Notas iniciais
Olá, leitores lindos dos nossos corações Como já dito anteriormente, estaremos postando sempre que der, embora agora estejamos mais relaxados. Obrigada pela compreenção e por lerem nossa fanfic. Beijos :* ~LaraEHTeodoro

Sophie simplesmente não sabia o que fazer. Havia uma mulher-monstro com uma roupa de turista extremamente escandalosa — a não ser que uma camisa florida e uma bermuda laranja fluorecente sejam considerados parte de um traje normal — e cabelos de cobra parada a sua frente.

– Euríale. Onde está sua irmã? — Nero falou com o sorriso típico — Ainda no Tártaro depois que nosso Henry aqui mandou vocês para lá?

Então Sophie se lembrou. Aquela era Euríale, uma das três górgonas: Medusa, Euríale e Esteno. Mas não sabia que Henry havia matado uma delas.

– Esteno está no Tártaro, sim. — Os olhos da górgona faiscaram — E eu vim para vingá-la.

A górgona apontou para Sophie e a garota sentiu o ar ficar mas pesado, além de leves tremores no chão. Henry levantou o arco e Lauren pegou sua espada em forma de presilha. Nero apenas continuou sorrindo como um maluco que soltaram do hospício por pena e deu um passo em direção ao monstro.

– AEGIS! — Sophie gritou enquanto pegava seu gládio dourado e o escudo em seu braço crescia até chegar a seu tamanho total.

– Escudo lindo, garota — Euríale sorriu para a filha de Zeus — Tem a imagem de minha irmã nele, sabia?

– Na verdade, não. É por isso que as pessoa ficam com medo? — retrucou Sophie com determinação.

– Só os fracos, princesa — Nero praticamente ria enquanto falava. — Para mim ela é a mais bonita das irmãs. Infinitamente melhor que a mais velha, inclusive.

– Nero, você pode, por favor, não fazer piada quando nós estamos lutando contra monstros? — Lauren retrucou enquanto os tremores ficavam mais fortes — Obrigada.

– E não me chame de princesa — resmungou Sophie em voz baixa.

– Mas nós ainda não estamos lutando... — Nero pegou a kópis na mão esquerda e sua espada, ainda em forma de lanterna, na direita — Vamos, Euríale, não queria saber o sabor da minha carne? Acredito que sua irmã Medusa já teria me matado.

A górgona não pareceu muito feliz com o comentário.

– Como ousa? — Euríale gritou e correu para cima dos semideuses com as garras a postos.

Nero e Lauren atacaram simultaneamente, ele estocou com o gládio, enquanto ela tentava um corte acima da cabeça. Para Sophie, que ainda demorou um pouco graças ao peso do escudo, pareceu até um ataque combinado, sendo que o garoto se moveu para a esquerda e a garota para a direita, por cima dele. A górgona acabou com um ombro talhado e um corte profundo no lado esquerdo da barriga, sem nem ao menos chegar perto dos heróis.

A filha de Zeus atacou com um corte meio desajeitado, que não atingiu o alvo, e pestanejou por não ter treinado com o escudo, enquanto Henry atirava uma flecha certeira contra o pescoço da górgona que, contra todas as espectativas, segurou-a a centímetros de sua garganta.

– Não dessa vez, cria de Apollo — Euríale rosnou — Não vou cair duas vezes no mesmo truque.

Sophie teve que se apoiar no chão com o tremor que aconteceu em seguida. Ela não tinha certeza de como Henry conseguiu atirar outra flecha, nem Nero como pulou para um corte vertical, ou até como Lauren girou o corpo desferindo um corte contra o flanco do monstro tudo isso sem que caíssem. Sentiu o ar ainda mais pesado do que antes e viu algumas pequenas faíscas percorrendo o ouro imperial de sua espada. Seu escudo ficou mais leve e ela se moveu deixando um raio como rastro por onde passava, com uma fúria que nunca sentira antes e golpeou a górgona em seu peito, causando uma descarga elétrica que explodiu o monstro em pedaços antes de transformá-lo em pó.

– Garota me lembre de não te deixar irritada. — disse Nero guardando as armas — Até eu me arrepiei vendo isso.

Todos a encaravam com os olhos esbugalhados, deixando-a desconfortável por alguns momentos.

– Di immortales! — exclamou Lauren se aproximando de Sophie para parabenizá-la — Só não fiquei mais chocada que a própria Euríale.

A amiga lhe deu um abraço e permitiu que Henry se aproximasse para um “toca aqui”. Sophie então caiu de joelhos. Estava quase tão cansada quanto quando derrubou um raio pela primeira vez. O Aegis retornou a forma de bracelete e a espada caiu de suas mãos.

– Ok. Quem aqui está com fome? — Nero perguntou tirando uma garrafa d’água com spray rotulada “Para Limpeza” da mochila — Depois de uma quimera e uma górgona acho que nós merecemos, não é?

– Você não vai fazer a gente beber isso não é, Opitio? — Henry perguntou em tom de brincadeira

– Claro que vou, Soldado. — Nero respondeu rindo — Inclusive será depois de ter passado na espada pra você sentir o sabor do sangue — Ambos os romanos caíram na gargalhada, até que Nero parou de repente — Thomas e John saíram da caverna!

Sophie levantou-se do chão e, assim como Lauren, arregalou os olhos e se virou para o garoto ao mesmo tempo que a amiga.

– ONDE? COMO? — disseram em uníssono.

– Não sei. — Nero pôs a mão sobre o olho esquerdo — É estranho sentir os caminhos dentro do túnel. São todos muito incertos...Variáveis… Eu me sinto como um mapa de vinte anos atrás.

– Você se sente como o quê? — Lauren disse confusa.

Henry abanou as mãos.

– Nem tente entender.

– Um GPS sem sinal, garota. — Nero revirou os olhos — Desatualizado.

O mapa ambulante continuou com as mãos na cabeça enquanto Henry lançava um olhar do tipo “eu avisei” para as garotas.

– Do que vocês estavam rindo? — Sophie tentou mudar de assunto — Eu não entendi.

Lauren concordou com um aceno de cabeça.

– Um cara me perguntou isso uma vez, pouco depois de um confronto com alguns monstros. — Nero contou — Um filho de Medo, acho que vocês o chamam de Fobos, Derek Vector, que se achava o mais corajoso da legião.

– Então Nero respondeu que ia fazer ele beber a água para limpeza, banhada em sangue de monstro que saísse da espada de Derek. — Henry completou.

– Bem, ele só ficou na enfermaria por um mês. — Nero deu de ombros — Mas todos o chamam de Bebedor de Sangue, ou Vampiro, agora.

– Que horror! — Lauren parecia abismada.

– Ela tem razão. — Sophie fez uma careta — Isso foi nojento.

– E eu nem passei pela espada de toda a facção como eu tinha pensado prioritariamente.

Sophie revirou os olhos e se recostou na parede mais próxima. Abriu a mochila e viu que restavam poucos mantimentos. Realmente havia separado pouco para a viagem, não estava acostumada a missões, afinal.

– Senhor GPS, falta muito para chegarmos até a saída?

– Mais ou menos. Entre três e sete quilômetros. — Nero deu de ombros e olhou ao redor — Depende muito do humor do túnel.

– Como assim entre três e sete quilômetros? — Lauren parecia querer arrancar os cabelos — São tipo quatro quilômetros de erro?

– Como se você pudesse fazer melhor, gatinha — Nero sorriu, com um olhar faiscante.

Lauren adquiriu um olhar assassino instantaneamente.

– Vai começar de novo. — Henry sentou ao lado de Sophie com duas latas de Pepsi. — Quer uma?

– Se não fosse tão na cara que você gosta do Nero, eu ia achar que você está me paquerando. — Sophie riu e pegou a latinha — Ele faz sempre essas coisas? De zoar e discutir com todo mundo o tempo todo?

Henry abriu a latinha dele e tomou um longo gole. Depois olhou para a garota, piscou seus olhos castanhos e sorriu. Enquanto isso Lauren e Nero discutiam — ou melhor, berravam — entre si, ignorando todas as regras de manter o silêncio e a cautela que ele havia ensinado para Sophie no tempo em que passaram juntos.

– Ele sempre foi assim, mas piorou bastante de uns tempos para cá. — Henry fechou os olhos e tomou mais um gole. — Bem, acho que ter uma crise de consciência não ajuda muito, não que eu saiba exatamente o que é.

– Sempre foi assim… como exatamente? Chato? Irritante? Ou os dois?

– Brigão. — Henry riu — Autêntico. Confiante. Charmoso. Eu poderia falar as qualidades dele o dia inteiro, e não ia acabar…

– Qualidades que só você enxerga — riu Sophie.

– Que nada. — Nero se intrometeu na conversa deles rindo. — Eu vejo também.

Henry parecia que ia explodir de tão vermelho que ficou.

– Vai fugir da discussão, seu romanozinho covarde? — disse Lauren com um olhar de dragão faminto e mais alguma coisa que Sophie imaginou ser pressa para ajudar Henry.

– Covarde?? — Nero se virou e caminhou na direção da garota e eles retomaram a discussão.

– Acho que ter contado pra vocês até que não foi má ideia. — disse Henry fazendo Sophie rir — Enfim, aposto que você também poderia citar todas as características de John, fácil assim.

Sophie deu uma risadinha, mas não estava muito convicta daquilo. Será que John poderia dizer o mesmo dela?

– Bom, você acha que consegue andar? — continuou Henry.

– Tem certeza que você não ta dando em cima de mim? — Sophie falou brincando, e riu quando viu a cara de pamonha que o garoto fez em troca. — Acho que eu vou conseguir andar depois de descansar um pouco. Estou morta.

– Certo. — ele passou a mão pelos cabelos. — Mesmo que em alguma hipótese eu quisesse, você tem um namorado, Sophie. Não se esqueça.

A garota assentiu. Henry sorriu, deu uma piscadela e posicionou o indicador e o polegar entre a traqueia. Sophie estranhou o ato até ele dizer:

– Chega vocês dois.

Então ela percebeu: a voz do garoto havia sido amplificada. Os briguentos pararam imediatamente e se juntaram a eles. Henry tirou a mão da garganta e sua voz havia voltado ao tom normal quando disse:

– Lauren, você fica de guarda?

Sophie percebeu que a garota estava esgotada, e não era por menos, havia aguentado muita coisa nas últimas vinte e quatro horas, mas mesmo assim não hesitou ao responder.

– Claro. Descansem em paz enquanto procuro novos xingamentos pra esse romano — ela praticamente cuspiu a última palavra.

– Ei — disse Henry fazendo uma careta — Eu também sou romano.

Lauren fez uma pausa olhando para o garoto, provavelmente absorvendo a informação só naquele momento.

– Você é diferente — concluiu.

Sophie riu, mas Nero não achou graça nenhuma; pegou um sanduíche na mochila e começou a mordê-lo, desgostoso.

– Então, três a sete quilômetros — disse Sophie querendo amenizar a conversa enquanto pegava seu último sanduíche na mochila — Não é tanto. Devemos cruzar a saída amanhã se nos dedicarmos.

– É uma média de cinco quilômetros. — Henry falou com emoção — Vai ser fácil.