Notas iniciais
Oi, galerinha! Pareço animadora infantil.. '-'

Quinn encostou sua cabeça na janela do carro, fechou os olhos e bufou. Brittany não parava de cantar, e isso estava a incomodando.

– Então... – Brittany começou, ajeitando o espelho retrovisor. – Quantos anos vocês têm?

– 16. – Santana respondeu, já que Quinn não parecia prestar atenção.

– Eu também, quase 17.

– Você devia estar dirigindo?

– Não, mas quem liga? Estamos em um apocalipse zumbi.

– Zumbi? – Quinn se intrometeu, com uma sobrancelha arqueada.

– Sim. Nunca ouviu falar deles? São mortos que vão atrás de pessoas vivas, atrás de cérebros.

– Eu sei o que é um zumbi.

– Eu acho que esses são modernos. – Brittany franziu a testa. – Acredita que esses conseguem correr? Quero dizer, eles não deviam correr.

– Assustador. – Santana murmurou.

– Eu sou de Maine. Meu pais tem uma fazenda lá, então imagine o que é fugir de cavalos, porcos, coelhos...

– Coelhos? – Quinn perguntou, um pouco assustada.

– Sim. Eu tive que matar todos.

– E... seus pais?

– Eles moram na Austrália. É para onde estou indo.

– Austrália parece um lugar legal. – Santana comentou. – Cangurus.

– Não vamos para a Austrália. – Quinn disse, olhando para fora do carro.

– E se você não achar sua avó?

– Vamos para Manhattan, achar seus parentes.

– Eu não quero ir para Manhattan.

– Então fique em Ohio! Morra aqui mesmo! – Quinn gritou, assustando Brittany, que parou a picape rapidamente.

As três ficaram em silêncio, viram alguns zumbis, como Brittany os chamava, e Quinn suspirou, abaixando a cabeça.

– Me desculpe. Eu irei te proteger, como prometido, então onde você quiser ir, eu irei.

Brittany voltou a dirigir, elas continuaram em silêncio, Santana brincava com seus próprios dedos da mão e Quinn olhava para o lado de fora.

– Vire naquela rua. – Quinn pediu, depois de um longo tempo de silêncio.

Ela estava apreensiva. Queria ver seus avós, queria acabar com todo aquele medo que ela tinha, queria que tudo aquilo não existisse, até mesmo Brittany. Quinn não sabia muito o porquê de não ter gostado de Brittany, se ela pareceu ser uma garota legal. Brittany se aproximou de uma casa branca, Quinn a mandou parar e desceu no carro, vendo a porta aberta.

– Quinn, é melhor irmos embora. – Santana disse, descendo do carro.

– Vamos ver se tem alguém lá dentro.

As duas se aproximaram lentamente da porta, Brittany desceu da picape, pegou seu pé de cabra da traseira da mesma e pegou a barra de ferro da Quinn, se aproximando das duas em seguida.

– Não deviam entrar sem armas.

Quinn pegou sua barra de ferro, Brittany entrou na frente, fazendo Quinn revirar os olhos, entrou na sala e fez sinal para que as outras entrassem. Santana se manteve longe, já que ela estava sem algo para se defender, Quinn passou por Brittany, esbarrando em seu ombro, entrou na sala e viu tudo do mesmo estado.

– Parece que está tudo bem.

De repente elas ouviram um barulho vindo da cozinha, Quinn correu até lá e viu uma senhora de cabelos brancos, que naquele momento estavam sujos de sangue, esbarrar na mesa, fazendo algumas cadeiras caírem.

– Parece que não. – Brittany sussurrou.

– Vovó...

– Vamos sair daqui, antes que junte mais.

– Não. Eu... eu não tenho onde ir. Minha única chance era ficar aqui e...

– Quinn, nós não podemos ficar aqui. – Santana disse, se aproximando. – Vamos sair daqui.

– Não Santana. Isso aqui não devia estar acontecendo!

O zumbi da avó da Quinn se virou de frente para elas, assustando as duas, a morta lentamente se aproximou delas, Santana segurou a mão da amiga e a apertou.

– Quinn...

Ela se aproximava cada vez mais, Quinn arregalou os olhos e em seguida os fechou, com medo. Brittany rapidamente cravou o pé de cabra na cabeça do zumbi, fazendo espalhar sangue, Santana arregalou os olhos e apertou mais a mão da Quinn, que não se atreveu a abrir os olhos.

– Vamos sair daqui, agora.

As duas correram para fora, em seguida entraram na picape, Brittany viu um bastão de Baseball jogado no chão da sala, ela o pegou e correu para o carro, jogando as armas na traseira, em seguida começou a dirigir.

– Para onde vamos agora? – Santana perguntou, triste pela melhor amiga.

– Qualquer lugar. – Quinn respondeu, um pouco embolado, por estar chorando.

– Austrália? – Brittany perguntou, arrancando um pequeno sorriso de Santana.

– Austrália.

***

A picape estava parada, Quinn ainda não sabia exatamente o porquê de Brittany ter parado o carro na saída de Ohio. Ela queria sair dali o mais rápido possível, não aguentava olhar para aquela cidade, onde passou maior parte da sua infância com seus avós.

– Esses biscoitos são deliciosos! – Brittany comentou, parando ao lado da Santana, que estava encostada no carro, com uma garrafinha de água não mão e Quinn ao seu lado.

– Você nunca os comeu?

– Não.

– Se você comer todos, ficaremos sem ter o que comer. – Quinn resmungou.

Ela não estava muito feliz com tudo aquilo, afinal, quem estaria? Seus pais morreram, seus avós morreram, sua irmã morreu. Quinn tinha apenas Santana e uma garota que ela não conhecia, que parece feliz com tudo. Isso porque ela não perdeu os pais, Quinn pensou.

– Podemos passar em algum mercado e comprar algumas coisas para comermos. – Brittany opinou, colocando mais um biscoito em sua boca.

– Nos atrasaremos assim.

– Anime-se, Quinn. – Santana disse, em seguida bebendo um pouco da água.

– Me animar? – Quinn perguntou, franzindo a testa. – Será que eu ouvi isso mesmo? Santana, eu perdi minha família! – ela gritou. – Tenho ninguém nesse mundo e você quer que eu me anime?

– Adivinha, Quinn! – Santana gritou de volta. – Eu também perdi a minha família! Eu os vi morrer, e não pude fazer nada! Mas acredite, diferente de você, eu tenho alguém. Eu tenho você! Enquanto meus pais morriam em minha frente, eu apenas me preocupei com você! “Será que Quinn está bem? Será que ela conseguiu se manter viva? Se ela morreu, o que será de mim agora?”

Aquilo doeu nas duas. Quinn nunca havia imaginado isso. Ela não viu seus pais morrerem, porque quando dois zumbis entraram em sua casa, Frannie havia a colocado no armário de seu quarto e a fez prometer que não sairia dali, nem mesmo se ouvisse seus gritos, então assim, Quinn fez. Por mais que ela quisesse ter saído daquele armário, ela havia prometido à Frannie, e também estava com medo.

– Bem... – Brittany começou, colocando sua mochila na traseira da picape. – Que tal voltarmos para a estrada e pararmos em um mercado no meio do caminho, ou até mesmo um posto de gasolina? Afinal, o carro precisa ser reposto.

As três entraram novamente no carro, Quinn e Santana se mantinham caladas. Santana não queria falar sobre aquilo, e Quinn não queria dar o braço à torcer. Ela sabia que devia se desculpar, mas não queria fazer naquele momento.

– Teremos que fazer o resto da viagem em silêncio? – Brittany perguntou, parecendo desconfortável.

– Não sei. – Santana respondeu, cruzando os braços. – Isso depende se Quinn não parar de ser infantil.

– Eu não sou infantil. – Quinn murmurou.

– Se você está dizendo...

– Vai começar com as suas ironias idiotas?

– Minhas ironias não são idiotas.

– Oh, certo!

– Meninas! – Brittany chamou a atenção das duas. – Acho melhor ficarmos em silêncio mesmo.

Quinn cruzou os braços e olhou para fora. Brittany não gostava muito do silêncio, a fazia se sentir solitária, mas naquele momento, era a melhor escolha, ao invés de ficar ouvindo as duas discutindo.

Notas finais
O que acharam?