Between Light and Dark - Pride
7 Henry Sunrise
A viagem até o Acampamento Meio-Sangue foi dura. Os quatro semideuses tiveram que lidar com monstros e afins quase vinte e quatro horas por dia. Com certeza não foi tarefa fácil. Nem um pouco fácil.
Quando se viram perto do Acampamento Meio-Sangue também não foi mais fácil. Parece que quanto mais perto do Acampamento eles ficavam, mais monstros os assolavam. Henry já estava cansado de enfrentar mais de uma criatura por dia, além de estar achando um tanto quanto interessante descobrir que existem tantos monstros que ele se quer ouvira falar e que viviam perto de Long Island.
O Acampamento não parecia tão hostil quanto imaginava, apesar de ter um dragão e 5 semideuses de prontidão em sua entrada. Mas fora isso, ficava no topo de uma colina e Henry apostava que qualquer mortal que passasse por ali, veria apenas crianças em campos de morango sendo felizes… bem, colhendo morangos. Ou simplesmente não veriam nada, talvez só um descampado inabitado. A névoa tinha esse poder.
O que é a névoa? Bom, a névoa é um tipo de disfarce que só semideuses poderosos e os deuses têm como controlar. A névoa meio que da jeito de esconder os monstros e as outras coisas relacionadas ao mundo greco-romano.
Hazel Levesque, esposa de Frank Zhang, a única romana dos sete da profecia que sobreviveu, tinha esse poder, aprendeu a controlá-lo e o usou durante a guerra contra Gaia. Foi uma das coisas que os ajudou a derrotá-la. Isso fazia dela uma semideusa poderosa, mais do que já era antes disso.
Na ocasião da luta contra Carlo, o Lestrigão, ele era visto pelo motorista do ônibus como um grande tornado, e não como ele realmente era; e provavelmente quando Nero colocou a espada em seu pescoço o que ele viu foi uma espingarda, ou só uma pistola comum.
Isso era bom, para manter a paz no mundo mortal e para garantir o livre arbítrio dos semideuses, até porque seria muito estranho adolescentes andando na rua com espadas altamente letais e armaduras.
Henry uma vez chegou a imaginar que talvez os mortais normais vissem as armaduras como proteção para skate. Isso seria muito legal em certo ponto, se a espada se transformasse num skate.
Até porque se virasse apenas um pedaço de madeira ele pareceria mais um vandalo ou um “Black Bloc” do que um simples garoto que gosta de andar de skate bem protegido.
Henry sempre achou a névoa uma das coisas mais legais nesse mundo que nem todos conhece; poder fazer as pessoas verem as coisas do jeito que não são. Se soubesse controlar a névoa, provavelmente arrumaria um jeito de falsificar alguns pedaços de papel para parecerem notas de dinheiro muito alto.
Era um sonho de Henry, quase que impossível. Quem normalmente conseguia esse tipo de coisa eram os filhos de Plutão e Hécate. Sendo filho de Apolo, era mais fácil ele contar uma piada ou decifrar uma profecia do que transformar pedaços de papel em dinheiro.
Eles subiram mais um pouco, sempre cautelosamente, cuidando para não pisarem em galhos e folhas secas. Estavam no outono, o que tornava isso um trabalho muito difícil. Não para Nero. Por ser filho do deus dos ladrões tinha uma pequena facilidade em não ser descoberto.
Nero indicou para que eles fossem em direção a alguns arbustos grandes e espinhudos, que os esconderia facilmente, até porque não queriam que um dragão de cerca de cinco metros e cinco semideuses armados até os dentes os descobrissem.
Estavam agora atrás dos arbustos na base da colina. Tinham que se esconder muito bem, e tomar cuidado para não erguer a cabeça muito acima do nível dos arbustos. Até porquê, na frente deles havia um campo aberto com apenas algumas árvores que davam visão direta dos guardas e do dragão e vice-versa.
Aquele era o melhor esconderijo que conseguiram a uma distância nem tão grande mas nem tão pequena do topo da colina; a entrada para o Acampamento.
– Certo, precisamos de um plano — disse Nero decidido.
– Plano? Pra quê? — perguntou John.
– Para passarmos pela segurança.
– Não é só chegarmos até lá e contarmos nossa história? — manifestou-se Henry.
Nero parecia ofendido por eles não enxergarem o que devia ser feito. Henry já estava acostumado a isso; Nero era meio exagerado as vezes mesmo.
– Ora, claro que não! E se resolverem nos atacar antes disso?
– Atacamos de volta, dãr! — respondeu Sophie.
Nero se espantou e pela sua cara ficou mais ofendido ainda.
– Claro que não! Precisamos montar formação! Já disse mil vezes que para vencermos uma batalha, precisamos montar formação e atacarmos todos juntos! Ou vocês querem morrer sem ao menos contar sua história?
– Certo, e quantas vezes não fizemos isso e deu super certo? — replicou Sophie.
– Várias, mas dessa vez é diferente! Não estamos lutando contra monstros idiotas! Lutaremos contra pessoas como nós! Que pensam racionalmente! Quer dizer, talvez pensem. Passei a desconhecer essa virtude nos gregos depois que atacaram o Acampamento Júpiter.
A esse momento, pelo que Henry podia perceber, Nero estava nervoso, confuso, ofendido, irritado e beirando a histeria.
– Nero, pare de ficar histérico. Eles têm razão. Sem falar que você conhece os gregos e sabe que eles são amigáveis e acreditam piamente no que um deles diz. As chances de nos atacarem são quase nulas.
– Mas ainda há chances! Eu também achava que eram amigáveis, até matarem meu irmão e todos aqueles outros legionários! — Nero quase berrou.
– Nero, olhe para mim. Você quer que sejamos descobertos e morramos agora? Não. Exato. — concluiu Henry antes mesmo de Nero pensar no que responder — Assim como eu, você conviveu com esses dois gregos durante quase um mês e sabe tão bem quanto eu que eles estão certos. Também sabe que são amigáveis e racionais. E provavelmente já percebeu que talvez aqueles semideuses estivessem fora de si. Pare de tentar dar uma de superior e de o mestre dos planos porque você não é. Não é filho de Belona, nem de Marte e muito menos de Atena. Você é filho de Mercúrio.
Nero olhou para os três; estava se sentindo extremamente ofendido. Sophie — que estava começando a ficar furiosa — passou a encará-lo. Nero tentou evitar olhar diretamente para ela, mas não conseguiu por muito tempo, quando encontrou aqueles olhos azuis raivosos fez uma coisa que Henry nunca havia visto ele fazer desde que o conhecia: ele abaixou a cabeça e disse:
– Ok. Decidam vocês o que fazer.
“Uau”, pensou Henry. “Não sei como, mas essa menina conseguiu fazer algo inédito: conseguiu com que Nero desistisse.”
– Enfim, de qualquer jeito precisamos mesmo de pelo menos um plano básico, não queremos morrer hoje, certo? — disse Henry para agradar um pouco o amigo.
– Certo — disse John sendo cauteloso — Já sei! Eu e Sophie, semideuses gregos, podemos ir até lá, entrar, achar Percy Jackson, contar nossa história, dizer que vocês nos ajudaram. E então veremos tipo, se vocês serão interrogados, se vão entrar, etc. Provavelmente vocês conseguirão entrar.
– Boa ideia — Henry falou sem pestanejar. — Ainda bem que já resolvemos isso. Estava com medo do Nero começar a surtar que nem uma menininha que nem ele faz de vez em quando.
– Ei! — protestou Nero e avançou para Henry.
O filho de Apolo gargalhou e segurou-o.
– Calma! Só estou brincando!
Após alguns momentos de silêncio, John disse:
– Certo, então, levamos as espadas ou não?
– Talvez. Nero?
Nero permaneceu calado, fingindo que o amigo não existia.
– Ótimo, o surto de menina psicótica começou. Enfim, levem. Contem que são presentes de seus pais até porque as espadas possuem disfarces. Mas vamos logo enquanto eu tento acalmar a mocinha aqui.
– Mocinha???? Seu filho da… — Nero começou a ficar furioso.
– Oh deuses, vamos!
Assim, os quatro semideuses subiram a montanha enquanto Henry tentava acalmar Nero de seu surto psicótico. Não tardaram a ouvir alguém gritando:
– Alto! Semideuses se aproximando! Dois romanos!
E então, os 5 semideuses apontaram suas armas em suas direções e o dragão ficou em posição de luta. Nero, Henry, Sophie e John ergueram as mãos automaticamente.
– Temos dois gregos aqui! — gritou Nero, já mais calmo.
– O quê? Dois gregos? — Os guardas se questionaram.
– Parem com toda essa enrolação e chamem o Quíron, Percy e Annabeth! Todas as armas no chão — gritou o guarda mais alto que havia tirado seu elmo. Todos o obedeceram de prontidão, até os quatro semideuses viajantes.
Henry notou que ele até que era bem bonito. Era alto, tinha uma pele que tendia para mais morena, e olhos e cabelos negros. Aparentemente nada demais, mas tudo ali combinava de uma maneira que o tornava muito atraente.
“Mas espera, por que estou pensando nisso?”, pensou Henry.
Henry percebeu que de uns tempos para cá, mais exatamente depois que conheceu Nero, começou a se sentir diferente. Nero era o cara que eles mais admirava e confiava no mundo. Henry não tinha só amizade com Nero, tinha admiração por ele.
Tudo bem que as vezes Nero cometia erros, mas quem nunca errou? Henry se sentia mal quando alguém o criticava. As vezes Henry se flagrava pensando nos outros garotos de forma diferente. Isso não o tornava gay, tornava?
Henry decidiu que não pensaria mais em coisas desse gênero, mas sempre se acabava pensando nos outros assim como pensou no guarda à pouco. Essa era uma pergunta que o assombrava fazia um tempo.
Henry estava meio que num transe, sempre que começava a pensar nessas coisas, isso acontecia. Às vezes quando estava estressado e começava a imaginar que era homossexual acabava desmaiando. “Acho que ainda não estou preparado para a verdade” Pensou Henry ainda no transe antes de ser despertado por sacolejões e a voz de Nero o chamando:
– Henry, Henry!
E então percebeu que estava observando fixamente uma pedra no chão.
“Os gregos devem achar que sou louco agora.”, pensou Henry.
– Ah. Oi. O que eu perdi?
– Nada de mais. Vocês dois vão ficar aqui. — disse o moreno.
Então, dois guardas avançaram e imobilizaram Nero e Henry.
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