

—Isso. Chame a Di por favor?

—Tá .Dinalva Q AP? Dinalva Q AP na escuta?

— Prossiga.

—Tem cordeiro novo para o abate, vem buscar.

—Ok, fazendo QtI!!!

Ela já está vindo.-Falou a gorda mal humorada. Esperamos por cerca de quinze minutos até que uma mulher negra e muito alta entrou.

—Cheguei, cadê o cordeirinho chorão?

—Ei Di tudo bem?

—Bonitão! Tudo bem. Olha ela não chora.

—Não ela não chora ainda! Bom está entregue fui!!!

—Tchau!!!-Falaram as duas.

—Então...Como é seu nome?

—O que interessa o nome dela Di? Você sabe o que vai acontecer ela mexeu com gente grande então…

—Verdade. Mas não custa saber não é. Qual seu nome belezura?

—Me chamo Isabella Swan ou apenas Bella.-Falei tentando manter a voz firme.

—Olha só Jai, durona. Aposto duzentos paus que não passa da primeira semana.

—Eu cubro, acho que aguenta quinze dias.

—Bom você vai perder igual da outra vez.

—Garota olha para mim.-Fiz o que ela mandou.-Você tem que aguentar ouviu bem?

—Para de ameaçar a garota, queria ver você no lugar dela.

—Nunca vai ver afinal não sou um monstro…-A agente Di saiu me puxando mas as palavras da Jaí não saíram da minha cabeça, monstro…monstro…monstro…monstro…

—Aqui está seu quarto madame, sua coleguinha está no banho de sol. Só tente se manter viva e logo tudo acaba ok.

—Oi?

—Nada.

—Agente!!?

—O que?

—O que é S.V.?

Sem volta Isabella, isso significa que daqui você não sai com vida!!

Falando assim ela fechou a porta da cela e se foi, aproveitando agora que estava sozinha tento organizar meus pensamentos e sentimentos. Estou destruída com a morte dos Cullens Edward...Tanto que quis me encontrar e acabou encontrando a ruína de toda sua família. Triste demais pensar que um homem tão cheio de vida tão lindo se foi. E tudo por minha culpa por que não fugi dele por que? Eu mereço qualquer coisa que eu venha sofrer aqui dentro até mesmo a morte pois e não fui eu diretamente foi por eu ter reaparecido que eles sofreram. E a Esme? Ela nunca vai me perdoa por isso. Droga, por que não morri naquele acidente com James tanto queria? Seria melhor do que viver com esse fardo nas costas eu nunca quis o mal de ninguém mas essa vida maldita que levo só me faz perder os que se aproximam de mim. Seth meu querido irmão assim, como você, também morrerei presa. Mas não posso me abater agora pois se morrerei aqui dentro, com certeza, farei um enorme estrago lá fora. Colocarei a boca no trombone jogarei toda a merda no ventilador e para isso precisarei da ajuda do detetive, como farei para vê-lo de novo é que eu não sei. Ando de um lado a outro na cela apertada onde há um beliche e um vaso sanitário a direita junto de uma pia e torneira, na parede ao meu lado tem muitas fotos e páginas de revistas colados de forma desordenada uns mais velhos outros novos, tem artistas e outros mais. Fui tirada dos meus devaneios pelo som da porta abrindo, por ela passou uma baixinha com o cabelo castanho e olhos verdes.

—Oi-Ela disse.

—Olá.

—Você é a nossa hóspede agora né?

—Nossa?

—Sim minha e da Xirra.

—Como assim? Aqui só tem duas camas? Deve está acontecendo algum mal entendido.

—Tá não. Como disse você está aqui como hóspede, dormirá no chão mais não se preocupe eu te empresto um lençol.

—Por que eu sou hóspede? Eu estou presas assim como você .

—Eu sei mas lá no pátio já está rolando apostas de que você não durará nem uma semana, afinal você mexeu com a máfia não é?!

—E o que isso significa?

—Significa que você vai morrer. E a propósito sou Jéssica e você é a Bella surfista. E se eu fosse você fingiria que está dormindo quando a Xirra chegar.

—Mas não tenho sono.

—Então passe mal. Ou não, tanto faz!!!

Após essa frase confusa Jéssica deitou-se na cama de cima e me deu as costas. E Eu sem alternativa sentei no chão sujo. Acho que cochilei por que assustei-me com vozes dentro da cela mas não abri meus olhos.

—Você não vai acordar a garota agora Xirra, deixe-a dormir um pouco.

—Você está com pena dela Jess? Esqueceu o que fiz a você quando chegou aqui?

—Não esqueci só acho que é melhor esperar um pouco pelo menos ate as guardas saírem de vista.

—É você está certa vou esperar a volta do almoço.- E eu continue com meus olhos fechados segurando minhas lágrimas..

...Tudo que eu sei

Tempo é uma coisa valiosa

Veja-o passar enquanto o pêndulo balança

Veja-o contar até o fim do dia

O relógio marca o tempo da vida

É tão irreal...