Better Together
8 Suspeitas.
Notas iniciais
Antes de ligar para a mãe, Merida comentou com Soluço o pedido que Jack lhe fizera, e ele gentilmente indicou qual era a casa de Rapunzel.
– Eu iria com você, mas é muito desconfortável andar com isso. — Soluço explicou, indicando a muleta com o queixo.
– Ah, tudo bem. Eu só quero mesmo checar como ela está. Talvez eu possa oferecer ajuda com as matérias que ela perdeu.
– Acho que ela iria gostar muito disso. — ele concordou, mas depois sua expressão ficou mais sombria. — Merida... Só não tenha muita esperança.
Merida olhou fundo nos olhos dele.
– O que você quer dizer com isso? — ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Mas Soluço não parecia disposto a dizer mais nada. Ele apenas ficou olhando para ela, parecendo escolher o quanto iria contar. Depois desviou o olhar na direção da casa de Rapunzel, pensativo.
– Eu a conheço a bastante tempo.
Merida franziu a testa, frustrada com a resposta, mas não quis protestar.
– Então nos vemos amanhã, certo? — ela perguntou.
– Claro. — ele assentiu, com um sorriso travesso. — Não é como se eu fosse sair correndo, sabe.
Merida deixou escapar uma gargalhada da ironia dele, temendo que Soluço fosse se ofender, mas ao olhar para ele, viu que também ria, divertido por causar esse efeito nela.
Ela acenou para ele, abanando a cabeça para si mesma e andando na direção da casa de Rapunzel. Não era muito longe. A casa de Soluço era bem no meio da quadra e a de Rapunzel, na esquina. Merida só se surpreendeu com o tamanho quando chegou a poucos passos do jardim. Apenas o jardim externo era maior do que a casa dela todinha. Arbustos muito bem podados faziam conjunto com um gramado impecável, tão verde e saudável que mais parecia um tapete. Merida se pegou admirando as flores que cresciam junto a uma das paredes enquanto o dedo pressionava a campainha. Com um jardim daqueles, era bem provável que Rapunzel tivesse um jardineiro especializado só para cuidar dele.
Poucos segundos depois, a porta se entreabriu um pouquinho. A luz cálida vinda de uma sala de estar e um único olho verde e frio espiaram pela fresta. Em seguida, a porta se entreabriu um pouco mais, revelando o rosto de Rapunzel.
– Merida. — Rapunzel exclamou, olhando para trás rapidamente e voltando a atenção a Merida. Ela parecia surpresa e assustada com a visita da amiga. — O que você está fazendo aqui?
– O Jack me pediu para ver como você estava. — Merida explicou, abrindo um sorriso tranquilizador. — Claro que eu não vim apenas por causa disso. Eu também queria ter notícias suas. O que é que houve?
– Eu tive uma... gripe muito forte. — Rapunzel balbuciou. — Mas fiquei de cama e tomei remédios e agora estou um pouco melhor.
– Mesmo? — Merida ergueu uma sobrancelha, reparando nas olheiras de uma noite mal dormida e no fato de que Rapunzel estava apenas com o rosto para fora da porta.
– Eu estou bem Merida. Amanhã vou para a escola e conversamos melhor. — disse, olhando por sobre o ombro mais uma vez e tentando fechar a porta da casa.
– Olha, eu entendo que talvez você não queira conversar... — Merida começou , empurrando a porta e abrindo alguns milímetros para continuar. — Mas, nós estamos preocupados com você. Jack principalmente.
Ao ouvir sobre Jack, a dor cruzou a expressão de Rapunzel, e por um breve momento ela pareceu querer dizer algo mais, mas pensou melhor.
– Eu sei que ele está preocupado comigo, mas eu juro, está tudo bem. — respondeu com a voz baixa. — Diga a ele... Por favor diga que mais tarde eu ligo para ele. Agora eu preciso entrar Merida. — disse lançando um olhar suplicante para a garota, que arqueou uma sobrancelha. Porque ela estava a mandando ir embora? O que estava acontecendo ali dentro da casa de Rapunzel?
– Tudo bem. Então... até amanhã. — Merida despediu-se com um ar de dúvida.
– Até. — confirmou com um balançar de cabeça, fechando a porta em seguida.
Merida permaneceu na porta da casa de Rapunzel por mais longos dois minutos assimilando tudo que conversara com a amiga. Enquanto enviava uma mensagem de texto para Elinor buscá-la, Merida tentou imaginar por quê Rapunzel tinha parecido tão estranha. Talvez a tia maluca dela a tivesse colocado de castigo por ter se atrasado. Era uma hipótese. Talvez Rapunzel estivesse recebendo visitas em casa. Ou talvez simplesmente estivesse com medo que que Gothel as ouvisse conversando e viesse investigar. Merida estremeceu. Seria possível?
Deve ter ficado pensando nisso por bastante tempo, pois o carro de Elinor parou na esquina e ela se deu conta de que estava distraída demais pensando no assunto. Merida caminhou até o carro de sua mãe que a estava esperando e entrou, em silêncio.
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Jack estava em seu quarto ouvindo seu estilo preferido de música, rock, quando ouviu vozes no corredor do primeiro andar. Habilmente tirou os fones, jogando-os perto do notebook que estava ali próximo. Levantou-se da cama com um pulo, correu até a porta e a abriu no exato momento que a porta do quarto da frente se fechou.
Como sempre, abriu a porta sem bater e desviou-se por pouco de um soco Merida armou quando o viu. Novamente havia lhe dado um susto.
– Você não tem educação mesmo não é? — ela rosnou, quase aos gritos. — Eu poderia estar trocando de roupa agora e você abre a porta assim sem mais nem menos. — completou, apontando o dedo no rosto do rapaz.
– Menos Merida. O importante é que não aconteceu nada. — respondeu em um tom sério.
– Mas poderia ter acontecido. — rebateu irritada.
– Mas não aconteceu. — repetiu dando ênfase à frase. A garota bufou e se sentou na cama tirando os sapatos.
– Você conseguiu falar com ela? — Jack perguntou, indo direto ao assunto, em um tom procupado.
– Nem sei se posso falar que conversamos. Ela colocou só a cabeça para fora para falar comigo, talvez com medo da Gothel vê-la conversando comigo. — respondeu. Olhou por um segundo para ele ali e novamente desviou o olhar. — Ela disse que está bem e que vai para a escola amanhã. — contou, causando um suspiro pesado vindo do rapaz.
– Ela já me disse que estava bem, mas eu não sei se isso é verdade. — Jack comentou com um ar distante. — Ela disse mais alguma coisa? — ele encarou Merida e ela deu ombros.
– Só disse que ia ligar para você depois. — disse simplesmente.
Ao ouvir isso, a expressão de Jack mudou completamente. De preocupado e sério voltou para o seu ar feliz e zombeteiro de sempre, fazendo uma última piadinha antes de sair do quarto da irmã.
– Espero que tenha aproveitado o seu tempo a sós com o seu namorado. Amanhã vou acertar minhas contas com ele. — ironizou com um sorriso malicioso quando estava saindo do quarto.
– Você deixou a porta aberta! — gritou levantando da cama e indo até a porta para xingá-lo dos mais variados palavrões.
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