Notas iniciais
Depois de alguns comentários me animei e escrevi mais um capítulo. Não consegui chegar a 1500 palavras mas juro que farei capítulos bem mais compridos. Adoro o final. Comentem :)

Bifurcados — O Apocalipse Zumbi

Capítulo Três – "Lábios de Veludo"

⊂ ⊗ ⊃


Na rua o caos aumentava a cada dia que se passava. A nação brasileira já estava em quarentena fazia dois dias, e os cidadãos nada podiam fazer já que o mandado nacional era de permanecer em suas casas, já que assim estariam seguros. Muitos descumpriam as ordens e fugiam para lugares distantes das cidades, onde o vírus não era concentrado. As ruas de São Paulo estavam vazias como nunca antes, todo o comércio fechara e toda a educação entrou em relativas férias.

Clarissa não mais apareceu, mas Heitor sabia que ela não havia se suicidado ou fugido: Ela chorava todas as noites e as paredes finas como papel transpareciam a tristeza escondida por trás de seus cabelos obscuros. Seu quarto ficava contra a cozinha do apartamento de Heitor e a própria era onde ele mais passava o tempo. Alguns anos atrás cursara gastronomia e, posteriormente, morou na Europa por um ano, exatamente no sul da Itália, onde descobriu seu dom entre panelas e colheres.

Enquanto preparava o prato da noite, Clarissa não saia de sua mente. A pena que sentia da ingênua de dezessete anos que não se comunicava com os pais por mais de uma semana era imensa por isso resolveu bater em sua porta. Quando abriu, ela levou um susto com a presença de Heitor. Seus olhos inchados e olheiras profundas denunciavam o desespero por causa dos caos que o país sofria, fundido com a falta de esperança em encontrar seus pais.

— Oi. Está melhor? — com um jeito sem graça ele disse.

— Estou — mentiu — bem melhor. Muito obrigada. Quer entrar?

— Não, muito obrigado. Vim aqui te convidar para jantar. Estou preparando qualquer coisa, então se quiser... — Clarissa tentou fingir um sorriso já que estava praticamente em estado de decomposição, mas de qualquer jeito aceitou.

— Ótimo. Preciso sair um pouco desse apartamento, arejar um pouco minha cabeça... Nem que para isso seja necessário ir até a casa do vizinho — ela riu consigo mesma — Vou me arrumar. Em uma hora estou pronta. Pode ser?

— Claro. Estarei esperando. — Fechou a porta e Heitor voltou ao apartamento com a leve sensação de pedofilia com uma menina com seis anos a menos que ele. “Idiota” balbuciou chacoalhando sua cabeça.

Após setenta e dois minutos, a porta chacoalhou novamente. Estupidamente ansioso, Heitor abre a porta e Clarissa está com seus longos e levemente ondulados cabelos soltos – o que não acontece faz tempo – sapatilhas bejes, um par de jeans e uma bonita camisa de cetim. Seus olhos brilham como nunca e o corretivo que estampava a base das palpebras era sem dúvidas facilmente perceptível.

— Desculpa à demora — ela deu um beijo caricato em suas bochechas e elogiou — Que cheiro ótimo! O que você fez? Macarrão?

—Acertou. Vamos comer?

Heitor já havia preparado a elegante mesa a sua espera e mesmo melancólica Clarissa conseguiu comer apetitosamente. Durante toda a janta conversaram sobre viagens por todos os continentes, experiências de profissão, histórias de infância e faculdade (a qual a menina prestaria no mesmo ano). Clichê.

De barrigas cheias sentados no sofá, tentavam encontrar algum canal que não houvesse algum plantão jorrando informações sobre o “Vírus Zero”. As imagens dos recém-acordados eram horripilantes, mas — provalvemente — estavam protegidos no décimo oitavo andar de seus prédios. Heitor zapeava rapidamente tentando trocar os pensamentos da mente amargurada de Clarissa. Ela estava sentada no canto do sofá branco e lentamente adquiriu coragem para articular algumas palavras.

— Sabe aquele dia que vim aqui? — “Impossível de me esquecer” pensou Heitor consigo mesmo. — Queria me desculpar. Desculpa mesmo e tamb...

— Já disse que não precisa se preocupar Clarissa. Sei que nós não nos conhecíamos anteriormente, não que nos conhecemos muito agora, mas somos vizinhos. Quero nada mais nada menos que te ajudar. Apenas te ajudar.

Trocaram olhares quentes. Abrasadores, calorosos e sedutores. Uma força desconhecida tomou o corpo de Clarissa e lentamente aproximou-se dando um beijo intenso por alguns incontáveis segundos. Seus lábios de veludo se desgrudam agradavelmente e um sorriso satisfatório brota no lábio da jovem.

Eu tenho namorada — as palavras cospem da boca de Heitor e atingem impiedosamente Clarissa.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Posto mais um capítulo com três comentários.