Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
8 A Jornada é Incerta
Notas iniciais
Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo Sete — "A Jornada é Incerta"
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Cada gota da quente água que percorria cada vértice de seu corpo relaxava-o ao extremo. Em sua vida pensava vagarosamente: Talvez ficasse dias, ou até meses, sem tomar banho, escovar os dentes ou apenas cozinhar. O caminho até a cidade em que os pais de Clarissa moravam era incerto. O que poderia acontecer era incerto.
Após vestir-se com roupas leves fora à casa de Clarissa. Desviou o errante, o qual cheirava intensamente, abriu a porta de seu apartamento lentamente e fora ao seu encontro. Ao virar em direção à sala de jantar, Clarissa aponta com seu arco profissional para a porta de entrada.
— Heitor! Você me assustou! Achei que podia ser um deles! — Clarissa diz desafrouxando seus dedos do arco. Em sua face o nervosismo estampa.
— Sentimentos mútuos, então! — Ele fecha a porta. — Já está acordada? São cinco horas da manhã. Achei que estaria dormindo.
— Não consegui pregar meus olhos essa noite. Estou preocupada.
— Preocupada com o que?
— Tudo. — ela diz chacoalhando a cabeça, pousando uma mecha de seus escuros fios atrás de uma das orelhas — Não sei o que pode acontecer pelo caminho, mas prefiro deixar isso para saber no futuro.
Heitor fita Clarissa. Uma mistura de esperança e tristeza era o resultado do brilho de seus olhos.
— Preciso terminar de arrumar minhas coisas. Não falta muito. — Heitor olha o relógio de pulso — Daqui à meia hora volto para irmos.
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Quando Heitor fecha a porta com uma mochila grande apoiada em seu ombro e uma mala pequena é a última vez em que veria seu corredor. Claro, sem o zumbi que ali morto atraia todos os tipos de inseto. Bate na porta de Clarissa e ela sai de seu apartamento com a mesma quantidade de malas que ele tinha. Seu arco atravessa seus seios marcando-os totalmente e suas flechas eram presas em sua mochila. Calças jeans, camiseta cinza, sweater com um tom mais cinza que a peça abaixo e sneakers.
Heitor carregava três facas de tamanhos diferentes em seu cinto marrom escuro: sua única arma.
— Como iremos para a garagem?
— Pelas escadas — Heitor apontou para uma porta pesada acariciando seu rosto agora sem a barba rala que sempre ali ficava. Clarissa seguia-o bravamente (pelo menos o máximo que conseguia) e tentava não pisar em falso naquele escuro total. A cada passo que davam Heitor tentava enxergar o que a escadaria escondia por leves feixes de luz do amanhecer daquele começo de dia. Após duzentas e oitenta e quatro escadas chegam ao térreo. Um corredor largo e uma porta ampla fitam-nos. Até aquele momento nenhum dos canibais havia se mostrado, mas na garagem tudo podia se esconder.
— Já pegue as chaves de seu carro — Clarissa induziu as palavras olhando para seus bolsos. As mãos ágeis de Heitor as apanham e rapidamente abrem a porta do térreo. Felizmente a claridade proporcionada por geradores especiais para aquele ambiente acendera-se quando o sensor de movimento foi acionado pelo casal.
— Meu carro é aquele — Heitor aponta para um Volvo C30 cinza-gelo — Vamos!
Os passos apressados pareciam que se distanciavam ainda mais do carro. Antes de chegarem, um errante treme seus olhos quando avista os humanos. Corre cambaleando e Heitor apunhala a faca em sua cabeça – agora não no peito. Tira a faca de seu lobo frontal limpando nas roupas sujas do zumbi e guarda novamente no cinto.
Em suas costas há mais um errante. Clarissa agilmente atira uma flecha certeira bem em seu olho branco e repete os movimentos dele ao tirar a flecha. Heitor continua a andar em direção ao automóvel quando a menina chama-o.
— O que, Clarissa?
— Olha o que tem ali. Muita comida — Ela aponta e seus olhos curiosos procuram o saco em que aponta. — Heitor! — Uma flecha é atirada e arranca pouco da pele de seu pescoço – o que sai muito sangue. Tenta estancá-lo, mas é quase impossível controlar o derramamento do liquido escarlate. Um zumbi, que estava prestes a devorá-lo, é morto por Clarissa com uma flechada novamente no olho esquerdo. Heitor ajoelha-se no chão.
Uma pequena horda de zumbis sai de perto de alguns carrinhos de compras e parecem divertir-se com o cheiro forte do sangue de Heitor.
— Vamos, Heitor! — Ela grita com um tom de desespero — Me dá suas chaves!
Ele levanta-se com muita dor e corre até o carro apoiado em Clarissa. A cada segundo que se passava os canibais pareciam chegar mais e mais perto do automóvel. Ao deslizar no carro quando chega, Heitor percebe que as chaves – as mesmas que estavam em suas mãos – ficaram para trás quando caiu por causa da flecha de Clarissa.
— Merda! As chaves ficaram para trás! — Heitor diz com dificuldade. Os olhos de Clarissa arregalam-se quando consegue ver o brilho de prata próximo aos zumbis. Corajosamente corre o mais rápido que pode e seus dedos apanham-na. Aperta para abrir o automóvel e Heitor senta no banco de passageiros. Ela consegue chegar a tempo e ao colocar o primeiro pé no carro uma mão fétida agarra seu pé esquerdo – o qual era envolto por sneakers com franjas marrons. Chutando a mão o máximo que pode, mas não conseguindo, Heitor joga-se por cima de seu corpo e fecha a porta com força fazendo todo um enorme eco espalhar-se por toda a garagem, provavelmente arrancando a mão do errante.
Clarissa puxa todo o ar que pode enchendo seus pulmões. Seu coração palpita alto e os errantes começam a bater levemente na janela. É possível contar claramente que são nove deles, sem contar nos três que anteriormente foram mortos. O barulho do vidro traseiro rachando inunda o automóvel, então Clarissa o liga e parte atropelando dois errantes.
O sangue de Heitor suja o banco de couro branco e percebendo a quantidade da perda do líquido, tira a camisa e seu peitoral fica nu. Amarra no pescoço o mais rápido que pode e estanca o machucado.
A garagem se abre e o céu começa a denunciar o amanhecer. A jornada será longa.
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