Beyond the Vengeance
1 Prólogo
Notas iniciais
Em vários momentos da minha vida me perguntei como seria ter uma vida normal. Ir à escola, sair com os amigos no fim de semana, levar um sermão dos pais por ter chegado tarde… Mas é claro que isso nunca aconteceu realmente.
Eu morava com meu tio, Matthew, em um apartamento simples em Washington. Meu tio era um homem de meia idade com cabelos castanhos com algumas mechas já grisalhas, olhos escuros e um humor que contagiaria até a pessoa mais ranzinza que ele encontrasse. Já eu era um menino de 14 anos, com cabelos castanho-escuros, olhos cinza, embora meu tio sempre falasse que eles eram prateados quando a luz batia contra eles, eu tinha uma estatura média, apesar de algumas pessoas acharem que eu era alto para minha idade. Uma das poucas coisas que me orgulhava era o porte físico. Não que fosse ótimo, mas pelo menos era razoavelmente bom, principalmente para alguém que não praticava esportes, a maioria das vezes eu trocava a atividade física por um bom livro.
Nós morávamos sozinhos, meu tio havia perdido a mulher num acidente e nunca tivera filhos. Já eu, minha mãe havia me abandonado ainda bebê e meu pai sumiu um ano depois. Apesar de termos perdido tanto nós dois éramos felizes. Nos dávamos bem em quase tudo e ele sempre me dizia que me considerava como um filho. Eu também o considerava um pai, mas ele sempre dizia que deveria esperar para conhecer meu pai verdadeiro. Ele e o irmão eram muito unidos e ele sempre dizia maravilhas dele, dizia que algo muito ruim devia ter acontecido para ele sumir, pois nunca abandonaria o filho daquele jeito. Eu tentava acreditar em meu tio, mas não era assim que eu me sentia. Infelizmente eu comprovei que tinha razão.
Numa tarde, pouco depois de eu ter voltado da aula, recebi uma ligação do trabalho do meu tio dizendo que ele tinha sofrido um ataque cardíaco e que estava no hospital. Corri desesperado para o hospital que ficava a poucas quadras do apartamento, mas quando cheguei já era tarde demais. Meu tio havia morrido. Ele era tudo o que eu podia chamar de família. Sem ele eu era oficialmente órfão. Eu estava desolado. Tinha certeza de que iria para algum orfanato. Pensei em fugir, mas na última hora alguém apareceu requisitando minha guarda. Para minha surpresa era meu pai.
Na época achei que aquilo era um sonho, mas não demorou para que eu notasse que na verdade era um pesadelo. Meu pai não parecia nada com aquele cara que meu tio sempre elogiava. Ele era frio, não ligava para nada relacionado a mim, a menos que o envolvesse, não permitia perguntas e sempre que eu tocava em algum assunto do tipo “onde você esteve todos esses anos?” ou “o que aconteceu com minha mãe?” eu acaba trancado no quarto. Por várias vezes pensei em fugir, mas não havia lugar para onde ir. Depois de um tempo chegamos a uma espécie de acordo, eu simplesmente não falava com ele e ele me deixava em paz. Eu sabia me virar sozinho na maioria das situações, então era relativamente fácil pra mim. Solitário, mas fácil.
Já ia completar um ano em que eu estava morando com ele em Nova York, mas algo fez tudo mudar. Parecia apenas mais um dia normal, mas, mal sabia eu, minha vida estava prestes a virar de cabeça para baixo.
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