Merida ficou olhando o último caminhão cruzar a esquina e ir embora. Suspirou, apanhou uma caixa com algumas coisas dela no chão e se virou para olhar sua nova casa. Era bonita, isso ela tinha que admitir. Dois andares, uma varanda ampla e um gramado imenso na frente. No primeiro andar, uma cozinha, um banheiro, a sala, e o quarto que seria de Elinor e North ( com seu próprio banheiro). No segundo andar, o quarto dos trigêmeos, o quarto de Merida, que coincidência ou não, ficava de frente para o de Jack. Não bastava ter que estudar com ele. Os dois seriam vizinhos de porta. Ela afastou o pensamento enquanto levava a última caixa com suas coisas para cima. Subiu as escadas olhando e analisando as paredes com azulejos muito refinados. Logo aquele local estaria cheio de quadros dela e de sua mãe. Andando pelo primeiro andar avistou a decoração da porta de seu quarto. Fora pintada de uma tonalidade de azul esverdeado escuro. Merida esboçou um sorriso que logo desapareceu com três vultos de cabelos alaranjados saindo em disparada do quarto do adolescente de cabelos brancos.

–Harris! Hubert! Voltem aqui com os meus fones de ouvido! Hamish, devolva o meu celular! – o rapaz gritara descendo correndo as escadas atrás dos novos irmãos.

“ Pelo menos eu não vou mais ser a única a sofrer com isso. Bem feito, Jack.” Riu de seu próprios pensamentos.

Empurrou a porta ligeiramente aberta com a perna e deixou a caixa no chão, dando uma segunda olhada. Era ainda maior que seu antigo quarto, maior do que o quarto dos irmãos e talvez maior do que o de Jack. Havia um banheiro minúsculo só para ela. Merida tinha se perguntando se sua mãe e North haviam decidido deixar o quarto maior para ela como prêmio de consolação. As paredes laterais eram ligeiramente inclinadas, como em um sótão, e uma delas estava coberta com um papel de parede verde claro com desenhos de folhas. Sua cama, seu guarda roupas e sua escrivaninha já estavam lá, montadas e prontas, então Merida se ocupou em organizar suas roupas nos cabides, passando para os livros em seguida.

Subitamente a porta se abriu e ela não teve que se virar para ver quem era.

– Você poderia ter batido. — ela comentou, friamente, enquanto se abaixava para pegar mais livros na caixa e arrumá-los na prateleira.

– Meus patins de hóquei não estão em lugar nenhum. — Jack explicou, enquanto olhava em volta. — Estavam nunca caixa vermelha, será que... — ele se interrompeu novamente, seu rosto se iluminando ao avistar a caixa, sobre uma pilha de outras. — Estão ali.

Jack caminhou até a caixa e a pegou.

– Obrigado. — ele murmurou.

– Por nada. — Merida respondeu, ironicamente.

E saiu, deixando a porta escancarada. Merida bufou, indo até a porta e resmungando entredentes alguma coisa sobre privacidade e portas fechadas. Parou no corredor, a exatos dois segundos de gritar um xingamento quando North subiu as escadas e ela teve que engolir a raiva por alguns instantes. Ele tinha uma expressão concentrada, como se tivesse que levar a cabo uma tarefa desagradável. Arregalou os olhos ao vê-la, como se não esperasse vê-la ali.

– Bom dia, Merida. — cumprimentou, um tanto sem jeito. — O que achou do novo quarto?

– Bom dia. É bem... grande. — ela comentou, com sinceridade. Ainda não tinha bem certeza do que deveria achar.

– Sim. Sua mãe e eu escolhemos esse para você. – ele explicou.

Merida deu um sorrisinho. Então era mesmo um prêmio e consolação.

– Eu posso entrar? — ele pediu, educadamente, fazendo Merida perceber que ainda estavam parados no meio do corredor.

– Claro! — ela fez um gesto na direção do quarto, entrando logo em seguida.

– Sua mãe e eu achamos que você deveria ter um banheiro só para você.

– E eu fico grata por isso. Compartilhar o banheiro com três irmãos mais novos... — ela deu ombros, como se não precisasse explicar mais nada e North apenas assentiu.

Pela primeira vez Merida notou um envelope fechado na mão dele, mas não fez nenhum comentário, esperando para ver o que viria em seguida.

– Merida... Eu sei que tudo isso tem sido muita coisa para você processar... Casa nova, escola nova... E bom... Jack. — Ele fez uma pausa e ergueu uma sobrancelha, transformando a afirmação em uma pergunta. Merida apenas assentiu. — É, eu sei que as coisas entre vocês não tem ido muito bem. É mais do que natural. E eu sei que não tenho o direito de lhe pedir que aceite essa situação logo de cara, mas eu queria te pedir que tentasse ver o lado bom de tudo isso.

"Há um lado bom?", Merida pensou, sem dizer nada.

– Jack e eu... Elinor foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mas meu filho e eu estivemos sozinhos por muito, muito tempo. Então eu só queria lhe pedir para ser paciente com ele. Essa situação é um pouco estranha para nós dois também. Entende?

Merida não entendia, mas fez que sim, de qualquer maneira.

– Ah, eu quase ia me esquecendo. Isso é o seu horário de aulas. — Ele acrescentou, entregando o envelope a ela. — Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, é só me pedir. Elinor vai levá-los no primeiro dia, então não se atrase.

Merida sorriu para ele.

– Não vou. E obrigada, North. Eu vou fazer o meu melhor. — Ela prometeu, sem ter muita certeza de que conseguiria.

North sorriu por sobre o bigode, e sem dizer mais nada, saiu, entrando direto no quarto de Jack sem bater na porta, deixando-a aberta. Merida franziu a testa. Agora sabia de onde tinha vindo o hábito.

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Já era de manhã quando Merida, após uma grande demora para conseguir dormir na noite anterior, acordou. Suas janelas ainda estavam sem cortinas o que a ajudou a levantar mais rápido. Eram 6:00 horas e ela teria de se arrumar logo.
Vamos Merida, levante logo e vá se arrumar. Daqui a pouco terá de enfrentar a fúria de sua querida mãe dizendo que está atrasada.” Tentara acordar com o pensamento, mas não adiantou muito.
Foi celular vibrando sobre a cama que a acordou. Programara o despertador para tocar cinco minutos depois do horário. Sabia que não levantaria da cama tão rápido. Com muita falta de vontade e desânimo, Merida dirigiu-se ao minúsculo banheiro de seu quarto afim de lavar o rosto. Escovou os dentes, mas nem mexeu no cabelo ruivo. Daria muito trabalho arrumar.
Caminhou lentamente até o guarda-roupa e encontrou a roupa que sua mãe deixara separada na noite anterior, quando não estava nem um pouco afim de conversar. Estava do mesmo jeito que Elinor deixara, passada e totalmente arrumada. Vestiu-se com um pouco de desgosto e calçou o tênis que tinha guardado há muito tempo. Pronta, pegou a mochila que preparara também antes de dormir e desceu para a cozinha no primeiro andar.

Notas finais
Olá pessoal! Sei que combinamos de postar aos sábados, mas ontem eu cheguei em casa tarde (Fui assistir Jurassic World, recomendo!) e mal consegui manter os olhos abertos na frente do computador. Enfim, com um pouco de atraso, está aí!