Notas iniciais
Essa estória é antiga, já faz uns dois aninhos que ela existe, e resolvemos postar somente agora, porque sim. Espero que gostem. Boa leitura. ♥

Aquele dia eu senti que tudo podia dar errado, e eu estava muito certa.

Me levantei e fui até a cozinha, minha mãe deixou um recado na mesa dizendo que havia saído com meu padrasto para ter uma “noite romântica”, olhei no relógio e percebi que já eram quase 10hrs da manhã, entendi o motivo da ausência de meu irmão, me arrumei para sair de casa, andei até o parque, e lá tive uma pequena surpresa...

Respirei fundo, e evitei ao máximo o olhar da garota, mas aquilo era inevitável, sabia onde eu estava, e veio em minha direção. Ela usava o cabelo castanho claro preso num rabo de cavalo frouxo, suas roupas eram todas pretas e largas, usava um batom vermelho, ela até seria bonita se não fosse tão chata e implicante. Nossos olhares se cruzaram e por um milésimo de segundo achei que o mundo a nossa volta iria explodir.

— Olha só, se não é a Srta. Nelly, onde está Deus para fazer um suéter novo pra você? – disse irônica.

— Ele me disse que está ocupado procurando o seu cérebro. – rebati.

Clary cerrou os punhos, me pegava pensando em como ela não se machucava com o tamanho daquelas unhas sendo pressionada contra a sua pele, deve ser por isso que ela usa uma luva que cobre apenas a palma da mão... Pensei reparando nas mãos da garota.

Enquanto nós nos encarávamos, um barulho soou ali perto, um acidente, pelo o menos era o que pensei que fosse, um barulho de carro sendo batido, logo seguido da visão de uma carro branco capotado e amassado. De trás do carro pode-se ver um pássaro com corpo de mulher, ou seria uma mulher com asa de pássaro?

Clary deu um passo para trás, horrorizada. Eu gostava de saber que não era a única que estava vendo aquela criatura, porque naquele momento as pessoas que estavam no parque não pareciam dar a mínima para aquela aberração que se posicionava em nossa frente.

— O... O que? O que é isso? — ela parecia estar em estado de choque.

— Boa pergunta. – respondi irônica.

— Ajudou muito! Obrigada!

— De nada.

O pássaro vinha em nossa direção, quando chegou perto de nós, a garota de preto pulou para a direita e eu rolei para a esquerda, o pássaro passou diretamente por nós, eu já havia feito algumas aulas de artes marciais, então pra mim foi mais fácil desviar do que para a desengonçada, que estava espatifada no chão, eu queria poder dar gargalhadas dela naquela situação, mas meu bom senso disse que era melhor ir ajudá-la, envolvi seu braço e meu ombro e apoiei o seu corpo no meu, por sorte ela ainda estava consciente e conseguia se manter em pé, bem, mais ou menos, ela tropeçava mais do que andava.

Corremos o mais longe do parque possível, de repente um garoto de muleta, calça jeans azul, tênis All Star, cabelos cacheados e castanhos, usava uma blusa escrita “I ♥ NY”, chegou até perto de nós e me ajudou a segurar a garota desamparada.

— Quem é você? – perguntei.

— Meu nome é Stone. Sou o sátiro que veio buscar vocês.

— Sá... O que? – Clary disse com a voz falhando.

— Sátiro, metade homem e metade bode.

— Um Menino-bode?- perguntei curiosa

— Sim.

— O que era aquele pássaro?

— Uma harpia.

— AH! Já ouvi falar, mas porque ela nos atacou?

— O cheiro de vocês a atraiu.

— Eu disse que você precisava de um banho- Clary nunca perdeu uma oportunidade de tirar uma com a minha cara.

— Como assim cheiro? – ignorei o comentário.

— É melhor irmos pra um lugar seguro, depois posso explicar isso a vocês, venham comigo...

— Pra onde vamos? – Clary perguntou se recompondo.

— Para o Acampamento Meio-Sangue. Lá vocês vão ficar seguras.

— Meio-sangue? – estava um tanto quanto confusa com tudo aquilo.

— Semideus, se preferir.

— Filho de um Deus com uma humana? – sugeriu Clary

— Sim.

Não queria ver minha reação a isso, mas fiquei realmente impressionada, isso existia? Alguém ser filho de um Deus, era bem estranho.... Algo nada muito agradável de pensar.

— E como isso acontece? – perguntei com medo da resposta.

— Você quer mesmo que eu te explique como se faz um bebê? – Stone estava com uma expressão meio engraçada.

— Não, obrigada. – dei uma leve risada.

Ouvimos um grito esganiçado.

— Voltem aqui, Semideuses! Vocês são meus convidados de honra para o jantar.

— Corram, se quiserem viver. – disse Stone.

Nós começamos a correr, mas no meio do caminho percebi que faltava alguém, quando me virei, Clary estava parada, apoiada em seus joelhos, no mesmo lugar de antes.

— Stone, pare! – gritei – a Clary.

Stone se virou.

— Béé, pelos deuses! Clary!

Stone jogou sua muleta, e saiu correndo atrás da menina que estava tendo dificuldades de avançar, enquanto isso a harpia chegava mais perto dela.

Eu não sabia o que fazer, eu tinha duas opções: a primeira seria avançar e deixar Stone e Heloísa morrer, a segunda seria tentar salva-los e me sacrificar por um menino-bode que mal conhecia e uma menina que eu não vou com a cara.

Havia uma loja de armas no meu lado direito, nela tinha um arco-e-flecha, a única arma presente lá, corri até lá, quebrei o vidro e o peguei, não sabia se era boa o suficiente para acertar, mirei um pouco acima da cabeça da harpia e atirei.