Between friends
7 Capítulo 7
Eu senti vários beijinhos pelo meu rosto e pescoço seguidos por um bom dia sussurrado. – Bom dia. – Murmurei de volta preguiçosamente, ainda de olhos fechados.
– Acorda preguiçosa. – Emma disse me encarando, seus olhos verdes tinham um novo brilho aquela manhã.
– Que horas são? – Disse ainda desorientada.
– São quase 10h.
– O que?! – Disse sentando apressada, estava mais que atrasada para minha reunião.
– Calma... sua secretaria já ligou e disse que a reunião foi cancelada, então eu aproveitei e disse pra ela que você estava indisposta hoje e não iria trabalhar.
Eu franzi os olhos pra ela. – E quem foi que te deu permissão pra fazer isso? – sorri.
– Bom... – ela mordeu o lábio. – Eu queria ficar mais tempo com você. Você não quer ficar comigo, amor?
Meu coração disparou involuntariamente ao ouvir o modo que ela havia me chamado. Eu sabia bem que não era grande coisa pra ela, mas pra mim sim.
– O que foi? Eu fiz algo errado? – Ela me encarou apreensiva, notando meu estado alterado.
– Nada... é só que... não me chame mais assim, ok?
– Assim como?
– De amor. Isso que nós temos... é só sexo lembra?
– Hum... – Eu vi seu olhar murchar um pouco. – tudo bem... eu só não achei que teria problema eu te chamar assim, já que você me chamou assim ontem a noite.
Um flash passou por minha mente, nossos corpos colados e eu pedindo para que ela não parasse. É, eu realmente tinha deixado escapar a palavra. – Bom, não vamos usar mais... – disse soando seria. – certo?
– Mas... eu gosto de te chamar assim... – Seus olhos eram de uma garotinha que foi repreendida.
– Emma, por favor... eu... não posso lidar com isso.
– Você pode ir pra cama comigo, mas não pode lidar comigo te chamando de amor? – Ela ergueu a sobrancelha. – Por que?
– Porque estou tentando manter as coisas impessoais. Não quero me envolver mais do que devo.
– Impessoais? Acho que o que temos é muito mais que pessoal.
– Eu só quero dizer que...
– Você não quer se envolver emocionalmente nisso. – Ele completou para mim.
– Exatamente.
– Só tem um pequeno problema nesse seu plano.
– Qual?
– Nós somos amigas. Já estamos envolvidas emocionalmente... – Ela tomou meu rosto em suas mãos. – Eu meio que... te amo...
– Emma... – Eu disse quase sem forças. – por favor, pare...
– Não. Por que não quer me deixar dizer que eu amo você?
– Porque... – A conversa tinha chegado em um ponto sem volta, tudo que eu tinha lutado pra esconder, Emma estava ali lutando para que botasse pra fora. – eu sei que você me ama, eu também te amo, mas... eu tenho certeza de que o nosso amor é diferente.
– Eu não entendo.
– O que eu quero dizer é que... – Alcancei suas mãos com as minhas e respirei fundo tomando coragem. – eu te amo mais do que eu deveria. Que eu quero você só pra mim, que eu fico louca só de te ver ao lado do seu namorado... foi por isso que eu me afastei, foi por isso que eu corri e me joguei de cabeça nessa historia com Robin, porque eu estava com medo do que estava sentindo por você. E eu ainda estou com medo... medo de que agora que eu te disse tudo isso eu te perca totalmente.
Emma me encarava silenciosa, parecia tentar absorver tudo aquilo. – Regina... eu não sei o que dizer... eu...
– Está tudo bem. Eu sei que você gosta do Hook e que nunca passou por sua cabeça deixá-lo. – Eu lutava contra minhas lagrimas que lutavam para sair. – Ei sei que eu sou uma tola de me apaixonar por você, eu só... não podia mais guardar isso.
– Hum... eu não pensei que isso fosse acontecer... eu prometi que nunca ia machucar você... e olhe só pra isso. – Ela segou a lagrima que corria o meu rosto. – Eu sinto muito... – disse me puxando para os seus braços. – Eu sou uma idiota... eu nunca devia ter sugerido isso, você é minha melhor amiga e eu não quero te perder.
– Você não vai... nós vamos dar um jeito nisso.
– Acho que devíamos voltar as coisas como eram. Eu sei que nunca vai ser como antes de novo, mas podemos tentar.
Então todos os meus medos tinham se confirmado, meus sentimentos não faziam diferença naquela equação, Emma continuaria com Hook e nós voltaríamos a ser apenas amigas. – Tudo bem... – Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha dito “tudo bem” quando nada estava bem.
– Me desculpe. – Ela plantou um beijo em minha testa. – Eu acho melhor eu ir embora.
– Eu também acho. – E simples assim toda aquela fantasia de um amor épico saiu porta a fora.
***
Eu descia as escadas apressada pronta para deixar Regina pra trás, pronta para deixar toda nossa historia pra trás, mas só então eu me dei conta de que eu não queria ir, meu coração estava angustiado, meu rosto estava coberto por lagrimas que corriam livremente. Então eu parei, exatamente na metade do caminho. Não podia, não queria, não iria deixar Regina.
Me virei e subi as escadas correndo, entrei no quarto em um rompante, ela estava de costas e se virou surpresa. – Emma... – dei passos rápidos em sua direção, a tomei em meus braços e a beijei. – Eu... não consigo mais ser só sua amiga. A simples ideia me aterroriza.
Ela me avaliou por um segundo, completamente surpresa. — E o que isso significa pra nós?
– Significa que eu te amo, que eu quero ficar com você e dane-se todo o resto. Eu não vou ser covarde, não vou fugir do que estou sentindo... e eu posso te dizer que nunca senti nada assim...
– Emma... – Regina tinha os olhas cheios de lagrimas, uma mistura de alivio e felicidade tomava o seu rosto. – você tem certeza disso?
– Eu tenho certeza de que não posso ficar sem você. – segurei seu rosto em minhas mãos e foi como se eu a visse novamente pela primeira vez, toda uma emoção nova tomou o meu corpo, Regina me fazia sentir o que ninguém mais fazia e eu não tinha o direito de negar isso a mim, a nós. – Eu estou completamente apaixonada par você, eu só não tinha percebido isso. – Sorri como uma boba.
Ela me deu o sorriso mais lindo do mundo e me abraçou apertado, como se quisesse garantir que estava mesmo ali. Então nos beijamos calmamente, sem toda aquela pressa que sempre tínhamos, era como se nossos corações finalmente começassem a se acalmar por saber que agora pertenciam um do outro. – Quero fazer amor com você. – sussurrei contra sua orelha e então voltamos a nos beijar e ela foi me guiando de volta pra cama. Eu fui rápida em levar sua camisola ao chão, assim como ela foi em tirar a minha roupa.
Mas depois disso tudo foi calmo, nós beijamos, trocamos sorrisos intermináveis, ao tempos que nos tocávamos, nos amávamos. E em meio a sussurros de eu te amo, chegamos ao orgasmo juntas. Ela estava deitada de costas para mim e logo eu me moldei ao seu corpo moreno, meus lábios foram diretos a sua nuca, meu nariz se enterrou em seus cabelos, e nossa nada poderia cheirar melhor do que ela. Eu apartei mais forte em meus braços e ela se mexeu se aconchegando a mim. Agora eu entendia exatamente porque as pessoas diziam que o paraíso não é um lugar e sim alguém. Porque esta ali com Regina era o meu paraíso particular.
– Amor...
– Sim? – Sua voz ainda era rouca.
– Você quer namorar comigo? – Parecia algo bobo de se dizer depois de tudo que tínhamos passado, mas eu queria fazer tudo certo.
Eu não podia ver seu rosto mas sabia que ela estava sorrindo. – O que você acha, miss Swan?
– Eu acho que você está louquinha pra ser minha namorada. – Sorri também.
– Que presunçosa você, em? – Ela disse e então se virou para conseguir me encarar.
– Olha, não é todo dia que uma loira gata como eu te pede em namoro. – Provoquei.
Ela soltou uma de suas gargalhadas gostosas. – Idiota.
– Sua idiota.
– Minha... – ela plantou um selinho em meus lábios. – Sim, eu quero namorar com você.
Naquele momento eu podia jurar que toda a felicidade do mundo me pertencia.
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