Notas iniciais
Muito obrigado pelas 102 reviews que tive. Fico feliz em saber que estão gostando e também gosto muito de críticas construtivas (que me ajudam muito). Venho pedir por meio dessas notas que comentem nem que seja "bom" ou "ruim". Preciso saber suas opiniões para continuar essa fic. Espero que gostem.

Bifurcados — O Apocalipse Zumbi

Capítulo Sete — "A Jornada é Incerta"

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Cada gota da quente água que percorria cada vértice de seu corpo relaxava-o ao extremo. Em sua vida pensava vagarosamente: Talvez ficasse dias, ou até meses, sem tomar banho, escovar os dentes ou apenas cozinhar. O caminho até a cidade em que os pais de Clarissa moravam era incerto. O que poderia acontecer era incerto.

Após vestir-se com roupas leves fora à casa de Clarissa. Desviou o errante, o qual cheirava intensamente, abriu a porta de seu apartamento lentamente e fora ao seu encontro. Ao virar em direção à sala de jantar, Clarissa aponta com seu arco profissional para a porta de entrada.

— Heitor! Você me assustou! Achei que podia ser um deles! — Clarissa diz desafrouxando seus dedos do arco. Em sua face o nervosismo estampa.

— Sentimentos mútuos, então! — Ele fecha a porta. — Já está acordada? São cinco horas da manhã. Achei que estaria dormindo.

— Não consegui pregar meus olhos essa noite. Estou preocupada.

— Preocupada com o que?

— Tudo. — ela diz chacoalhando a cabeça, pousando uma mecha de seus escuros fios atrás de uma das orelhas — Não sei o que pode acontecer pelo caminho, mas prefiro deixar isso para saber no futuro.

Heitor fita Clarissa. Uma mistura de esperança e tristeza era o resultado do brilho de seus olhos.

— Preciso terminar de arrumar minhas coisas. Não falta muito. — Heitor olha o relógio de pulso — Daqui à meia hora volto para irmos.

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Quando Heitor fecha a porta com uma mochila grande apoiada em seu ombro e uma mala pequena é a última vez em que veria seu corredor. Claro, sem o zumbi que ali morto atraia todos os tipos de inseto. Bate na porta de Clarissa e ela sai de seu apartamento com a mesma quantidade de malas que ele tinha. Seu arco atravessa seus seios marcando-os totalmente e suas flechas eram presas em sua mochila. Calças jeans, camiseta cinza, sweater com um tom mais cinza que a peça abaixo e sneakers.

Heitor carregava três facas de tamanhos diferentes em seu cinto marrom escuro: sua única arma.

— Como iremos para a garagem?

— Pelas escadas — Heitor apontou para uma porta pesada acariciando seu rosto agora sem a barba rala que sempre ali ficava. Clarissa seguia-o bravamente (pelo menos o máximo que conseguia) e tentava não pisar em falso naquele escuro total. A cada passo que davam Heitor tentava enxergar o que a escadaria escondia por leves feixes de luz do amanhecer daquele começo de dia. Após duzentas e oitenta e quatro escadas chegam ao térreo. Um corredor largo e uma porta ampla fitam-nos. Até aquele momento nenhum dos canibais havia se mostrado, mas na garagem tudo podia se esconder.

— Já pegue as chaves de seu carro — Clarissa induziu as palavras olhando para seus bolsos. As mãos ágeis de Heitor as apanham e rapidamente abrem a porta do térreo. Felizmente a claridade proporcionada por geradores especiais para aquele ambiente acendera-se quando o sensor de movimento foi acionado pelo casal.

— Meu carro é aquele — Heitor aponta para um Volvo C30 cinza-gelo — Vamos!

Os passos apressados pareciam que se distanciavam ainda mais do carro. Antes de chegarem, um errante treme seus olhos quando avista os humanos. Corre cambaleando e Heitor apunhala a faca em sua cabeça – agora não no peito. Tira a faca de seu lobo frontal limpando nas roupas sujas do zumbi e guarda novamente no cinto.

Em suas costas há mais um errante. Clarissa agilmente atira uma flecha certeira bem em seu olho branco e repete os movimentos dele ao tirar a flecha. Heitor continua a andar em direção ao automóvel quando a menina chama-o.

— O que, Clarissa?

— Olha o que tem ali. Muita comida — Ela aponta e seus olhos curiosos procuram o saco em que aponta. — Heitor! — Uma flecha é atirada e arranca pouco da pele de seu pescoço – o que sai muito sangue. Tenta estancá-lo, mas é quase impossível controlar o derramamento do liquido escarlate. Um zumbi, que estava prestes a devorá-lo, é morto por Clarissa com uma flechada novamente no olho esquerdo. Heitor ajoelha-se no chão.

Uma pequena horda de zumbis sai de perto de alguns carrinhos de compras e parecem divertir-se com o cheiro forte do sangue de Heitor.

— Vamos, Heitor! — Ela grita com um tom de desespero — Me dá suas chaves!

Ele levanta-se com muita dor e corre até o carro apoiado em Clarissa. A cada segundo que se passava os canibais pareciam chegar mais e mais perto do automóvel. Ao deslizar no carro quando chega, Heitor percebe que as chaves – as mesmas que estavam em suas mãos – ficaram para trás quando caiu por causa da flecha de Clarissa.

Merda! As chaves ficaram para trás! — Heitor diz com dificuldade. Os olhos de Clarissa arregalam-se quando consegue ver o brilho de prata próximo aos zumbis. Corajosamente corre o mais rápido que pode e seus dedos apanham-na. Aperta para abrir o automóvel e Heitor senta no banco de passageiros. Ela consegue chegar a tempo e ao colocar o primeiro pé no carro uma mão fétida agarra seu pé esquerdo – o qual era envolto por sneakers com franjas marrons. Chutando a mão o máximo que pode, mas não conseguindo, Heitor joga-se por cima de seu corpo e fecha a porta com força fazendo todo um enorme eco espalhar-se por toda a garagem, provavelmente arrancando a mão do errante.

Clarissa puxa todo o ar que pode enchendo seus pulmões. Seu coração palpita alto e os errantes começam a bater levemente na janela. É possível contar claramente que são nove deles, sem contar nos três que anteriormente foram mortos. O barulho do vidro traseiro rachando inunda o automóvel, então Clarissa o liga e parte atropelando dois errantes.

O sangue de Heitor suja o banco de couro branco e percebendo a quantidade da perda do líquido, tira a camisa e seu peitoral fica nu. Amarra no pescoço o mais rápido que pode e estanca o machucado.

A garagem se abre e o céu começa a denunciar o amanhecer. A jornada será longa.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem! Posto mais um com dez reviews.