Between Us
1 A Escolha
Notas iniciais
Aquele dia eu senti que tudo podia dar errado, e eu estava muito certa.
Me levantei e fui até a cozinha, minha mãe deixou um recado na mesa dizendo que havia saído com meu padrasto para ter uma “noite romântica”, olhei no relógio e percebi que já eram quase 10hrs da manhã, entendi o motivo da ausência de meu irmão, me arrumei para sair de casa, andei até o parque, e lá tive uma pequena surpresa...
Respirei fundo, e evitei ao máximo o olhar da garota, mas aquilo era inevitável, sabia onde eu estava, e veio em minha direção. Ela usava o cabelo castanho claro preso num rabo de cavalo frouxo, suas roupas eram todas pretas e largas, usava um batom vermelho, ela até seria bonita se não fosse tão chata e implicante. Nossos olhares se cruzaram e por um milésimo de segundo achei que o mundo a nossa volta iria explodir.
— Olha só, se não é a Srta. Nelly, onde está Deus para fazer um suéter novo pra você? – disse irônica.
— Ele me disse que está ocupado procurando o seu cérebro. – rebati.
Clary cerrou os punhos, me pegava pensando em como ela não se machucava com o tamanho daquelas unhas sendo pressionada contra a sua pele, deve ser por isso que ela usa uma luva que cobre apenas a palma da mão... Pensei reparando nas mãos da garota.
Enquanto nós nos encarávamos, um barulho soou ali perto, um acidente, pelo o menos era o que pensei que fosse, um barulho de carro sendo batido, logo seguido da visão de uma carro branco capotado e amassado. De trás do carro pode-se ver um pássaro com corpo de mulher, ou seria uma mulher com asa de pássaro?
Clary deu um passo para trás, horrorizada. Eu gostava de saber que não era a única que estava vendo aquela criatura, porque naquele momento as pessoas que estavam no parque não pareciam dar a mínima para aquela aberração que se posicionava em nossa frente.
— O... O que? O que é isso? — ela parecia estar em estado de choque.
— Boa pergunta. – respondi irônica.
— Ajudou muito! Obrigada!
— De nada.
O pássaro vinha em nossa direção, quando chegou perto de nós, a garota de preto pulou para a direita e eu rolei para a esquerda, o pássaro passou diretamente por nós, eu já havia feito algumas aulas de artes marciais, então pra mim foi mais fácil desviar do que para a desengonçada, que estava espatifada no chão, eu queria poder dar gargalhadas dela naquela situação, mas meu bom senso disse que era melhor ir ajudá-la, envolvi seu braço e meu ombro e apoiei o seu corpo no meu, por sorte ela ainda estava consciente e conseguia se manter em pé, bem, mais ou menos, ela tropeçava mais do que andava.
Corremos o mais longe do parque possível, de repente um garoto de muleta, calça jeans azul, tênis All Star, cabelos cacheados e castanhos, usava uma blusa escrita “I ♥ NY”, chegou até perto de nós e me ajudou a segurar a garota desamparada.
— Quem é você? – perguntei.
— Meu nome é Stone. Sou o sátiro que veio buscar vocês.
— Sá... O que? – Clary disse com a voz falhando.
— Sátiro, metade homem e metade bode.
— Um Menino-bode?- perguntei curiosa
— Sim.
— O que era aquele pássaro?
— Uma harpia.
— AH! Já ouvi falar, mas porque ela nos atacou?
— O cheiro de vocês a atraiu.
— Eu disse que você precisava de um banho- Clary nunca perdeu uma oportunidade de tirar uma com a minha cara.
— Como assim cheiro? – ignorei o comentário.
— É melhor irmos pra um lugar seguro, depois posso explicar isso a vocês, venham comigo...
— Pra onde vamos? – Clary perguntou se recompondo.
— Para o Acampamento Meio-Sangue. Lá vocês vão ficar seguras.
— Meio-sangue? – estava um tanto quanto confusa com tudo aquilo.
— Semideus, se preferir.
— Filho de um Deus com uma humana? – sugeriu Clary
— Sim.
Não queria ver minha reação a isso, mas fiquei realmente impressionada, isso existia? Alguém ser filho de um Deus, era bem estranho.... Algo nada muito agradável de pensar.
— E como isso acontece? – perguntei com medo da resposta.
— Você quer mesmo que eu te explique como se faz um bebê? – Stone estava com uma expressão meio engraçada.
— Não, obrigada. – dei uma leve risada.
Ouvimos um grito esganiçado.
— Voltem aqui, Semideuses! Vocês são meus convidados de honra para o jantar.
— Corram, se quiserem viver. – disse Stone.
Nós começamos a correr, mas no meio do caminho percebi que faltava alguém, quando me virei, Clary estava parada, apoiada em seus joelhos, no mesmo lugar de antes.
— Stone, pare! – gritei – a Clary.
Stone se virou.
— Béé, pelos deuses! Clary!
Stone jogou sua muleta, e saiu correndo atrás da menina que estava tendo dificuldades de avançar, enquanto isso a harpia chegava mais perto dela.
Eu não sabia o que fazer, eu tinha duas opções: a primeira seria avançar e deixar Stone e Heloísa morrer, a segunda seria tentar salva-los e me sacrificar por um menino-bode que mal conhecia e uma menina que eu não vou com a cara.
Havia uma loja de armas no meu lado direito, nela tinha um arco-e-flecha, a única arma presente lá, corri até lá, quebrei o vidro e o peguei, não sabia se era boa o suficiente para acertar, mirei um pouco acima da cabeça da harpia e atirei.
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