Notas iniciais
Olá! Esse capítulo ficou meio chato, admito, mas ele é importante pois sem ele a história não faz sentido. Espero que gostem!

Maka já tinha feito a mesa, e só estava esperando a água ferver. Ela já estava bem mais calma, mas ainda não sabia como encará-lo depois do ocorrido. Deveriam discutir? E se isso estragasse a empatia que ambos tinham? E se o clima depois ficasse tenso? Pior: e se Soul jamais voltasse a falar com ela como antes?

Maka se decidiu. Ela falaria com Soul normalmente – obviamente, com um pedido de desculpas. Ela sentia que deveria ao menos se desculpar decentemente e se isso estragasse a relação dos dois, ao menos sua consciência estaria limpa. Porque Maka Albarn era tudo, menos uma covarde.

Ela se voltou para a agua já fervente, e desligou o fogo. Percebeu que o barulho de agua havia cessado, então Soul provavelmente já tinha acabado o banho.

Olhou para o relógio.

9:25.

10:25.

“Argh! Merda, merda, merda.” Suspirou, enquanto coava o café. O jeito era aproveitar o resto da manhã, já que perderam a aula. Maka resolveu que passaria na casa de Tsubaki à tarde para pegar a matéria que perdera.

Maka avistou Soul entrando na cozinha com o canto do olho enquanto colocava a jarra de café na mesa. Seu cabelo prateado estava molhado e suas bochechas apresentavam um leve rubor que não combinava com sua expressão – constante – de tédio.

“Hey.” Ele disse, seu sorriso preguiçoso estampado como sempre.

“Hey.”

Os raios de sol entravam pela janela da sala sem restrições, e refletiam na cozinha. O s ponteiros do relógio pregado na parede faziam seus barulhos comuns, preenchendo o silencio que havia se instalado naquela casa. Uma brisa entrou aleatoriamente pela janela da sala, bagunçou um pouco mais os cabelos de ambos.

Tudo estava igual, exceto eles.

“Hm, sobre o que aconteceu agora a pouco...” Maka iniciou. Ela não poderia adiar essa conversa. “Desculpe-me. Eu não imaginava que a tranca iria ceder e... bem, desculpe. Não aconteceu aquilo porque eu quis.”

Soul sorriu de lado para ela. Não havia sido tão trágico assim, afinal. Ele estava potencializando a situação com seu desespero.

“Maka, relaxe. Eu sei que não foi de proposito.” Ele cortou uma fatia do bolo de cenoura que estava na mesa e enfiou-a goela abaixo. “Agora chega, vamos comer.”

Maka suspirou e sorriu aliviada. Ela estava se preocupando a toa, então. Soul havia voltado a ser sua arma preguiçosa e rude de sempre. Havia porem, um assunto ainda inacabado.

“Não pense que eu esqueci Soul. Perdemos a aula por sua culpa.” Maka tentou soar brava, mas, depois de tudo o que aconteceu, a raiva diminuiu consideravelmente. “Idiota.”

Soul deu uma gargalhada alta, sem conseguir se conter. Ele não havia se lembrado, na verdade. Black*Star havia lhe mandado uma mensagem de manhã avisando-lhe sobre o horário de verão. Era uma hora meio inútil para avisá-lo, uma vez que já não havia mais chance de chegar à escola a tempo, mas Soul não esperava muito de Black*Star.

Entretanto Soul decidiu que deixaria Maka acreditar que ele havia feito isso de propósito. Irritar Maka era um de seus hobbies preferidos.

“Uh, a culpa não é minha se a sabe-tudo aqui se esqueceu de ver o calendário.” Soul provocou. Ele via que as orelhas da amiga estavam se avermelhando, o que era um mau sinal – mas ele continuou mesmo assim. “Porque pessoas responsáveis sabem o que acontece ao seu redor.”

Soul deveria ter previsto isso, realmente. Na verdade, ele ate previu, mas nada parecia ser concreto ele sentir o peso e o impacto de um livro contra sua cabeça. Algum dia ele ira desenvolver um crânio de titânio, com o tanto de Maka-chopes que ele recebe. E o mundo sabe o quão suave eles conseguem ser.

“Você,” Maka falou, estreitando os olhos. “Vai arrumar seu quarto. Agora.” Ela sorriu triunfante. O quarto de Soul estava um inferno, e suas roupas espalhadas pelo chão já começavam a avançar para o corredor. Ela sabia que iria ser uma tortura arrumar aquele quarto.

Soul resmungou olhando feio para ela, mas sem conter o pequeno sorriso em seus lábios. “Virou minha babá, Maka? Sabe, sempre fantasiei babás com peitos ma-” sua frase foi interrompida com um Super Maka-chop. Soul estava vendo estrelas.

Agora.

–x-x-x-

Blair estava perambulando pelas ruas de Death City, pensando e procurando pelo vendedor de peixes. Queria fazer com que seu melhor otp desse certo, mas não queria forçá-los a nada. Ela sabia, porém, que se dependesse somente deles a coisa não iria fluir nunca – eles precisavam de um empurrãozinho do destino.

Ela daria um jeito. Blair tinha a posse de algumas fotos essenciais caso precisasse fazer alguma chantagem, mas ela duvidava muito que isso seria necessário. As fotos, por ora, serviriam somente para alimentar suas fantasias para com seu otp.

A gata avistou o vendedor de peixes e foi correndo em direção a ele. Esfregou-se em sua perna e ronronou, pedindo por alguns peixes. Blair gostava tanto de ser uma gata linda – isso lhe rendia bons descontos e peixes.

– Você poderia me dar alguns desses peixes¿ Eu estou tão faminta....- Blair ronronava, enroscando-se nas pernas do vendedor. Fazia carinho com seus pelos, suplicando por atenção e por peixes.

– M-mas Blair... você sabe que acabei de receber estes, e tenho um negócio a fazer. Volte no final do dia.... – o vendedor olhava para todos os lados, exceto para a gata enroscada em suas pernas. Ele sabia que era inútil, porém. Blair sempre conseguia o que queria, de um jeito ou de outro.

– Mas eu estou tão faminta.... – Blair transformou-se em sua forma humana, e decidiu apelar do jeito que ela mais sabia. – Por favor.

O pobre vendedor de peixes não tem controle sobre reações involuntárias de seu corpo, então certamente não conseguiu evitar um leve sangramento no nariz. Certas partes de Blair estavam sufocando-o, e ele não conseguia decidir se isso era bom ou ruim.

– Certo, Blair, pode pegar dois peixes. Mas só dois! – Ele iria acabar tendo prejuízos com essa gata, com certeza. Pegou dois peixes fartos da cesta que trazia e jogou para Blair, que já estava em sua forma felina novamente. Suspirando, ele resolveu dar uma olhada na lista de afazeres do dia.

Blair devorava o primeiro peixe com um sentimento de vitória no peito. Porque Blair jamais sairia perdendo. Jamais. Tilintando os bigodes por diversão, ela espiou o vendedor com o canto dos olhos: ele estava lendo algo, fazendo tiques com um lápis. Parecia concentrado no que fazia, então aproveitou para roubar outro peixe da cesta – e escondeu os restos do outro que havia comido.

– O que está fazendo? – ela perguntou. Ele estava concentrado demais, devia ser algo importante.

– Hm? – ele abaixou a cabeça e a encarou confuso, até que compreendeu o que ela tinha perguntado. – Ah, nada demais. É só uma lista de afazeres do dia.

– Oi? E você segue isso daí a risca? – Blair o encarou, desacreditando. Quem em sã consciência levaria a sério um pedaço de papel? Blair fazia o que lhe dava vontade, e só.

– Ah.. eu tento seguir o máximo possível. Eu tenho que seguir, senão o meu comércio desanda. A minha memória não é tão boa assim, sabe, e é bom ter algum objetivo no dia. Faz com que a vida seja mais divertida e desafiadora.

– Hm.

Blair terminou seus peixes e saiu, pensativa. Aquele vendedor de peixes era bem simpático, afinal, ela gostava de conversar com ele. Ele conversava sobre assuntos diferentes, para variar um pouco sua rotina. Blair fez uma nota mental para voltar à peixaria sempre que possível.

Será que seria legal mesmo fazer uma lista? Ou... será que seria melhor fazer uma lista para os outros? Blair sorriu maliciosamente. Já tinha um plano em mente, mas precisava de ajuda. Tinha uma leve sensação de que suas ideias não seriam ideais para as pessoas em questão.

A gata saiu correndo em direção ao Shibusen. Precisava encontrar os amigos e conversar sobre seu mais recente plano urgentemente. Ela tinha a magia ao seu favor, mas Blair não era uma pessoa que poderia ser chamada de crânio , e sabia disso.

Soul e Maka, vocês não perdem por esperar.

–x-x-x-

Chegando à escola, Blair não demorou para achar os amigos e foi direto ao assunto. A princípio todos ficaram meio receosos em concordar com o plano da gata – os Maka-chops são realmente muito doloridos – mas no fim eles aceitaram bancar os cupidos. Afinal, SoMa era o otp de todos ali.

O plano era fazer uma lista de “afazeres” por cinco dias para Soul e Maka, com o objetivo de juntá-los. Blair tinha lhes dito que conseguiria obrigá-los a aceitar essas listas – só não disse como – e que, uma vez aceitas, haveria uma mágica que garantia que os “afazeres” fossem cumpridos. Só faltava, agora, decidir quais seriam essas tarefas.

Todos colaboraram com sugestões ( as sugestões de Black*Star foram abolidas, porque estas nem sentido faziam ) e, no, fim, estavam com sorrisos maliciosos no rosto. Não foram tão ruins assim. Só decidiram acelerar a jornada romântica daqueles imbecis, porque se dependesse deles demoraria um século.

– Nyaaa, vou começar o plano então!

Blair despediu-se e saiu saltitando, feliz. Estava tudo planejado: ela iria ser a vilã – quem não quer ser a vilã? – e todos os outros pagariam de alienados. Ótimo, ela não queria ninguém atrapalhando, mesmo.

–x-x-x-