Best of Time : A Colunista
1 Eu vi...
Notas iniciais
Espero que gostem e que essa história sirva para que possamos manter um elo, porque eu já amo vocês!!
BEIJOSSSS
1950. Denver, Colorado.
O dia nascia novamente e com ele, novas esperanças e sonhos. Sonhos que mudam a cada passo dado, sonhos que se tornam mais alcançáveis e ligeiramente divertidos.
Era uma quarta-feira, e a cidade de Denver estava um caus. Nas manchetes do jornal local se lia : “Adam, o homem de lata, foge da prisão”. Contudo, essa história não vai falar sobre Adam, o homem de lata e sim, de Ellen Paper, a colunista de conselhos.
As mulheres cada dia mais independentes e livres, não estavam nem um pouco preocupada pelo Adam. Elas corriam até a porta, agarravam o jornal e nem olhavam as manchetes. Se dirigiam direto para a coluna da Senhorita Ellen Paper, na página 18.
Todas as mulheres de Denver liam a coluna Best of Time, menos Ellen Paper. Isso porque Ellen Paper não existe. Claro, que dentro dos conceitos básicos da constituição e logicamente falando, existe alguém que escreve para a coluna. Bem, isso é porque Ellen Paper é um pseudônimo.
A mulher que dá vida à geniosa Ellen Paper é Santana Lopez, ex-cantora e ex-dramatizadora de rádio novelas.
Santana dizia à todos que se cansara de cantar e queria construir uma vida fora de New York. Ter algum motivo maior pelo qual lutar e defender. Mas, é claro que não foi por esse motivo. Nos anos 50, quem gerava a indústria musical eram as mulheres e mulheres queriam ouvir homens cantando, o que tirava o sucesso de qualquer mulher.
Então, Santana recebeu a proposta de escrever para uma coluna de conselhos em Denver e tudo que teve que fazer foi mudar seu nome e homenagear a mulher de sua vida!
Não, Santana não era casada. Ela se sentia atraída por mulheres e o que sentia por Ellen era mais que atração. Contudo, Ellen se mudou de Denver com o marido e o amante sem saber do amor de Santana.
Naquela quarta-feira, Santana estava na sala que dividia com sua colega de trabalho. Santana cuidava das colunas de fofoca e conselho. Já Rachel, colega de trabalho, cuidava de política. Uma vez ou outra, escrevia sobre os eventos que ocorriam em Denver. Rachel por tratar de política, trabalhava como : Richard Lewis, um revolucionário sem papas na língua.
- Rachel, sinto que em nossas vidas haverá mudanças. – Disse Santana, dando uma última tragada em seu cigarro antes de jogá-lo na xícara de café frio que despojava sobre a mesa.
- Quem diz isso ? Espero mudanças desde o século passado, ou pelo menos uma manchete... – Expos Rachel, ajeitando os óculos de leitura quadrados.
- Não quero dizer no jornal, Rachel. Quero dizer na vida! – Exclamou Santana fingindo que lia a manchete matinal sobre : “Adam, o homem de lata.”
- Santana, o jornal é minha vida... – Disse Rachel com um tom revoltante matinal.
- Ah, Rachel! Pense maior, quando você finalmente conseguir a merda de sua manchete, o que não será difícil pois você é uma ótima escritora, vai fazer mais o que? – Perguntou Santana encarando-a.
Um silêncio, que era comum pela manhã, invadiu a sala. O escritório em que as duas trabalhavam era o menor da empresa, mas não era muito pequeno. As duas tinham mesas, pouco maior que uma escrivaninha, que estava sendo ocupada por muito papel, máquina de escrever, xícara de café e no caso de Santana, cigarros. No fundo da sala, um armário que servia para guardarem as colunas já escritas, publicadas e impressas. No teto, um ventilador que girava incansavelmente e aliviava o calor que sentiam por causa da janela travada. No chão, lixeiros que transbordavam papel e um carpete chocolate.
Rachel pensava na resposta que daria à Santana. E pensou que talvez ela estivesse certa, talvez tenha que pensar maior. Rachel era uma linda mulher, tinha cabelos negros, pele clara, olhos castanhos, traços exuberantes. O seu comportamento era marcado por ser pouco tolerante e muito educada, um fator em que ela e Santana eram parecidas. Ser pouco tolerante. Era desejada por qualquer homem, mas dizia que homens traziam problemas e que só daria o braço à torcer quando sentisse que estava realmente apaixonada.
Santana era lindamente diferente de Rachel. Santana era uma mulher com pele caramelo, que parecia refletir ao Sol, cabelos ondulados e negros, olhos tão negros quanto tinta, traços delicados. Santana por muito tempo aprendeu a ser positiva, era pouco tolerante e totalmente sincera. Gostava de se reinventar todos os dias e tinha admiração por mulheres de grande caráter, e dizia que ainda ia aprender o que era ter caráter.
- Rachel tenho um trabalho extra para você na sexta-feira. O carnival da praça central, preciso que você trabalhe isso para essa semana. – disse o editor-chefe, Frech, entrando na sala das duas. Frech era um homem baixinho, de meia-idade que era pouco levado à serio. E não era nada honesto, sabia denunciar qualquer um na fase de colapso.
- Carninval? Frech, achei que os carnivais estavam banidos por cinco anos desde o incidente com o Adam, o homem de lata. – Disse Rachel sem levantar os olhos do jornal.
- Pois é, você tem até sexta-feira para saber dos motivos que levou o prefeito à conseguir a permissão. – Mandou Frech, mexendo freneticamente as mãos.
- Tudo bem, não será tão difícil. Posso levar Ellen comigo? – Perguntou Rachel olhando de Frech para Santana.
- Oh, Richard! Não precisa pedir permissão para o senhor Frech. É claro que aceito ser a sua acompanhante no Carnival, que era para ser banido por cinco anos! Será uma honra! – disse Santana cruzando as pernas e sorrindo abafadamente.
- Loucas! Quanto mais eu peço... E claro, pode levar a senhorita Santana com a senhorita. Sexta, coluna do sábado. – disse Frech antes de fechar a porta e deixa-las sozinhas.
As duas começaram a imitar o tique de Frech, mexer as mãos freneticamente, e cair na gargalhada.
Quando Santana terminou suas colunas e enviou a melhor para ser impressa, se dirigiu ao estacionamento. Entrou dentro do seu Ford, 75% novo, e seguiu rumo à sua casa. Colocou seu óculos de Sol e ligou o rádio, foi cantarolando até a rua de esquina do jornal. A rua estava sendo interditada, por um cano que havia estourado.
- Desculpe-me senhor. Mas o que aconteceu? – Perguntou Santana parando o carro e diminuindo o volume do rádio.
- Um cano de esgoto estourou, e ele tinha uma importante ligação. – disse um dos encarregados.
- Merda! Não tinha outra hora para quebrar? Puta que pariu, como vou passar agora? Se essa porra está parando a rua. – Disse Santana ficando transtornada e começando a ficar vermelha.
- Desculpe senhora, o prefeito mandou consertar pela manhã já deve estar pronto. Desculpe pelo transtorno. Bem, a senhorita poderia passar pelo centro. Torna o trajeto mais longo, mas é o mais correto. – Indicou o encarregado, sentindo uma leve vergonha.
- Tudo bem, obrigada. – Agradeceu Santana antes de dar a ré e conduzir o carro até o centro.
Não havia muito tempo desde a última vez que Santana havia passado pelo centro para chegar em casa e nada parecia novo. Se não, pela nova lanchonete, onde lia-se “Share Shake” em rosa neon. Santana diminui a velocidade para se lembrar se a Share Shake sempre esteve ali e ela nunca percebeu, mas acabou concluindo que era uma nova lanchonete. Talvez fosse porque frequentava todos os lugares badalados de Denver e nunca se esqueceria de uma lanchonete com um nome engraçado ou porque tinha um caminhão de mudanças estacionado na frente da lanchonete. Ou ainda fosse por uma loira que saiu de dentro do estabelecimento. Ah, com certeza a loira havia mexido com Santana.
Notas finais
O que acharam? Gostaram? Preferiam ter sido mortos? Qual é a opinião de vocês? Contem, eu ADORO ouvir...
BEIJOS, até a próxima!
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