Beyond the Vengeance

8 Ajuda ao Mentalista - Socorro!


Notas iniciais
E aí galera, tudo certo? Tive um surto de criatividade nesse capítulo e ele ficou monstruosamente grande. Por isso eu o dividi em 3 partes para não ficar muito cansativo. Boa leitura.

Nada como uma amiga brava, uma caça a bandeira perdida, uma profecia com a promessa do fracasso e um pesadelo para te dar aquele ânimo pela manhã.

Como se tudo já não estivesse ruim um pesadelo me incomodou a noite inteira. A maioria das vezes eu era derrotado na minha vingança e quando o assassino estava pronto para me matar eu acordava. Outras vezes a própria filha de Afrodite vinha me matar. Em uma dessas vezes Liza ajudou.

Acordei por volta das quatro da manhã. Levantei e tentei me manter acordado, mas por fim me dei por vencido e desmaiei na cama novamente. Dessa vez eu, pelo menos, não tive pesadelos, mas isso não impediu que meu sono fosse atrapalhado por outra coisa.

— Terry!

Eu estava deitado de lado, virado para a parede. Quando ouvi meu nome acordei num salto e, ao me virar para levantar, rolei demais pela cama e acabei caindo dela. Se você já sonhou que estava caindo vai saber do que estou falando. Nada te faz acordar tão rápido quanto a sensação de estar em queda livre. Mesmo tendo me despertado tão rapidamente isso não impediu que eu desse um beijo de bom-dia no chão do chalé.

— Bééé… Terry você está bem? — observei John por um momento enquanto verificava se não tinha perdido nenhum dente.

— Me dê um bom motivo para não te matar.

John apenas me olhou sem dizer nada. Ele parecia preocupado com alguma coisa. Imaginei milhares de motivos para isso, mas nada parecia tão provável quanto o motivo real da preocupação: Eu. Ponderei sobre o quanto o sátiro já sabia de mim.

— Terry… — ele começou hesitante — fiquei sabendo que você quer deixar o acampamento — aparentemente sabia mais do que eu imaginava.

— Quem te contou isso?

Ele hesitou mais uma vez.

— Liza.

— Liza… é claro que foi ela — disse me acalmando um pouco — E a propósito, como ela está?

— Eu não sei. Eu não a vi hoje, mas ontem ela parecia estar brava.

Pensei por um minuto.

— Tenho que falar com ela.

Eu queria ter uma conversa particular com Liza, mas John acabou me acompanhando. Não o impedi. Procuramos pelo acampamento inteiro, inclusive a árvore perto do lago que eu sabia ser um lugar ao qual ela ia quando estava querendo ficar sozinha, mas ela tinha me mostrado o lugar e agora ela parecia ter achado outro lugar para se isolar. Aquilo me deixou um tanto inquieto. Liza já tinha sumido outras vezes, mas desta vez não parecia que ela estava querendo um lugar calmo onde ninguém a incomodasse, parecia que ela queria um lugar para fugir de mim especificamente. Nada que eu tivesse feito justificava aquilo. Ela parecia estar muito magoada comigo.

De repente me lembrei como ela me olhou quando eu estava a sós com Rachel em meus braços. Como ela tinha adormecido ao meu lado enquanto observávamos o pôr-do-sol. Como tínhamos acordado de mãos dadas. Será que realmente acabamos tão próximos assim? Será que ela realmente sentia algo por mim além da amizade? Pensando bem agora aquilo parecia tão óbvio que chegava a ser até engraçado. Com a nossa amizade relativamente nova acabamos nutrindo uma paixão um pelo o outro. Pelo menos era assim que parecia ser. Eu tinha quase certeza que ela sentia isso, mas não sabia o que dizer sobre mim. Depois do desastre que tinha sido com a filha de Afrodite eu me fechei completamente. Liza conseguiu que eu me abrisse para uma amizade, mas aquilo era completamente diferente e eu não sabia dizer o que sentia por Liza. Por um lado eu admitia, pelo menos pra mim mesmo, que gostava de tê-la ao meu lado, mas até que ponto? Nunca tinha pensando em nada disso sobre Liza. Não havia nada de romântico entre nós. Ou havia? Talvez sempre estivesse escondido em algum lugar bem debaixo de nossos narizes. Não importava o quanto eu pensasse não conseguia me decidir como me sentia sobre ela. Meu coração ainda estava destroçado com o que tinha acontecido e simplesmente não se abria para qualquer outro relacionamento amoroso.

— Terry — John interrompeu meus pensamentos — Se você realmente fugir como vai ser? Quero dizer, onde vai ficar?

— Bom, não tenho nenhum lugar pra ficar. Terei de arranjar um.

— Mas isso vai levar algum tempo, não vai? E enquanto isso você vai simplesmente ficar na rua?

— Não acertei todos os detalhes ainda.

John suspirou decepcionado. Ele sabia que eu tinha pouquíssimas chances de conseguir um lugar no mesmo dia que fugisse e não tinha como fazer isso antes.

— Talvez eu possa te ajudar — ele disse.

— Como?

— Greg está querendo buscar a namorada que é de Utah. Ela esta em Nova Iorque visitando o pai e não conhece a cidade. O problema é que Greg também não. Ele era de Vancouver e veio direto pra cá alguns anos antes. Mas você conhece Nova Iorque, não conhece?

John já sabia a resposta por isso não me dei ao trabalho de responder. Quando meu tio morreu vim para Nova Iorque com meu pai. Não morei muito tempo na cidade, mas foi o bastante para aprender a me orientar por ela.

— Tudo que temos que fazer é convencer Quíron — John explicou.

— Ele nunca vai deixar. Com certeza vai pedir que Argos faça esse serviço.

John balançou a cabeça.

— Argos está ocupado com outra coisa. Na verdade esse o único motivo de Greg não ter saído ainda. Quíron não quer mandá-lo sozinho.

— Mesmo assim acho difícil Quíron confiar em mim para isso.

— Não custa tentar. E se conseguirmos você vai ter tempo para arranjar algum lugar para ficar.

— Ok — disse dando de ombros.

John foi simplesmente incrível. Não deu para acreditar em como ele fez Quíron permitir a nossa saída. Mesmo quando o centauro tentou argumentar dizendo que poderia encontrar um guia melhor do que eu, John retrucou dizendo que já nos conhecíamos e, por isso, Greg confiaria muito mais em mim do que em qualquer outro que Quíron pudesse arranjar. Deu certo. Quíron finalmente autorizou nossa viagem, mas o ouvi dizendo em voz baixa para Greg ficar de olho em mim. O que, mesmo para as atitudes recentes dele, me pareceu estranho.

Não demorou muito para que nós partíssemos. Greg já tinha 17 anos e tinha seu próprio carro, um Toyota preto muito bem cuidado, parecia novo. Imaginei onde o filho de Hermes tinha arranjado aquele carro. Até onde eu sabia ele não tinha dinheiro pra nada.

Greg dirigia rápido pela estrada, algumas dezenas de quilômetros acima do limite, mas não me importei. Após alguns minutos de conversa e muitas explicações da minha parte ele concordou em me ajudar e, principalmente, não contar nada à Quíron. Ele inclusive se ofereceu para me levar a alguns lugares onde eu poderia arranjar um lugar pra ficar depois que fugisse. Tudo isso antes que buscasse a namorada, é claro.

Depois da nossa conversa tudo que houve entre nós foi silêncio. Eu olhava pela janela do carro, observando a paisagem passar rapidamente. Meus pensamentos estavam perdidos. Eu estava tentando colocá-los em ordem, o bastante pelo menos para me lembrar de alguns endereços que tinha memorizado, mas tudo que me vinha a minha mente era uma menina de cabelos castanho-avermelhados sentada ao pé de uma árvore, sendo banhada pela luz do sol. Os olhos verdes e brilhantes fitando o horizonte, delicadamente se virando na minha direção e sorrindo. Ah, Liza. Mesmo agora eu ainda queria desesperadamente conversar com ela. Mas o que eu diria? Nem mesmo sabia exatamente o que sentia por ela e, mesmo parecendo óbvio, ela não tinha realmente dito que gostava de mim. Mas e se ela realmente falasse isso? Como eu responderia? Talvez, só talvez, eu responderia que também gostava dela. Afinal eu já tinha admitido pra mim mesmo que gostava de tê-la ao meu lado, mas… Sempre esse “mas”. Qualquer pensamento sobre ela que parecia convergir a uma decisão vinha acompanhado desse “mas”. Eu não sabia exatamente o que ele significava. Se tudo parecia estar certo, se eu desse uma chance para esse relacionamento, se eu deixasse esse “mas” de lado e admitisse que realmente gostava dela o que poderia dar errado? Por que não podíamos ficar juntos afinal? Por que não podíamos viver alguns momentos realmente felizes um ao lado do outro? O que me impedia? Do que eu tinha medo?

— …de Manhattan.

— O quê? — perguntei assustado. Mal tinha percebido que Greg tinha começado a falar, mas por um momento achei que ele estava lendo meus pensamentos. É claro, isso foi somente um momento de puro devaneio. De jeito algum eu tenho medo de Manhattan.

— Ilha de Manhattan. É lá que minha namorada está. Você estava me ouvindo?

— Desculpe, é que… estou com coisas demais na cabeça, só isso.

— Aconteceu alguma coisa?

— Você já sabe o que aconteceu.

— Não, estou dizendo além do que você me contou?

Hesitei por um minuto. Eu não tinha contado a Greg sobre Liza. Eu nem mesmo sabia se eles se conheciam.

— Eu sabia! Tem mais alguma coisa, não é?

— Não é nada.

— É claro que é. John me falou que você estava procurando uma menina… — aquele sátiro não conseguia segurar a língua — Qual era o nome dela mesmo? — Greg perguntou mais pra ele mesmo do que pra mim.

— Liza — respondi quase que automaticamente. Quase levei a mão à boca para tapá-la, mas percebi que já tinha falado demais.

— É isso! É nela que você estava pensando, não é?

— Eu já disse que não é nada. Agora vê se presta atenção na estrada antes que bata em alguma coisa e faça o carro explodir numa bola de fogo.

— Claro — Greg disse, mas seu sorriso deixava claro que ele tinha saído vitorioso.

Passamos o resto da manhã visitando os piores e mais perigosos lugares para se viver em Nova Iorque. Infelizmente o pouco de dinheiro que eu consegui juntar (e trocar por algumas dracmas) não duraria uma semana num lugar um pouco melhor do aquilo. Mesmo assim não conseguimos achar um lugar se quer que me aceitasse ou tivesse um vaga. A maioria deles era ilegal, não pagava impostos, não tinha registro e se você não pagasse o aluguel pontualmente poderia acabar com uma bala na testa, mas mesmo estes lugares ficaram temerosos em aceitar alugar qualquer coisa pra um garoto de 15 anos desacompanhado dos pais ou de qualquer adulto responsável. Acho que imaginaram que eu chamaria atenção demais pela minha idade. Greg até tentou se passar por um parente meu, aparentemente mais velho e que poderia dar uma garantia a mais, mas ninguém caiu nessa.

Depois de tantas tentativas exaustivamente fracassadas Greg achou melhor buscarmos a namorada dele em Manhattan e depois resolveríamos meu problema. Ele me falou de um hotel onde Susan, sua namorada, estava hospedada. O nome era familiar, mas eu não me lembrava onde exatamente ele ficava. Por sorte Greg tinha o endereço, então foi fácil guiá-lo até o hotel.

Paramos na frente do hotel pouco antes do meio-dia. Greg parecia estar um pouco nervoso com o reencontro. Segundo ele os dois não se viam fazia um tempo. Entramos no saguão do hotel que estava relativamente vazio. Quando Greg apontou em direção a namorada eu mal acreditei. Não sei o que estava esperando ver, mas com certeza não era aquilo. Susan era muito mais do que eu esperava. Ela era alta, do tamanho de Greg. O cabelo era ruivo e liso e caía graciosamente em suas costas. Ela não usava maquiagem, exceto uma sombra (é esse mesmo o nome?) que dava uma cor escura às suas pálpebras, deixando-a com ar de sombria. A cor combinava perfeitamente com sua pele clara e perfeita. Ela usava uma calça jeans escura e uma baby-look do (fala sério!) Black Sabbath. De onde aquela menina tinha vindo? Tenho que admitir que fiquei com um pouco de inveja de Greg. Falando em Greg eu quase havia esquecido que ele estava do meu lado. No seu rosto tinha o maior sorriso que já tinha visto na vida. Quando os dois se abraçaram não pude evitar sorrir também, realmente contente pelos dois.

A maior parte do que aconteceu depois foi o papo meloso deles e como eu fiquei segurando vela é melhor pular essa parte.

Como já era quase meio-dia Greg teve a ideia de almoçarmos em algum restaurante. Acabamos nos decidindo por uma pizza. Tinha sido uma ótima ideia, as pizzas de Nova Iorque são incríveis. Enquanto comíamos começamos a conversar. Dessa vez eles me incluíram na conversa e fiquei feliz por não segurar vela de novo. Susan contava um pouco sobre si mesma. Ela era filha de Héstia e tinha chegado ao acampamento aos 15, recentemente tinha saído para visitar familiares e agora estava de volta. O namoro com Greg tinha começado um pouco antes de ela sair do acampamento então eles esperavam muito por aquele momento.

— Nunca ouvi falar de uma menina que gostasse de Black Sabbath — comentei.

Ela sorriu como se aquele fosse um dos seus assuntos preferidos pra uma conversa.

— Você ficaria surpreso — ela deu um risinho — Se quiser posso te apresentar á algumas amigas…

— Acho melhor não — Greg interrompeu — Ele já está enrolado demais com a Liza — ele começou a rir.

Por um segundo, quando ele mencionou o nome de Liza, eu me lembrei dela e de como necessitava vê-la. Lembrei-me de todos os problemas que tinha pra resolver. Um lugar pra ficar, minha fuga do acampamento, minha vingança. Mas tudo isso só durou um segundo até eu dar uma resposta.

— Cale a boca! — eu disse tentando parecer irritado. Susan deu risada junto com Greg e eu finalmente me dei por vencido e a vontade de dar risada também tomou conta de mim.

Mas eu não pude rir. Algo estava errado. Algo estava acontecendo. Algo estava… na minha cabeça? Primeiro achei que tinha imaginado, mas não. Começou com alguns pensamentos confusos como se meu cérebro estivesse embaralhado, depois uma pequena dor de cabeça e por fim eu pude ouvir algo… Não, alguém. Alguém estava falando, mas eu não conseguia entender. Fechei os olhos tentando me concentrar na voz. Ela parecia distante, muito distante e falhava constantemente, como um rádio mal sintonizado.

N° 1025… Manhattan… Quinta… 362… SOCORRO!

Notas finais
Não se esqueçam de deixar os reviews aí embaixo, falem aí se gostaram, amaram, odiaram, etc. Obrigado por lerem e até o próximo capítulo. Sobre o tamanho do capítulo - http://nsae02.casimages.net/img/2014/12/22/141222050347878867.jpg